ENTREVISTA COM MARCÃO, VOCALISTA E GUITARRISTA DO CLAUSTROFOBIA

  • *Matéria publicada originalmente em novembro de 2008 no blog Sub-Rock.
    No último sábado, dia 08/11, a cidade de Carapicuiba, na Grande São Paulo, recebeu um dos maiores nomes do metal brasileiro atual: Claustrofobia. Após o show, realizado na Toca da Baleira, o vocalista Marcão nos concedeu uma entrevista.
    Vocês fizeram uma turnê europeia no ano passado. Como foi essa experiência?
    Nós ficamos cerca de dois anos batalhando para concretizar o plano de sair do país e fazer uma coisa legal, sem entrar numa roubada para não prejudicar o nome da banda, porque nós estamos há muito tempo juntos e tínhamos que colocar o pé no chão e saber da nossa realidade. Ficamos lá por quatro meses, fizemos 25 shows, o que é pouco se levar em consideração o tempo que ficamos por lá. Mas o objetivo dessa turnê, além de tocar, era aprender e viver um pouco no meio da cena do Metal. Não houve ambição, foi mais por aprendizado mesmo, conviver com pessoas de outros países, conhecer novas culturas, ver como as coisas funcionam por lá. Foi muito importante, também pelo lado comercial e para termos mais contatos. Ano que vem estaremos lá novamente, de um jeito mais profissional, mais direto, mais rápido e com um significado maior.
    Com o sucesso do Sepultura no exterior, os gringos veem as bandas de brasileiras de uma maneira diferente? Há um impacto maior?
    O Sepultura é um fenômeno, é uma banda que começou na humildade e nenhuma outra banda brasileira conseguirá o que eles conseguiram. Ninguém nunca vai ser igual ao Sepultura. Os caras chegaram aonde chegaram e além do reconhecimento que ganharam estão do lado de nomes como Metallica, Slayer e Pantera. Não é qualquer um, sabe? Talvez nem eles mesmos consigam voltar àquele patamar, porque é uma coisa única. Em qualquer lugar do mundo que você vai, quando as pessoas lembram-se do Brasil, falam de Ayrton Senna, Pelé e Sepultura. Então quando chega uma banda brasileira, os caras tem uma curiosidade. Mesmo que muitos brasileiros queimem o filme e muita banda de merda vai lá, os gringos dão uma atenção maior às bandas do Brasil. Aí vai de cada um representar com dignidade o que o Sepultura nos ensinou.
    Você acha que há muita diferença entre o público do Brasil e o público do exterior?
    No geral headbanger é tudo igual, no mundo inteiro rola uma identificação semelhante. Apesar da cultura, que é diferente, a paixão pelo som é a mesma. Particularmente nós, que somos brasileiros, adoramos tocar no nosso país porque o público do Brasil é realmente muito foda, sabe? Mas lá também é muito bom. Às vezes você tocar num lugar que a galera não agita, mas você vê todo mundo prestando atenção no som e apreciando cada nota que você toca na sua guitarra, prestando atenção no batera, no vocal… Rola um reconhecimento. É certo que cada país tem uma situação diferente, um governo ou uma economia, mas quando há uma identificação entre banda e público, não há diferença. A paixão é igual.
    O Claustrofobia regravou “Filho da puta”, do Ultraje A Rigor, divulgou no Myspace e agora estão tocando essa música nos shows. Como surgiu essa ideia?
    Além de a letra ser do caralho, eu escuto essa música desde quando eu era pequeno. Eu tinha uns oito anos de idade, ouvia essa música e adorava. E ela sempre marcou a minha vida, ficou na minha cabeça, e conforme os acontecimentos eu nunca me esqueci dessa música. Comecei a ouvi-la de novo, vi que era uma música de rock n’ roll, o Ultraje sempre foi uma banda inteligente que fez letras na ironia, mas sempre falando verdades e com muita inteligência. O Roger (vocalista do Ultraje a Rigor) é um cara muito inteligente e a letra dessa música continua representando a nossa realidade. “Morar nesse país é como ter a mãe na zona”… É uma zona essa porra, tá ligado? Está cada vez pior! O que vale nessa porra aqui são as amizades, a camaradagem, é tocar… Enfim, é uma puta letra, a música é muito legal e é isso. Nós gostamos é de música.
    Você fez uma participação no vocal da música “Desordem” , da banda Caoscentria. Qual a sua relação com a banda?
    Já faz um tempinho que rolou essa participação. Essa banda é de Embu Guaçu e nós fizemos alguns shows com eles num lugar perto do Guarapiranga, eles tocavam lá e mandavam bem pra caramba, são uns moleques maloqueiros. A gente gosta de valorizar essas bandas que tocam com excitação e simplesmente por amor à música, entendeu? Eles eram gente boa, agitaram um show para nós, sempre colavam com nós, trabalhou com a gente num show em Ribeirão Preto. Aí eles me chamaram para cantar e eu vou com prazer quando eu vejo uns moleques que tocam legal e que gostam de um som de atitude.
    Como foi tocar no Rock Humanitário?
    Foi loucura. Festival é sempre uma loucura. Muitas bandas tocando, uma atrás da outra, confusão, desorganização, organização… Mas com o Claustrofobia é sempre assim, aonde nós vamos as coisas são meio complicadas, nada acontece tão fácil. Por isso nós valorizamos todas as coisas que fizemos ao longo desses anos. Esse festival só serviu para gostarmos mais do Rio de Janeiro, nosso primeiro show lá foi neste ano. Tocamos em São Gonçalo e depois na capital, que foi um festival que o Rio Metal Works organizou. Gostaria até de aproveitar a oportunidade pra agradecer ao Felipe, aos caras do Rio Metal Works, eles tem um site que é o http://www.riometalworks.net, fizeram tudo 100%, tocamos com as bandas do Rio, o público de lá nos tratou muito bem. E nós, que somos de São Paulo, todo mundo fala que rola uma “rinchinha” entre paulistas e cariocas e com a gente não rolou porra nenhuma. Nós somos amigos de todo mundo e fazemos o nosso trabalho da mesma maneira em qualquer lugar. E o show de Cabo Frio serviu para coroar a situação, uma cidade bonita, um festival fodido. Tocamos com o Krisiun, Ratos de Porão, Confronto, Calibre 12, só banda fodida.
    Dos três discos lançados pelo Claustrofobia, você tem algum favorito?
    É uma pergunta muito difícil de responder [risos] porque a princípio você gosta do mais recente. Mas depois, com o passar do tempo, você analisa melhor e vê qual foi o mais fiel e verdadeiro, sabe? Não que nós sejamos falsos a ponto de não fazer algo que tenha sido do coração, mas acho que depende do momento. Hoje, o cd mais regular e que eu acho que a galera curte mais é o Thrasher, porém muita gente gosta mais do primeiro e muita gente gosta mais do último, mas o próximo é o que eu mais vou gostar.
    E sobre o novo cd, quais novidades você pode adiantar? O que os fãs podem esperar dessa vez?
    Então, a gente ainda não tem nada concreto, mas ele já está gravado. Estamos agilizando, programando uma turnê internacional, como eu disse antes. Eu não quero pegar esse cd e jogar na mão de qualquer um, sabe? Quero que ele tenha uma dignidade só pelo fato termos feito esse trabalho de coração. Nós estamos vivendo atualmente a melhor fase da banda e a fase mais crítica, então com certeza o cd vai ser forte. Na hora certa ele virá e todo mundo vai ouvir.

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