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	<title>mocambique &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/mocambique/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "mocambique"</description>
	<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 08:58:43 +0000</pubDate>

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<item>
<title><![CDATA[O POEMA de BASHÔ e o ZEN - pelo mestre h. masuda goga]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2743</link>
<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 03:55:39 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Quase todos os que estudam o haicai acreditam que Bashô escreveu seus poemas de acordo com a ilumin]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:12pt;">Quase todos os que estudam o haicai acreditam que Bashô escreveu seus poemas de acordo com a iluminação Zen. Portanto, pensam que o haicai é uma poesia que nasceu do zen-budismo. Mas o próprio Bashô disse que não era bonzo nem adepto da seita Zen, apesar da grande amizade com o bonzo Bucchô.</span></div>
<div><span style="font-size:12pt;">Pode-se dizer que Bashô foi espiritualmente influenciado pelo bonzo amigo de forma profunda, tendo a sua atitude perante a arte tornado-se cada vez mais rigorosa e séria. Ele ficou sensibilizado pelas vicissitudes não só da vida humana, mas também dos outros seres vivos que habitam o universo.</span></div>
<div><span style="font-size:12pt;">O saudoso bonzo zen Ryohan Shingu discorreu certa vez em artigo sobre a "tranqüilidade". Esta é uma virtude do zen-budismo. Pensamos que Bashô queria expressar no famoso haicai da rã um ambiente de quietude, inspirado pelo súbito acontecimento da natureza: um salto de rã na água de um velho tanque.</span></div>
<p><span style="font-size:12pt;">Certa vez, lemos que este haicai foi criticado por Kikaku, um de seus discípulos, que sugeriu o termo "yamabuki" (um tipo de rosa) no lugar de "velho tanque". Mas o Mestre preferiu o original, reforçando sua sensibilidade poética ao referir-se à quietude que enfrentava e ao mesmo tempo apreciava.</p>
<p>Reconhecemos a influência do budismo no poema de Bashô, mas o haicai por si mesmo não é Zen ou produto artístico do Zen.</p>
<p>COMPLEMENTO:</p>
<p> </p>
<p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;">Perguntar a um mestre se o que ele pratica é Zen pode deixá-lo zangado ou simplesmente mudo. "O que você entende por Zen?", ele poderá perguntar. Em sua racionalidade, você discorrerá sobre as teorias expostas nos livros. "Se é isso que você pensa ser Zen, então o que eu faço não é Zen", responderá ele.</span></div>
<p><span style="font-size:10pt;">Conceituar qualquer arte como Zen é levar o Zen ao nível mais baixo. Certa ceramista objetivou o Zen na forma e na queima das peças. O comportamento "Zen" dessa ceramista era justamente descobrir as formas no próprio processo de transformação. Cada peça nascia quando da manipulação da matéria-prima pela artista, de maneira completamente não-intencional.</p>
<p>"Como posso chamar a minha arte de Zen se nem ao menos sei o que vou criar?", irritou-se ela, ao ser abordada por jornalistas. Afirmar que uma arte é Zen é possuir uma idéia pré-concebida. No momento em que isso ocorre, aquela arte deixa de ser Zen. Em outras palavras, quando afirmo "aqui está vazio", o "vazio" desaparece.</p>
<p><strong><em>Francisco Handa<br />
</em>O que é Zen<br />
<em>Editora Brasiliense</em></strong></p>
<p></span></p>
<p><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/as-maos-do-girassol-girassol.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2744" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/as-maos-do-girassol-girassol.jpg" alt="" width="495" height="466" /></a></p>
<address> sem crédito. ilustração do site.<span style="font-size:12pt;"> </span></address></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[COMO ACABAR COM A VIOLÊNCIA NA ESCOLA - por vicente martins]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2742</link>
<pubDate>Mon, 07 Jul 2008 03:42:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2742</guid>
<description><![CDATA[Encontro-me com um grupo de professores da educação básica. O bate-papo é inicialmente informal ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-indent:35.4pt;"><em><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Encontro-me com um grupo de professores da educação básica. O bate-papo é inicialmente informal e ameno. Aos poucos, porém, a conversa torna-se </span></em><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">confragosa, crua e empedrouçada. Ouço, atento, o relato das <em>dificuldades pedagógicas dos mestres, em sala de aula, sobretudo as relacionadas ao ensino e à aprendizagem da leitura, escrita e ortografia. Logo me incomoda a descrição da escola enquanto </em>palco de situações de violência. A violência escolar nas escolas, públicas e privadas, é um problema pedagógico. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span>Diretores e professores de escolas públicas me descrevem, apavorados, ocorrências de depredações dos prédios, casos de arrombamento de salas e laboratórios, ameaças e casos de detenções ou prisões e, não poucas vezes, situações de constrangimento e amedrontamento envolvendo pais, professores e alunos.<span>  </span></span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span>Um professor me diz que a situação está tão grave que um puxão ou uma tapinha entre alunos, dentro ou fora da escola, já pode<span>  </span>não ser sinal de uma simples brincadeirinha infanto-juvenil, mas de safanão<span>  </span>que logo será desferido contra o colega de sala, a ser deflagrado com intenção de dano físico, moral e requinte de perversidade <span> </span>Agora, uma pergunta advém: em que <span> </span>a universidade pude ajudar as escolas públicas? Onde podemos encontrar, na Academia, respostas concretas para uma situação real e preocupante das escolas públicas?</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Uma solução simplista, imediata e necessária é, decerto, o policiamento e a colocação de grades. Mas isso não basta.Quase sempre as medidas coercitivas e paliativas parecem reforçar, apenas, a violência escolar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">São nas crenças, atitudes e reações dos mestres e na descrição do que se passa efetivamente na ambiência escolar que um novo olhar de todos nós, educadores, pais e poder público, deve ser proativo e, desde logo, vale começar por uma questão fundamental: de onde vem a violência? E, em seguida, levantar dúvidas do tipo: onde há a exclusão social se manifesta de modo mais acentuado a violência escolar?<span>  </span>Onde as causas? Onde as soluções?</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span>As respostas que nos vem à consciência nos mostra que as escolas não ficam isoladas <span> </span>do contexto social uma vez que, realmente, estão muito próximas das famílias e da sociedade. A escola, para lembrar Louis Althusser, é o principal aparelho ideológico do Estado. As boas experiências de superação da violência escolar sairão, pois, do interior dos <span> </span>próprios estabelecimentos de ensino.</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Os gestores escolares sabem que medidas tradicionais como gradeamento, vigilância e policiamento, a médio ou longo prazos, não são suficientes nem atingem os <span> </span>pontos centrais do problema da violência escolar ou urbana.</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span>Se tomarmos, como referência a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), a Lei 9.394/96, <span> </span>ela, ao certo, dar-no-á pistas para uma resposta mais contumaz e convincente para a violência escolar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O artigo 22, da LDBEN, referindo-se à educação infantil, ao ensino fundamental e médio, estabelece que é tarefa das instituições de ensino assegurar aos alunos a formação para cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho, nos estudos posteriores e na vida. <span> </span>Agora, novos questionamentos: a escola tem cumprido esta missão? A escola tem se preocupado em formar os alunos para viver em sociedade, a saber-estar na vida social, ou tem se limitado a repassar conteúdos curriculares? </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Sei que nada disso é fácil. E a primeira tarefa é sairmos do discurso ou espírito da Lei e ingressarmos na ação concreta. Então, com o fim de colaborar nessa missão, eis algumas sugestões ou passos<span>  </span>em direção<span>  </span>ao que chamaria aqui de <strong>práxis cidadã</strong>. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O primeiro passo para uma práxis cidadã, certamente, pode ser o de seguir alguns procedimentos de gestão participativa como, por exemplo, o de ouvir todos os segmentos envolvidos na comunidade escolar, em especial, os alunos.</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O segundo passo é o de explicitar as contradições existentes na escola. Um terceiro passo é o de trabalhar as contradições internas da escola para que, em quarto momento, possa propor melhorias para as relações humanas. Um quinto procedimento é o de organizar comissões para aprofundar as discussões sobre violência e sobre a segurança possível na escola, no bairro, na cidade. E, por fim, duas ações são fundamentais para uma escola com menos violência e mais cidadania: os gestores devem abrir as escolas para dentro e para fora, inclusive aos finais de semana, e fazer funcionar, sem medo, e <span> </span>efetivamente, <span> </span>as estruturas democráticas das escolas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A atuação de cada docente pode se materializar em projetos especiais nas escolas públicas. Como professor de língua materna, sem hesitação, montaria um projeto “ Ler Mais para uma Vida Melhor”. Sim, começar, pela leitura. Não é, <span> </span>por certo, um projeto original, mas, para o modelo de escola que temos no Brasil, não há dúvida de que há de ser inovador, um novo olhar sobre a problemática escolar. Um bom exemplo (e é bom imitar o que é bom) é o projeto <strong>Círculos de Leitura</strong>, do Instituto </span><span class="MsoHyperlink"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="text-decoration:underline;"><span style="color:#0000cc;">Fernand Braudel</span></span></span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">, com grande atuação em Diadema, São Paulo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nome do Instituto é inspirativo: </span><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;" lang="PT">Fernand Braudel</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;" lang="PT">, um historiador francês e um dos mais importantes representantes da Escola dos Annales. Esta escola foi pioneira na abordagem de um estudo de estruturas histórias de longa duração nos eventos. Conhecer a história é, de alguma maneira, conhecer a geografia, cultura material, as <em>mentalidades</em> e a psicologia da época.<span>  </span>Da mesma forma, conhecer a violência urbana ou escolar é algo que extrapola histórica, social e juridicamente a questão da segurança pública e <span> </span>nos conduz ao campo dos valores, crenças, </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">maneira de pensar, disposições psíquicas e morais da coletividade. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:35.4pt;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Pois bem. As atividades do Instituto começaram assim: um grupo de estudiosos da problemática social, ao conduzirem pesquisas de campo nas escolas públicas da periferia da Grande São Paulo, em 1999, documentaram a falta da prática da leitura, reflexão e debate no cotidiano da sala de aula. A partir do diagnóstico, desenvolveram uma política de apoio às bibliotecas escolares, através de mutirões e capacitação de voluntariado em parceria com a comunidade escolar. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;margin-right:11.25pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O método da Fundação Fernand Braudel é fantástico, por sua simplicidade e eficácia e, mais do que isso, por seus resultados.<span>  </span>Eles <span>trabalham com grupos pequenos e interativos </span>de educadores pagos e voluntários <span> </span>que trabalham de forma interativa com grupos de 10 a 15 jovens. Com esta medida, o Instituto oferece melhores condições para o jovem dialogar e formar vínculos com outros alunos e professores. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;margin-right:11.25pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Outra interessante atividade é o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem a partir da leitura de t<span>emas universais e clássicos da literatura. Vale destacar que trabalham </span>com obras literárias que trazem em suas <span> </span>histórias (e estórias) temas universais, com que o jovem pode se identificar, ampliando seu repertório cultural e relacionando suas experiências com relatos que sobrevivem ao tempo. </span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;margin-right:11.25pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Entre as atividades de lectoescrita, a Fundação <span> </span>faz um trabalho de desenvolvimento da leitura em voz alta e em grupo. A Fundação acredita, e isso é verdade, que para aquisição da</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> capacidade cognitiva, alunos necessitam de instrução efetiva em cinco áreas: fonêmica, fonética, fluência, vocabulário e compreensão do texto. Em pequenos círculos, participantes se alternam lendo em voz alta e parando periodicamente para discutir sobre o significado dos trechos lidos. <span>     </span></span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;margin-right:11.25pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ainda no campo da lectoescrita, os voluntários da Fundação Fernand Braudel desenvolvem atividades como produção textual </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">para que o aluno reflita e escreva sobre o que foi lido e discutido em grupo. As redações desenvolvidas durante as sessões do Círculo são utilizadas para acompanhar o progresso de cada aluno e do grupo. Ao final de cada encontro, os participantes lêem e refletem sobre os conteúdos dos poemas e textos encontrados ou escritos por eles.</span></p>
<p style="text-indent:35.4pt;margin-right:11.25pt;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Por fim, outras ações da Fundação, não menos significativas, são a participação voluntária do jovem, </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">peça-chave para a construção de sua cidadania, e sua contribuição na melhoria das condições do espaço escolar. As <span>atividades culturais também têm lugar na missão da Fundação. São elas que auxiliam </span>no aprendizado do jovem e ampliar seu universo de referência cultural a partir das obras lidas, além de organizar atividades e passeios culturais, incluindo visitas a bibliotecas, parques <span> </span>e teatros. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span> </span><span>        </span>O que sei, depois de duas décadas de magistério, é que a privação da leitura interfere no desenvolvimento da personalidade dos alunos. Um sem-leitura é como um sem-terra sem a posse legal da terra em que vive e trabalha. Um aluno sem leitura não compreende os códigos lingüísticos e sociais e, o mais grave, não sabe interpretar, naquela visão paulofreiriana, a vida em sociedade. Não é à toa que um aluno sem-leitura é rechaçado e rechaçador, triste e deprimido, agressivo e angustiado, potencialmente um excluído do convívio social. . </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span>         </span>Numa sociedade de informação, ler ou escrever bem é condição de superação da desigualdade social. A leitura vai além do repertório de palavras que brotam do alfabeto.<span>  </span>Ler é compreender, interpretar, descobrir, criar e, sobretudo, desfrutar do reino do conhecimento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<address><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará.<strong> </strong></span></address>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[CÓDIGO E LINGUAGEM, METALINGUAGEM por décio pignatari]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2721</link>
<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 15:52:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2721</guid>
<description><![CDATA[Vê-se por aí que código e linguagem são basicamente uma e mesma coisa, a ponto de podermos dizer]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;">Vê-se por aí que código e linguagem são basicamente uma e mesma coisa, a ponto de podermos dizer que o Português é um código, e o Inglês, outro. O que não impede que, sem certas circunstâncias, e para maior clareza, se faça uma distinção entre linguagem e código, como o faz Colin Cherry. Para ele, linguagem é "um vocabulário (de signos) e o modo de usá-los", um conjunto de signos e regras, tais como os que usamos na conversação diária, de um modo altamente flexível e, até, bastante "ilógico". As mensagens podem ser codificadas quando já expressas por meio de signos (letras, por exemplo); então, uma codificação seria uma transformação, geralmente unívoca e reversível, por meio da qual mensagens podem ser convertidas de um conjunto de signos para outro. O código semafórico e o código dos surdos-mudos – melhor ainda, o Código Morse – representam exemplos típicos. Dessa forma, as linguagens teriam um longo desenvolvimento orgânico, enquanto que os códigos seriam inventados para algum fim específico e sujeitos a regras explícitas. A verdade, no entanto, é que na medida em que se introduz a ambigüidade num código – ou seja, quando a sua reversibilidade não é perfeita – ele começa a tingir-se de certas características de linguagem, ou melhor, de língua.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;">De outra parte, convém fazer a distinção entre língua e linguagem, ainda mais quando vemos que, em Inglês e Francês, as palavras "language" e "langage" são tomadas como sinônimos de "língua", Por esta razão, no que nos toca, consideramos as línguas como manifestações particulares, fundamentais embora, da linguagem, e a Lingüística como um ramo da Semiótica, que pode, assim, ser considerada como a Linguagem (ou: princípios gerais que comandam toda e qualquer manifestação da linguagem).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;">No estudo da linguagem, uma última distinção se faz ainda necessária: entre linguagem-objeto e metalinguagem. Linguagem-objeto é a linguagem que se estuda; metalinguagem é a linguagem com que se estuda, é a linguagem instrumental, crítico-analítica, que permite estudar a linguagem-objeto sem com ela se confundir. Ou ainda: quando a linguagem-objeto se volta sobre si mesma, ela tende a ser metalinguagem, beneficiando-se da fenomenologia. Este fenômeno é particularmente notável nas revoluções artísticas e de "design" (Dada, neoplasticismo e pop, nas artes visuais; dodecafonismo, música serial e eletrônica, na música; "nouvelle vague", no cinema; Mallarmé, Joyce, Pound, poesia concreta, na literatura; a revista Mad em relação às linguagens dos meios de comunicação de massas; Mies Van Der Rohe, na arquitetura).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;">Segue-se daí que toda metalinguagem é marcadamente sintática, formal, estrutural. É por ignorância deste fato e pela tendenciosa e hegemônica formação cultural de tipo lingüístico (melhor dizer literário), que a maior parte da chamada crítica de arte – literária, visual, musical, cinematográfica, arquitetônica – se manifesta "literária" e subjetivamente: carece de metalinguagem adequada (voltada que está, aristotelicamente, para o "conceito", o "conteúdo" a "significação"). O criador está por dentro da linguagem; o crítico, por fora. O criador se alimenta de raízes da linguagem; o crítico, de suas folhas, flores e frutos. O mesmo se diga dos professores de nossas universidades, ao abordarem o fenômeno artístico. A metalinguagem é um processo dinâmico, mas é comum ver como ela tende a se estratificar em código, confundindo-se então com o jargão técnico, especializado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><span style="font-size:10pt;"><span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;">Texto escrito em Janeiro de 1968.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;">                                                 </span></em><em><span style="font-size:10pt;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/carpe-diem-foto-da-capa.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2722" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/carpe-diem-foto-da-capa.jpg" alt="" width="307" height="448" /></a></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;">     coletânea CARPE DIEM. Curitiba.</span></em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Rumorejando (Com a volta da inflação, cada vez mais o cinto apertando). - por josé zokner (juca)]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2710</link>
<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 13:16:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2710</guid>
<description><![CDATA[ 
PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Rico é bem-intencionado; pobre, é]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação I</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Rico é bem-intencionado; pobre, é faccioso.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação II</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Rico pondera; pobre, é leviano.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação III</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Fui defender minha liderança</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Dentro do meu doce lar</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Como após a tempestade</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sobrevém a bonança</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">A também doce cara-metade</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mandou, sem mais delongas,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Xingando-me de xongas*</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu, incontinente, pirar**.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">*Xongas = “coisa nenhuma, nada” (Houaiss).</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><strong><span>** </span></strong><span>Pirar<strong> = “</strong>R</span><span>etirar-se discretamente, cair fora, dar o pira” (Houaiss).</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação IV</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Em certos países, os assaltantes matam como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo. Pelo jeito, pra quem não se importa com o fato, também...</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação V</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span>Deu na mídia: “</span><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT">IBGE: mortalidade infantil caiu 64% de 1980 a 2006”. <strong>Rumorejando:</strong> Imortalidade de deputados e senadores não caiu. Sempre foi de 0%. Salvo rarísssimas (assim mesmo, com três esses para enfatizar o fato...) exceções, alguém se lembra de algum deputado e/ou senador que mereça os encômios da nação?</span></span><span class="cnoticia"><strong><span></span></strong></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><strong><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação VI (“Poesia” do cotidiano).</span></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ponderou com a patroa</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que a comida não tava boa.</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">“Vai comer no boteco da esquina</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Lá o ‘Jesus me chama’</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">É iguaria fina,</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Recheada com salmonela,</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Cozida numa suja panela.</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Aí, você cai de cama</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E, mais depois, finado, </span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Nunca mais reclama</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Do meu suculento</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Cardápio de ensopado</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Preparado com esmero</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Em fogo lento</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E sem exagero</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Do meu preferido tempero”.</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Coitado!</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><strong><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação VII</span></span></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Rico faz acordo; pobre, conluio*.</span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span class="cnoticia"><span style="color:#292929;" lang="PT">*Conluio = </span></span><span class="cnoticia"><span lang="PT">“C</span></span><span>umplicidade para prejudicar terceiro(s); colusão, trama; ajuste maléfico” (Houaiss).</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação VIII</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não se pode confundir <strong>desperto </strong>com <strong>esperto</strong> até porque tem que ser <strong>esperto</strong> para adormecer, quer dizer não <strong>desperto</strong> quando se ouvem discurso de político e/ou as empulhações em época do horário gratuito. E, que fique bem claro, de todos os partidos, sem exceção. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação IX</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">A pedido do meu dentista</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Fiz uma panorâmica,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Um baita de um raio-x. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Eu não sou alarmista</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mas a chapa revelada</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">De vermelho tava manchada</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E me deixou assaz infeliz:</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mostrou dois dentes de cerâmica,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Pontiagudos, assim como, também,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Os que lembram Frankenstein.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação X</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">“Só um segundo”,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ela falou</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ao telefone.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ele esperou</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sem estar insone</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mas, com a demora</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E o adiantado</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Da hora</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Caiu num sono profundo</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Quando acordou</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Só escutou</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ti... ti... ti...</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Aí, incomodado</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Pôs-se a pensar</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Num raio, não o do círculo,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Nem o da circunferência,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Mas o “que a parta”,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Já que ela está de mim farta.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E se pôs a cantar,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Da vida, fulo,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sem muita paciência,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O bolero “Sem ti”.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">E se sentindo no abandono</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Também um pobre dum mono,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Perdeu totalmente o sono.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">“Vou pôr os pingos no i”,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Pensou todo amuado.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Coitado!</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XI (Subsídios para uma nova versão de uma velha marchinha de carnaval).</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Passou pela minha moleira,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">No fim duma segunda-feira</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Qual um vento numa veneta*,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Que o pirata da perna de pau</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Absolutamente não é perneta</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Tampouco, tem cara de mau.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="color:black;">*Veneta = “</span><span style="color:black;" lang="EN-US">impulso repentino”.</span><span style="color:black;"></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XII</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Não se pode confundir <strong>balela</strong> com <strong>baleia</strong>, principalmente quando alguém conta que montou numa <strong>baleia </strong>e com o guarda-chuva aberto saiu velejando por mares nunca antes navegados. Não acreditem porque é uma <strong>balela</strong>. Afinal, não tem guarda-chuva que resista ao vento, sem virar no avesso, provocado por uma <strong>baleia</strong> singrando o oceano na velocidade que ela normalmente costuma...</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XIII</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="color:black;">Deu na mídia: “</span><span lang="PT">Um em cada quatro casais no Japão não faz sexo, diz pesquisa”. Taí mais uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade. Salvo no lamentável caso de se generalizar pelo mundo afora, virando epidemia, endemia, pandemia, coisas assim desse jaez...</span><span style="color:black;"></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XIV</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Amor, teu nome é ternura;</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Desamor, teu nome é agrura.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Benquerença, teu nome é doçura.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Desavença, teu nome é broxura</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XV (Coitado!).</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ela sempre cerzia</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">As meias do marido.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O dedão, um dia,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Também ficou cerzido.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XVI (Dúvida crucial, via pseudo-haicai).</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Dela, a terrível vendeta</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Foi exagerar na dose</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Da pimenta malagueta?</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Constatação XVII (De diálogos um tanto burocráticos e um tanto rimados).</span></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">-“Quero que você me apronte</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O teu atestado de residência”.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">-“A senhora tenha paciência,</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="color:black;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ainda to morando debaixo da ponte”.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><strong><span style="color:black;">E-mail:</span></strong><span style="color:black;"> </span><span><a href="mailto:josezokner@rimasprimas.com.br"><span style="color:windowtext;">josezokner@rimasprimas.com.br</span></a><span>  </span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span><strong><span style="color:black;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/slide6.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2711" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/slide6.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></span></strong></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span><span style="color:black;"></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span><span style="color:black;">CHINA. logística no lixo reciclado. foto sem crédito. ilustração do site.</span></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Salários dos portugueses são os mais baixos da zona euro]]></title>
<link>http://salteadoresdaarca.wordpress.com/?p=768</link>
<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 06:31:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Melita</dc:creator>
<guid>http://salteadoresdaarca.wordpress.com/?p=768</guid>
<description><![CDATA[A média dos vencimentos recebidos por ano, pelos portugueses é menos de metade do que o dos reside]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>A média dos vencimentos recebidos por ano, pelos portugueses é menos de metade do que o dos residentes nos restantes países da zona euro – 11.616 euros. Suíça é o país onde se registam os valores mais altos: 38.435 euros.</p>
<p>De acordo com os dados revelados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os salários dos portugueses caíram 2,6 por cento em 2006.<br />
Mas as boas novas não se ficam por aqui, segundo o mesmo documento, a média dos vencimentos recebidos por ano, pelos portugueses é menos de metade do que o dos residentes nos restantes países da zona euro – 11.616 euros. Um valor muito aquém dos 25.290 euros auferidos nos países da OCDE e dos 24.666 euros dos países da União Europeia. Pior que Portugal, só mesmo a Hungria, República Checa, Polónia e Eslováquia.<br />
No outro lado da balança, é na Suíça que se registam os salários mais altos, numa média anual que chega aos 38.435 euros. Luxemburgo e Dinamarca, são os países que completam o pódio, com uma média salarial anual de 37.554 e 35.635 euros, respectivamente.</p>
<p><a href="http://www.salteadoresdaarca.com/2008/07/05/presidente-da-tap-e-a-crise-do-sector/"><img src="http://www.exalead.com/img?f=3972291644302799790" alt="" /> A crise da Tap ?</a></p>
<p><a href="http://www.salteadoresdaarca.com">www.salteadoresdaarca.com</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Indiana Jones: o plagiato de 1,3 bilhões de dólares - por frederico fullgraf]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2708</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 22:08:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2708</guid>
<description><![CDATA[Indy, o arqueólogo rufião, está de volta: coroa, poeira sobre as pálpebras, ainda arranca suspir]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="spintrotext" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><em><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Indy,</span></em></strong><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> o arqueólogo rufião, está de volta: coroa, poeira sobre as pálpebras, ainda arranca suspiros da platéia feminina e surfa virtuosamente na maionese de Steven Spielberg. Mas sua cepa continua obscura para a maioria dos seus fãs. Spielberg, seu alter-ego, se finge de morto, nunca revela suas fontes, e quase trinta anos após sua estréia nas telas, o público ignora que o <em>Indiana Jones</em> da vida real se chamava Hi</span></strong><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">ram Bingham<strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;">. </span></strong>Nascido no Havaí em 1875, e morto em Washington DC em 1956, foi político nos EUA e “descobridor” das ruínas de Machu Picchu, em julho de 1911<span>. </span></span></p>
<p class="spintrotext" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Chapéu de aba murcha ao vento, sorriso debochado, Bingham emprestou ao personagem </span><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">de Harrison Ford sua estampa de “canastrão, mas bom moço”. <span>Contrariando o zelo arqueológico, em Machu Picchu violou 130 sepulcros incas, metendo a pá onde estava a História. Sob o pretexto de “análise científica”, o aventureiro levou para os EUA 5 mil (as autoridades peruanas falam em 40 mil) peças arqueológicas de inestimável valor, com a promessa de “empréstimo” por doze meses. Quebrou o contrato: entregou o butim ao Museu </span>Yale Peabody, em Boston, e há <span>97 anos o Peru luta pela devolução de seu patrimônio histórico.<span>  </span></span></span></p>
<p class="spintrotext" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;" lang="ES"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Dublê de arqueólogo e agente secreto, truculento, <strong><em><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">Indy</span></em></strong> tem uma <em>faible </em>por mistérios, câmaras ocultas, rituais demoníacos: em “Os caçadores da arca perdida” (1981), disputa a tábua mítica dos Dez Mandamentos; em “O templo da morte” (1984) corre atrás de um gigantesco diamante; na “Última cruzada” (1989) tenta apossar-se daquele cálice com o sangue do Cristo crucificado; o Santo Gral. E dê-lhe “nazistas” e “comunistas”: <strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">como “vingador do Ocidente”, o herói<em> </em>não recusa um flerte com o FBI e a CIA. Inventado por Spielberg e George Lucas, durante uma reunião no Havaí de Bingham, <em>Indiana Jones</em> é fenômeno da transição da Guerra Fria para o “império” unipolar. </span></strong>Sustentada por plágios descarados, e<strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">m vinte e cinco anos a trilogia amealhou a alucinante bilheteria mundial de </span></strong><span style="color:black;">1,3 bilhões de dólares</span> – provavelmente a maior bilheteria do Cinema de todos os tempos,<span>  </span>sutil engendramento da lei-da-oferta-e-da-procura e chocante termômetro da irrefreável imbecilização da humanidade.</span></p>
<p class="spintrotext" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Spielberg não tem tempo de ler livros. Mal lê suas orelhas e freqüenta catacumbas onde, colher de pau na mão, mexe o caldeirão de sua indigesta gororoba, trocando fatos por fábulas. A bola da vez é a Amazônia. Quer dizer, mais ou menos:<span style="color:black;"> </span>História e Geografia reais são incômodas. <em><span style="color:black;font-family:Arial;">Indiana Jones e a Caveira de Cristal</span></em><span style="color:black;"> </span>é mais uma versão de <em>samba of the foolish gringo, </em>com figurações, sotaques e referências ao México, quando o enredo “mostra” o Peru (ou seria o Acre, no Brasil?). Lá o<span style="color:black;"> herói tenta reencontrar um ex-colega desaparecido. </span>Escreve-se o ano de 1957, auge das disputas com a URSS, e não é que um comando da KGB, travestido de <em>marines </em>e encabeçado por uma “vidente”, primeiro invade uma base de testes nucleares no Nevada, e depois reaparece na “selva amazônica” (filmada no Havaí...), atrás do mesmo obscuro objeto do desejo: o crânio de cristal caçado por Indy?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Tais crânios de cristal são tão verdadeiros como o “santo Gral”, o “triângulo das Bermudas” ou os “diários de Hitler”: tudo <em>fake, </em>mas funciona brilhantemente como realimento para esotéricos delirantes e a comunidade dos teóricos da conspiração.<span style="color:black;"> Uma dúzia destas recriações do crânio humano, esculpidas em cristal de quartzo, encontra-se espalhada pelo mundo, do British Museum ao museu de história natural Smithsonian, em Washington. Nenhum deles é original, todos são réplicas. Sua verdadeira origem, incaica ou asteca, continua mistério, provavelmente simbolizam rituais de sepultamento e de “passagem”. Já na Internet e em livros esotéricos circula a versão de que os crânios têm 100 mil anos de idade, emanam super-poderes (demoníacos) e que foram deixados na Terra por ETs – “trip” na qual embarcou Spielberg, que, mais “modesto”, afirma serem relíquias de Atlântida, o mitológico continente “desaparecido”. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">O novo <em>Indiana Jones</em> é um coquetel de <em>Lost City of the Incas</em>, livro de Hiram publicado em 1948, e de uma farsa urdida nos anos 70, que culmina em 1984 com o assassinato de seu autor, na saída de um restaurante do Leblon: <em>A <strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">Crônica de Akakor</span></strong></em><strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;"> (Bertram, 1977) de Karl Brugger, então correspondente da rede de Rádio e TV Pública da Alemanha, no </span></strong>Rio de Janeiro<strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">. </span></strong>Contudo, crônica <em>making of </em>de um filme que não está na tela, o compromisso da presente é surpreender o leitor, aqui convidado, como fazia o bruxo Machado, a acompanhar o autor escada abaixo, porque a caverna escura de <em>Indiana Jones</em> (não citada por Spielberg nem por Brugger) é bem real e escabrosa. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Eis então, em que insuspeitável geografia e companhia<span>  </span>se fecha o círculo do delírio.de Spielberg: Heinrich Himmler, fundador da SS, a tropa de elite nazista. Desde a tenra juventude o ideólogo tinha um notável pendão para o esoterismo, numa versão impregnada de patriotismo racista e antijudaísmo. Acreditava, por exemplo, numa „civilização de Atlântida“, que supunha ter existido na orla da Groenlândia, cujos descendentes presumiu, transmutados, no Tibet e na América do Sul.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Na origem do esoterismo de Himmler estão “ariósofos” sombrios, como Karl Maria Wiligut, aliás<span>  </span><em>Weisthor </em>(austríaco, como de resto aquele mal-sucedido pintor de paredes e futuro “Führer”, Adolf Hitler). Willigut foge de um manicômio, o que não o impede de alcançar a patente de chefe de Brigada da SS, protegido por Himmler, e de atuar como mentor do jovem mitologista Otto Rahn, PhD na saga de Parsifal e nos mitos do Santo Gral. Em 1929 Rahn peregrina à fortaleza medieval de Montségur, na França, convencido de lá encontrar o maldito <em>cálice</em> (que presume ser um monólito). Não o encontra, mas publica uma pesquisa avassaladora sobre a <em>Cruzada contra o Gral</em> (fonte na qual bebe, sem citá-la, outro profissional do plagiato: Dan Brown, autor d´<em>O código da Vinci</em>).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Reciclando o Gral como mistério pagão para a SS, Himmler inaugura uma série de expedições para os recônditos do planeta. A primeira delas sob a liderança do <span style="color:black;">zoólogo e montanhista Ernst Schäfer</span>, em 1934 ao Tibet, onde o supremo sacerdote da SS imagina sobreviventes da “raça ariana” e <span style="color:black;">Schäfer</span> se curva respeitosamente à aura do jovem Dalai Lama. Indício, rude, dessa teoria „pan-ariana“, seria a cruz gamada ou <em>suástica </em>(termo de raíz indo-germânica), que desde tempos imemoriais é símbolo da boa sorte dos tibetanos.<span>  </span>Outra expedição teria como destino a Amazônia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Transcorrida mais da metade do filme, a perseguição atinge a apoteose em <em>Akator</em>, uma “cidade perdida”, em cuja grafia Spielberg trocou apenas o ”k” da </span></strong><strong><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Akakor </span></strong><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">de Brugger pelo “t” de seu plágio. Alimentada por uma bizarra teoria da conspiração, a inspirada <em>Crônica de Akakor </em>de Brugger conta que certa “elite nazista”, acompanhada de dois mil soldados e (para delírio da tribo dos UFOlogistas) uma versão primitiva de discos-voadores, teria se refugiado numa “cidade perdida”, também conhecida como “o castelo do Gral dos Incas”, na Amazônia. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Já na versão de Spielberg não cabiam os “nazistas” de Brugger porque, segundo a crônica, uma guerra entre os nativos e os primeiros teria virtualmente exterminado os povos de Akakor.<span>  </span>Em seu lugar entraram os soviéticos, tão órfãos de materialismo dialético, quando catatônicos os gringos, face<span>  </span>à<span>  </span>horripilância da “cidade perdida”; úmida morada de múmias, morcegos, escorpiões e caranguejeiras. E então a seqüência final: aqui o auto-referido Spielberg faz desabar a montanha do “Gral andino” e de seu interior decolar (“ET is back”!) um gigantesco disco-voador – mais do que suspeita semelhança com “Eram os deuses astronautas”, do lunático Von Däniken, e com a crônica </span></strong><em><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Babylõniaká</span></em><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> (História da Caldéia) <strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;">de Bérose, </span></strong>sacerdote de Bel-Marduk <strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;">(330 a.C.)</span></strong>, vagamente referida por Platão, <strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;">segundo a qual o homem primitivo foi visitado pelos </span></strong><em>akpalos</em>, extraterrestres pisciformes, que lhes transferiram o conhecimento para o despertar da Humanidade nas terras do atual Iraque.<strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;"></span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-weight:normal;font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;"> </span></strong></p>
<p style="background:#f3f3ff;text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;color:black;font-family:Arial;">Infelizmente, para a teoria da conspiração, o<strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;"> informante de Brugger foi um tal de “</span></strong>Tatunca Nara”, que em 1972 se apresenta como filho de um chefe indígena e de mãe alemã, “refugiada nazista”. Mas <strong><span style="font-weight:normal;font-family:Arial;">“</span></strong>Tatunca Nara”, que fala alemão sem sotaque, estava mal parado na foto: no final dos anos 80 a BKA, Polícia Federal alemã, reconhece o cidadão </span><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Günther Hauck com bronzeado de urucum, na roupagem do falso índio - <span style="color:black;">alemão</span>, nascido em 1941 em Coburg, na Baviera, procurado por dívidas de pensão alimentícia e por isso escondido, desde a década dos anos 60, em Barcelos, no Amazonas. Mediante declaração cartorial, emitida em 2003, <strong><span style="font-weight:normal;color:black;font-family:Arial;">“</span></strong><span style="color:black;">Tatunca Nara”, que já se naturalizou brasileiro, assume sua condição de “doente mental” – foi a segunda morte de Karl Brugger.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Impassível, a inconfidência esotérica insiste que a “expedição amazônica nazista” teria ocorrido entre 1942 e 1943, e que em 1984 Brugger foi liquidado como “queima de arquivo”. Mais aceitável é a hipótese de que Brugger tenha sofrido um assalto banal: levou um tiro quando esticou a mão ao bolso traseiro da calça. Certamente queria apanhar a carteira de dinheiro, mas o pivete fez outra leitura, pensou que seria uma arma – gesto fatal, mas não improvável, para quem já vivia há mais de dez anos no Rio de Janeiro. E desde então “os nazistas” povoam a “cidade perdida dos Incas”, esculpida no subsolo da Amazônia, à qual Spielberg se mudou, sem pagar aluguel.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"><span style="color:black;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/natureza-camelo-e-as-piramides-17614.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2709" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/natureza-camelo-e-as-piramides-17614.jpg" alt="" width="500" height="400" /></a></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"><span style="color:black;"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"><span style="color:black;">foto sem crédito. ilustração do site.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Saudades de "NÓS" - poema de sergio bitencourt ]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2707</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 20:16:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2707</guid>
<description><![CDATA[Quando a palavra &#8220;eu&#8221;,
Prevalece em auto-enaltecimento,
(eu faço,eu viro,eu mexo&#8230;]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Quando a palavra "eu",</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Prevalece em auto-enaltecimento,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">(eu faço,eu viro,eu mexo...)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">O sentimento "NÓS",</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Desprevalece na mesma proporção.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Então,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Ao invés deste iludido enaltecimento,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Prevalece a sensação de sofrimento,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">E quando ainda assim,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Não presta-se à conscientização,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">A própria dor perde função.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">E as "vítimas" deste pseudo-amor,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Auto-produzidas em dor,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Não assumem a própria vitimação,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Desintegradas,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Partem-se, Excluem-se, Separam-se. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[REMORSO PÓSTUMO poema de charles baudelaire]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2706</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 18:45:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2706</guid>
<description><![CDATA[Quando fores dormir, ó bela tenebrosa,
Em teu negro e marmóreo mausoléu, e não
Tiveres por alcov]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size:10pt;font-family:&#34;">Quando fores dormir, ó bela tenebrosa,<br />
Em teu negro e marmóreo mausoléu, e não<br />
Tiveres por alcova e refúgio senão<br />
Uma cova deserta e uma tumba chuvosa;</p>
<p>Quando a pedra, a oprimir tua carne medrosa<br />
E teus flancos sensuais de lânguida exaustão,<br />
Impedir de querer e arfar teu coração,<br />
E teus pés de correr por trilha aventurosa,</p>
<p>O túmulo, no qual em sonho me abandono<br />
- Porque o túmulo sempre há de entender o poeta -,<br />
nessas noites sem fim em que nos foge o sono,</p>
<p>Dir-te-á: "De que valeu, cortesã indiscreta,<br />
Ao pé dos mortos ignorar o seu lamento?"<br />
- E o verme te roerá como um remorso lento.</span></strong><span style="font-family:&#34;"></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[INFÂNCIA! por cybele meyer]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2703</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 13:00:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2703</guid>
<description><![CDATA[“Oh! que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><em>“Oh! que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!”</em><br />
Casimiro de Abreu</p>
<p>INFÂNCIA - Palavra de uma sonoridade infinita que embriaga os ouvidos como se poesia fosse. Sempre que é pronunciada provoca um sorriso maroto nos lábios de quem a ouve.Quem não guarda, no baú de suas recordações, doces lembranças da infância? Quando falamos em infância, sempre temos uma história deliciosa para contar. Mesmo as maiores travessuras, aquelas que chegaram a tirar a nossa mãe do sério, hoje se tornaram pérolas que guardamos em nosso coração como jóias raras. Bons tempos aqueles em que brincávamos com bolinhas de gude na rua de terra. Ao final do dia voltávamos para casa com os bolsos pesados, cheios de bolinhas de vidro, fruto das partidas ganhas e na mão, para poder contemplar a todo o momento, aquela bolinha especial, tão “cobiçada”, com três listras coloridas, prêmio obtido pelo melhor desempenho na partida. E pular amarelinha! Era divertido desde o momento de procurar um pedaço de tijolo para desenhá-la na calçada. Precisava ter muita noção espacial para não deixar uma casa maior que a outra. Era sempre a mais velha da turma quem desenhava. E a pontaria! Era preciso muita concentração para mirar e acertar na casa da vez. Equilíbrio então!! Ficar num pé só, abaixar-se para pegar a pedrinha e voltar sem colocar o outro pé no chão, era uma missão e tanto. Lembro-me com muitas saudades do “jogo da ordem” em que eu atirava a bola contra a parede e ia recitando: ordem, sem lugar, sem rir, sem ......(falar), um dos pés, o outro, uma das mãos, ..... e ia fazendo os gestos pedidos pela música no tempo da bola bater na parede e voltar. Se a bola caísse no chão, eu perdia a vez (é obvio). Nos dias de chuva brincávamos de cama de gato, jogo da velha, três marias....Passávamos o dia todo entretidos com estas brincadeiras. Riamos muito, corríamos até perder o fôlego, pulávamos, cantávamos, tudo ao som estridente das vozes infantis.</p>
<p>Quando a tarde chegava, tomava banho e me sentava diante da TV para assistir desenho animado. Era o Pica-pau fazendo das suas, o Plic e o Ploc enganando o Chuvisco, o Tom e o Jerry que nunca se entendiam. Depois dos desenhos vinham os episódios dos Três Patetas, como eu ria das palhaçadas deles. Também havia o seriado do Zorro. Este ativava muito a minha imaginação. Eu amarrava um lençol no pescoço e colocava a meia preta do meu pai sobre os olhos, deixando uma fresta para poder enxergar e pulava de cima do sofá para o chão empunhando numa das mãos como se fosse uma espada, a colher de pau da minha mãe. Era uma delícia! Depois jantava e às nove horas da noite, quando começava a tocar na TV a música dos cobertores Parahyba “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar...” eu tinha que dar boa noite rapidinho e ir para o meu quarto dormir, caso contrário no dia seguinte ficava sem assistir televisão. Eu sabia que daquele horário em diante era só programa de adulto, então, como eu ainda era criança, não podia assistir.</p>
<p>É uma pena que as crianças de hoje não possam usufruir dessas delícias, primeiro em razão do progresso, brincar na rua nem pensar, o trânsito é imenso e a falta de segurança é outro fator crucial. Temos também que concordar que hoje os tempos são outro, a tecnologia é outra, os tipos de brinquedos são outros, só que isto está acabando com o espírito infantil.</p>
<p>No tempo citado acima não havia variedade de brinquedos mas o que havia em grande quantidade era a imaginação, a fantasia, a criatividade. Hoje, o consumismo tomou o lugar do brincar. A criança quer muito um determinado brinquedo, logo após ganhá-lo já começa a pedir outro. Quando a criança vai à casa de um amiguinho para brincar e leva um brinquedo novo – o brinquedo que a criança carrega consigo é sempre “o novo” pois o que ele ganhou ontem “é velho” e não tem mais importância - ela o fica segurando todo o tempo. Não brinca com ele, não o empresta, apenas o exibe.</p>
<p>Com relação às meninas, fazem uma verdadeira coleção de bonecas da moda. É uma boneca com roupa de praia, outra com a roupa que vai esquiar, a com roupa para ir ao supermercado, a com roupa de festa e assim vai. E mesmo tendo todas estas bonecas, ela ainda não se sente satisfeita, pois sua amiguinha tem uma com um modelo que ela ainda não tem, então ela vai pedir este outro modelo, incessantemente, até conseguir.</p>
<p>Agora me responda, elas brincam com as bonecas? Não! Elas apenas as exibem e comentam que vão ganhar mais esta ou aquela. Este tipo de comportamento, roubou o prazer do brincar, do faz de conta. O que existe agora é o adquirir, o competir, a satisfação relâmpago do TER. A criança de hoje não conversa mais com seus bichinhos, não sabe brincar sozinha, não se entretem com nada! Ops!!! Mas tem o videogame!</p>
<p>Realmente o “must” agora é o videogame. As crianças ficam sentadas no sofá, quase nem piscam, praticamente nem se lembram de fechar a boca e ficam ali, com os olhos arregalados, com a língua pendurada do lado de fora da boca, só movimentando os dois dedões, um de cada mão, é claro, vidradas nas imagens que elas têm o poder de movimentar para o lado que quiserem. Quando acaba a força do “boneco”, que é computada pela quantidade de sangue que aparece na parte inferior do vídeo, é que se lembram de olhar em volta e se dão conta de que estão no sofá da sala e que perderam ou ganharam o “game”. Passam horas ali sentadas sem perceber que estão na mesma posição o tempo todo. Quando a noite chega, só se afastam um pouco mais para o canto do sofá para dar lugar aos outros membros da família que também querem ali se sentar. Então começam as novelas das 6h, das 7h, o Jornal Nacional, a novela das 9h e elas ali assistindo a tudo isto. Ninguém se importa se elas têm 2 ou 3 ou 4 ou 5 anos. Assistem a tudo com muita atenção, afinal tudo ali é muito interessante. Tem traição, tem assalto, tem assassinato, tem desfalque, tem seqüestro, tem sexo, tem... tem...E elas ali vendo tudo isso. Continuam com os olhos arregalados e com a boca aberta, totalmente concentradas no que estão assistindo. Diante desta realidade toda não sobra lugar para a fantasia.</p>
<p>É uma pena que as coisas estejam caminhando desta forma. Isto irá gerar, no futuro, um vazio muito grande nessa geração infantil pois tudo de bom que levamos, pela vida afora, são as lembranças dos nossos tempos de criança. São estas lembranças que nos energizam no dia a dia. Sempre haverá uma música antiga ou um aroma de perfume que nos transportará para um tempo, não muito distante, onde éramos simplesmente crianças.</span></span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/gauchinho-portugues.jpg"></a></p>
<p style="text-align:center;"><img class="size-full wp-image-2704 aligncenter" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/gauchinho-portugues.jpg" alt="" width="336" height="336" /></p>
<p>foto sem crédito. ilustração do site.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesiefestival III, 06.07.08 - O Mar de África]]></title>
<link>http://tfmonline.wordpress.com/?p=163</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 10:32:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>tfmonline</dc:creator>
<guid>http://tfmonline.wordpress.com/?p=163</guid>
<description><![CDATA[Das Berliner Poesiefestival wird am Sonntag Abend 20.00 Uhr in der Akademie der Künste mit der Vera]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Das Berliner Poesiefestival wird am Sonntag Abend 20.00 Uhr in der<a title="Akademie der Künste" href="http://www.adk.de/" target="_blank"> Akademie der Künste</a> mit der Veranstaltung <a title="Literaturwerkstatt Poesiefestival am Sonntag" href="http://www.literaturwerkstatt.org/index.php?id=576" target="_blank"><em>O Mar de África - Das Meer Afrikas</em></a> fortgesetzt.</p>
<p>Eingeladen sind Dichter aus allen afrikanischen Ländern, in denen portugiesisch gesprochen wird:</p>
<p><strong>Armando Artur</strong> (Moçambique) - geboren 1962. Seine schriftstellerische Tätigkeit begann er in den 1980er <a href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13511"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-167" src="http://tfmonline.wordpress.com/files/2008/07/habitodasmanhas.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>Jahren. Er war Generalsekretär des mosambikanischen Schriftstellerverbands und Gründungsmitglied der panafrikanischen Schriftstellervereinigung (PAWA), die er derzeit in Moçambique vertritt. Bei uns lieferbar ist der Titel <em><a title="O hábito das manhãs" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13511" target="_blank">O Hábito das Manhãs</a>, </em>erschienen 1990.</p>
<p><strong>Olinda Beja </strong>(São Tomé e Príncipe)<br />
<a title="Bô tendê?" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13512" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-165" src="http://tfmonline.wordpress.com/files/2008/07/botende.jpg?w=67" alt="" width="67" height="96" /></a>wurde 1946 geboren. Sie studierte Sprachwissenschaften und moderne Literaturwissenschaften in Portugal und lebt derzeit in der Schweiz, wo sie als Lehrerin arbeitet.  Veröffentlicht hat sie unter anderem in Portugal die Gedichtbände <em><a title="Bô Tendê?" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13512" target="_blank">Bô Tendê?</a>, <a title="Leve, leve" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13513" target="_blank">Leve, leve</a> </em>und die<em> </em> Romane <a title="15 dias de regresso" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13549" target="_blank"><em>15 Dias de Regresso</em> </a>und <a title="Água crioula" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13550" target="_blank"><em>Água Crioula.</em></a></p>
<p><a title="Kalaf by MySpace" href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&#38;friendID=56246344" target="_blank"><strong>Kalaf</strong> </a>(Angola)<br />
wurde 1978 in Angola geboren. Er verschmilzt in seiner Musik vielfältige Einflüsse wie Jazz, Hip-Hop, Worldmusic, und Kuduro. Kalaf lebt in Lissabon und verarbeitet in seinen Texten die Eindrücke der modernen Kultur und der urbanen Realität der portugiesischen Hauptstadt.</p>
<p><strong>Mário Lúcio</strong> (Cabo Verde) heißt eigentlich Lúcio Matias de Sousa Mendes<br />
wurde 1964 in Tarrafal geboren. Früh zum Waisen geworden, wuchs er in einer Kaserne auf. Nach seiner Schulausbildung erhielt er 1984 ein Stipendium und studierte Jura in Havana, Kuba, das er 1990 beendete. Nach seiner Rückkehr nach Cabo Verde arbeitete er als Anwalt. Von 1996 bis 2001 war er Abgeordneter des Parlaments.</p>
<p>Bei TFM lieferbare Lyrikbände von Mário Lúcio sind <a title="Nascimento de um mundo" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1882" target="_blank"><em>Nascimento de um mundo</em></a> und <a title="Sob os signos da luz" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1882" target="_blank"><em>Sob os signos da Luz</em></a>.</p>
<p><strong>João Maimona</strong> (Angola)<br />
<a href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1792"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-166" src="http://tfmonline.wordpress.com/files/2008/07/idadedaspalavras.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>Geboren 1955 in Quiboclo. Er studierte Humanwissenschaften in Kinshasa (Zaire) und kehrte erst 1976 nach Angola zurück. 1978 beendete er ein Studium der Veterinärmedizin. Seit 1992 ist er Mitglied des angolanischen Parlaments.</p>
<p>Auf von João Maimona haben wir eine Reihe von Titeln vorrätig: <em><a title="Traço de união" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1795" target="_blank">Traço de união,</a> <a title="Trajectória obliterada" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1794" target="_blank">Trajectória obliterada</a>, <a title="Quando se ouvir o sino das sementes" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=13514" target="_blank">Quando se ouvir o sino das sementes,</a> <a title="A idade das palavras" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1792" target="_blank">Idade das palavras</a></em><a title="A idade das palavras" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1792" target="_blank"> </a>und <a title="As abelhas do dia" href="http://www.tfmonline.de/tfm/htm/item.php?id=1793" target="_blank"><em>As Abelhas do dia.</em></a></p>
<p>Guiné Bissau ist vertreten mit <strong>Tony Tcheka</strong><br />
Geboren 1951 in Guiné-Bissau. Seit 1975 ist er als Journalist tätig und gilt als einer der herausragenden Lyriker seines Landes.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[L'art africain]]></title>
<link>http://pubchrono.wordpress.com/?p=3</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 09:44:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>pubchrono</dc:creator>
<guid>http://pubchrono.wordpress.com/?p=3</guid>
<description><![CDATA[Rui njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Rui</em></strong> njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
<p> </p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Rui</span> njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
<p>Rui njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
<p>Rui njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
<p>Rui njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
<p><strong>Rui</strong> njjhjb jkuy ijuihui lh uighuih ioj uigyg. j uiuih yuhguyhg uihiohyufgyuhyuftyfuighuyfytf yug yuf yug yug hg yug .</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[PALAVRAS poema de cleto de assis]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2692</link>
<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 00:31:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2692</guid>
<description><![CDATA[ 
Para Saramar, a aprendiz de poeta (que mentira!), em luta constante com as palavras
 

 
 
Pal]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Tahoma;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:10pt;font-family:Tahoma;">Para Saramar, a aprendiz de poeta (que mentira!), em luta constante com as palavras</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Tahoma;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong></strong><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/cleto-de-assis-borboletas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2691" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/cleto-de-assis-borboletas.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Palavras são lepidópteros</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">a riscar desenhos invisíveis frente a meus olhos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Bruxuleantes, gatafunhantes, coisa de criança,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">que é pra ninguém entender na primeira leitura.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">E como fiz uma boa rede de caçar borboletas</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">às vezes eu as capturo, uma a uma,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">e colo em um pedaço de papel</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">onde elas também se divertem</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">apesar de aprisionadas a normas gramaticais.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Oxítonas, paroxítonas, estas sempre mais abundantes</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">em buliçoso panapaná.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Quando em quando, aparecem também as proparoxítonas</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">genuinamente lepidópteras,</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">que, raras e vaidosas, adoram ser chamadas de esdrúxulas.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Metafóricas e cândidas, sabem ser trêfegas, </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">embora, ultimamente, tenham aparecido trêmulas</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">depois da notícia de que poderão perder seus acentos</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">por mero capricho da Academia. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">Mas, uma vez juntas, esquecem suas diferenças </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">de raça, cor, sexo, religião, ideologias, nacionalidade, morfologia, </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">sintaxe e fonética</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;">e brincam de criar alegorias que mexem com minhas sensações.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-family:Tahoma;"><span style="font-size:small;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><strong><span style="font-size:9pt;font-family:Tahoma;">Cleto de Assis</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-size:8pt;font-family:Tahoma;">Curitiba</span></p>
<p class="MsoNormal" style="line-height:12pt;margin:0;"><span style="font-size:8pt;font-family:Tahoma;">18.janeiro.2008</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[NOSSO MEDO  poema de erly welton]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2690</link>
<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 23:10:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2690</guid>
<description><![CDATA[Não usa sapatos novos
Nem assoma na janela
O uivo de sete paredes
Nosso medo
 
Ruas mal-iluminadas]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não usa sapatos novos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nem assoma na janela</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O uivo de sete paredes</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ruas mal-iluminadas</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Pedra assentada no ombro</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O que espreita na lida</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Signo de nenhuma estrela</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Crucificada no erro</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Em vestes corruptíveis</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Fala pelos cotovelos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Entre ossos e lama e aço</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Cerra olhos e punhos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não tem a morte no rosto</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Não oferece a outra face</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ferro e fogo do verso</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Cálice de vinho e veneno</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Inverno de mitos sangrentos</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Desperta mil vezes em cena</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">É uma montanha de pedra</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ciência e deuses no Olimpo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Rosário de cal e areia</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Punhado de sal na têmpora</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O dia que ainda não veio</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Barco na névoa espessa </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Cova rasa do julgamento</span>
</p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A linha de qual horizonte</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Minúncias de cal e areia</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">São farpas e ferpas na unha</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Estrada longa e estreita</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Reza pra todos os santos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ferrugem no pó e nos pelos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O sangue de metal e fungos </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A certeza de não sabermos</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Em doze motes de cera</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ferro de muros e cercas</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Arame em torno do punho</span></p>
<p style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">O nosso medo</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[AS INCRÍVEIS PINTURAS DE ISABEL GUERRA - pela editoria]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2687</link>
<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 22:41:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2687</guid>
<description><![CDATA[as-pinturas-de-isabelguerra-impressionante1
]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/as-pinturas-de-isabelguerra-impressionante1.pps"><span style="color:#000000;">as-pinturas-de-isabelguerra-impressionante1</span></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MPB - UMA EXPRESSÃO AMBÍGUA (I) por alberto moby]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2685</link>
<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 22:08:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Qual a relação entre a expressão “música popular bra­sileira” e a sigla MPB? A resposta pod]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Qual a relação entre a expressão “música popular bra­sileira” e a sigla MPB? A resposta pode parecer ób­via, mas não é. Alguns cantores e compositores bra­sileiros, durante muitos anos, particularmente os anos 1960-1980, quando se deu o auge da MPB, embora can­tas­sem canções que pudessem tran­qüi­la­men­te ser clas­sificadas como parte de uma “música popular brasileira”, nunca foram classificados como cantores da MPB, usando-se para as canções que faziam ou can­tavam outras classificações, tais como “música brega”, “sambão jóia”, “música romântica”, entre ou­tras. Essa diferenciação ainda permanece em nossos dias, em­bo­ra eu tenha a impressão de que o significado implícito de MPB tenha se ampliado, se tornado mais elástico e mais condescendente com estilos e ritmos musicais que antes jamais seriam classificados como tal. Mas, ainda assim, continua havendo uma clara distinção entre o que seria a “verdadeira MPB” e outras músicas, tais como a “sertaneja”, a “axé <em>music</em>” ou “samba-reggae”, o “<em>funk</em>” e outros estilos para os quais seria injusto dizer que não são “música popular brasileira”. E então, como saímos dessa sinuca de bico? Convido vocês a seguirem comigo alguns passos que, imagino, nos levarão à saída deste labirinto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">A expressão “música popular”, no Brasil, antes do surgimento da sigla MPB tinha o mesmo sentido que lhe é atribuído pelo maestro e crítico musical Júlio Medaglia, para quem, em linhas gerais, poderíamos dividir em três tipos preponderantes as diferentes espécies de manifestação musical popular no Ocidente. A primeira, que se convencionou chamar de folclórica, liga-se mais diretamente a determinadas situações sociológicas, históricas e geográficas, congregando em sua estrutura uma série de elementos básicos que a tornam característica de uma época, uma região e até mesmo de uma maneira de viver. Por isso, suas formas de expressão seriam mais estáticas e menos passíveis de evolução e influências exteriores[1].</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Os outros dois tipos são de origem urbana, sendo qualificados simplesmente como música popular e possuindo as seguintes características que os identificam e diferenciam: “o primeiro tem suas raízes na própria imaginação popular e é aproveitado e divulgado pela rádio, pela TV, pelo filme e pela gravação; o outro é a espécie de música popular que é fruto da própria indústria da telecomunicação”[2] .</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Segundo o maestro, o chorinho é uma música de origem, expressão e posse popular. O chamado “iê-iê-iê”[3] seria um estilo musical que existia em função de um número limitado de elementos que o praticavam e que alcançaram popularidade imediata através dos recursos modernos da telecomunicação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">No Brasil, até os anos 60, independentemente dos variados ritmos musicais, do segmento social de onde provinham os compositores e intérpretes e do público, havia consenso em que “música popular” era a expressão para caracterizar sua situação de oposição à “música clássica” ou “erudita”. A partir dos anos 60, porém, tal expressão passa a ser substituída, em algumas situações bastante definidas, pela sigla MPB. Daí em diante, essa sigla passa a designar não mais toda e qualquer música produzida e/ou consumida pelas classes populares no Brasil. É com o surgimento da bossa nova e dos grandes festivais de música veiculados pela televisão que a expressão MPB aparece no mercado musical brasileiro. O curioso é que esta sigla e toda a produção poético-musical que ela passa a designar é uma construção política e não significa mais, como pode parecer, toda e qualquer música popular brasileira, sendo um subproduto – ou melhor, para que o termo não soe pejorativo –, uma subseção dela.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Resulta praticamente impossível precisar o momento exato em que nasce a sigla MPB. Algumas pistas, no entanto, apontam para a rapidez das transformações na “linha evolutiva” da música popular brasileira (conforme expressão de Caetano Veloso) a partir do final dos anos 50, particularmente através da bossa nova e, num momento imediatamente posterior, via festivais. Ao que tudo indica, seu surgimento teve, como objetivo inicial, combater a tentativa da indústria cultural de fazer com que o iê-iê-iê fosse vendido também como sendo música popular “de raiz”. A sigla se cristalizaria no nome de um conjunto vocal – o MPB-4 – e se consolidaria durante os chamados “anos duros” do regime militar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Mas é preciso, porém, identificar onde está a diferença entre a MPB e a música popular em geral. A esse respeito Marilena Chaui, em ensaio de 1986, afirmava:</span></p>
<p class="Cita" style="margin:3pt 0 3pt 2cm;"><span style="font-family:Verdana;"><span style="font-size:x-small;">se, no início deste século, os compositores mais conhecidos eram “lá do morro”, no final do século, grande parte da música popular é composta e ouvida por universitários. Em contrapartida, a chamada música sertaneja (designação mais freqüente para a música caipira e para a moda de viola sob a influência de novos ritmos urbanos) corresponderia muito mais à idéia do “popular” como “subalterno”. Por outro lado, as composições mais admiradas pela população “popular” são aquelas que costumam receber a qualificação pejorativa de <strong>kitsch</strong>[4].</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Embora Chaui siga implicitamente a linha de raciocínio da Escola de Frankfurt, ao referir-se à oposição entre um “público universitário” e a “população ‘popular’”, sua hesitação, ao considerar a música “universitária” como parte da música popular brasileira mostra a dificuldade de conceituar “música popular” na época de sua reprodutibilidade técnica. Essa dificuldade, que certamente não é exclusiva da história da música no Brasil, comporta uma especificidade: o surgimento da MPB.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Ao longo dos anos 70, a sigla MPB, já relativamente consolidada no meio artístico e nos <em>mass media</em>, não designava mais toda e qualquer música produzida e/ou consumida pelas classes populares no Brasil, quer a “autêntica” música popular (rural e/ou “folclórica”), quer a música “de consumo”. Aqui, nem sempre os compositores e ouvintes da chamada MPB pertencem às ditas “camadas subalternas”, sendo mais comumente localizados na classe média. Além do mais, não é raro que cantores e compositores da MPB se utilizem do instrumental teórico musical para grafar e reproduzir suas canções, o que dificultaria a conceituação de “música popular” para a MPB em oposição a “música erudita” também por esses critérios.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Na verdade, a sigla MPB está vinculada, sem dúvida, à resistência da faixa de compositores e cantores que, herdeira da chamada “canção de protesto”, de origem universitária, tinha como proposta combater o regime militar. Para esses compositores e cantores, segundo Gilberto Vasconcellos, “o importante é saber como pronunciar; daí a necessidade do olho na fresta da MPB. Contudo – continua – não basta somente retina. Além de depositar certa confiança na argúcia do ouvido musical, a metáfora da fresta contém uma aporia: restam ainda os percalços objetivos da decodificação”[5].</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Eis aí a MPB que, com o fim da ditadura militar, começa a desaparecer enquanto sigla e enquanto movimento artístico-político, cedendo lugar cada vez mais definitivo ao <em>rock and roll</em> em português, ao “pagode”, à canção “brega”, à “<em>new</em>-sertaneja” e, mais recentemente, à chamada axé <em>music</em> e ao <em>funk</em>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Assim, parece claro que, ao utilizar as expressões “música popular brasileira” e “MPB” não se pode estar falando do mesmo objeto, quando estiverem referidas ao regime militar. Acre-dito ser essencial marcar essa peculiaridade da expressão MPB: não se trata da música popular urbana brasileira como um todo (apesar do aparente significado da sigla), mas da expressão de um grupo de compositores, cantores e um público de classe média universitária, centrado no eixo Rio-São Paulo prioritariamente, aos quais corresponde também uma identidade política anti-ditadura militar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">PS: Este post é uma versão adaptada das p. 142-146 do meu livro <strong>Sinal Fechado: a música popular sob censura (1937-45/1969-78</strong>, publicado este ano, em segunda edição, Editora Apicuri, do Rio de Janeiro (www.apicuri.com.br).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">NOTAS:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[1] Cf. MEDAGLIA, Júlio. “Balanço da bossa nova”. In: CAMPOS, Augusto de (org.). Balanço da bossa e outras bossas. 4. ed. São Paulo: Perspectiva, 1986, p. 67.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[2] Idem, p. 67-68.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[3] Medaglia escrevia em 1967 e referia-se à adaptação que a juventude ligada ao movimento musical conhecido como “Jovem Guarda” faria, para a língua portuguesa, do constante “refrão” <em>yeah yeah yeah</em> presente em várias das canções do <em>rock and roll</em> anglo-norte-americano do começo da década de 1960, cujo exemplar mais famoso era <em>She loves you</em>, dos Beatles (de John Lennon e Paul McCartney).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[4] CHAUI, Marilena de Souza. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 10.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">[5] VASCONCELLOS, Gilberto. Música popular: de olho na fresta. Rio de Janeiro: Graal. 1977, p. 72.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;">
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/pintura-urbana-10191.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2686" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/pintura-urbana-10191.jpg" alt="" width="500" height="382" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"><span style="font-size:small;font-family:Garamond;">pintura urbana. sem crédito. ilustração do site.<br />
</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="text-indent:0;margin:3pt 0;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[FINALMENTE, ENFURECI! por waldo luís viana]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2649</link>
<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 19:47:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
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<description><![CDATA[Acordei de madrugada, neste outono de terremoto, a pensar sobre o que aconteceu realmente em meu pa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Acordei de madrugada, neste outono de terremoto, a pensar sobre o que aconteceu realmente em meu país. Todo mundo já disse tudo. A imprensa golpista, a imprensa esquerdista que não se diz golpista (aliás que caricatura grotesca o esquerdismo a favor!) – e fiquei matutando: o que nos aconteceu?</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Os políticos continuam os mesmos, safados, entre uísques, interesses e amantes, procurando os seus cadinhos, como moscas em volta das fezes do poder. Uma Pátria dirigida por pútridos, em sucessão de escândalos que não dá pra registrar, empreiteiros, bicheiros, lobistas, vigaristas, assessores, falsos empreendedores com escritório de fachada, amantes em busca de carteiras gordas e uma gravidez premiada, traficantes pequenos e grandes, a cocaína e a prostituição à solta, a pornografia invadindo os olhos dos nossos filhos pela internet e a corrupção vitoriosa, tão inexcedível em seu poder de persuasão, que os corruptos levam os filhos de carro blindado para a escola e seus netos serão inevitavelmente chacinados por alguém, desesperado, que o gordo, careca, de terno cinza e gravata vermelha, com certeza no passado prejudicou...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        O que aconteceu neste país que nossos vizinhos querem tomar nossas riquezas e os índios e ONGs estrangeiras nossos territórios e minerais? Onde generais, sempre ciosos do respeito à hierarquia, acalmam as suas mulheres nos travesseiros noturnos, dizendo que com certeza virá o próximo aumento para a tropa? E olha que mulher de militar é fogo, hein, tem coragem...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        O Brasil, como dizia o velho general Golbery é um barril de pólvora. E dizia mais: entre sístoles e diástoles vamos desdobrando nosso vil destino, enquanto as maiorias não cobram o seu quinhão. Esperemos, pois, que a Rocinha desça um dia e tome São Conrado, onde reside o Sr. César Maia e outros que tais. Vai ser uma novela da Rede Globo. Ainda bem que o Projac fica mais longe... </span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Cá estou eu, diante do computador que ainda me resta, pensando em meu país, sem dormir, como o velho seringueiro de Mário de Andrade. De que adianta pensar que minha filha está longe e se atravessar minha cidade de madrugada possa levar uma bala perdida? E o festival em torno da morte da menina Isabella? A mãe verdadeira já está sendo envolvida por duplas caipiras e talvez se torne artista do próximo Big Brother...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Tudo nessa terra é banalização. Vivemos a morte bem morrida da ética. Eu também tenho os meus pecados, como cruel mortal, mas diante do que vejo, das carnificinas, das bocas de fumo, dos caveirões e fuzis AR-15, sou reles e ingênuo inocente.</span></p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </span></span></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> </p>
<p></span></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Escritor e poeta com tantos livros a publicar, outros no estrangeiro porque minha gente não me deseja ler, porque não apanhei da ditadura (tinha quinze anos quando ela explodiu) e não posso nem requerer indenização...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        O que aconteceu, meu Deus, a meu país, em que as mulheres precisam tirar a roupa para subir na vida e encontrar um figurão para escorar o divórcio. Em que as prostitutas são seres dos mais nobres porque fazem distribuição de renda: tiram dos homens mais velhos o dinheiro que revertem para os filhos mais novos, que não pediram para nascer...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        E nossos aposentados, roubados a cada dia em seus proventos de vento, não podem recorrer a ninguém, já sem forças. Os que lhes esmagam serão velhos um dia também, mas vivem da esperança de repatriar o dinheiro de paraísos fiscais, onde os brasileiros detêm 150 bilhões de dólares e não receiam qualquer guerra e, no íntimo, fazem previsão meteorológica de que jamais haverá um tsunami no Caribe...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Nossos juros, os mais altos do planeta, para conter o egoísmo da inflação produzido por nossas elites. Nenhuma idéia nova. Só a mesma ortodoxia econômica da Escola de Chicago. Como se o sol nascesse a cada dia por causa do Itaú, do Bradesco e do Banco de Boston. Essas instituições não valem a beleza de um carvalho, nem o pescoço de uma vaca pendido no pasto...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        O Brasil da dengue, dos seios siliconados, da febre amarela, do carnaval do abadá e do rouba-cá, das geladeiras novas do bolsa-família para poupar energia, enquanto entregamos Itaipu para o falsificado irmão Paraguai, da solidariedade latino-americana que é sempre contra nós, dos norte-americanos que ainda pensam que comemos bananas e temos cobras pelas ruas passando entre tiros de fuzil, pobre Brasil, em que os poetas não estão nas praças públicas, mas trombadinhas e mulheres grávidas morrem nas portas dos hospitais públicos, aqueles da saúde quase perfeita.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Afinal temos um PAC de placas, discursos e pedras fundamentais, pastores bandidos que devem ao fisco e não podem ser investigados porque têm bancadas parlamentares, um congresso fascista, movido a facções profissionais como queria Mussolini, e  uma falsa esquerda, sempre ética antes de chegar ao poder e coberta de dossiês e socialismo de mercado quando encontra com ele. Pobre país em que temos quase 50 ministros, como na extinta União Soviética e 22 mil cargos de confiança, como em qualquer ditadura africana.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">        Onde isso tudo vai acabar? Em nada. Na minha cama, Para onde irei como sempre, assustado, à espera do efeito do calmante...</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"> ___</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">* Waldo Luís Viana é escritor e economista.</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><br />
</span><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">Rio de Janeiro, 24 de abril de 2008.</span>
</p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><a href="http://palavrastodaspalavras.files.wordpress.com/2008/07/escultura-gigante-esc-australiano-ron-mueck-11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2650" src="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/files/2008/07/escultura-gigante-esc-australiano-ron-mueck-11.jpg" alt="" width="425" height="283" /></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;"><strong></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Verdana;">"O INTERNO" escultura gigante de <strong><a href="http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/mostra-de-escultores/">ron mueck.</a></strong></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Estudo sobre “Países Mais Felizes do Mundo”]]></title>
<link>http://salteadoresdaarca.wordpress.com/?p=765</link>
<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 09:23:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>Melita</dc:creator>
<guid>http://salteadoresdaarca.wordpress.com/?p=765</guid>
<description><![CDATA[ 
Segundo a pesquisa anual World Values Survey, que envolveu 350 mil pessoas em 97 países e territ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Segundo a pesquisa anual World Values Survey, que envolveu 350 mil pessoas em 97 países e territórios, a Dinamarca é o país mais feliz do mundo, seguido, respectivamente, de Porto Rico (território associado aos Estados Unidos no Caribe) e Colômbia.</p>
<p> </p>
<p>Brasil ficou em 30º  lugar</p>
<p> </p>
<p>No outro extremo, Rússia e Iraque ficaram entre os dez menos felizes e o Zimbábue - palco de recentes distúrbios políticos - ficou em último lugar.</p>
<p> </p>
<p>No estudo, pesquisadores perguntaram a cidadãos questões simples sobre sua felicidade e grau de satisfação com a vida.</p>
<p> </p>
<p>Prosperidade financeira</p>
<p> </p>
<p>O estudo foi liderado pelo cientista político Ronald Inglehart, da Universidade de Michigan. Segundo o especialista, ao contrário de outros estudos, com ênfase em factores econômicos, sua pesquisa revelou que prosperidade financeira não é a única razão para a felicidade.</p>
<p> </p>
<p>Um sinal disso seria o fato de o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, ocupar o 16º lugar na lista.</p>
<p>“Nosso estudo indica que a prosperidade está vinculada à felicidade. Ela contribui”, disse. “Mas não é o factor mais importante.”</p>
<p> </p>
<p>“Liberdade pessoal é ainda mais importante, e liberdade de várias formas. Liberdade política, como na democracia, e liberdade de escolha.”</p>
<p> </p>
<p>Todos os países nas posições inferiores da lista enfrentam o problema da pobreza ou têm governos autoritários.</p>
<p> </p>
<p>O Zimbábue, por exemplo, sofre com a hiperinflação e, recentemente, passou por um processo eleitoral marcado por violência.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Mundo Mais Feliz</p>
<p> </p>
<p>Algumas pesquisas anteriores sugerem que níveis de felicidade são estáveis e não podem ser melhorados de maneira duradoura. Outras indicam até mesmo que a felicidade pode ser determinada geneticamente.</p>
<p> </p>
<p>Mas os autores da World Values Survey afirmam que os níveis de felicidade tanto de indivíduos como de sociedades inteiras podem mudar.</p>
<p> </p>
<p>De acordo com o estudo, que vem sendo feito desde 1981, de maneira geral, o mundo está ficando mais feliz.</p>
<p> </p>
<p>Inglehart disse que a igualdade entre os sexos é um outro indicador de felicidade, assim como tolerância étnica e social. E, segundo o especialista, tem havido uma melhoria dramática nesses indicadores nos últimos anos.</p>
<p>E Portugal? Qdo fará parte do topo deste estudo?</p>
<p><span><span style="font-size:14pt;"><img src="http://www.alexandregoncalves.com/wp-content/fotos/post/eheheh.jpg" alt="" width="300" height="236" /><img src="http://felizes.planetaclix.pt/images/geracao-malandros-p3.JPG" alt="" width="300" height="449" /></span></span></p>
<p><a href="http://www.salteadoresdaarca.com/2008/07/04/previsoes-para-os-proximos-dois-anos-acentuam-o-aumento-do-desemprego-em-portugal/"><img src="http://www.exalead.com/img?f=3972291644302799790" alt="" /> A infelicidade dos Portugueses</a></p>
<p><a href="http://www.salteadoresdaarca.com">www.salteadoresdaarca.com</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[INCANDESCENTE poema de lilian reinhardt]]></title>
<link>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2647</link>
<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 02:58:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Equipe Palavreiros da Hora</dc:creator>
<guid>http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/?p=2647</guid>
<description><![CDATA[                 
                        &#8220;&#8230;exec]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;">                 </span></em><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">                        "...</span></em></span></em><em><span style="font-size:10pt;color:#000000;font-family:Georgia;">executo meus versos na flauta das minhas vértebras..."</span></em><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">                                            </span></em></span></em><em><span style="font-size:10pt;color:#000000;font-family:Georgia;">(Maiakóviski)</span></em><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">                          </span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">                                    </span></em></span></em><em><span style="font-size:10pt;color:#000000;font-family:Georgia;">(líricas de um evangelho insano)</span></em></p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"></p>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><em></em></span></em></div>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><em></em></span></em></div>
<div class="MsoNormal" style="margin:0;"><em><span style="font-size:13.5pt;color:#000000;font-family:Georgia;"><em><span style="font-family:Georgia;">A taça de espumas seca o signo.</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">A matéria mágica dos sonhos</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">se molda ao pensamento.</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">Meus dedos cegos de luz</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">se alimentam e moldam a argila,</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">e o peso do teu breu molda</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">a minha alma incandescente.</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">Desde sempre moldam-se</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">os golpes da adaga,</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">desde sempre as margens</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">e as cabeceiras das águas são moldadas,</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">desde sempre a talha</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">nos costados selvagens</span></em><br />
<em><span style="font-family:Georgia;">molda a boca, a língua</span></em><