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	<title>mentes-e-artes &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "mentes-e-artes"</description>
	<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 15:20:53 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Trecho do Livro: Eu Fui Vermeer | Frank Wynne]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1285</link>
<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 16:43:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
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<description><![CDATA[Trecho do Livro: Eu Fui Vermeer - A Ascensão e a Queda do Maior Falsário do Século XX | Frank Wyn]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Trecho do Livro: Eu Fui Vermeer - A Ascensão e a Queda do Maior Falsário do Século XX &#124; Frank Wynne</strong></p>
<p><img src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img6/21391706.jpg" alt="Livros Eu Fui Vermeer Frank Wynne I Was Vermeer Books" hspace="20" vspace="1" align="left" />Livro: <strong>Eu Fui Vermeer</strong><br />
<a title="Eu Fui Vermeer - Frank Wynne - Livro" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21391706&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a rel="nofollow" href="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=I%20Was%20Vermeer%20Frank%20Wynne&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=books&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></p>
<p><em>Toda criança é artista. O problema é: como continuar sendo artista, depois de adulto.</em> - Pablo Picasso</p>
<p><strong>O domador do leão</strong></p>
<p><strong>Han van Meegeren nasceu para ser pintor</strong>; infelizmente, chegou com cinqüenta anos de atraso.</p>
<p>Em 19 de agosto de 1839, Paul Delaroche, um dos pintores franceses mais populares e respeitados do século XIX, solenemente declarou: "A partir de hoje, a pintura está morta". Paradoxalmente, fez essa declaração enquanto trabalhava para a École des Beaux-Arts, retratando a história da arte numa pintura de 27 metros. O dobre fúnebre soou em resposta ao acontecimento mais espetacular da história da arte figurativa: a doação ao mundo, feita pelo governo francês, de uma nova e fascinante patente, o daguerreótipo.</p>
<p>Por toda a Europa, a nova tecnologia de pintar com luz, apelidada de "fotografia", foi recebida com empolgação e assombro. Exposições realizadas nas grandes cidades européias celebraram esse processo mágico, capaz de congelar o tempo e criar uma semelhança perfeita. Observando um dos primeiros daguerreótipos, o velho J. M.W. Turner teria dito que estava contente por seu tempo já ter passado.</p>
<p>Embora o processo de Louis Daguerre fosse caro e trabalhoso demais para suplantar a pintura de imediato, o medo de que a pintura estivesse morta era real e palpável. Na exposição parisiense de 1860, Charles Baudelaire definiu a fotografia como "o refúgio de pintores fracassados e bem pouco talentosos". E acrescentou: "É óbvio que essa indústria se tornou o inimigo mais mortal da arte. Se conseguir suplementar a arte em algumas de suas funções, a fotografia logo a terá suplantado ou corrompido, graças à estultícia da massa, que é seu aliado natural". Enquanto alguns artistas chamavam a fotografia de arte-fe-to-gráfica, outros eram mais otimistas: quando a rainha Vitória lhe perguntou se a fotografia representava uma ameaça para o pintor, o miniaturista Alfred Chalon respondeu secamente: "Não, senhora: a fotografia não consegue bajular".</p>
<p>Na verdade, longe de destruir a pintura, a fotografia foi um fator crucial de sua evolução. Os temas tradicionais do pintor se restringiam a história, religião e mitologia; já a fotografia se insinuava em todas as áreas da experiência humana, registrando a vida de trabalhadores, capturando atitudes espontâneas, mudando para sempre os critérios que definiam o que se prestava à observação. Enquanto a fotografia se esforçava para imitar a bela arte, utilizando métodos que lhe permitiam obter efeitos do realismo romântico, os pintores davam início a uma radical reconsideração de temas e técnicas, abandonando o realismo como o auge da conquista artística e voltando-se para os estranhos e inacabados esboços "impressionistas".</p>
<p>Em 1889, quando Han nasceu, o realismo declinava, mas a pintura florescia. Foi em 1889 que Gauguin se afastou do impressionismo para criar algo menos naturalista, que chamou de sintetismo; e que Georges Seurat fez seu esboço pontilhista da Torre de Gustave Eiffel, enquanto os operários se esfalfavam para concluir essa extravagância de ferro para a Exposition Universelle. Esse foi o ano em que um desconhecido pintor holandês se internou voluntariamente no asilo de St. Paul, em Arles, onde retratou o banco de pedra e os ciprestes dos jardins; o ano em que o jovem Henri Matisse, escrivão que nunca tinha posto o pé numa galeria de arte, matriculou-se num curso de pintura em sua Saint Quentin natal. E foi em 1889 que Picasso, aos oito anos de idade, pintou o que se considera sua primeira obra: Le Picador. Algo quase mágico estava acontecendo na arte ocidental. Uma centelha de loucura, uma faísca de gênio estava no ar, alimentando discussões e controvérsias em Paris e Londres. Nada disso havia chegado a Deventer.</p>
<p>Han van Meegeren nasceu na histórica cidade hanseática de Deventer, que na época, como hoje, proporcionava um confortador vislumbre das glórias da Holanda, mil anos de história congelados em pedra. À distância, parecia pouco diferente da cidade retratada nas paisagens de Salomon van Ruisdael. Cercada de moinhos de vento, casas colmadas, antigas florestas e campos cercados, onde as ovelhas podiam pastar em segurança, era um cenário idílico. Han a detestava. Já na infância, apreciava o estilo de vida dos ricos; mais tarde na vida, penderia para a marginalidade. Deventer não lhe oferecia nem um, nem outra. Suas ruas medievais exalam bom senso burguês, porém uma breve caminhada aos arredores desse centro aprazível revela a dura crosta industrial: fábricas de produtos químicos, tecelagens e oficinas mecânicas do século XIX, sombrias e satânicas como Blake imaginou, cercam-na com a firme ética do trabalho holandesa.</p>
<p>Henricus van Meegeren e sua esposa, Augusta Louise, batizaram seu terceiro filho com o nome de Henricus Antonius van Meegeren, seguindo o costume nacional de dar nomes latinizados aos filhos, mas, como os holandeses raramente resistem a um diminutivo, Henricus foi abreviado para Han, que se tornou Hantje — "pequeno Han" — para diferenciá-lo do pai.</p>
<p>Henricus pai era a encarnação do pragmatismo vigoroso e ferrenho. Professor na escola Rijksweek, era formado em inglês e matemática pela Universidade de Delft e escrevera um punhado de áridos manuais. Morava com a família num elegante sobrado de três andares, com janelas salientes e mansarda, e governava os cinco filhos da mesma forma como conduzia seus alunos. Era um homem bom: correto, honrado e sem um pingo de imaginação. Católico fervoroso, todos os domingos fazia a família marchar em fila, por oito quilômetros, até a igreja onde seu irmão era pároco. Seus filhos — Hermann, Han, Joanna, Louise e Gussje — estavam proibidos de brincar com crianças protestantes. Eles logo aprenderam que fugir ao futuro que o pai lhes reservava produziria sofrimento e decepção. Henricus já havia decidido que Hermann, o primogênito, seria padre; Han, que era um bom estudante, seguiria os passos do pai, dedicando-se ao magistério. Quanto às meninas, só podiam esperar casar com um homem bem-criado e instruído, que exercesse uma profissão.</p>
<p>Na infância, Han desenhava leões. Quando tinha oito anos, as margens de seus livros escolares haviam se transformado em onduladas planícies e em picadeiros onde bandos de enormes felinos brigavam e brincavam. A mãe o levara para vê-los. Augusta Louise alimentava no filho a mesma centelha criativa que um dia sentira em si mesma e que o casamento extinguira. Conduzia Han pelo emaranhado de ruas medievais que Erasmo percorrera, quando era estudante. Falava-lhe de Gerard Ter Borch, grande pintor, o filho mais famoso de Deventer. Mostrava-lhe as casas com empena que davam para o Ijssel, a St. Lebuinuskerk e a Bergkerk, mas ele sempre lhe implorava que o levasse à De Waag, a Casa de Pesagem medieval que dominava a praça da cidade com sua curiosa torre octogonal e um torreão em cada ângulo. Han se sentava ali com seu caderno de desenho e contemplava os leões esculpidos. Dois deles ficavam sentados nos pilares que flanqueavam a grande escadaria; outros pareciam se esgueirar pelas balaustradas de pedra, agachados, ameaçadores, prontos para dar o bote. Às vezes, ao voltar da escola para casa, Han ia até lá só para vê-los.</p>
<p>Os desenhos eram seu segredo. Ele gastava toda a sua mesada com lápis e papel. Intuitivamente desconfiava que pappa não aprovaria. Tinha dez anos, quando o pai, furioso com a aparente piora em seu desempenho escolar, encontrou os desenhos e rasgou-os, diante de seus olhos perplexos.</p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.wordpress.com/about/livros-mais-vendidos-lista-dos-livros-mais-vendidos-no-brasil/">Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.wordpress.com/about/indice-de-livros-primeiro-capitulo-e-trechos/">Índice de Livros: Primeiro Capítulo e Trechos</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/07/carros-gm-automovel-chevrolet-camaro.html">Carros: GM apresenta o automóvel Chevrolet Camaro 2010</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Henfil e O Pasquim]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1256</link>
<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 22:41:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1256</guid>
<description><![CDATA[Henfil e O Pasquim
Henfil (Henrique de Souza Filho) foi um cartunista mineiro, criador de alguns dos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Henfil e O Pasquim</strong></p>
<p><strong>Henfil</strong> (Henrique de Souza Filho) foi um cartunista mineiro, criador de alguns dos mais conhecidos personagens de história em quadrinhos no Brasil, e teve importante atuação política na história do país.</p>
<p><img src="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/henfil-pasquim-fotos-photos-pics.jpg?gda=Pl6bKVUAAACJetU5AmuHZkE6DHHo7qihzC9HYBZb1nMSGRDSon15JWG1qiJ7UbTIup-M2XPURDTbxOBRu33x5nIclxT9shJh1uczk9EOENiNGaSsYS9FgYkhM2szbcMImKPL2PYldaY&#38;gsc=_2k5CwsAAADAGAm3UcY7DQe41HRiSS5F" alt="Henfil O Pasquim 01" hspace="20" vspace="1" align="left" />Nasceu em Minas Gerais, no município de Ribeirão das Neves. Mudou-se com a família para Belo Horizonte ainda na infância e trocou as brincadeiras com os amigos pelos desenhos. Em meados da década de 1950, juntamente com o irmão Betinho, aderiu ao movimento da esquerda católica, trazido ao Brasil por missionários dominicanos franceses. Inspirado nesses frades, criou os personagens Fradinhos (Fradins: Fradim Baixim e Fradim Cumprido), que logo fizeram sucesso.</p>
<p>Trabalhou como quadrinhista na revista Alterosas, cujo diretor, o escritor Roberto Drummond, sugeriu o apelido que o acompanharia pelo resto da vida. Foi para o Rio de Janeiro e publicou seus quadrinhos no Jornal dos Sports. Logo depois passou a colaborar no jornal O Pasquim - um dos principais veículos de resistência civil ao regime militar, consagrando-se nacionalmente. A produção de histórias em quadrinhos e cartuns do mineiro Henfil já possuía então sua marca registrada: um desenho humorístico político, crítico e sátiro, com personagens tipicamente brasileiros.</p>
<p>Com o aumento da repressão política do regime militar, a censura agia fortemente sobre a redação do Pasquim. Para se proteger da repressão do governo e também para tratar sua hemofilia, Henfil exilou-se nos Estados Unidos, retornando ao Brasil em 1975.</p>
<p>Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da campanha pelas Diretas Já. Casou-se três vezes. Henfil era hemofílico e foi contaminado com o vírus da AIDS numa transfusão de sangue. Morreu no Rio de Janeiro em janeiro de 1988. Estima-se que, em 26 anos de carreira, Henfil tenha produzido entre 20 mil e 30 mil cartuns. Suas tiras foram divulgadas em vários países do mundo sob o título "The Mad Monks".</p>
<p>Seu maior sonho era fazer desenho animado. Segundo ele, só assim suas idéias não morreriam, pois seus bonecos poderiam andar, cantar e falar, o que não acontecia quando ele desenhava e sua idéia virava papel, tinta e nanquim.</p>
<p>O dia 4 de janeiro lembra a morte do desenhista Henfil em 1988, com seus poucos 44 anos, e é também o Dia do Hemofílico.</p>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<div style="text-align:center;"><em>"Se não houver frutos</em><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Valeu a beleza das flores </em><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Se não houver flores </em><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Valeu a sombra das folhas </em><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Se não houver folhas </em><em><br />
</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Valeu a intenção da semente"</em></div>
<div style="text-align:center;"><span style="color:#ffffff;">. </span></div>
<div style="text-align:center;"><em></em>Henfil</div>
<div style="text-align:center;"><span style="color:#ffffff;">.</span></div>
<div>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></div>
<div style="text-align:center;"><img src="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/henfil-pasquim-fotos-photos-pics-2.jpg?gda=C1GT1FcAAACJetU5AmuHZkE6DHHo7qihzC9HYBZb1nMSGRDSon15JWG1qiJ7UbTIup-M2XPURDTbxOBRu33x5nIclxT9shJh1uczk9EOENiNGaSsYS9FgWuPXaqHbj11mouZkXagh-Q&#38;gsc=_2k5CwsAAADAGAm3UcY7DQe41HRiSS5F" alt="Henfil O Pasquim 02" /></div>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p><strong>O Pasquim</strong></p>
<p>O significado do nome não é dos mais lisonjeiros: Pasquim é um jornal difamatório espalhado clandestinamente. O nome do tablóide surgiu do cartunista Jaguar que, junto com Henfil, Ziraldo, Millôr Fernandes, Sérgio Cabral, Paulo Francis, Glauber Rocha, Ivan Lessa e alguns outros singulares, formavam a linha de frente da Patota do Pasquim.</p>
<p>O jornal O Pasquim surgiu no Rio de Janeiro em 1969 (chegou às bancas em 26 de junho daquele ano). Com sua irreverência, humor e anarquia, deu uma nova roupagem e linguagem ao jornalismo brasileiro. Apresentou uma forma mais coloquial à publicidade e causou um forte abalo nos níveis da hipocrisia nacional, pois enfrentou a censura e a cadeia com o riso aberto.</p>
<p>Ninguém ficou rico com o Pasquim, embora ele tenha vendido nos seus melhores tempos, entre 1969 e 1973, até 250 mil exemplares, um volume acima do razoável, se lembrarmos que os jornais de tiragem nacional rodam hoje, quase 40 anos depois, com toda a informatização, a facilidade de distribuição e as fortes campanhas de assinantes, cerca de 300 mil exemplares.</p>
<p>O comportamento da chamada Patota do Pasquim era tão anárquico quanto o conteúdo do jornal. E o que ganharam gastaram entre prisão, brigas, festas e altas dosagens etílicas. Os militares e a elite brasileira tentaram sufocá-lo diversas vezes e de formas variadas mas, quando conseguiram, ele já havia disseminado uma nova forma de comportamento nos meios de comunicação. Como disse o cartunista Jaguar, um dos fundadores do Pasquim: "a imprensa tirou o paletó e a gravata, ou, como diz o Olivetto, passamos a escrever e nos comunicar com língua de gente, do povo."</p>
<p>A última edição do Pasquim foi a de número 1.072, publicada em 11 de novembro de 1991.</p>
<p>Em abril de 2008, Jaguar e outros vinte jornalistas - que foram perseguidos durante os anos repressivos da Ditadura Militar - tiveram seus processos de anistia aprovados pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Ele e o cartunista Ziraldo receberam as maiores indenizações: cada um recebeu 1 milhão de reais.</p>
<p>Abaixo segue a entrevista de Henfil a revista Veja em 28 de Abril de 1971.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Henfil, modéstia à parte, você se considera o maior humorista do Brasil?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Não. Eu não sou o maior humorista do Brasil. E não falo por modéstia, não. O maior humorista brasileiro, o humorista mais completo do país, no meu entender, é o Millôr Fernandes, que está aí mesmo na revista. Ele é um cara que tá de antena ligada para tudo quanto é assunto. É um cosmopolita da informação. Ele bebe água em anúncio classificado, em televisão, em enciclopédia, em revistinha imbecil, em jornal. E, se estou aprendendo, não posso ser maior do que ele, que também leva sobre mim a vantagem do maior tempo de serviço. E tem o Ziraldo, o Jaguar, o Fortuna. Quer dizer, um pessoal pelo qual eu tenho o maior respeito, inclusive está na minha frente há muitos anos. Eu sou uma novidade. E novidade normalmente faz barulho.</p>
<p><strong>Veja</strong>: O criador do contestador Baixinho, segundo consta, tem um dos maiores salários do país. Afinal, que contestação é essa?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Realmente, eu ganhava muito bem. Era um cara que tinha uma soma de salários muito boa. Mas isso me deu uma série de problemas. Um deles: o excesso de segurança. Eu acho que para criar é preciso estar inseguro, estar a perigo o tempo todo. A insegurança, o perigo, é que faz com que o cara crie. A maioria dos meus personagens, eu os criei numa época em que estava a perigo, tentando abrir caminho profissionalmente. Depois, não criei nada de novo. Quando vi que o negócio era esse, resolvi cortar o mal pela raiz. Deixei 90% dos lugares onde trabalhava. Cortei definitivamente os trabalhos em publicidade, que são justamente aqueles que rendem mais, passei a trabalhar só em três veículos que me interessam: Jornal do Brasil, onde faço uma charge política para um público mais sofisticado, O Pasquim, onde eu faço grossura para um público relativamente indefinido (não sei se é elite, porque todo mundo lê - inclusive tem uma penetração violenta no interior), e o Jornal dos Sports, onde eu faço charge para o povão. Estou ganhando 90% menos por tática: para criar melhor. Não há maior perigo para um cara que cria do que a estabilidade.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Henfil, o fradinho baixinho é a exteriorização de suas neuroses?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Como habitante deste planeta industrial, obviamente eu sou neurótico. E o Baixinho é apenas a exteriorização de meus impulsos. Descarrego nele as minhas reações impulsivas, inclusive aquelas de que muitas vezes eu discordo depois.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Você já levou o Baixinho ao psicanalista?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Levei ao reflexologista, o negócio do condicionamento. O pessoal lá da clínica brincava comigo: Você vai perder a graça, pois seu humor é fruto de suas neuroses. Se isto for verdade, pensei, vou passar fome depois de curado. Mas aconteceu o inverso. Ao me libertar de uma série de tensões, de problemas, fiquei mais descontraído. O Baixinho ficou ainda mais baixinho e eu fiquei mais espontâneo.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Se o Baixinho é você, quem é o Cumprido?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: O Baixinho sou eu. Hoje. O Cumprido também sou eu - numa versão antiga. Vamos dizer que eu andei e o Cumprido ficou para trás. É isso. O Cumprido é como eu era: um cara carola, infantil, ingênuo, aquele mineiro com aquela formação religiosa antiga, mórbida. A religião do terror, na qual tudo é pecado (o raio que está caindo é castigo de Deus). Do pecado mortal, venial e original. O Cumprido ficou nessa fase. Agora eu me identifico com o Baixinho, que é exatamente como eu sou hoje: toda uma negação desse meu passado. E de uma maneira muito agressiva, porque esse meu passado me incomoda bastante. Não acho nada gostoso ser um cara que já foi da cruzada eucarística, que quase foi congregado mariano. Minha mãe me formava para eu ser padre. Fui salvo pelos dominicanos, que me deram uma nova formação, uma nova visão da Igreja, de justiça, de liberdade, de alegria. A outra era uma visão tétrica. O Baixinho procura, através da agressão, do ridículo, me checar e ao meio em que vivo. Já vi: não era só eu o carola: meio mundo é carola, fariseu, hipócrita. Então eu passei a anarquizar, a agredir essa gente, como o Baixinho agride.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Se o Baixinho é considerado o mau caráter da dupla dos fradinhos, o Henfil é mau caráter?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Não. Eu não sou mau caráter. De jeito nenhum. Eu seria mau caráter se as ações do Baixinho, pelas quais sou responsável, fossem gratuitas. Mas não são. Ele está sempre provocado: pela frescura com a criança, o relacionamento que se tem com a criança, por exemplo. O pessoal acha o Baixinho um tremendo mau caráter porque ele está sempre agredindo as crianças não é isso? O problema é que existe um negócio que me provoca: a paparicação das crianças até os dois, três anos. Elas são os reizinhos, as princesinhas da casa. Daí em diante o negócio começa a mudar: o cace*te começa a comer em cima, elas são mandadas para a guerra do Vietnam. Quer dizer: eu sou a favor do adulto. Não quero essa discriminação de idades. Por isso agrido a carolice com as crianças, que é negócio de fariseu: paparica agora para ser bucha de canhão depois. O Baixinho agride esse relacionamento falso, hipócrita. Procura escandalizar: chega e dá uma cocada numa criança. Aí todo mundo acha aquilo um sadismo tremendo. Mas se por acaso eu fizer o Baixinho mandar um rapaz para a guerra, ninguém acha graça. Meu negócio é esse, mostrar, com a ajuda do sadismo, um troço que, na base da poesia, não entra na cabeça de ninguém. Minha política é simples: poesia não, sadismo sim.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Como foi que os Fradinhos nasceram?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Nasceram graças à insistência de um cara lá de Minas, que praticamente me obrigou a criar os personagens para a revista Alterosa, que ele dirigia. Quer dizer: ele queria que eu criasse um personagem. Como na época, 1964, eu convivia muito com os frades dominicanos, acabei vestindo os personagens com o hábito deles. Curioso é que o Roberto Drumond, o jornalista, foi o único sujeito a acreditar em mim, numa época em que nem eu acreditava. Eu era um péssimo desenhista. Meus desenhos poderiam servir, no máximo, para um catálogo de esquizofrênicos, ou uma coleção de desenhos de débil mental. Eu pedia demissão todo o mês mas o Roberto não aceitava e ainda metia minha família no meio para me obrigar a continuar. Também não durou muito, pois quatro números e quatro meses depois a revista fechou.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Você matou os Fradinhos e depois os ressuscitou. Por que tentou acabar com eles e por que desistiu? As criaturas foram mais fortes do que o criador?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Foi o seguinte: eu trabalho há três anos no Jornal dos Sports, fazendo uma charge diária de quase uma página. Quer dizer: em três anos temos aí umas mil e tantas charges. Pois bem, até hoje ninguém escreveu ou falou que eu estava chato, que precisava modificar, renovar: o povo tem uma raiz cultural muita firme, muito bacana. Ele vai se identificando com o negócio e passa a ser mesmo até contra mudanças radicais. Não gosta de estar mudando todo dia. Sabe que até as galinhas põem menos ovos quando trocadas de galinheiro. Essas mudanças sucessivas acabam desestruturando, arrasando o cara. O povão é assim: nestes três anos de Jornal dos Sports nunca me pediu para eu mudar minhas galinhas de galinheiro. No Pasquim é diferente. Seus leitores não pertencem ao povão, mas da classe média alta para a burguesia: estudantes, profissionais liberais, enfim um pessoal com um nível cultural um pouquinho mais elevado e com uma formação cultural principalmente estrangeira. Um pessoal de moda, que muda de filósofo, de Marcuse, como quem muda de camisa. Que muda de músico, de cantor, como quem muda de cueca. Esse pessoal fica mudando, só mudando, porque não tem raiz nenhuma - devido à formação estrangeira vive de costas para o Brasil. O sonho desse pessoal todo é pegar uma bolsa de estudo para a Europa, e ir passear ou trabalhar nos Estados Unidos. Resultado, dezesseis números, isto é, quatro meses, depois de Os Fradinhos estrearem no Pasquim, começaram a chegar as cartas de reclamação.</p>
<p><strong>Veja</strong>: O que pretendiam as cartas?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Elas diziam: É preciso mudar, é preciso renovar, esse negócio está chato, o Henfil está sem imaginação. Fiquei mordido com o negócio. Meu primeiro golpe foi retirar o Baixinho, que era o personagem de que eles mais gostavam. Foi minha primeira vingança. Quando o Baixinho saiu, comecei a receber montes de cartas indignadas. De protesto em protesto, eu que já tinha o negócio mais ou menos engatilhado, fiz o Baixinho voltar. A volta foi anunciada na primeira página. O pessoal ficou na maior alegria ao reencontrar o Baixinho nos primeiros quadrinhos. A alegria durou pouco: no penúltimo quadrinho, um caminhão atropelou e matou os dois fradinhos. Foi minha segunda vingança. Aí é que foi aquela indignação total: era nome feio em todas as cartas. Houve até um cara, de Vitória, que prometeu vir ao Rio para me dar uma bolacha. O fato é que eu atingi o que queria: mostrei pra todo mundo que por trás dos Fradinhos havia um criador que tudo sabia e tudo queria a respeito deles.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Por que o Baixinho é muito mais popular que o Cumprido?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: É fácil: a gente vive num clima mundial de sadismo. Em cada esquina o sujeito está levando cace*te (não confundir com cassetete) na cabeça. Então nada mais óbvio que o pessoal se identifique com o personagem sádico ou por projeção ou por sublimação. Mas é bom que se diga que a maioria dos leitores é formada por Cumpridos, por tremendos Cumpridos. O escândalo que o Baixinho produz neles é que me leva a ter essa idéia. Com um detalhe: o maior desejo deles é serem iguais ao Baixinho.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Os Fradinhos são o Henfil você já disse. Mas fisicamente eles se inspiraram em alguém?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Sim. Em dois frades dominicanos, de quem eu gostava muito. Um era gordinho, baixinho, moleque - o frei Rato; o outro, cumprido, magrelo e muito místico - o frei Patrício.</p>
<p><strong>Veja</strong>: Você é mineiro e foi criado no melhor estilo TFM (Tradicional Família Mineira): muita religião, tabus e preconceitos. Qual a influência disso no seu humor?</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Eu sou um reflexo da minha criação. Inclusive agradeço muito a minha mãe, a minha família, à TFM pelo que eu posso produzir hoje. O negócio lá em casa era terrível: era comemorar dia de santo por dia de santo. Quer dizer, todo dia era aquela chamada religião do terror: eu tinha um medo danado do fogo do inferno. Em dia de tempestade a gente queimava palha benta, entrava debaixo da mesa com medo do castigo de Deus em cima da cidade. Depois da confissão voltava para casa rezando uma estranha objurgatória - Deus pra cá, capeta pra lá - acompanhada de um movimento com a mão direita. Quando eu dizia Deus pra cá, levava a mão ao peito. Quando dizia Capeta pra lá, a retirava, num gesto de expulsão. Mas, durante a caminhada, acabava havendo um desencontro entre as palavras e os gestos. E quando eu percebia, entrava em pânico e voltava correndo para confessar de novo, pois pra mim era como se eu tivesse dito que estava com o capeta. Era uma religião mórbida. A repressão que eu sofria por causa disso obviamente desabrochou o masoquismo: foi criado o masoquismo Henfil. E, como todo mundo sabe, masoquismo e sadismo são a mesma coisa. Logicamente isso influenciou o meu trabalho. Não nego isso em nenhum momento e até faço propaganda do tipo de enredo que os fradinhos vivem. Tá o Cumprido neste esquema antigo e tá no Baixinho o meu protesto, a minha agressão a esse tipo de vida que eu levava. Eu agradeço a esse tipo de educação que eu tive e que já superei. O negócio é que eu assimilei e consegui dar um tratamento comercial às minhas neuroses. Hoje vendo as minhas neuroses nas páginas do Pasquim. Mas, olhando bem, a posição crítica em que me coloco me dá certo crédito de sadio. Sou crítico, logo sou sadio, portanto não sou tão neurótico assim.</p>
<p><strong>Veja</strong>: O humorista deve fazer o humor pelo humor ou esse humor deve ter um fim? (Nesse caso, que fim?)</p>
<p><strong>HENFIL</strong>: Acho bacana responder a essa pergunta. Justamente porque não sou um cara gratuito. Acho que o meu trabalho tem um fim. A época do humor pelo humor já passou. Hoje o humor é jornalístico, tem de ser engajado, de ser quente. A fase da comunicação pura e simples acabou. O humor agora é de identificação. O meu objetivo é a identificação. Procuro dar o meu recado através do humor. Humor pelo humor é sofisticação, é frescura. E nesta eu não tou: meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo a sério. Faço a maior preparação para detonar as minhas bombas de humor. Reservo horário, ambiente, me concentro, expulso criança de perto, dou tiro em vizinho com o rádio ligado alto - o diabo. Quer dizer: para detonar. Mas mantenho sempre a preocupação de que todos me entendam. Evito erudição, intelectualismo. Não sou artista plástico: meu negócio é me fazer entender da maneira mais fácil, rápida e direta possível.</p>
<p><strong>Dicas de leitura</strong>:</p>
<ul>
<li><strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1385188&#38;franq=249087" target="_blank">O Pasquim: Antologia 1969 - 1971 (volume 1)</a></strong></li>
</ul>
<ul>
<li><strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1948600&#38;franq=249087" target="_blank">O Pasquim: Antologia 1972 - 1973 (volume 2)</a></strong></li>
</ul>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/07/millor-fernandes-poemeu-supersticao-e.html">Millôr Fernandes: Poemeu - A superstição é imortal</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/06/direitos-humanos-e-aids.html">Betinho: Direitos humanos e AIDS</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/07/anticancer-david-servan-schreiber-livro.html">Trecho do Livro: Anticâncer &#124; David Servan-Schreiber</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/07/receitas-chocolate-brigadeiro-forno.html">Receitas de Chocolate: Brigadeiro de Forno</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Imagem: Freedom (por Khingkhing)]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1113</link>
<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 06:59:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1113</guid>
<description><![CDATA[Imagem: Freedom (por Khingkhing)
.

.
&#8212;&#8211;
+ Veja também:

Imagens: O Lançamento do Ôni]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center;"><strong>Imagem: Freedom (<em>por Khingkhing</em>)</strong></div>
<div><span style="color:#ffffff;">.</span></div>
<div style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/freedom-khingkhing-fotos-imagems-photos-pics.jpg?gda=HjXqCGEAAADAF7N5EVw5eaIZpLlaJcARBdf7P9wVF8fGAq5r7XKQQmG1qiJ7UbTIup-M2XPURDS_m6ygR2xx9x7v-Sc_B_0KFsMS2BqCgze4pPgCcrHr33YTUwSkN9nbip9vssov8gY05-ySZZW8fMHVPyU84fIm&#38;gsc=MZ7yygsAAAB5TV7tCPvKUoaPJHp6_MRK" alt="freedom khingkhing imagens fotos photos pics" /></div>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/05/lancamento-onibus-espacial-imagens.html">Imagens: O Lançamento do Ônibus Espacial</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/imagem-onca-pintada-jaguar.html">Imagem: Onça-Pintada (Jaguar)</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/filme-wall-e-wallpapers-papeis-parede.html">Filme: WALL·E &#124; Papéis de Parede &#124; Wallpapers</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Design: Edição especial do Notebook HP Pavilion dv2872br Artist Edition]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1104</link>
<pubDate>Fri, 13 Jun 2008 14:16:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1104</guid>
<description><![CDATA[Design: Edição especial do Notebook HP Pavilion dv2872br
A HP apresentou ao mercado uma edição e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Design: Edição especial do Notebook HP Pavilion dv2872br</strong></p>
<p>A HP apresentou ao mercado uma edição especial de notebook, com design original, fruto de um concurso realizado com a MTV no final de 2007, o <strong><a href="http://www.submarino.com.br/homecache/software_browser.aspx?Query=&#38;ProdTypeId=10&#38;CatId=11126&#38;franq=249087" target="_blank">Notebook HP Pavilion dv2872br Artist Edition</a></strong>.</p>
<p>O concurso “Take Action, Make Art”, desafiou jovens de todo o mundo a criarem design para um notebook HP. Os participantes deveriam submeter idéias com temas pelos quais tinham afinidade.</p>
<div style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/notebook-hp-pavilion-dv2872br-laptop.jpg?gda=1u5vK1kAAADAF7N5EVw5eaIZpLlaJcARJWd2AdcR6fbguXGxTvf1sGG1qiJ7UbTIup-M2XPURDRgE3pBdOlEOpTtIKs1atUsuNCNmtUxyrLatE0Cgvwka2gbxvIu0xeBCwVGl3YGyBk&#38;gsc=mL5HUwsAAAAIU14VWruGcf3fjqu_a7SZ" alt="Notebook HP Pavilion dv2872br" vspace="1" /></div>
<p>A HP recebeu 8,5 mil designs de 112 países, incluindo o Brasil, que foi o segundo país com mais participação no concurso. O vencedor foi um português de 20 anos. O design “Asian Odyssey” incorpora cores marcantes e diversos elementos simbólicos que refletem a paixão deste jovem pela cultura asiática. Além disto, mais de 180 mil jovens responderam à uma pergunta de como um notebook da HP poderia mudar suas vidas, o que permitiu a HP reforçar mais uma vez a importância do jovem em sua estratégia de marketing. Esta edição especial será comercializada no mundo todo.</p>
<p>Além de bonito, o Notebook HP Pavilion dv2872br Artist Edition tem uma configuração potente e vem com a tecnologia dos processadores Intel Centrino Duo. Além disso, o novo modelo será vendido acompanhado de uma exclusiva bolsa com a estampa igual ao notebook.</p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/processador-intel-atom-chip.html">Processador Intel Atom: O menor chip da Intel</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/software-microsoft-lancamentos-2008.html">Software: Microsoft apresenta lançamentos de 2008</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/livro-caminho-swann-marcel-proust.html">Trecho do Livro: No Caminho de Swann &#124; Marcel Proust</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Curtas: "Lifted" (Disney/Pixar) | Gary Rydstrom]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1079</link>
<pubDate>Thu, 05 Jun 2008 16:12:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1079</guid>
<description><![CDATA[Curtas: &#8220;Lifted&#8220; (Disney/Pixar) | Gary Rydstrom
Lifted (2006), curta-metragem de Gary Ry]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Curtas: </strong>"<strong>Lifted</strong>"<strong> (Disney/Pixar) &#124; Gary Rydstrom</strong></p>
<p>Lifted (<em>2006</em>), curta-metragem de Gary Rydstrom.</p>
<p><span style="color:#ffffff;">. </span></p>
<div style="text-align:center;">"<strong>Lifted</strong>"</div>
<div><span style="color:#ffffff;">. </span></div>
<div style="text-align:center;"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/neWDRrBEQ_M'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/neWDRrBEQ_M&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></div>
<div><span style="color:#ffffff;">. </span></div>
<div><span style="color:#ffffff;">. </span></div>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/pixar-for-birds-eggleston-curta-short.html">Curtas: "For The Birds" (Pixar) &#124; Ralph Eggleston</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/06/imagem-onca-pintada-jaguar.html">Imagem: Onça-Pintada (Jaguar)</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/05/o-bom-e-velho-wear-sunscreen-filtro.html">Curtas: Wear Sunscreen (Filtro Solar)</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Bibliografia: a vida e os livros de Paulo Coelho]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1067</link>
<pubDate>Thu, 29 May 2008 00:57:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1067</guid>
<description><![CDATA[Bibliografia: a vida e os livros de Paulo Coelho
Paulo Coelho é oitavo ocupante da Cadeira nº 21 d]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bibliografia: a vida e os livros de Paulo Coelho</strong></p>
<p><img src="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/foto-paulo-coelho-photo-pics.jpg?gda=qcRkClEAAACD8OwHnb5Anuo0opxoLAECApTU7Mg_U5kfZtb1X_5oLWG1qiJ7UbTIup-M2XPURDSg9alMVfkvDuILsbQhMUr8taRBNT-AjOGbJAQuilFahDTn7JJllbx8wdU_JTzh8iY&#38;gsc=XTFE6wsAAABa7diYCS-fcB-Y_uhjoELW" alt="Paulo Coelho Escritor Autor Writer Fotos Photos pics" hspace="20" vspace="1" align="left" />Paulo Coelho é oitavo ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Brasileira de Letras (ABL), eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.</p>
<p>Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 24 de agosto de 1947. Filho do engenheiro Pedro Paulo Coelho e de Lígia Coelho. Fez seus estudos no Rio de Janeiro. É casado, desde 1981, com a artista plástica Christina Oiticica.</p>
<p>Antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou como diretor e autor de teatro, jornalista e compositor. Escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da música brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Al Capone”, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil.</p>
<p>Foi diretor da companhia discográfica CBS e do jornal Express Underground, professor de teatro e secretário de redação do jornal O Globo. Fundou a Revista 2001.</p>
<p>Paulo Coelho tem uma coluna semanal em O Globo, e em outros 48 jornais brasileiros. Escreve também para jornais do México, Argentina, Chile, Bolívia, Polônia, Itália, Espanha, Venezuela, Grécia, Taiwan, România, Alemanha e mais dez países.</p>
<p>Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc.</p>
<p>Em 1982, editou ele próprio seu primeiro livro, Arquivos do Inferno, que não teve qualquer repercussão. Em 1986, fez a peregrinação pelo Caminho de Santiago, na Espanha, e, a partir dessa experiência marcante, escreveu O Diário de um Mago – O Peregrino, em 1987. No ano seguinte, publicou O Alquimista, que se transformaria no livro brasileiro mais vendido em todos os tempos.</p>
<p>Paulo Coelho conseguiu ter três títulos ao mesmo tempo nas listas de mais vendidos na França, Brasil, Polônia, Suíça, Áustria, Argentina, Grécia, Croácia. De acordo com a revista francesa Lire, foi o segundo escritor mais vendido do mundo em 1998. Autor de um trabalho polêmico, tem críticos apaixonados – a favor e contra. O escritor italiano Umberto Eco elogiou Veronika Decide Morrer na revista alemã Focus. Sua obra foi traduzida em 56 línguas e editada em mais de 150 países. Fato notável em sua vida foi o de ter sido o primeiro escritor não muçulmano que visitou o Irã desde a revolução islâmica de 1979.</p>
<p>Fez também a adaptação de O Dom Supremo (Henry Drummond) e Cartas de Amor do Profeta (Khalil Gibran).</p>
<p>O Alquimista é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos livros mais vendidos em 18 países. Tem sido elogiado por pessoas tão diferentes como o Prêmio Nobel de Literatura <a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/01/questao-pessoal-kenzaburo-oe-livro.html">Kenzaburo Oe</a>, o prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, a cantora Madonna e a atriz Julia Roberts, que o consideram seu livro favorito. A edição ilustrada pelo famoso desenhista Moebius (autor, entre outros, dos cenários dos filmes O Quinto Elemento e Alien) já foi publicada em vários países. The Graduate School of Business of the University of Chicago recomenda o romance no seu currículo de leitura. Também foi adotado em escolas da França, Itália, Brasil, Estados Unidos, dentre outros países.</p>
<p>Paulo Coelho entrou para o Guinness Book of Records como o autor que mais assinou livros em edições diferentes no dia 9 de Outubro 2003, na Feira do Livro de Frankfurt.</p>
<p>Já foi fonte de inspiração de vários projetos – como um musical no Japão, peças de teatro na França, Bélgica, EUA, Espanha, Portugal, Taiwan, Turquia, Itália, Suíça. É tema de duas sinfonias: na Itália, uma peça clássica pelo italiano Irlando Danieli para o Scala de Milão, e nos EUA, onde a BMG Classics lançou o CD “A Sinfonia do Alquimista”, pelo compositor Walter Taieb, inspirada em seu enredo.</p>
<p>Os direitos de filmagem de O Alquimista foram adquiridos pela Warner Brothers, que também está desenvolvendo o roteiro do filme Onze Minutos pela Hollywood Gang Production e Verônika Decide Morrer pela Muse Productions (VS); e Monte Cinco pela Capistrano Productions.</p>
<p>Paulo Coelho pertence ao Board do Instituto Shimon Peres para a Paz, é Conselheiro Especial da UNESCO para “Diálogos Interculturais e convergências espirituais” e membro da diretoria da Schwab Foundation for Social Entrepreneurship, que distribuiu anualmente um prêmio de U$ 1 milhão para empreendedores sociais.</p>
<p>Mantém o Instituto Paulo Coelho, uma instituição sem fins lucrativos, financiada exclusivamente pelos direitos autorais do escritor. A idéia central não é fazer caridade, mas dar oportunidade às camadas menos favorecidas e excluídas da sociedade brasileira. Desta maneira, o Instituto concentra sua verba em projetos voltados à Infância e a Terceira Idade, e é co-patrocinador do projeto Creche Escola Meninos da Luz, Lar Paulo de Tarso (favela Pavão-Pavãozinho, Rio de Janeiro), que cuida de diversas crianças.</p>
<p><strong>Principais prêmios e condecorações</strong>:</p>
<ul>
<li>Distinction of Honour from the City of Odense (Hans Christian Andersen Award) (Dinamarca 2007)</li>
<li>Las Pergolas Prize 2006 by the Association of Mexican Booksellers (ALMAC) (México 2006)</li>
<li>“I Premio Álava en el Corazón" (Espanha, 2006)</li>
<li>“Wilbur Award” (Estados Unidos, 2006)</li>
<li>Prêmio Kiklop pelo O Zahir na categoria “Hit of the Year” (Croácia, 2006)</li>
<li>Prêmio “DirectGroup Inrternational Author” (Alemanha 2005)</li>
<li>“Goldene Feder Award” (Alemanha, 2005)</li>
<li>“The Budapest Prize” (Hungria, 2005)</li>
<li>“Order of Honour of Ukraine” (Ucrânia, 2004)</li>
<li>"Order of St. Sophia" (Ucrânia, 2004)</li>
<li>“Nielsen Gold Book Award" pelo O Alquimista (Inglaterra, 2004)</li>
<li>Prêmio “Ex Libris Award” pelo o livro Onze Minutos (Sérvia, 2004)</li>
<li>Prêmio “Golden Bestseller Prize” do jornal "Večernje Novosti" (Sérvia, 2004)</li>
<li>Oficial de Artes e Letras (França, 2003)</li>
<li>Prêmio Bambi de Personalidade Cultural do Ano (Alemanha, 2001)</li>
<li>Prêmio Fregene de Literatura (Itália, 2001)</li>
<li>"Crystal Mirror Award" (Polônia, 2000)</li>
<li>"Chevalier de L'Ordre National de la Legion d'Honneur" (França, 2000)</li>
<li>“Golden Medal of Galicia” (Espanha, 1999)</li>
<li>"Crystal Award" World Economic Forum (1999)</li>
<li>"Comendador de Ordem do Rio Branco" (Brasil, 1998)</li>
<li>Finalista para o "International IMPAC Literary Award" (Irlanda, 1997)</li>
<li>"Golden Book" (Iugoslávia 1995, 1996, 1997, 1998)</li>
<li>“Super Grinzane Cavour Book Award” (Itália, 1996)</li>
<li>"Flaiano International Award" (Itália, 1996)</li>
<li>"Knight of Arts and Letters" (França, 1996)</li>
<li>"Grand Prix Litteraire Elle" (França, 1995)</li>
</ul>
<p><span style="color:#ffffff;">.</span></p>
<p><strong>Bibliografia de Paulo Coelho</strong>:</p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21391557&#38;franq=249087">O Vencedor Está Só</a></strong><br />
<em>(2008)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1947404&#38;franq=249087">A Bruxa de Portobello</a></strong><br />
<em>(2007)<br />
</em><br />
<strong>Ser como o rio que flui</strong><br />
<em>(2006)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1948145&#38;franq=249087">O Zahir</a></strong><br />
<em>(2005)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=233186&#38;franq=249087">O Gênio e as Rosas</a></strong><br />
<em>(2004)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1948149&#38;franq=249087">Onze Minutos</a></strong><br />
<em>(2003)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=155514&#38;franq=249087">Histórias para pais, filhos e netos</a></strong><br />
<em>(2001)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673211&#38;franq=249087">O Demônio e a Srta. Prym</a></strong><br />
<em>(2000)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=74168&#38;franq=249087">Palavras essenciais</a></strong><br />
<em>(1999)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673223&#38;franq=249087">Veronika decide morrer</a></strong><br />
<em>(1998)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673216&#38;franq=249087">Manual do Guerreiro da Luz</a></strong><br />
<em>(1997)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=11755&#38;franq=249087">Cartas de Amor do Profeta</a></strong><br />
<em>(1997)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673219&#38;franq=249087">O Monte Cinco</a></strong><br />
<em>(1996)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673220&#38;franq=249087">Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei</a></strong><br />
<em>(1994)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=40188&#38;franq=249087">Maktub</a></strong><br />
<em>(1994)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673221&#38;franq=249087">As Valkírias</a></strong><br />
<em>(1992)<br />
</em><br />
<strong>O Dom Supremo</strong><br />
<em>(1991)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673218&#38;franq=249087">Brida</a></strong><br />
<em>(1990)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=4853&#38;franq=249087">O Alquimista</a></strong><br />
<em>(1988)<br />
</em><br />
<strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1673212&#38;franq=249087">O Diário de um Mago</a></strong><br />
<em>(1987)<br />
</em><br />
<strong>Arquivos do inferno</strong><br />
<em>(1982)</em></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/04/bibliografia-livros-de-jorge-amado.html">Bibliografia: os livros de Jorge Amado</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/05/pos-guerra-europa-1945-tony-judt-livro.html">Livro: Pós-Guerra: Uma História da Europa Desde 1945 &#124; Tony Judt &#124; Primeiro Capítulo</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.wordpress.com/about/livros-mais-vendidos-lista-dos-livros-mais-vendidos-no-brasil/">Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia: Não-coisa | Ferreira Gullar]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1048</link>
<pubDate>Fri, 09 May 2008 07:32:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1048</guid>
<description><![CDATA[Poesia: Não-coisa | Ferreira Gullar
O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Poesia: Não-coisa &#124; Ferreira Gullar</strong></p>
<p>O que o poeta quer dizer<br />
no discurso não cabe<br />
e se o diz é pra saber<br />
o que ainda não sabe.</p>
<p>Uma fruta uma flor<br />
um odor que relume...<br />
Como dizer o sabor,<br />
seu clarão seu perfume?</p>
<p>Como enfim traduzir<br />
na lógica do ouvido<br />
o que na coisa é coisa<br />
e que não tem sentido?</p>
<p>A linguagem dispõe<br />
de conceitos, de nomes<br />
mas o gosto da fruta<br />
só o sabes se a comes</p>
<p>só o sabes no corpo<br />
o sabor que assimilas<br />
e que na boca é festa<br />
de saliva e papilas</p>
<p>invadindo-te inteiro<br />
tal do mar o marulho<br />
e que a fala submerge<br />
e reduz a um barulho,</p>
<p>um tumulto de vozes<br />
de gozos, de espasmos,<br />
vertiginoso e pleno<br />
como são os orgasmos</p>
<p>No entanto, o poeta<br />
desafia o impossível<br />
e tenta no poema<br />
dizer o indizível:</p>
<p>subverte a sintaxe<br />
implode a fala, ousa<br />
incutir na linguagem<br />
densidade de coisa</p>
<p>sem permitir, porém,<br />
que perca a transparência<br />
já que a coisa é fechada<br />
à humana consciência.</p>
<p>O que o poeta faz<br />
mais do que mencioná-la<br />
é torná-la aparência<br />
pura — e iluminá-la.</p>
<p>Toda coisa tem peso:<br />
uma noite em seu centro.<br />
O poema é uma coisa<br />
que não tem nada dentro,</p>
<p>a não ser o ressoar<br />
de uma imprecisa voz<br />
que não quer se apagar<br />
— essa voz somos nós.</p>
<p><strong>Ferreira Gullar</strong><br />
<a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=27646&#38;Type=1&#38;franq=249087" target="_blank">Brasil</a> &#124; <a rel="nofollow" href="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Ferreira%20Gullar&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=blended&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325" target="_blank">World</a><br />
<span style="color:#ffffff;">.</span><br />
-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/06/farsa-luis-fernando-verissimo.html"><strong>Humor: "FARSA" &#124; Luis Fernando Verissimo</strong></a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/05/t4-exterminador-futuro-4-terminator-4.html"><strong>T4: O Exterminador do Futuro 4 (Terminator 4) já está sendo filmado</strong></a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/05/nizan-guanaes.html"><strong>Nizan Guanaes: “Dizem que conselho só se dá a quem pede”</strong></a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poesia: Noivado | Machado de Assis]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1031</link>
<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 03:02:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1031</guid>
<description><![CDATA[Poesia: Noivado | Machado de Assis
Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeir]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Poesia: Noivado &#124; Machado de Assis</strong></p>
<p>Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?<br />
Além desses outeiros<br />
Vai descambando o sol, e à terra envia<br />
Os raios derradeiros;<br />
A tarde, como noiva que enrubesce,<br />
Traz no rosto um véu mole e transparente;<br />
No fundo azul a estrela do poente<br />
Já tímida aparece.</p>
<p>Como um bafo suavíssimo da noite,<br />
Vem sussurrando o vento,<br />
As árvores agita e imprime às folhas<br />
O beijo sonolento.<br />
A flor ajeita o cálix: cedo espera<br />
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;<br />
Do leito do oriente a noite assoma;<br />
Como uma sombra austera.</p>
<p>Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,<br />
Vem, minha flor querida;<br />
Vem contemplar o céu, página santa<br />
Que o amor a ler convida;<br />
Da tua solidão rompe as cadeias;<br />
Desde o teu sombrio e mudo asilo;<br />
Encontrarás aqui o amor tranqüilo...<br />
Que esperas? que receias?</p>
<p>Olha o templo de Deus, pomposo e grande;<br />
Lá do horizonte oposto<br />
A lua, como lâmpada, já surge<br />
A alumiar teu rosto;<br />
Os círios vão arder no altar sagrado,<br />
Estrelinhas do céu que um anjo acende;<br />
Olha como de bálsamos rescende<br />
A c'roa do noivado.</p>
<p>Irão buscar-te em meio do caminho<br />
As minhas esperanças;<br />
E voltarão contigo, entrelaçadas<br />
Nas tuas longas tranças;<br />
No entanto eu preparei teu leito à sombra<br />
Do limoeiro em flor; colhi contente<br />
Folhas com que alastrei o solo ardente<br />
De verde e mole alfombra.</p>
<p>Pelas ondas do tempo arrebatados,<br />
Até à morte iremos,<br />
Soltos ao longo do baixel da vida<br />
Os esquecidos remos.<br />
Firmes, entre o fragor da tempestade,<br />
Gozaremos o bem que amor encerra,<br />
Passaremos assim do sol da terra<br />
Ao sol da eternidade.</p>
<p><strong>Machado de Assis</strong><br />
<a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=3156&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a rel="nofollow" href="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Machado%20de%20Assis&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=books&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/04/cancao-do-africano-castro-alves.html">A Canção do Africano &#124; Castro Alves</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/lygia-fagundes-telles-moco-saxofone.html">O Moço do Saxofone &#124; Lygia Fagundes Telles</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/poemao-chico-faminto-millor-fome-zero.html">Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero &#124; Millôr Fernandes</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Bibliografia: os livros de Jorge Amado]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1018</link>
<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 19:34:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1018</guid>
<description><![CDATA[Bibliografia: os livros de Jorge Amado
Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 1912, em Itabuna, no Est]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Bibliografia: os livros de Jorge Amado</strong></p>
<p>Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 1912, em Itabuna, no Estado da Bahia. Foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, com obras traduzidas em dezenas de idiomas e adaptadas com sucesso para o cinema, o teatro e a TV.</p>
<p>Amado foi superado (em número de vendas) apenas por Paulo Coelho, mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira. Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros. Recebeu no estrangeiro os seguintes prêmios: Prêmio Internacional Lênin (Moscou, 1951); Prêmio de Latinidade (Paris, 1971); Prêmio do Instituto Ítalo-Latino-Americano (Roma, 1976); Prêmio Risit d'Aur (Udine, Itália, 1984); Prêmio Moinho, Itália (1984); Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia - Bulgária (1986); Prêmio Pablo Neruda, Associação de Escritores Soviéticos, Moscou (1989); Prêmio Mundial Cino Del Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca (1990); e Prêmio Camões (1995).</p>
<p>No Brasil: Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (1959); Prêmio Graça Aranha (1959); Prêmio Paula Brito (1959); Prêmio Jabuti (1959 e 1970); Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1959); Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1959); Troféu Intelectual do Ano (1970); Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro (1982); Prêmio Nestlé de Literatura, São Paulo (1982); Prêmio Brasília de Literatura - Conjunto de Obras (1982); Prêmio Moinho Santista de Literatura (1984); prêmio BNB de Literatura (1985).</p>
<p>Recebeu também diversos títulos honoríficos, nacionais e estrangeiros, entre os quais: Comendador da Ordem Andrés Bello, Venezuela (1977); Commandeur de l'Ordre des Arts et des Lettres, da França (1979); Commandeur de la Légion d'Honneur (1984); Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (1980) e do Ceará (1981); Doutor Honoris Causa pela Universidade Degli Studi de Bari, Itália (1980) e pela Universidade de Lumière Lyon II, França (1987). Grão Mestre da Ordem do Rio Branco (1985) e Comendador da Ordem do Congresso Nacional, Brasília (1986).</p>
<p>Foi membro correspondente da Academia de Ciências e Letras da República Democrática da Alemanha; da Academia das Ciências de Lisboa; da Academia Paulista de Letras; e membro especial da Academia de Letras da Bahia.</p>
<p>Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência, na Rua Alagoinhas, em 10 de agosto, dia em que completaria 89 anos.</p>
<p><strong>Bibliografia de Jorge Amado</strong>:</p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=48741&#38;franq=249087">O país do Carnaval</a></strong><br />
<em>(1931, romance)<br />
</em><br />
<a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=10545&#38;franq=249087"><strong>Cacau</strong></a><br />
<em>(1933, romance)<br />
</em><br />
<strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=61316&#38;franq=249087">Suor</a></strong><br />
<em>(1934, romance)<br />
</em><br />
<strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=37182&#38;franq=249087">Jubiabá</a></strong><br />
<em>(1935, romance)<br />
</em><br />
<strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21335254&#38;franq=249087">Mar morto</a></strong><br />
<em>(1936, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21335253&#38;franq=249087">Capitães da areia</a></strong><br />
<em>(1937, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1670&#38;Type=1&#38;franq=249087">A estrada do mar</a></strong><br />
<em>(1938, poesia)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=3333&#38;franq=249087">ABC de Castro Alves</a></strong><br />
<em>(1941, biografia)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=172125&#38;franq=249087">O cavaleiro da esperança</a></strong><br />
<em>(1942, biografia)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=62732&#38;franq=249087">Terras do sem fim</a></strong><br />
<em>(1943, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=58487&#38;franq=249087"><strong>São Jorge dos Ilhéus</strong></a><br />
<em>(1944, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=8420&#38;franq=249087"><strong>Bahia de Todos os Santos</strong></a><br />
<em>(1945, guia da cidade)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=58721&#38;franq=249087"><strong>Seara vermelha</strong></a><br />
<em>(1946, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=5254&#38;franq=249087"><strong>O amor do soldado</strong></a><br />
<em>(1947, peça teatral)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1670&#38;Type=1&#38;franq=249087">O mundo da paz</a></strong><br />
<em>(1951, guia de viagem)</em></p>
<p><strong>Os subterrâneos da liberdade (vol. <a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=7287&#38;franq=249087">1</a>, <a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=4135&#38;franq=249087">2</a> e <a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=39708&#38;franq=249087">3</a>)<br />
</strong><em>(1954, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=30571&#38;franq=249087"><strong>Gabriela cravo e canela</strong></a><br />
<em>(1958, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=44668&#38;franq=249087">A morte e a morte de Quincas Berro D’Água</a></strong><br />
<em>(1961, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1670&#38;Type=1&#38;franq=249087"><strong>Os velhos marinheiros</strong></a><br />
<em>(1961, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=49567&#38;franq=249087"><strong>Os pastores da noite</strong></a><br />
<em>(1964, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=23351&#38;franq=249087">Dona Flor e seus dois maridos</a><br />
</strong><em>(1966, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=78808&#38;franq=249087"><strong>Tenda dos milagres</strong></a><br />
<em>(1969, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=62648&#38;franq=249087">Tereza Batista cansada de guerra</a><br />
</strong><em>(1972, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=30763&#38;franq=249087">O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá</a><br />
</strong><em>(1976, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=63139&#38;franq=249087"><strong>Tieta do agreste</strong></a><br />
<em>(1977, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=28564&#38;franq=249087">Farda, fardão, camisola de dormir</a><br />
</strong><em>(1979, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1670&#38;Type=1&#38;franq=249087">Do recente milagre dos pássaros acontecido em terras<br />
de Alagoas, nas ribanceiras do rio São Francisco<br />
</a></strong><em>(1979, contos)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=42736&#38;franq=249087"><strong>O menino grapiúna</strong></a><br />
<em>(1981, memória)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21335257&#38;franq=249087"><strong>A bola e o goleiro</strong></a><br />
<em>(1984, infantil)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=21335256&#38;franq=249087"><strong>Tocaia grande</strong></a><br />
<em>(1984, romance)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=61297&#38;franq=249087">O sumiço da santa: uma história de feitiçaria</a><br />
</strong><em>(1988, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=1643518&#38;franq=249087"><strong>Navegação de cabotagem</strong></a><br />
<em>(1992, memória)</em></p>
<p><strong><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=20967&#38;franq=249087">A descoberta da América pelos turcos</a><br />
</strong><em>(1992, romance)</em></p>
<p><a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=43660&#38;franq=249087"><strong>O Milagre dos pássaros</strong></a><br />
<em>(1997, romance)</em></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/08/biografia-livros-jose-saramago-nobel.html">Vidas: José Saramago</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/01/discografia-chico-buarque-de-hollanda.html">Discografia: Chico Buarque de Hollanda (Discography)</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/11/vencedorespremionobelliteratura.html">Vencedores do Prêmio Nobel de Literatura</a></li>
</ul>
<p></br></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A Canção do Africano | Castro Alves]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1012</link>
<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 22:26:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1012</guid>
<description><![CDATA[A Canção do Africano | Castro Alves
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto o brase]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A Canção do Africano &#124; Castro Alves</strong></p>
<p>Lá na úmida senzala,<br />
Sentado na estreita sala,<br />
Junto o braseiro, no chão,<br />
Entoa o escravo o seu canto,<br />
E ao cantar correm-lhe em pranto<br />
Saudades do seu torrão...</p>
<p>De um lado, uma negra escrava<br />
Os olhos no filho crava,<br />
Que tem no colo a embalar...<br />
E à meia voz lá responde<br />
Ao canto, e o filhinho esconde,<br />
Talvez, pr'a não o escutar!</p>
<p>"Minha terra é lá bem longe,<br />
Das bandas de onde o sol vem;<br />
Esta terra é mais bonita,<br />
Mas à outra eu quero bem!</p>
<p>"O sol faz lá tudo em fogo,<br />
Faz em brasa toda a areia;<br />
Ninguém sabe como é belo<br />
Ver de tarde a papa-ceia!</p>
<p>"Aquelas terras tão grandes,<br />
Tão compridas como o mar,<br />
Com suas poucas palmeiras<br />
Dão vontade de pensar...</p>
<p>"Lá todos vivem felizes,<br />
Todos dançam no terreiro;<br />
A gente lá não se vende<br />
Como aqui, só por dinheiro".</p>
<p>O escravo calou a fala,<br />
Porque na úmida sala<br />
O fogo estava a apagar;<br />
E a escrava acabou seu canto,<br />
P'ra não acordar com o pranto<br />
O seu filhinho a sonhar!</p>
<p>O escravo então foi deitar-se,<br />
Pois tinha de levantar-se<br />
Bem antes do sol nascer,<br />
E se tardasse, coitado,<br />
Teria de ser surrado,<br />
Pois bastava escravo ser.</p>
<p>E a cativa desgraçada<br />
Deita seu filho, calada,<br />
E põe-se triste a beijá-lo,<br />
Talvez temendo que o dono<br />
Não viesse, em meio do sono,<br />
De seus braços arrancá-lo!</p>
<p><strong>Castro Alves</strong><br />
<a rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1500&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a rel="nofollow" href="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Castro%20Alves&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=books&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/search/label/Lista%20dos%20Mais%20Vendidos">Lista dos livros mais vendidos</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/11/vencedorespremionobelliteratura.html">Vencedores do Prêmio Nobel de Literatura</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a rel="nofollow" href="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/12/carlos-drummond-andrade-biografia-vida.html">Vidas: Carlos Drummond de Andrade</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Semana de Arte Moderna: Manifesto da Poesia Pau-Brasil]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1004</link>
<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 21:02:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=1004</guid>
<description><![CDATA[Semana de Arte Moderna: Manifesto da Poesia Pau-Brasil
Reunidos em São Paulo em 1922, intelectuais ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Semana de Arte Moderna: Manifesto da Poesia Pau-Brasil</strong></p>
<p>Reunidos em São Paulo em 1922, intelectuais e artistas brasileiros rebelam-se contra o academicismo predominante na época e pronunciam-se por uma cultura baseada nas raízes nacionais.</p>
<p>"A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.<br />
Toda a História bandeirante e a História comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos.<br />
Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senagâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases. Negras de jóquei. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. (...)<br />
A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas.<br />
Só não se inventou uma máquina de fazer verso - já havia o poeta parnasiano.<br />
Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: - a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne a Mallarmé, Rodin e Debussy até agora; 2ª o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva.<br />
O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil.<br />
Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatos destrutivos.<br />
A síntese.<br />
O equilíbrio.<br />
O acabamento de carrosserie.<br />
A invenção.<br />
Uma nova perspectiva.<br />
Uma nova escala.<br />
Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil.<br />
O trabalho contra o detalhe naturalista - pela "síntese" contra a morbidez romântica pelo "equilíbrio" geômetra e pelo acabamento" técnicos; contra a cópia, pela "invenção" e pela "surpresa".<br />
Uma nova perspectiva:<br />
O estado de inocência substituindo o estado de graça que pode ser uma atitude do espírito.<br />
O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica.<br />
A reação contra todas as indigestões de sabedoria.<br />
O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna.<br />
Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística.<br />
Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem antologia.<br />
Bárbaros crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil."</p>
<p><em>Dica de leitura</em>: <strong><a href="http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ProdId=185116&#38;franq=249087">Poesia, Mito e História no Modernismo Brasileiro</a></strong></p>
<p>-----<br />
<em>+ Veja também:</em></p>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/lygia-fagundes-telles-moco-saxofone.html">O Moço do Saxofone &#124; Lygia Fagundes Telles</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/agua-nao-pode-cobrar-religar-servico.html">Concessionária de água não pode cobrar para religar o serviço</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a href="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/03/cirurgia-plastica-imposto-de-renda-2008.html">IR 2008: Cirurgia plástica não pode ser deduzida do Imposto de Renda</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O Moço do Saxofone | Lygia Fagundes Telles]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/2008/03/29/o-moco-do-saxofone-lygia-fagundes-telles/</link>
<pubDate>Sat, 29 Mar 2008 20:22:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/2008/03/29/o-moco-do-saxofone-lygia-fagundes-telles/</guid>
<description><![CDATA[O Moço do Saxofone | Lygia Fagundes Telles
Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com u]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Moço do Saxofone &#124; Lygia Fagundes Telles</strong></p>
<p>Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone.</p>
<p>Não que não gostasse de música, sempre gostei de ouvir tudo quanto é charanga no meu rádio de pilha de noite na estrada, enquanto vou dando conta do recado. Mas aquele saxofone era mesmo de entortar qualquer um. Tocava bem, não discuto. O que me punha doente era o jeito, um jeito assim triste como o diabo, acho que nunca mais vou ouvir ninguém tocar saxofone como aquele cara tocava.</p>
<p>— O que é isso? — eu perguntei ao tipo das giletes. Era o meu primeiro dia de pensão e ainda não sabia de nada. Apontei para o teto que parecia de papelão, tão forte chegava a música até nossa mesa. Quem é que está tocando?</p>
<p>— É o moço do saxofone.</p>
<p>Mastiguei mais devagar. Já tinha ouvido antes saxofone, mas aquele da pensão eu não podia mesmo reconhecer nem aqui nem na China.</p>
<p>— E o quarto dele fica aqui em cima?</p>
<p>James meteu uma batata inteira na boca. Sacudiu a cabeça e abriu mais a boca que fumegava como um vulcão com a batata quente lá no fundo. Soprou um bocado de tempo a fumaça antes de responder.</p>
<p>— Aqui em cima.</p>
<p>Bom camarada esse James. Trabalhava numa feira de diversões, mas como já estivesse ficando velho, queria ver se firmava num negócio de bilhetes. Esperei que ele desse cabo da batata, enquanto ia enchendo meu garfo.</p>
<p>— É uma música desgraçada de triste — fui dizendo.</p>
<p>— A mulher engana ele até com o periquito — respondeu James, passando o miolo de pão no fundo do prato para aproveitar o molho. — O pobre fica o dia inteiro trancado, ensaiando. Não desce nem para comer. Enquanto isso, a cabra se deita com tudo quanto é cristão que aparece.</p>
<p>— Deitou com você?</p>
<p>— É meio magricela para o meu gosto, mas é bonita. E novinha. Então entrei com meu jogo, compreende? Mas já vi que não dou sorte com mulher, torcem logo o nariz quando ficam sabendo que engulo gilete, acho que ficam com medo de se cortar...</p>
<p>Tive vontade de rir também, mas justo nesse instante o saxofone começou a tocar de um jeito abafado, sem fôlego como uma boca querendo gritar, mas com uma mão tapando, os sons espremidos saindo por entre os dedos. Então me lembrei da moça que recolhi uma noite no meu caminhão. Saiu para ter o filho na vila, mas não agüentou e caiu ali mesmo na estrada, rolando feito bicho. Arrumei ela na carroceria e corri como um louco para chegar o quanto antes, apavorado com a idéia do filho nascer no caminho e desandar a uivar que nem a mãe. No fim, para não me aporrinhar mais, ela abafava os gritos na lona, mas juro que seria melhor que abrisse a boca no mundo, aquela coisa de sufocar os gritos já estava me endoidando. Pomba, não desejo ao inimigo aquele quarto de hora.</p>
<p>— Parece gente pedindo socorro — eu disse, enchendo meu copo de cerveja.  — Será que ele não tem uma música mais alegre?</p>
<p>James encolheu o ombro.</p>
<p>— Chifre dói.</p>
<p>Nesse primeiro dia fiquei sabendo ainda que o moço do saxofone tocava num bar, voltava só de madrugada. Dormia em quarto separado da mulher.</p>
<p>—- Mas por quê? — perguntei, bebendo mais depressa para acabar logo e me mandar dali. A verdade é que não tinha nada com isso, nunca fui de me meter na vida de ninguém, mas era melhor ouvir o tro-ló-ló do James do que o saxofone.</p>
<p>— Uma mulher como ela tem que ter seu quarto — explicou James, tirando um palito do paliteiro. — E depois, vai ver que ela reclama do saxofone.</p>
<p>— E os outros não reclamam?</p>
<p>— A gente já se acostumou.</p>
<p>Perguntei onde era o reservado e levantei-me antes que James começasse a escarafunchar os dentões que lhe restavam. Quando subi a escada de caracol, dei com um anão que vinha descendo. Um anão, pensei. Assim que saí do reservado dei com ele no corredor, mas agora estava com uma roupa diferente. Mudou de roupa, pensei meio espantado, porque tinha sido rápido demais. E já descia a escada quando ele passou de novo na minha frente, mas já com outra roupa. Fiquei meio tonto. Mas que raio de anão é esse que muda de roupa de dois em dois minutos? Entendi depois, não era um só, mas uma trempe deles, milhares de anões louros e de cabelo repartidinho do lado.</p>
<p>— Pode me dizer de onde vem tanto anão? — perguntei à madame, e ela riu.</p>
<p>— Todos artistas, minha pensão é quase só de artistas...</p>
<p>Fiquei vendo com que cuidado o copeiro começou a empilhar almofadas nas cadeiras para que eles se sentassem. Comida ruim, anão e saxofone. Anão me enche e já tinha resolvido pagar e sumir quando ela apareceu. Veio por detrás, palavra que havia espaço para passar um batalhão, mas ela deu um jeito de esbarrar em mim.</p>
<p>— Licença?</p>
<p>Não precisei perguntar para saber que aquela era a mulher do moço do saxofone. Nessa altura o saxofone já tinha parado. Fiquei olhando. Era magra, sim, mas tinha as ancas redondas e um andar muito bem bolado. O vestido vermelho não podia ser mais curto. Abancou-se sozinha numa mesa e de olhos baixos começou a descascar o pão com a ponta da unha vermelha. De repente riu e apareceu uma covinha no queixo. Pomba, que tive vontade de ir lá, agarrar ela pelo queixo e saber por que estava rindo. Fiquei rindo junto.</p>
<p>— A que horas é a janta? — perguntei para a madame, enquanto pagava.</p>
<p>— Vai das sete às nove. Meus pensionistas fixos costumam comer às oito — avisou ela, dobrando o dinheiro e olhando com um olhar acostumado para a dona de vermelho. — O senhor gostou da comida?</p>
<p>Voltei às oito em ponto. O tal James já mastigava seu bife. Na sala havia ainda um velhote de barbicha, que era professor parece que de mágica e o anão de roupa xadrez. Mas ela não tinha chegado. Animei-me um pouco quando veio um prato de pastéis, tenho loucura por pastéis. James começou a falar então de uma briga no parque de diversões, mas eu estava de olho na porta. Vi quando ela entrou conversando baixinho com um cara de bigode ruivo. Subiram a escada como dois gatos pisando macio. Não demorou nada e o raio do saxofone desandou a tocar.</p>
<p>— Sim senhor — eu disse e James pensou que eu estivesse falando na tal briga.</p>
<p>— O pior é que eu estava de porre, mal pude me defender!</p>
<p>Mordi um pastel que tinha dentro mais fumaça do que outra coisa. Examinei os outros pastéis para descobrir se havia algum com mais recheio.</p>
<p>— Toca bem esse condenado. Quer dizer que ele não vem comer nunca?</p>
<p>James demorou para entender do que eu estava falando. Fez uma careta. Decerto preferia o assunto do parque.</p>
<p>— Come no quarto, vai ver que tem vergonha da gente — resmungou ele, tirando um palito. — Fico com pena, mas às vezes me dá raiva, corno besta. Um outro já tinha acabado com a vida dela!</p>
<p>Agora a música alcançava um agudo tão agudo que me doeu o ouvido. De novo pensei na moça ganindo de dor na carroceria, pedindo ajuda não sei mais para quem.</p>
<p>— Não topo isso, pomba.</p>
<p>— Isso o quê?</p>
<p>Cruzei o talher. A música no máximo, os dois no máximo trancados no quarto e eu ali vendo o calhorda do James palitar os dentes. Tive ganas de atirar no teto o prato de goiabada com queijo e me mandar para longe de toda aquela chateação.</p>
<p>— O café é fresco? — perguntei ao mulatinho que já limpava o oleado da mesa com um pano encardido como a cara dele.</p>
<p>— Feito agora.</p>
<p>Pela cara vi que era mentira.</p>
<p>— Não é preciso, tomo na esquina.</p>
<p>A música parou. Paguei, guardei o troco e olhei reto para aporta, porque tive o pressentimento que ela ia aparecer. E apareceu mesmo com o aninho de gata de telhado, o cabelo solto nas costas e o vestidinho amarelo mais curto ainda do que o vermelho. O tipo de bigode passou em seguida, abotoando o paletó. Cumprimentou a madame, fez ar de quem tinha muito o que fazer e foi para a rua.</p>
<p>— Sim senhor!</p>
<p>— Sim senhor o quê? — perguntou James.</p>
<p>— Quando ela entra no quarto com um tipo, ele começa a tocar, mas assim que ela aparece, ele pára. Já reparou? Basta ela se enfurnar e ele já começa.</p>
<p>James pediu outra cerveja. Olhou para o teto.</p>
<p>— Mulher é o diabo...</p>
<p>Levantei-me e quando passei junto da mesa dela, atrasei o passo. Então ela deixou cair o guardanapo. Quando me abaixei, agradeceu, de olhos baixos.</p>
<p>— Ora, não precisava se incomodar...</p>
<p>Risquei o fósforo para acender-lhe o cigarro. Senti forte seu perfume.</p>
<p>— Amanhã? — perguntei, oferecendo-lhe os fósforos. — Às sete, está bem?</p>
<p>— É a porta que fica do lado da escada, à direita de quem sobe.</p>
<p>Saí em seguida, fingindo não ver a carinha safada de um dos anões que estava ali por perto e zarpei no meu caminhão antes que a madame viesse me perguntar se eu estava gostando da comida. No dia seguinte cheguei às sete em ponto, chovia potes e eu tinha que viajar a noite inteira. O mulatinho já amontoava nas cadeiras as almofadas para os anões. Subi a escada sem fazer barulho, me preparando para explicar que ia ao reservado, se por acaso aparecesse alguém. Mas ninguém apareceu. Na primeira porta, aquela à direita da escada, bati de leve e fui entrando. Não sei quanto tempo fiquei parado no meio do quarto: ali estava um moço segurando um saxofone. Estava sentado numa cadeira, em mangas de camisa, me olhando sem dizer uma palavra. Não parecia nem espantado nem nada, só me olhava.</p>
<p>— Desculpe, me enganei de quarto — eu disse, com uma voz que até hoje não sei onde fui buscar.</p>
<p>O moço apertou o saxofone contra o peito cavado.</p>
<p>— E na porta adiante — disse ele baixinho, indicando com a cabeça.</p>
<p>Procurei os cigarros só para fazer alguma coisa. Que situação, pomba. Se pudesse, agarrava aquela dona pelo cabelo, a estúpida. Ofereci-lhe cigarro.</p>
<p>— Está servido?</p>
<p>— Obrigado, não posso fumar.</p>
<p>Fui recuando de costas. E de repente não agüentei. Se ele tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquela bruta calma me fez perder as tramontanas.</p>
<p>— E você aceita tudo isso assim quieto? Não reage? Por que não lhe dá uma boa sova, não lhe chuta com mala e tudo no meio da rua? Se fosse comigo, pomba, eu já tinha rachado ela pelo meio! Me desculpe estar me metendo, mas quer dizer que você não faz nada?</p>
<p>— Eu toco saxofone.</p>
<p>Fiquei olhando primeiro para a cara dele, que parecia feita de gesso de tão branca. Depois olhei para o saxofone. Ele corria os dedos compridos pelos botões, de baixo para cima, de cima para baixo, bem devagar, esperando que eu saísse para começar a tocar. Limpou com um lenço o bocal do instrumento, antes de começar com os malditos uivos.</p>
<p>Bati a porta. Então a porta do lado se abriu bem de mansinho, cheguei a ver a mão dela segurando a  maçaneta para que o vento não abrisse demais. Fiquei ainda um instante parado, sem saber mesmo o que fazer, juro que não tomei logo a decisão, ela esperando e eu parado feito besta, então, Cristo-Rei!? E então? Foi quando começou bem devagarinho a música do saxofone. Fiquei broxa na hora, pomba. Desci a escada aos pulos. Na rua, tropecei num dos anões metido num impermeável, desviei de outro, que já vinha vindo atrás e me enfurnei no caminhão. Escuridão e chuva. Quando dei a partida, o saxofone já subia num agudo que não chegava nunca ao fim. Minha vontade de fugir era tamanha que o caminhão saiu meio desembestado, num arranco.</p>
<div ALIGN="center"><strong>Lygia Fagundes Telles</strong></div>
<div ALIGN="center"><a HREF="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=64036&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a HREF="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Lygia%20Fagundes%20Telles&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=blended&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></div>
<p>-----<br />
<i>+ Veja também:</i></p>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/01/chico-buarque-preso-paris-mario-prata.html">Chico Buarque foi preso em Paris &#124; Mario Prata</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/11/vencedorespremionobelliteratura.html">Vencedores do Prêmio Nobel de Literatura</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/search/label/Lista%20dos%20Mais%20Vendidos">Lista dos livros mais vendidos</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Caricatura: Jimi Hendrix (caricature)]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/2008/03/27/caricatura-jimi-hendrix-caricature/</link>
<pubDate>Thu, 27 Mar 2008 05:10:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/2008/03/27/caricatura-jimi-hendrix-caricature/</guid>
<description><![CDATA[Caricatura: Jimi Hendrix (caricature)
. 

. 
Jimi Hendrix por Sebastian Kruger
. 
. 
&#8212;]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div ALIGN="center"><strong>Caricatura: Jimi Hendrix (caricature)</strong></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center"><img ALT="Caricatura Jimi Hendrix Caricature Sebastian Kruger" HSPACE="5" SRC="http://tigredefogo.googlegroups.com/web/caricatura-jimi-hendrix-caricature-kruger.jpg?gda=IOkFT14AAAB_vpZUEBCOP5dS5cMEPGHh9RlG3In1ivE8k9tocpjx4GG1qiJ7UbTIup-M2XPURDScCGJTJkMQ14rZmfkWB5JZkDlV-ERS1IgyL9wJM9XihHAnOuMzFQ4bYcs1U0HvJ_c" /><br />
<font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center"><i><strong>Jimi Hendrix</strong> por Sebastian Kruger</i></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<p>-----<br />
<i>+ Veja também:</i></p>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/02/caricatura-janis-joplin-caricature.html">Caricatura: Janis Joplin (caricature)</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/01/caricatura-russell-crowe-caricature.html">Caricatura: Russell Crowe (caricature)</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/02/caricatura-sylvester-stallone.html">Caricatura: Sylvester Stallone (caricature)</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Curtas: "For The Birds" (Pixar) | Ralph Eggleston]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=973</link>
<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 05:38:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=973</guid>
<description><![CDATA[Curtas: &#8220;For The Birds&#8220; (Pixar) | Ralph Eggleston
Curta-metragem de Ralph Eggleston.
. ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Curtas: </strong>"<strong>For The Birds</strong>"<strong> (Pixar) &#124; Ralph Eggleston</strong></p>
<p><strong>Curta-metragem</strong> de Ralph Eggleston.</p>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center">"<strong>For The Birds</strong>"</div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/ZMmVXOWe5o0'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/ZMmVXOWe5o0&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<p>-----<br />
<i>+ Veja também:</i></p>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/11/alien-song-victor-navone-curta.html">Curtas: "Alien Song" &#124; Victor Navone</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/01/bath-time-carlos-puertolas-curta-video.html">Curtas: "Bath Time" &#124; Carlos Fernandez Puertolas</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/12/women-in-art-video-philip-scott-johnson.html">Curtas: "Women In Art" &#124; Philip Scott Johnson<br />
</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero | Millôr Fernandes]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=961</link>
<pubDate>Thu, 13 Mar 2008 22:02:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
<guid>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=961</guid>
<description><![CDATA[Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero | Millôr Fernandes
E, como é, onde é que estamos?
E]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Poemão do Chico Faminto na hora da Fome Zero &#124; Millôr Fernandes</strong></p>
<p>E, como é, onde é que estamos?<br />
Estamos numa floresta<br />
Em que até santo não presta<br />
Quem puder que se defenda<br />
Quem não compra que se venda<br />
Acho que é um mar profundo<br />
Mais que isso, até sem fundo,<br />
Do meio pra cima imundo.<br />
Robalo come tainha<br />
Tubarão come cação<br />
Bonito come sardinha<br />
E traíra o próprio irmão<br />
Depois todos são comidos<br />
Por cação e tubarão<br />
E esses reis da crueldade<br />
Tudo que comem descomem<br />
Através do próprio homem<br />
Nos mercados da cidade.<br />
Tem razão o bom patrão<br />
Viver não é só comida<br />
Estive fazendo as contas<br />
É só metade da vida<br />
Mas eu ficava contente<br />
Comendo só uma vez<br />
Bem, uma vez por mês,<br />
Só quem não vê nem miséria<br />
No banquete universal<br />
Só eu nessa comilança<br />
Não ponho nada na pança<br />
E sou muito boa boca<br />
Como o fino, o trivial,<br />
O que me vier eu traço<br />
Olha aqui, meu pai do céu,<br />
Qualquer coisa, sabe, vai,<br />
Quero a fruta e o bagaço<br />
Como a casca e o caroço<br />
Só não quero coisa pouca<br />
Menos do que o essencial<br />
Como até açúcar sem sal<br />
Qualquer coisa dá pra mim<br />
Do refinado ao chinfrim<br />
Aqui como como aqui,<br />
E a vocês que são cabanos<br />
Eu digo sem desdenhá-los<br />
Em Roma eu como os romanos.</p>
<p><strong>Millôr Fernandes</strong><br />
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<p>-----<br />
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]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Vidas: Nelson Rodrigues]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/?p=958</link>
<pubDate>Tue, 11 Mar 2008 18:01:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
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<description><![CDATA[Vidas: Nelson Rodrigues
Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980)
Brasil | World
Dramaturgo, romancista e]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vidas: Nelson Rodrigues</strong></p>
<p><strong>Nelson Falcão Rodrigues</strong> (<i>1912-1980</i>)<br />
<a HREF="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=54541&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a HREF="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Nelson%20Rodrigues&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=books&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#38;creative=9325">World</a></p>
<p>Dramaturgo, romancista e jornalista pernambucano. Um dos principais autores do teatro brasileiro, sua obra aborda temas polêmicos, como o tabu do incesto, o adultério e a morte.<br />
Nasce no Recife e muda-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Aos 13 anos começa a trabalhar em jornal. Em 1941 escreve a primeira peça, A Mulher sem Pecado. Revoluciona o teatro nacional com Vestido de Noiva (1943). O texto fragmentário apresenta ações simultâneas em tempos diferentes e a coexistência de três planos (realidade, memória e alucinação). Sua obra teatral é assim classificada pelo crítico Sábato Magaldi: peças psicológicas (nas quais se incluem as duas primeiras), peças mitológicas (Anjo Negro e Álbum de Família) e tragédias cariocas (A Falecida e O Beijo no Asfalto). Suas obras causam polêmica ao abordar temas sexuais e morais, como incesto e virgindade, infidelidade e traição, de forma mórbida, obsessiva e moralista. Sua vida pessoal é marcada por tragédias, como o assassinato do irmão e o filho torturado pelo regime militar de 1964, que ele defendia. Escreve os romances Meu Destino É Pecar e O Casamento. Deixa 17 peças. Em 1968 publica suas crônicas nos livros As Confissões de Nelson Rodrigues e O Óbvio Ululante. Escreve a sua última grande peça, A Serpente, em 1978 e falece dois anos depois.</p>
<p>Ao longo de sua trajetória artística, Nelson Rodrigues é alvo de uma polêmica que o faz conhecer tanto o sucesso absoluto, como em Vestido de Noiva, 1943, cuja encenação por Ziembinski marca o surgimento do teatro moderno no Brasil, quanto a total execração, como em Anjo Negro, 1948, ousada montagem para a época pelo Teatro Popular de Arte. Distante de qualquer modismo, tendência ou movimento, cria um estilo - e quase um gênero - próprio e é hoje considerado o maior dramaturgo brasileiro.</p>
<p>A primeira peça de Nelson já traz uma evidente carga psicológica, em que o jogo neurótico invade e transforma as relações. O que move a ação de A Mulher sem Pecado é o ciúme, doença aceita nos extratos mais recatados da sociedade. A narrativa se mantém dentro do comportamento social e dos cânones realistas, só permitindo ao espectador acesso ao mundo interior das personagens através desse filtro. Na encenação do texto pela bem comportada companhia Comédia Brasileira, em 1942, o que é o latente estilo rodriguiano passa despercebido.</p>
<p>Em Vestido de Noiva, Nelson cria um artifício dividindo a ação em três planos - a memória, o coma e o real - permitindo ao espectador acessar toda a complexidade da psique da personagem central. O texto sugere insuspeitas perversões psicológicas, mas a temática não ultrapassa a traição entre irmãs e o apelo da vida mundana sobre a fantasia feminina. A encenação realizada por Ziembinski com o grupo Os Comediantes, em 1943, torna-se um marco histórico, passando por várias remontagens no decorrer das próximas décadas.</p>
<p>Em Álbum de Família, texto seguinte, escrito em 1945, Nelson elabora um mergulho radical na inconsciência primitiva de suas personagens, que se tornam arquétipos, trabalhando sua narrativa sobre as verdades profundas e inimagináveis do ser humano a partir da célula da família. Aqui o tema se aloja em um dos maiores tabus sociais - o incesto em todas as direções, entre irmãos, mãe e filho, pai e filha. O autor nomeia seu estilo de "teatro desagradável" e reconhece que este teatro, que se inicia a partir de Álbum de Família, inviabiliza a repetição do sucesso de Vestido de Noiva, porque "são obras pestilentas, fétidas, capazes, por si só, de produzir o tifo e a malária na platéia".</p>
<p>A rejeição à obra de Nelson Rodrigues, de motivação eminentemente moral, começa com a censura a algumas de suas peças. Álbum de Família, de 1945, só virá a ser encenada 22 anos depois de escrita. Anjo Negro, de 1946, sofre tentativas de censura religiosa, mas consegue ir à cena dois anos depois, polêmica montagem, novamente encenada por Ziembinski, pelo Teatro Popular de Arte, encabeçados por Maria Della Costa e Sandro Polloni.</p>
<p>Nelson volta mais uma vez a ser encenado por Ziembinski em 1950, com Dorotéia. A encenação e o texto, da intitulada "farsa irresponsável" pelo autor, não são compreendidos pelo público, saindo rapidamente de cartaz. Em 1951 é a vez de Valsa Nº 6, um monólogo em que uma jovem de 15 anos, golpeada mortalmente, recupera, em estado de choque, o mundo a sua volta. A peça é escrita para ser interpretada por Dulce Rodrigues, irmã do autor, e é dirigida por Henriette Morineau.</p>
<p>Em 1953, A Falecida, primeira tragédia carioca de Nelson retratando a peculiaridade da Zona Norte do Rio de Janeiro, é encenada por José Maria Monteiro, com a Companhia Dramática Nacional - CDN, tendo Sônia Oiticica e Sergio Cardoso como protagonistas. Na seqüência, surge Senhora dos Afogados, escrito antes de Dorotéia e Valsa Nº 6, em 1947. A montagem que, inicialmente estrearia no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, tem seu curso interrompido após meses de ensaios, sendo retomada em 1954 pela CDN, com direção de Bibi Ferreira. Ao final da estréia, ao subir, em uma extremidade do palco, o autor, e, na outra, a diretora, o público vira-se na direção dele e vaia, volta-se para ela e aplaude, exaltando o espetáculo para repudiar o texto. A causa do horror do público é outra vez a relação incestuosa, o amor da filha pelo pai, que faz com que a mãe se vingue traindo o marido com o noivo da filha, motivando assassinatos entre os membros da família.</p>
<p>Perdoa-me por me Traíres, a história de uma órfã adolescente que vive sob a repressão de um casal de tios, que ao final descobre ser fruto de um incesto, causa escândalo na cena carioca, em 1957. Sendo produzida pelo ator e autor Glaucio Gill, o elenco traz o próprio Nelson Rodrigues e Abdias do Nascimento, líder do Teatro Experimental do Negro - TEN.</p>
<p>Ainda em 1957, Nelson escreve Viúva, porém Honesta, outra "farsa irresponsável", sátira violenta tendo como alvo os jornalistas e a crítica especializada. Menos de dois meses após o lançamento de Perdoa-me, a produção de Viúva, com direção do alemão Willy Keller e cenários e figurinos de Fernando Pamplona, vem a ser a resposta do autor à má recepção da opinião pública à peça anterior.</p>
<p>Em 1958, a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso retoma Vestido de Noiva, numa versão renovada, bem distinta da primeira de Ziembinski, merecendo elogios dos jornais.</p>
<p>Os Sete Gatinhos, "a divina comédia", retoma o tema de família suburbana carioca, agora se decompondo drasticamente a partir da revelação de que a única filha acima de qualquer suspeitas é, em realidade, uma pervertida. A peça tem novamente Willy Keller na encenação, e é produzida pelo irmão de Nelson, Milton Rodrigues.</p>
<p>Em 1961, José Renato, fundador do Teatro de Arena, encena, no Teatro Nacional de Comédia, TNC, a próxima peça de Nelson, Boca de Ouro, escrita em 1959, e que, em 1969, tivera uma estréia mal-sucedida na mão de Ziembinski, que cismara em interpretar o papel-título. As várias faces de Boca de Ouro, o bicheiro cafajeste da Zona Norte, que surgem de conhecidos seus a partir de depoimentos após a sua morte, ganham brilho e verossimilhança na interpretação de Milton Moraes.</p>
<p>O Beijo no Asfalto é escrita sob encomenda de Fernanda Montenegro a Nelson. Em 21 dias, o autor apresenta mais uma de suas tragédias cariocas, agora abordando a sordidez não só da imprensa, mas também da polícia, numa trama forjada que destrói a reputação de um homem, acusado de homicida e homossexual. O Teatro dos Sete estréia o espetáculo em 1961, sob a direção de Fernando Torres, com cenografia de Gianni Ratto, contando com Fernanda, Sergio Britto, Oswaldo Loureiro, Ítalo Rossi, entre outros.</p>
<p>Martim Gonçalves, animador do Teatro Novo, monta em 1962 Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária. A trama gira em torno das hesitações de um humilde contínuo, entre casar-se com a filha de um magnata e vítima de um estupro bárbaro, ou manter-se fiel a seus sentimentos por uma prostituta pobre que sustenta a mãe louca e as três irmãs, papel reservado a Tereza Raquel, que se destaca no conjunto.</p>
<p>Em 1965, Ziembinski retoma a parceria com Nelson, para lançar Toda Nudez Será Castigada, a história de um homem conservador que se apaixona por uma prostituta, que acaba por traí-lo com o próprio filho. Ela suicida-se após a fuga do rapaz com um outro homem, e deixa uma gravação revelando toda a verdade ao marido. Para incorporar a protagonista Geni, muitas atrizes são consultadas, mas recusam o papel, que é tomado com paixão por Cleyde Yáconis.</p>
<p>Tendo encenado cinco peças de Nelson Rodrigues, Ziembinski é aquele que, entre os diretores que realizam as primeiras encenações do autor, não se limita a montar o texto mas se serve dele para construir uma linguagem própria, na maioria das vezes em busca de um expressionismo que, em vez de situar a ação em ambientes decorativos, cria, com auxílio primordial da cenografia e da iluminação, espaços a serem utilizados pela marcação cênica.</p>
<p>Em 1967, é a vez de subir a cena a terceira peça de Nelson, Álbum de Família, escrita em 1945 e logo proibida pelos censores, liberada somente 20 anos depois. O Teatro Jovem, de Kleber Santos, assume a montagem, tendo Vanda Lacerda, José Wilker e Thelma Reston, entre outros, no elenco.</p>
<p>Os compromissos jornalísticos, a decepção com a receptividade de suas peças e os problemas de saúde fazem com que Nelson deixe de escrever para o teatro durante oito anos. Seu penúltimo texto dramático é Anti-Nelson Rodrigues, de 1973, e, ao contrário das anteriores, dá um final feliz aos protagonistas da trama. Neila Tavares, responsável por convencer o dramaturgo a escrever para ela, incorpora a personagem Joice, sob a direção de Paulo César Pereio.</p>
<p>A última peça de Nelson Rodrigues, A Serpente, é escrita em 1978. Duas irmãs casam-se no mesmo dia, uma é feliz no casamento e a outra não consegue sequer perder a virgindade em sua lua-de-mel. A bem-sucedida empresta o marido à irmã, trazendo paixão, ciúmes e morte para a relação fraternal. Sobre a peça paira um certo rótulo de "maldita", superstição conhecida dentro da classe teatral, tendo, no mínimo, três expectativas de montagem frustradas. O espetáculo acaba por estrear em 1980, dirigida por Marcos Flaksman, no Teatro do BNH, no Rio de Janeiro, casa de espetáculos que ganha o nome de Teatro Nelson Rodrigues, após a morte do autor.</p>
<p>Os textos de Nelson Rodrigues ganham dezenas de remontagens ao longo das próximas décadas. Léo Jusi, Ivan de Albuquerque, Osmar Rodrigues Cruz, Roberto Lage, Eduardo Tolentino de Araújo, Emílio Di Biasi, Antunes Filho, Antônio Abujamra, Antônio Pedro, Paulo Betti, Gabriel Villela, Moacyr Góes, Luiz Arthur Nunes e Marco Antonio Braz, são alguns diretores que encenam a sua própria versão das obras de Nelson, às vezes até adaptando seus romances, contos e crônicas jornalísticas para o teatro.</p>
<p>Nelson Rodrigues tem vinte de suas histórias transpostas para a tela do cinema, algumas em duas versões, como Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, 1962, e de Walter Avancini, 1990, e Bonitinha, mas Ordinária, de R. P. de Carvalho, 1963, e de Braz Chediak, 1980. Algumas das realizações mais bem-sucedidas são A Falecida, de Leon Hirszman, 1965, e O Casamento, de Arnaldo Jabor, 1975. Suas crônicas para O Jornal, sob o pseudônimo de Suzana Flag, são publicadas em livros, como Meu Destino é Pecar, As Escravas do Amor e O Homem Proibido. Escreve também para os periódicos Última Hora, Flan, Correio da Manhã, O Globo e Manchete Esportiva. Assinando artigos sobre esporte, não priva o leitor de seu estilo dramático, atendo-se muitas vezes ao sentido da rivalidade, ao significado do gol, ao efeito do suor sobre a subjetividade da platéia brasileira.</p>
<p>Na maioria das obras do autor, a realidade tem apenas o papel de situar a ação, que se concentra de fato sobre o universo interior das personagens. O jogo entre a verdade interior - nem sempre psíquica - e a máscara social é outro elemento recorrente em sua dramaturgia. as personagens podem se desmascarar ao longo da narrativa - como em Beijo no Asfalto ou Toda Nudez Será Castigada - ou estarem francamente libertos de qualquer censura interna ou externa como em Álbum de Família - e, nesse caso, a supressão das leis da conveniência que permite o convívio termina em tragédia absoluta, restando pouca vida ao final da narrativa. A morte, como em toda a tragédia, ronda as tramas do autor e, via de regra múltipla, marca o último ato. Com exceção de Viúva, porém Honesta e Anti-Nelson Rodrigues, a morte, nas demais 15 peças, atinge as personagens centrais e toda a narrativa se desenha em torno da inevitabilidade desse destino.</p>
<p>Sobre a assimilação e receptividade da obra rodriguiana na cena nacional, escreve seu maior estudioso, o crítico Sábato Magaldi: "Nelson Rodrigues tornou-se desde a sua morte, em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos de idade (ele nasceu em 23 de agosto de 1912), o dramaturgo brasileiro mais representado - não só o clássico da nossa literatura teatral moderna, hoje unanimidade nacional. Enquanto a maioria dos autores passa por uma espécie de purgatório, para renascer uma ou duas gerações mais tarde, Nelson Rodrigues conheceu de imediato a glória do paraíso, e como por milagre desapareceram as reservas que, às vezes, teimavam em circunscrever sua obra no território do sensacionalismo, da melodramaticidade, da morbidez ou da exploração sexual.</p>
<p>Parece que, superado o ardor polêmico, restava apenas a adesão irrestrita. As propostas vanguardistas, que a princípio chocaram, finalmente eram assimiláveis por um público maduro para acolhê-las. Ninguém, antes de Nelson, havia apreendido tão profundamente o caráter do país. E desvendado, sem nenhum véu mistificador, a essência da própria natureza do homem. O retrato sem retoques do indivíduo, ainda que assuste em pormenores, é o fascínio que assegura a perenidade da dramaturgia rodrigueana".</p>
<p><strong><i>Entrevista concedida a revista Veja em 13/03/1974, ao lançar a peça O Anti-Nelson Rodrigues.</i></strong></p>
<p>Veja - Por que o título O Anti-Nelson Rodrigues?<br />
Nelson Rodrigues - Minha carreira no teatro tem sido um esforço para contrariar minha imagem tradicional. Disse o poeta Rainer Maria Rilke que a celebridade é a soma de mal-entendidos criados e recriados em torno de uma pessoa e de sua obra. Entendo que sou uma vítima de equívocos. Talvez um outro equívoco seja o título O Anti-Nelson Rodrigues. Desta vez, creio que mostro um ângulo de minha personalidade que ninguém reconhece. Ou que poucos reconhecem.</p>
<p>Veja - E qual é este ângulo?<br />
Nelson Rodrigues - Uma profunda e inconsolável nostalgia da pureza. Eu digo pureza em todos os sentidos. Inclusive a física. Por exemplo: eu acredito na virgindade. Acho e sempre achei que a virgindade pode ter o sentido de uma doação ao ser amado. É perfeitamente idiota achar que ser ou não ser virgem seja um fato físico. Pode ser físico para os gatos de telhado e as cadelas de esquina, mas não para o ser humano. Acredito, inclusive, que o homem seria menos infeliz, menos sofrido, menos marcado, se o mundo levasse a sério a virgindade masculina. Lembro-me de um senhor ilustre que, em discurso, fazia, não uma declaração de bens, mas uma declaração de costumes: Eu me casei virgem. Acho perfeitamente cabível que o homem se case virgem.</p>
<p>Veja - Mas, voltando à peça...<br />
Nelson Rodrigues - Ela mostra de uma maneira mais sensível uma coisa que existe em todo meu teatro: uma imensa compaixão por meus personagens. Muitas vezes, fazendo uma peça, num momento de crueldade eu vacilo e tenho vontade de amenizar a violência de certas situações. Mas a verdade é que escrevo, não para negar as atrocidades da vida, mas para ter pena - e pena da cabeça aos pés - por todos que matam e por todos que se matam, pelos homicidas e pelos suicidas. Isto está presente e visível em O Anti-Nelson Rodrigues.</p>
<p>Veja - Qual foi sua sensação de voltar a escrever para o teatro?<br />
Nelson Rodrigues - Eu queria fazer O Anti-Nelson Rodrigues. Mas, diante da peça viva, desencadeada no palco, sinto que devo ser Nelson Rodrigues até o fim.</p>
<p>Veja - O que é que isto quer dizer?<br />
Nelson Rodrigues - A peça sou eu mesmo. Me deixa uma certa perplexidade constatar que sou fiel a tudo que já fiz e que pertence á minha vida. A vida de todo o mundo. A personagem Teresa, esta pobre espantosa senhora*, como se parece com as senhoras da vida real! É a mãe devoradora, mutiladora em seu amor assassino. Eu a sinto como a mãe geral, a mãe do Dia das Mães, a mãe do ano.</p>
<p>Veja - Sua mãe era assim?<br />
Nelson Rodrigues - Digo isso e, ao mesmo tempo, penso em minha mãe, tão diferente. Tão absurdamente boa, solidária, irmã. Meiga, prostrada em adoração. Realmente, nem todas as mães são assim, mas as mães que não são assim constituem uma seletíssima minoria. É uma em dez mil. Uma em vinte mil. E Gastão, o pai, odiado por seu filho e marcado pela obsessão da morte, não tem medo da morte. Pelo contrário, a deseja. Não conheço nada mais falso do que o instinto de conservação. É um instinto que Deus negou ao homem. Na verdade, cada um de nós vive criando pretextos para morrer. O cigarro que se fuma, a cerveja que se bebe, que é isso, senão a nostalgia da morte? O homem é triste, não porque morre, mas porque vive. * Teresa (interpretada pela atriz Sônia Oiticica) é a mãe pela qual Oswaldinho (José Wilker) tem desejos incestuosos ao mesmo tempo que vota um ódio cansativo ao seu pai, o milionário Gastão (Nelson Dantas). Por outro lado, Oswaldinho persegue Joice (Neila Tavares), uma recatada donzela suburbana, filha de Salim Simão (Paulo César Peréio). Ela acaba se entregando a Oswaldinho por amor e não pelos 350 000 cruzeiros oferecidos.</p>
<p>Veja - Quanto tempo levou para escrever O Anti-Nelson Rodrigues?<br />
Nelson Rodrigues - Um mês.</p>
<p>Veja - E foi fácil?<br />
Nelson Rodrigues- A peça já estava dentro de mim. Eu só começo a escrever uma peça quando a tenho na carne e na alma.</p>
<p>Veja - Que foi que fez o senhor voltar a escrever para o teatro?<br />
Nelson Rodrigues - Primeiro foi uma jovem atriz - Neila Tavares que eu chamo - ponha aspas - Minha Duse. Começou a me perseguir. Queria uma peça porque queria. E a peça tinha que ser de Nelson Rodrigues. Eu tinha a peça nas minhas entranhas. Só faltava escrevê-la. O trabalho mais simples foi a execução.</p>
<p>Veja - O que o senhor achou da encenação?<br />
Nelson Rodrigues - Achei Paulo César Peréio, o diretor, um homem de extrema sensibilidade e imaginação. A maioria absoluta dos novos diretores brasileiros imita os defeitos de José Celso Martinez Corrêa. José Celso imita, também, os próprios defeitos. Por isso são raros os que têm criação própria, como Antunes Filho e, agora, Paulo César de Campos Velho, que nós chamamos de Peréio. Ele salvou-se de José Celso.</p>
<p>Veja - Fez falta passar oito anos sem escrever para o teatro?<br />
Nelson Rodrigues - Fez uma falta desesperadora.</p>
<p>Veja - E por que não escrevia? A gente de teatro não o procurava?<br />
Nelson Rodrigues - Todos me procuravam. Por fim, instalou-se nos meios teatrais esta falsa verdade: eu não voltaria mais ao teatro. A verdade é que tenho mil projetos dramáticos. Se pudesse, faria uma peça por dia.</p>
<p>Veja - É verdade que o senhor está pensando em escrever uma peça de nove atos? Qual seria o tema?<br />
Nelson Rodrigues - Estou apaixonado por essa idéia. Seria uma peça feita com a memória do autor. Profunda, desesperadamente autobiográfica. Resta saber se tenho pureza bastante para escrevê-la.</p>
<p>Veja - Por que pureza?<br />
Nelson Rodrigues - Digo pureza porque uma confissão plena, integral, exige um santo.</p>
<p>Veja - Seu recesso teatral não foi motivado por um certo boicote?<br />
Nelson Rodrigues - Não foi bem isso. Durante cerca de vinte anos, fui o único autor obsceno do Brasil. Os atores me representavam com o maior desprezo e ressentimento. Faziam uma concessão ao meu nome, que supunham importante. A minha peça Senhora dos Afogados. por exemplo, foi ensaiada durante um mês no Teatro Brasileiro de Comédia. Diga-se de passagem que o TBC foi o maior mistificador do teatro brasileiro. Tinha horror de nossos autores, não fez absolutamente nada por nossa dramaturgia. O problema do TBC era um só: bilheteria. No fim de um mês de ensaios, dirigidos por Ziembinsky, a grande atriz Cacilda Becker, minha amiga pessoal, declarou: Eu não faço esta peça. Digo isto com absoluta ternura e admiração pela sua memória. Mas é um fato histórico que pode e deve ser contado. E assim, Senhora dos Afogados foi expulsa do TBC com grande vantagem para a peça.</p>
<p>Veja - Quando falei de boicote não estava pensando no TBC. Não houve, ou há, uma certa má vontade dos diretores mais jovens para consigo?<br />
Nelson Rodrigues - O que há é o seguinte: umas cinco peças minhas foram levadas em São Paulo por cinco diretores novos. Foi um massacre teatral. Fui incompreendido, como se escrevesse em chinês de cabeça para baixo. Antunes Filho é que iniciou um novo período para minhas peças no teatro paulista.</p>
<p>Veja - Há uma crise no teatro brasileiro?<br />
Nelson Rodrigues - O que há é que Marx e Brecht realmente cretinizaram toda uma geração de diretores, atores e autores brasileiros. Evidentemente não são todos. Mas é uma sólida e abundantíssima maioria.</p>
<p>Veja - Que considera o senhor um reacionário?<br />
Nelson Rodrigues - Muitos me chamam de reacionário. É exatamente o que sou: um reacionário. Já disse na televisão - e, portanto, para 1 milhão de pessoas - que sou reacionário. Reacionário porque não tenho nada de estalinista.</p>
<p>Veja - Mas, além de não ser estalinista, o que é ser reacionário?<br />
Nelson Rodrigues - Faço este comentário sabendo que reacionário - sublinhe a palavra - é o termo mais sujo, mais corrompido, mais idiota... Reacionária, de fato, seria a Rússia, que assassinou todas as liberdades e matou a pauladas 90 milhões de sujeitos desde 1917. A Rússia que enfia nos hospícios os intelectuais vagamente dissidentes. Ou a China, cuja Revolução Cultural acha a música de Beethoven capitalista. Portanto, como não sou estalinista, acho justo que me chamem de reacionário e que eu próprio me confesse reacionário. Tanto mais que acho a liberdade mais importante do que o pão.</p>
<p>Veja - O que acha o senhor do momentoso assunto da volta dos anjos, que Veja tem destacado em alguns de seus últimos números?<br />
Nelson Rodrigues - Sou a favor dos anjos. Acredito que tenho o meu anjo da guarda e creio plenamente na proteção que ele me assegura.</p>
<p>Veja - Pesquisas e estudos recentes, nos Estados Unidos e na Inglaterra, têm indicado a possibilidade de novos tempos para o homem, graças às fórmulas de combate ao Mal apresentadas pelo monge Falcus. O senhor crê nelas?<br />
Nelson Rodrigues - Sou um homem de absoluta fé e de uma credulidade infinita. Torço pela viabilidade dessas fórmulas salvadoras.</p>
<p>Veja - Foi o senhor que introduziu o palavrão no teatro brasileiro?<br />
Nelson Rodrigues - Fui. Só que eu não fazia o palavrão gratuito, do som pelo som. O outro era chamado nome feio e tinha maior justificativa psicológica e poética.</p>
<p>Veja - Qual era seu valor literário?<br />
Nelson Rodrigues - O valor do palavrão... conseguiram degradá-lo. Havia, antes, uma certa cerimônia, uma certa compostura entre o palavrão e o brasileiro. Agora, meninas de doze anos, até mesmo dez, dizem palavras que fariam corar Bocage.</p>
<p>Veja - O que o senhor sente não será uma nostalgia do pecado? Da coisa proibida?<br />
Nelson Rodrigues - Eu tenho uma profunda nostalgia do velho palavrão. Quando percebi que as mulheres começavam a dizer palavrões, eu me tornei na vida real o homem mais antipornográfico do Brasil. Eu não digo mais palavrões.</p>
<p>Veja - Por que?<br />
Nelson Rodrigues - Tiraram a dignidade e o dramatismo do palavrão.</p>
<p>Veja - O senhor declarou, há pouco tempo, em uma entrevista, que, quando há amor, o sexo só atrapalha. Na mesma entrevista, disse que só concebe o sexo havendo amor. Não haverá uma contradição nisso?<br />
Nelson Rodrigues - O sexo atrapalha, mas isso não quer dizer que ele impeça. Não há problema. O homem só começa a ser homem depois dos instintos e contra os instintos. Ou ignorando-os, ou tomando uma posição contra. Até hoje eu não sei por que os temos, por que os toleramos.</p>
<p>Veja - E que há de mal com eles?<br />
Nelson Rodrigues - Eles são próprios de cães de rua, de gatos de telhado, de preás, de bezerras...</p>
<p>Veja - De gente não?<br />
Nelson Rodrigues - Não. O homem não deseja uma mulher só pelo fato de ele ser homem e de ela ser mulher. Mas porque há entre ele e ela uma série de afinidades. Há uma escolha. Mas para o cachorro, na hora do cio, qualquer cachorra serve. Nada é mais absurdo do que a educação sexual. Ela só tem sentido se os alunos fossem gatos, preás, bezerros e vacas premiadas. Para o ser humano se deve dar educação para o amor. Mas falar em sexo, sem uma palavra sobre amor, é de uma mistificação e de uma burrice inomináveis.</p>
<p>Veja - E castidade? Ultimamente o senhor tem falado muito nela.<br />
Nelson Rodrigues - É absolutamente impossível a satisfação sexual. A atividade sexual só leva ao desespero, á angústia, á procura de algo que jamais será encontrado.</p>
<p>Veja - E o senhor não vê nela nenhum prazer?<br />
Nelson Rodrigues - Há prazer. Mas não há satisfação. O sujeito continua cada vez mais insatisfeito. O desejo é triste.</p>
<p>Veja - O jeito, então, seria ignorar o desejo?<br />
Nelson Rodrigues - Seria. A única coisa que pode pacificar o sexo é o amor.</p>
<p>Veja - O senhor disse que a tragédia não é morrer, mas estar vivo. A vida, então, não tem jeito?<br />
Nelson Rodrigues - Só tem jeito pelo amor. A única solução vital é o amor. O homem que ama é eterno, porque seu amor continua para além da vida e para além da morte.</p>
<p>Veja - O senhor fala, às vezes, de seus inimigos íntimos. Quais são os principais?<br />
Nelson Rodrigues - Eu nunca falei de inimigos íntimos. É uma expressão muito convencional. Falo, sim, de irmãos íntimos. Você sabe que os irmãos são sempre íntimos. E falo, também, do desconhecido íntimo. É o sujeito que eu encontro na rua e que me chama de Nosso Nelson...</p>
<p>Veja - O que quer dizer que o senhor não tem inimigos?<br />
Nelson Rodrigues - Me recuso a ter inimigos. Acho que o ódio de um homem para com outro homem cria entre eles uma relação, uma dependência homossexual.</p>
<p>Veja - O senhor não sente uma certa saudade de quando era escritor maldito?<br />
Nelson Rodrigues - Mas, meu bem, eu continuo sendo um autor maldito. Ninguém é menos oficial do que eu. Não sei o que é a glória, porque nunca provei de seu mel. Sou contestado pelos imbecis de todas as tendências.</p>
<p>Veja - Há futuro para o teatro no Brasil?<br />
Nelson Rodrigues - Acho que nossos dramaturgos têm que trabalhar. Façam peças. O futuro do teatro brasileiro é o trabalho de seus autores. Só assim teremos um repertório nacional.</p>
<p>Veja - Repito a pergunta: há futuro?<br />
Nelson Rodrigues - O negócio deles é Marx, José Celso, Brecht e politização.</p>
<p>Veja - Política em vez de teatro?<br />
Nelson Rodrigues - É todo mundo preocupado com o Terceiro Mundo. São todos alienados. Nas passeatas, que foi um momento sublime do ridículo, falavam de tudo, menos do Brasil. Nunca um negro entrou numa passeata. Era o filho da alta burguesia, filho das classes dominantes fazendo uma brincadeira ideológica.</p>
<p>Veja - O senhor diz que só há sentimentos profundos nos subúrbios, na zona norte. Isso não faz parte do Terceiro Mundo?<br />
Nelson Rodrigues - Eu sou um homem que só se interessa pelo Brasil. O Terceiro Mundo só me dá tédio. A fome da África não me interessa. Só a nossa.</p>
<p>Veja - Por falar em Brasil: como vai ele?<br />
Nelson Rodrigues - Acho que está formidável. Começou, finalmente, o nosso desenvolvimento. Quem não vê isso nega a evidência objetiva e até espetacular.</p>
<div ALIGN="right"><i>Fonte: Abril e Itaú</i></div>
<p>-----<br />
<i>+ Veja também:</i></p>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2007/09/einstein-relatividade-espaco-tempo.html">Vidas: Albert Einstein &#124; A Teoria da Relatividade &#124; A Relação Espaço-Tempo</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/02/demissao-justa-causa-email-indevido-uso.html">Justa Causa: Uso indevido de e-mail da empresa é motivo para dispensa</a></li>
</ul>
<ul>
<li><a HREF="http://tigredefogo.blogspot.com/2008/02/o-vingador-frederick-forsyth-livro.html">Livro: O Vingador &#124; Frederick Forsyth &#124; Primeiro Capítulo</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Pombo-Correio | Carlos Drummond de Andrade]]></title>
<link>http://tigredefogo.wordpress.com/2008/01/23/pombo-correio-carlos-drummond-de-andrade/</link>
<pubDate>Wed, 23 Jan 2008 07:56:43 +0000</pubDate>
<dc:creator>tigredefogo</dc:creator>
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<description><![CDATA[Pombo-Correio | Carlos Drummond de Andrade
Pombo-Correio
. 
Os garotos da Rua Noel Rosa
onde um tal]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pombo-Correio &#124; Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<div ALIGN="center"><strong>Pombo-Correio</strong></div>
<div ALIGN="center"><font COLOR="#ffffff">. </font></div>
<div ALIGN="center">Os garotos da Rua Noel Rosa<br />
onde um talo de samba viça no calçamento,<br />
viram o pombo-correio cansado<br />
confuso<br />
aproximar-se em vôo baixo.Tão baixo voava: mais raso<br />
que os sonhos municipais de cada um.<br />
Seria o Exército em manobras<br />
ou simplesmente<br />
trazia recados de ai! amor<br />
à namorada do tenente em Aldeia Campista?</p>
<p>E voando e baixando entrançou-se<br />
entre folhas e galhos de fícus:<br />
era um papagaio de papel,<br />
estrelinha presa, suspiro<br />
metade ainda no peito, outra metade<br />
no ar.</p>
<p>Antes que o ferissem,<br />
pois o carinho dos pequenos ainda é mais desastrado<br />
que o dos homens<br />
e o dos homens costuma ser mortal<br />
uma senhora o salva<br />
tomando-o no berço das mãos<br />
e brandamente alisa-lhe<br />
a medrosa plumagem azulcinza<br />
cinza de fundos neutros de Mondrian<br />
azul de abril pensando maio.</p>
<p>3235-58-Brasil<br />
dizia o anel na perninha direita.<br />
Mensagem não havia nenhuma<br />
ou a perdera o mensageiro<br />
como se perdem os maiores segredos de Estado<br />
que graças a isto se tornam invioláveis,<br />
ou o grito de paixão abafado<br />
pela buzina dos ônibus.<br />
Como o correio (às vezes) esquece cartas<br />
teria o pombo esquecido<br />
a razão de seu vôo?</p>
<p>Ou sua razão seria apenas voar<br />
baixinho sem mensagem como a gente<br />
vai todos os dias à cidade<br />
e somente algum minuto em cada vida<br />
se sente repleto de eternidade, ansioso<br />
por transmitir a outros sua fortuna?</p>
<p>Era um pombo assustado<br />
perdido<br />
e há perguntas na Rua Noel Rosa<br />
e em toda parte sem resposta.</p>
<p>Pelo quê a senhora o confiou<br />
ao senhor Manuel Duarte, que passava<br />
para ser devolvido com urgência<br />
ao destino dos pombos militares<br />
que não é um destino.</p>
<p><font COLOR="#ffffff">. </font></p>
<p><strong>Carlos Drummond de Andrade</strong><br />
<a HREF="http://www.submarino.com.br/books_more.asp?Query=ProductPage&#38;ProdTypeId=1&#38;ArtistId=1995&#38;Type=1&#38;franq=249087">Brasil</a> &#124; <a HREF="http://www.amazon.com/gp/search?ie=UTF8&#38;keywords=Carlos%20Drummond%20de%20Andrade&#38;tag=tigdefog-20&#38;index=blended&#38;linkCode=ur2&#38;camp=1789&#