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	<title>jose-roldao &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/jose-roldao/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "jose-roldao"</description>
	<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 18:24:28 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Confissões: Vergonha do Pão Com Manteiga na Escola]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/?p=387</link>
<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 05:25:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[HOJE, lembrei-me de uma coisa ridícula: vergonha de pão com manteiga, embrulhado em papel de padar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong>HOJE</strong>, lembrei-me de uma coisa ridícula: vergonha de pão com manteiga, embrulhado em papel de padaria.</p>
<p style="text-align:justify;">Estudei por dez anos em uma escola classe média-alta, a mais cotada daquela época. Uma escola católica, método franciscano de ensino, com as adicionais aulas de religião, música, coral, artes e educação para o lar, isto é,  aulas de bons modos, etiqueta. Escola cujas mensalidades eram de alto-custo.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu tinha vergonha de levar merenda de casa. Minha mãe costumava preparar um pão com manteiga e o embrulhava no próprio papel que vinha da padaria. O embrulho sempre ficava um pouco engordurado.</p>
<p style="text-align:justify;">A imensa maioria dos alunos levava dinheiro para comprar o «Pão Alemão», que era feito na própria cantina da escola.</p>
<p style="text-align:justify;">Creio que o nome do pãozinho tem a ver com as freiras que dirigiam o colégio, pois eram todas de origem alemã. As irmãs apenas comandavam a escola, pois todos os professores eram contratados, eram professores que tinham, em sua maioria, estudado na própria escola quando crianças. Muitos desses professores eram até mesmo filhos de ex-alunos do local, ou seja, existia uma espécie de tradição ou sentido de família bem evidente.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando chegava a hora do recreio, eu procurava descer sempre afastado dos colegas de sala. Ia eu com meu embrulho do pão com manteiga (engordurado), escondido ou apertado em uma das mãos. Procurava um canto mais afastado do pátio imenso e com diversos «ambientes» e comia quase reprimido em um canto qualquer. Cheguei mesmo,  algumas vezes, a passar o recreio inteiro sem comer o pão, por não ter encontrado oportunidade para me ocultar ou me perder na multidão dos alunos. Em outras, retornava com o pão escondido para a sala e, discretamente, o colocava de volta na pasta. Era uma coisa que me perturbava imensamente e, certos dias, chegava mesmo a ser doloroso.</p>
<p style="text-align:justify;">Revivendo essas cenas e os meus sentimentos durante esses acontecimentos, que vieram à superfície espontaneamente, senti asco, desprezo, repulsa por, sem motivos, ter sido tão vaidoso ou soberbo em um assunto de tão pequena monta, tão insignificante diante de todos os privilégios que tive e dos valores sob os quais eu fui criado.</p>
<p style="text-align:justify;">Essas coisas ficaram escondidas em mim por todos esses anos, nunca me havia lembrado disso. Resolvi confessá-los para purgar um pouco essa vergonha mesquinha e inusitada.</p>
<p style="text-align:justify;">Posso finalizar com o seguinte: <strong>como eu era ridículo!</strong></p>
<p style="text-align:justify;">
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MATEMATICAMENTE FALANDO...]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/?p=376</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 04:07:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[Sentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois e a matemática do tempo particular exaspera-se. Por isso equacionamos as duas vidas. Não se sabe mais ao certo para que lado fica a saída do labirinto, pois rompeu-se o Fio de Ariadne.</p>
<p style="text-align:justify;">Com o pedaço que nos sobrou nas mãos, pensamos seriamente enlaçar os dedos. Porém o Minotauro ainda nos assusta. Estamos a ver se ele existe, de fato.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[DOIS GATOS]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/?p=374</link>
<pubDate>Wed, 23 Jul 2008 04:04:37 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/?p=374</guid>
<description><![CDATA[Fui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Fui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo os restos de algum animal que havia sido atropelado. Naquela rua passam muitos veículos, pois é passagem dos carros que saem da Rod. Presid. Dutra e vão pegar o viaduto, afim de fazer o retorno. Estranhei que os gatinhos estivessem em meio a rua, tranquilamente comendo aqueles restos, e ainda estivessem vivos. Parei e fiquei observando. Em minutos vem um carro e desvia por pouco. Os gatos nem esboçaram qualquer movimento, ficaram ali, como se nada existisse à volta.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais um pouco e vem um caminhão. O motorista tenta passar sobre os gatos, mas de uma maneira que não os atropelasse, passando com o meio do caminhão. Quando já havia passado a metade do veículo, eis que os gatos se assustam e voltam pra calçada. Um deles consegue chegar ileso, o outro, porém, atravessa e é atropleado. Duas rodas duplas do caminhão passam por cima dele: nem um ruído, nem um miado. Apenas isso e fica o gato estendido, destroçado em parte.</p>
<p style="text-align:justify;">Atravessei e fui ver de perto. Estava vivo segundos antes, agora era como os restos que há pouco comia. Segui adiante. Procurei o gato sobrevivente, mas nem sinal. Andei mais um pouco e tornei a olhar para trás: lá estava o sobrevivente indo para o mesmo lugar onde o outro jazia atropelado. Burro! Era como se nada houvesse acontecido, muito menos parecia fazer alguma diferença o outro ali estendido e vazado junto aos restos de antes. Eu havia visto algumas vísceras do atropelado espalhadas ao redor, e agora imaginava que o outro, provavelmente seu irmão, poderia estar comendo carne de sua carne. Por pouco tempo, pois, se ali estava agora, daqui há pouco teria a mesma sorte do outro gatinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, depois de dois dias, passei novamente pelo mesmo local. Não havia nada além de uma mancha no asfalto. Fico pensando que um dos gatos, porque eu o havia visto morrer, estava de fato morto; o outro, aquele sobrevivente que insistia em abusar da pouca sorte, esse eu não vi morrer, apesar de ser bem provável que tenha ocorrido, contudo, nunca saberei se de fato acabou tendo o mesmo fim. Pode parecer coisa boba, mas, sinceramente, gostaria muito de saber do destino daquele gato que, por não o ter visto salvar-se ou não, permanece em minha memória, suspenso.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MATEMATICAMENTE FALANDO...]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/07/15/matematicamente-falando/</link>
<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 07:17:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://jroldao.wordpress.com/2008/07/15/matematicamente-falando/</guid>
<description><![CDATA[Sentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;">Sentimo-nos exaustos. São muitos os dias se contarmos desde o início de cada um. Junte-se os dois e a matemática do tempo particular exaspera-se. Por isso equacionamos as duas vidas. Não se sabe mais ao certo para que lado fica a saída do labirinto, pois rompeu-se o Fio de Ariadne.</p>
<p>Com o pedaço que nos sobrou nas mãos, pensamos seriamente enlaçar os dedos. Porém o Minotauro ainda nos assusta. Estamos a ver se ele existe, de fato.</p></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[CHEIRO BOM]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/07/12/cheiro-bom-2/</link>
<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 05:36:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[Fui pego de surpresa pela chuva. Quando menos esperava, eis que ela chega e sinto o cheiro bom e o v]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:justify;">Fui pego de surpresa pela chuva. Quando menos esperava, eis que ela chega e sinto o cheiro bom e o vento fresco! E sabe que eu estava mesmo precisando dessa chuva? Hoje mais que no outro dia...</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[PLANÍCIES]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/07/06/planicies/</link>
<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 05:10:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Planícies. Cúmulo do estar sozinho. Existe maior sentimento de solidão do que estar em meio à p]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0 0 10pt;"><a href="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/07/es-planicie-390.jpg"><img class="aligncenter" style="display:inline;width:250px;height:187px;" src="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/07/zrtn-001p69e22f1-tn.png" alt="" width="250" height="187" /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;">Planícies. Cúmulo do estar sozinho. Existe maior sentimento de solidão do que estar em meio à planície?</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;">Todos os lados são paredes móveis de vento; é onde o céu adquire seu maior peso. Ao mesmo tempo, não existe céu mais belo, nem sol tão visível, nem lua mais presente, nem nuvens mais deslumbrantes.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0 0 10pt;">Pode-se imaginar um escritor sozinho, em uma planície, sentado em frente ao seu computador escrevendo. Acontece em todo lugar que ele escreve. Todo escritor deve carregar sua planície particular. E lá que ele escreve: na planície. Se observá-lo de longe, pelo que escreve, sem perturbá-lo, certamente ele vai deixar escapar um sorriso de lado nos lábios. Assim...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[QUANDO OBSERVAMOS O MUNDO]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/06/27/quando-observamos-o-mundo/</link>
<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 06:27:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[No mesmo dia do fatal acontecimento com os gatos, mas na volta pra casa, andei até uma avenida muit]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">No mesmo dia do fatal acontecimento com os gatos, mas na volta pra casa, andei até uma avenida muito movimentada. É um caminho que diariamente tenho de fazer, cerca de cinco minutos da escola que dou aulas até um ponto de ônibus. Vou desenhar:</p>
<p><img style="display:block;margin-left:auto;width:300px;margin-right:auto;height:187px;text-align:center;" src="http://jroldao.files.wordpress.com/2008/06/aevnida.jpg" alt="" height="187" /></p>
<p style="text-align:justify;">De repente, algo mudou. Eu ali, observando os carros que seguiam para um lado, para o outro, atravessam para pegar a pista de mão oposta, e bateu aquele distanciamento da cena. Olhei à minha volta e havia outras pessoas, mas todas elas estavam olhando para o nada, como se estivessem em qualquer lugar dentro de si mesmas, longe dali. Dei conta de que apenas eu observava o mundo ao redor. E foi espetacular. Pude imaginar que uma terceira pessoa, de um ponto de vista aéreo, veria todas as outras pessoas estáticas, partes imóveis da cena, e eu movendo a cabeça tranquilamente de um lado para o outro, seguindo os carros em suas passagens e também reparando no vazio e inutilidade de uma avenida como aquela vazia por alguns instantes, quando não passava carro algum.</p>
<p style="text-align:justify;">O ônibus chegara. Fiz o sinal e subi. Continuei meu exercício de observador durante todo o percurso até em casa, que dá mais ou menos uns vinte minutos. Confesso que me sentia orgulhoso de o fazer.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquele foi realmente um dia singular...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[DOIS GATOS]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/06/27/dois-gatos/</link>
<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 06:06:21 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Fui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img src="http://jroldao.files.wordpress.com/2008/06/imgp4894.jpg" style="display:inline;float:left;width:200px;height:168px;" height="168"></p>
<p style="text-align:justify;">Fui dar aulas. No caminho de ida, perto de casa ainda, olhei para a rua e vi dois gatinhos comendo os restos de algum animal que havia sido atropelado. Naquela rua passam muitos veículos, pois é passagem dos carros que saem da Rod. Presid. Dutra e vão pegar o viaduto, afim de fazer o retorno. Estranhei que os gatinhos estivessem em meio a rua, tranquilamente comendo aqueles restos, e ainda estivessem vivos. Parei e fiquei observando. Em minutos vem um carro e desvia por pouco. Os gatos nem esboçaram qualquer movimento, ficaram ali, como se nada existisse à volta.</p>
<p style="text-align:justify;">Mais um pouco e vem um caminhão. O motorista tenta passar sobre os gatos, mas de uma maneira que não os atropelasse, passando com o meio do caminhão. Quando já havia passado a metade do veículo, eis que os gatos se assustam e voltam pra calçada. Um deles consegue chegar ileso, o outro, porém, atravessa e é atropleado. Duas rodas duplas do caminhão passam por cima dele: nem um ruído, nem um miado. Apenas isso e fica o gato estendido, destroçado em parte.</p>
<p style="text-align:justify;">Atravessei e fui ver de perto. Estava vivo segundos antes, agora era como os restos que há pouco comia. Segui adiante. Procurei o gato sobrevivente, mas nem sinal. Andei mais um pouco e tornei a olhar para trás: lá estava o sobrevivente indo para o mesmo lugar onde o outro jazia atropelado. Burro! Era como se nada houvesse acontecido, muito menos parecia fazer alguma diferença o outro ali estendido e vazado junto aos restos de antes. Eu havia visto algumas vísceras do atropelado espalhadas ao redor, e agora imaginava que o outro, provavelmente seu irmão, poderia estar comendo carne de sua carne. Por pouco tempo, pois, se ali estava agora, daqui há pouco teria a mesma sorte do outro gatinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, depois de dois dias, passei novamente pelo mesmo local. Não havia nada além de uma mancha no asfalto. Fico pensando que um dos gatos, porque eu o havia visto morrer, estava de fato morto; o outro, aquele sobrevivente que insistia em abusar da pouca sorte, esse eu não vi morrer, apesar de ser bem provável que tenha ocorrido, contudo, nunca saberei se de fato acabou tendo o mesmo fim. Pode parecer coisa boba, mas, sinceramente, gostaria muito de saber do destino daquele gato que, por não o ter visto salvar-se ou não, permanece em minha memória, suspenso.</p>
<p style="text-align:justify;">
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[AQUELE CARRO QUE PASSA]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/06/23/aquele-carro-que-passa/</link>
<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 05:01:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/06/23/aquele-carro-que-passa/</guid>
<description><![CDATA[Um carro atravessa a rodovia e
dispara feito flexa no alvo da noite&#8230;

]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Um carro atravessa a rodovia e</p>
<p>dispara feito flexa no alvo da noite...</p>
<p class="zoundry_raven_tags"><!-- Tag links generated by Zoundry Raven. Do not manually edit. http://www.zoundryraven.com --><span class="ztags"></span><span class="ztags"><a class="ztag" rel="tag" href="http://del.icio.us/tag/som"></a></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ENFIM, O FRIO E A CHUVA]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/06/23/enfim-o-frio-e-a-chuva/</link>
<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 04:52:11 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://jroldao.wordpress.com/2008/06/23/enfim-o-frio-e-a-chuva/</guid>
<description><![CDATA[Enfim, minha janela está com os vidros gelados. Já havia mudado o computador para o andar de cima,]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><img style="display:inline;float:left;" src="http://jroldao.files.wordpress.com/2008/06/chuvahhh.jpg" alt="" width="201" height="166" />Enfim, minha janela está com os vidros gelados. Já havia mudado o computador para o andar de cima, para poder ficar perto da janela, mas agora, mudada a posição, estou mais próximo do que nunca. Gosto de escrever e navegar durante as madrugadas e, de vez em quando, olhar a noite lá fora: silenciosa. Escuto não muito distante os carros que passam pela Rodovia Presidente Dutra, a uma quadra de distância. Toda minha infância foi inundada pelos sons esporádicos, porém constantes, dos caminhões e carros que trazem os motores de longe, chegam e vão adiante, deixando um rastro de silêncio para trás. Custa-me abandonar esses sons da noite.</p>
<p style="text-align:justify;">Moro no alto do bairro. Minha casa tem três andares e moro só. Escrevo do segundo andar, colado à janela, e o vento frio e úmido corre pelo lado esquerdo do meu rosto. Também é por esse lado que os sons da rodovia chegam aos meus ouvidos. Da minha janela eu crio mundos, além daquele que eu cotidianamente observo. Fixo meus pés no que vejo aqui do alto, mas estendo os braços e toco com meus dedos muitas coisas. Observo, depois mexo nas coisas e, por fim, visto-as com as roupas que confecciono em minha imaginação. Roupas descartáveis, pois pode-se livrar-se delas mais facilmente. Pinto telas no ar. Depois exponho onde me apraz. Hoje preferi que fosse aqui, neste diário solitário e noturno.</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim, o frio e a chuva chegaram. Chegaram. Depois do outono, esta é a melhor estação. É quando mais escrevo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[RIO PAIVA]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/?p=49</link>
<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 16:46:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://jroldao.wordpress.com/?p=49</guid>
<description><![CDATA[Preciso do Rio Paiva. Preciso dele por que fica em Alvarenga, nada mais. É uma desculpa, eu sei. Es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Preciso do Rio Paiva. Preciso dele por que fica em Alvarenga, nada mais. É uma desculpa, eu sei. Estas são frases curtas, porém não se sabe ao certo onde vão dar.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje o dia está quente. Um dia quente. Até mesmo o vento deixou-se contaminar com o calor excessivo e fora de época. Quase tudo se contamina, cedo ou tarde. Quase tudo. As exceções tornam-se evidentes. Tornam-se importantes: especiais.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu crio canções. Componho como quem grita com o rosto rente à parede. Faço assim e obtenho os seguintes resultados: o que vibra é música, o que ouço é letra. Eu gosto das canções que componho. As paredes são telas em branco, se eu for um pintor. Como sou músico, para mim, são instrumentos.</p>
<p style="text-align:justify;">De tudo se pode obter música. Até mesmo do Rio Paiva...</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MUITA FUMA&Ccedil;A ENTRE O POR DO SOL E EU]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/24/muita-fumaa-entre-o-por-do-sol-e-eu/</link>
<pubDate>Sat, 24 May 2008 21:17:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/24/muita-fumaa-entre-o-por-do-sol-e-eu/</guid>
<description><![CDATA[Muita fumaça entre o por do sol e eu
Ele quase que já se foi
Eu forço a vista como quem range os ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Muita fumaça entre o por do sol e eu
<p align="justify">Ele quase que já se foi
<p align="justify">Eu forço a vista como quem range os olhos
<p align="justify">Muita fumaça entre o por do sol e eu
<p align="justify">As luzes de um avião me encaram
<p align="justify">Está escuro aqui
<p align="justify">É difícil de me ver escondido dentro de uma janela
<p align="justify">Ao horizonte tudo vermelho
<p align="justify">O sol fere e sangra a noite que insiste
<p align="justify">Todos sabem que não há como vencer
<p align="justify">O sol insiste todos os dias
<p align="justify">Melhor que os homens
<p align="justify">Nós enchemos o céu com fumaça
<p align="justify">Depois temos de engelhar o rosto
<p align="justify">Mas não mostramos os dentes
<p align="justify">Temos culpa espalhada na pele
<p align="justify">Temos um sorriso discreto
<p align="justify">E um céu da boca carregado
<p align="justify">O avião já se foi
<p align="justify">Foi difícil de me ver aqui escondido
<p align="justify">Uma janela é boa coisa de se ter
<p align="justify">Quando se quer ficar oculto
<p align="justify">Agora todas as luzes da cidade estão acesas
<p align="justify">São como estrelas caídas
<p align="justify">Mais estrelas pelas ruas do que no céu
<p align="justify">Penduradas em postes
<p align="justify">Dentro das casas
<p align="justify">Um isqueiro que se acende na esquina
<p align="justify">O cigarro numa boca que se distancia
<p align="justify">Estrela cadente que vai
<p align="justify">Na boca de um homem
<p align="justify">Muita fumaça entre o mundo e eu
<p align="justify">E a noite venceu mais uma vez
<p align="justify">Todos sabem que não há como vencer
<p align="justify">Mas o sol insiste todos os dias
<p align="justify">Melhor que os homens</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[POLONAISE, DE CHOPIN]]></title>
<link>http://jroldao.wordpress.com/2008/05/16/polonaise-de-chopin/</link>
<pubDate>Fri, 16 May 2008 17:33:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://jroldao.wordpress.com/2008/05/16/polonaise-de-chopin/</guid>
<description><![CDATA[Ouvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem se]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ouvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem sentado de frente para essa mesma janela, e nós a olharmos, observando-o ao fundo, vendo apenas suas costas. Não parece bem um homem, mas apenas a sombra de um homem que pensa e sente além, que se deixa levar pela obra do exímio pianista. Certamente o piano de Chopin preenche todo o ambiente, com suficiente e eficaz volume.</p>
<p align="justify">E eu fico aqui, observando essa cena, também me deixando levar, ouvindo <em>Polonaise</em>, de Chopin.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[POLONAISE, DE CHOPIN]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/16/polonaise-de-chopin/</link>
<pubDate>Fri, 16 May 2008 17:29:58 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/16/polonaise-de-chopin/</guid>
<description><![CDATA[Ouvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem se]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ouvindo Chopin. É possível imaginar uma biblioteca escura, uma única janela ao fundo, um homem sentado de frente para essa mesma janela, e nós a olharmos, observando-o ao fundo, vendo apenas suas costas. Não parece bem um homem, mas apenas a sombra de um homem que pensa e sente além, que se deixa levar pela obra do exímio pianista. Certamente o piano de Chopin preenche todo o ambiente, com suficiente e eficaz volume.</p>
<p align="justify">E eu fico aqui, observando essa cena, também me deixando levar, ouvindo <em>Polonaise</em>, de Chopin.</p>
<p style="text-align:center;"><em>Posted in </em><a href="http://jroldao.wordpress.com/" target="_blank">CIDADE SOLITÁRIA</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[A PACIENTE]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/04/a-paciente/</link>
<pubDate>Sun, 04 May 2008 05:45:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/04/a-paciente/</guid>
<description><![CDATA[
O médico toca com os dedos a barriga da mulher grávida. Seus olhos cruzam com os da paciente por ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/vidroa.jpg"><img style="border-right:0;border-top:0;border-left:0;border-bottom:0;" src="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/vidroa-thumb.jpg" border="0" alt="vidroa" width="240" height="160" /></a></p>
<p align="justify">O médico toca com os dedos a barriga da mulher grávida. Seus olhos cruzam com os da paciente por alguns instantes. Ela parece estar bem de saúde; e também o bebê. A mulher segura a mão do médico, separa-lhe os dedos e entrelaça com os seus: «Doutor, uma vida quer rebentar de dentro de mim».</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[INVERSÃO DE PAPÉIS]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/04/inverso-de-pepis/</link>
<pubDate>Sun, 04 May 2008 05:20:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Dor de cabeça. Uma dor que foge, correndo em círculos dentro do claustrofóbico espaço craniano.]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/deep-freeze.jpg"><img style="border-right:0;border-top:0;border-left:0;border-bottom:0;" src="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/deep-freeze-thumb.jpg" border="0" alt="Deep Freeze" width="240" height="124" /></a></p>
<p align="justify">Dor de cabeça. Uma dor que foge, correndo em círculos dentro do claustrofóbico espaço craniano. Tenho dó dessa dor. Coitada! Presa, batendo desesperada, procurando uma saída! Decido não interferir. Isso quer dizer que sou pior que a dor de cabeça: vou deixá-la lá dentro, prisioneira, sofrendo. É bom inverter os papéis de vez em quando.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O MAPA]]></title>
<link>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/04/o-mapa/</link>
<pubDate>Sun, 04 May 2008 05:00:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
<guid>http://fragmentosdetempo.wordpress.com/2008/05/04/o-mapa/</guid>
<description><![CDATA[ 
Saber onde está o tesouro não basta!
É preciso encontrar o caminho. 
Tem que pisar no caminho. ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/sl370353-2.jpg"><img style="border-width:0;" height="180" alt="SL370353_2" src="http://fragmentosdetempo.files.wordpress.com/2008/05/sl370353-2-thumb.jpg" width="240" border="0"></a> </p>
<p>Saber onde está o tesouro não basta!</p>
<p>É preciso encontrar o caminho. </p>
<p>Tem que pisar no caminho. </p>
<p>Tem que ter os pés descalços, </p>
<p>Pois é preciso endurecer a pele! </p>
<p>É bom ter também os punhos fechados, </p>
<p>Pois é preciso também ser forte! </p>
<p>Ajuda muito ter os olhos bem abertos, </p>
<p>Pois o tempo insiste em fechá-los. </p>
<p>&#160;
<p>Um dia seremos todos vencidos, </p>
<p>Cansaremos as pálpebras </p>
<p>E um último bocejo se encarregará do resto. </p>
<p>&#160;
<p>Saber onde está o tesouro não basta. </p>
<p>É do mapa que mais precisamos.</p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
</rss>
