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	<title>fragmentos &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/fragmentos/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "fragmentos"</description>
	<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 02:57:11 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

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<title><![CDATA[Desastre]]></title>
<link>http://segundapessoa.wordpress.com/?p=32</link>
<pubDate>Sun, 12 Oct 2008 04:46:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Thais Machado</dc:creator>
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<description><![CDATA[- Então acho que é melhor a gente se separar&#8230;
O Téo era um cara legal mas tinha uns defeito]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">- Então acho que é melhor a gente se separar...</p>
<p style="text-align:justify;">O Téo era um cara legal mas tinha uns defeitos bobos que a Luci deixou de suportar. No início era tudo muito bonitinho, "ai é o jeito dele", "que engraçadinho", até a situação ficar insustentável. Tudo o que ele fazia irritava. Podia até não ser por querer mas irritava demais. Ele vinha chegando, a Luci respirava fundo... o Téo não percebeu o quanto estava sendo indesejado, embora uma angústia aparentemente sem sentido o tivera acompanhado nos últimos tempos. No momento final, quando não havia mais o que fazer, a Luci aparecera com as unhas mais roídas do que o normal, cabelos desgrenhados, a boca seca. Ele apático, parecia querer voar pra longe assim como as folhas secas de plátano que corriam praça afora... mal conseguia fixar os olhos nela. Se despediram, se abraçaram e mesmo assim não parecia verdade. A Luci vai viajar, pensou.</p>
<p style="text-align:justify;">O céu nublado deixava a tarde com um ar estranho. Téo seguia para um bar qualquer. Queria beber café, fumar um cigarro... precisava pensar melhor ou, no mínimo, ocupar o tempo com alguns prazeres momentâneos. Foi fotografando mentalmente a arquitetura dos prédios antigos. Passava todos os dias por aquela região, antes de ir para o trabalho, mas nunca havia prestado atenção em certos detalhes. Talvez quisesse desviar a atenção para não chorar. Não, mas ele não era de chorar. A Luci ainda vai precisar de mim, riu.</p>
<p style="text-align:justify;">Um senhor lhe pediu as horas e a simples tarefa de consultar o relógio trouxe a Luci de volta. O cheiro dela continuava no seu braço, já era quase a sua presença. Por isso é que precisava de outro cigarro. Ele era metódico demais. A Luci não sabe nada da vida, ela é que é um desastre. O pior é que era um desastre tão bonito... um desastre que não cabia mais ao seu lado, porque precisava mesmo de muito espaço. O que significaria, ao olhar de Téo, de muito mais cuidado. A Luci não conseguiria fazer nada sozinha...</p>
<p style="text-align:justify;">A dor maior de Téo era saber que mentia. Poderia fingir para quem quisesse, menos para si. Teria todas as coisas sobre ela. Tudo, menos ela.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ay amor (fragmento)]]></title>
<link>http://jpcoimbra.wordpress.com/?p=78</link>
<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 17:38:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>Juan Pablo Coimbra M.</dc:creator>
<guid>http://jpcoimbra.wordpress.com/2008/10/10/ay-amor-fragmento/</guid>
<description><![CDATA[Ay amor amor
no solo tengo manos
tengo un corazón dispuesto
y justo en medio de él
tengo una cáli]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">Ay amor amor<br />
no solo tengo manos<br />
tengo un corazón dispuesto<br />
y justo en medio de él<br />
tengo una cálida sonrisa de ansiedad<br />
tengo tu nombre a flor de labios<br />
y otra cosa, tengo tanto que mirar<br />
bajo tu escote y tengo un poco<br />
y tengo mas de que pensar<br />
cuando supones que eres agua<br />
que anda y corre y se avecina y se remonte<br />
serpenteando y yo con esta sed que tengo<br />
con esta sed de ti mujer...</p>
<p style="text-align:right;">Fernando Delgadillo, Febrero 13 (vol.1), 1999</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[2h38 - sem pensar]]></title>
<link>http://jornaldepoeta.wordpress.com/?p=185</link>
<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 14:19:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>contemporaneando</dc:creator>
<guid>http://jornaldepoeta.wordpress.com/2008/10/10/2h38-sem-pensar/</guid>
<description><![CDATA[Ontem, pela primeira vez desde que nos conhecemos, não senti sua falta. Vou abrir aquela garrafa es]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoBlockText" style="text-indent:0;margin:0 0 .0001pt;" align="justify"><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">Ontem, pela primeira vez desde que nos conhecemos, não senti sua falta. Vou abrir aquela garrafa especial que você escondia e fazer um brinde. Talvez até ligue o rádio para gritar junto com a Nina Simone as nossas falsas agonias, enquanto bebo. Ou talvez apenas vá atormentar o bloco de papel na escrivaninha com algum texto sentimentalóide sobre a nossa quase história. Porque as coisas para mim quase acontecem, do mesmo jeito que você quase se tornou uma das pessoas mais importantes na minha vida e quase ficou nela para sempre. </span></p>
<p class="MsoBlockText" style="text-indent:0;margin:0 0 .0001pt;" align="justify"><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">Mas foi estranho, de qualquer forma. Não ficar ali, "a postos", esperando a sua mensagem, um mínimo sinal que me deixasse feliz ou tranquila o suficiente para voltar à rotina do meu quase dia. Não me ver arrastada no velho conhecido redemoinho de pensamentos neuróticos e pirantes que a sua ausência súbita provocava. "O que eu fiz de errado, agora? O que eu disse? O que eu deveria ter dito e não disse?" Não precisar ver o seu espaço, aqui, ocupado por você - nem por qualquer outra pessoa, é bom ressaltar. </span></p>
<p class="MsoBlockText" style="text-indent:0;margin:0 0 .0001pt;" align="justify"><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">É que a gente vicia no que não presta, óbvio, e só percebe depois que o vício acaba. Quando acaba. Chocolate, cigarro, bebida, amor platônico, adrenalina, doenças, drogas, medos, afetos inventados e desperdiçados. Tudo vira um hábito ridículo para justificar a nossa dose diária de oxigênio. </span></p>
<p class="MsoBlockText" style="text-indent:0;margin:0 0 .0001pt;" align="justify"><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">Até outro dia eu existia porque você existe. Agora não dá mais para não ver que eu existo e ponto. A não ser que eu invente outro motivo para justificar a minha quase vida. Pelo menos não está me faltando nem criatividade, nem cinismo. Eu tenho vontades, tenho o que eles chamam de "metas", algumas até inconfessáveis. Mas não, não vou fazer nenhuma delas de muleta, dessa vez não. Porque eu quase me espatifei quando você sumiu, e já não sou assim tão nova para sair ilesa de um baque desses</span><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">. </span></p>
<p class="MsoBlockText" style="text-indent:0;margin:0 0 .0001pt;" align="justify"><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">Tenho fé que sou quase normal, mesmo cantando Nina Simone a plenos pulmões, e que sou bem capaz de arranjar um caminho quase ideal, para dizer o mínimo. Até vou deixar o bloco de papel livre de mim, por hoje, só para curtir um pouco mais esse lance de não sentir a sua falta. Me liga amanhã, ou manda um sinal de fumaça, sei lá. Você sabe, é só para eu quase te esquecer. Porque eu posso não ser inteira, mas nem por isso vou dispensar a coerência</span><span style="font-size:10pt;font-family:'Times New Roman';">. </span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Nietzschianas]]></title>
<link>http://metanoiadigestiva.wordpress.com/?p=152</link>
<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 15:27:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>digestora</dc:creator>
<guid>http://metanoiadigestiva.wordpress.com/2008/10/08/nietzschianas/</guid>
<description><![CDATA[&#8220;Todo e qualquer erro, de toda e qualquer espécie, é a conseqüência de uma degradação do]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>"Todo e qualquer erro, de toda e qualquer espécie, é a conseqüência de uma degradação do instinto, da desagregaçãoda vontade: quase se define com isso o <em>que é ruim</em>. Tudo que é <em>bom</em> é instintivo. - E, conseqüentemente, leve, necessário, livre. A fadiga é uma objeção, Deus é tipicamente diferente dos heróis (em minha linguagem: os pés <em>leves</em> são o primeiro atributo da divindade)".</p>
<p>Nietzsche, em <em>Crespúsculo dos Ídolos [ou como filosofar com o martelo]</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Leer en la gente]]></title>
<link>http://mensurabilis.wordpress.com/?p=394</link>
<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 14:21:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>mensurabilis</dc:creator>
<guid>http://mensurabilis.wordpress.com/2008/10/08/leer-en-la-gente/</guid>
<description><![CDATA[Compreder el lenguaje no verbal, siempre ha sido uno de mis mayores intereses sobre las personas. Aq]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Compreder el lenguaje no verbal, siempre ha sido uno de mis mayores intereses sobre las personas. Aquí dejo un fragmento del último libro que estoy leyendo de Jean M. Auel (al final he vuelto a caer en el vicio de leer estas novelas), el cuarto volúmen de <em>Los Hijos de la Tierra</em>, titulado <em>Las Llanuras del Tránsito, </em>en el que se haya un referente de hace más de 10.000 años, sobre las supuestas diferencias de lenguaje entre Neandertal y Cro-Magnon, que me resulta cuando menos curioso por su alusión al tema que menciono:</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://www.buscalibros.cl/img_prod_gra/9706516271.jpg" alt="" width="144" height="207" /></p>
<p>"<em>Los que habían criado a Ayla, el pueblo llamado de los cabezas chatas, que se autodesignaban con el nombre de Clan, se comunicaban con profundidad y exactitud, aunque no principalmente con palabras. Pocas personas advertían que en realidad poseían una lengua. Su capacidad de expresión era muy limitada, y a menudo se les desacreditaba, afirmando que eran inferiores a los humanos, animales que no sabían hablar. Utilizaban una lengua de gestos y signos, pero no por ello ésta era menos compleja.</em></p>
<p><em>La cantidad relativamente reducida de palabras utilizadas por el Clan, dependían de un tipo peculiar de vocalización y solían usarse para subrayar algo o para mencionar los nombres de las personas o las cosas. Los matices y los detalles más sutiles del sentido se indicaban mediante la actitud, la postura y los gestos faciales, que conferían profundidad y diversidad a la lengua, exactamente como sucede con los tonos y las inflexiones en el lenguaje verbal. </em></p>
<p><em>Pero al utilizar medios tan directos de comunicación, era casi imposible expresar una mentira sin revelar el hecho; no podían mentir. </em></p>
<p><em>Ayla había aprendido a percibir y compreder las sutiles señales del movimiento corporal y la expresión facial mientras aprendía a hablar con signos. [...] Cuando estaba reaprendiendo a hablar verbalmente con Jondalar, y adquiría mayor fluidez con el mamutoi, Ayla descubrió que percibía las señales involuntarias contenidas en los leves movimientos faciales y la postura incluso de la gente que hablaba con palabras, aunque el propósito de dichos gestos no era representar una parte de lo que se decía.</em></p>
<p><em>Descubrió que comprendía más que las palabras, aunque esto al principio le causaba cierta confusión y un poco de inquietud, porque las palabras pronunciadas, no siempre coincidían con las señales emitidas, y ella nada sabía de las mentiras. Lo que más se podía aproximar ella a la negación de la verdad era abstener de hablar. [...]<br />
</em></p>
<p><em>Pero cuando llegó a entender el humor -que generalmente dependía de que se dijese una cosa que en realidad significaba otra- de pronto aprendió el carácter del lenguaje hablado y de la gente que lo usaba. Entonces, su capacidad para interpretar las señales inconcientes agregó una dimensión inesperada a sus habilidades verbales en desarrollo: una percepción casi misteriosa de lo que la gente realmente quería decir. Esto le concedió una ventaja poco común. Aunque ella misma no sabía mentir, excepto por omisión, por regla general captaba enseguida cuándo otro no decía la verdad."</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Roberto Bolaño: Poetas maricones, maricas, mariquitas, locas, bujarrones, mariposas, ninfos y filenos.]]></title>
<link>http://algundiaenalgunaparte.wordpress.com/?p=2843</link>
<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 11:27:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Alguien</dc:creator>
<guid>http://algundiaenalgunaparte.wordpress.com/2008/10/08/roberto-bolano-poetas-maricones-maricas-mariquitas-locas-bujarrones-mariposas-ninfos-y-filenos/</guid>
<description><![CDATA[En alguna parte de la novela Los detectives salvajes (Edit. Anagrama) de Roberto Bolaño, Ernesto sa]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">En alguna parte</span></strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> de la novela <strong><em><a href="http://www.anagrama-ed.es/titulo/CM_232" target="_blank">Los detectives salvajes</a></em></strong> (Edit. Anagrama) de <strong><a href="http://sololiteratura.com/bol/bolanoprincipal.htm" target="_blank">Roberto Bolaño</a></strong>, <em>Ernesto san Epifanio</em>, poeta maricón y miembro fundador del movimiento literario <em>Real visceralista</em> expresa su opinión en torno al panorama de la poesía mundial de todos los tiempos y la de sus poetas más celebrados. Diferencia entre poetas maricas y maricones, no con ánimo despectivo, ya que él mismo se sentía orgulloso de su homosexualidad, sino para diferenciar entre aquellos poetas que caminan de la ética a la estética (los primeros) y los que lo hacen a la inversa, de la estética a la ética, priorizando lo primero sobre lo segundo:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<blockquote>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">22 de noviembre:</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">“</span><span style="font-size:14pt;font-family:Georgia;">D</span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">esperté en casa de Catalina O’Hara. Mientras desayunaba, muy temprano (María no estaba, el resto de la casa dormía), con Catalina y su hijito Davy, a quien tenía que llevar a la guardería, recordé que la noche anterior, cuando ya sólo quedábamos unos pocos, Ernesto San Epifanio dijo que existía literatura heterosexual, homosexual y bisexual. Las novelas, generalmente, eran heterosexuales, la poesía, en cambio, era absolutamente homosexual, los cuentos, deduzco, eran bisexuales, aunque esto no lo dijo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><img class="alignleft" style="border:0;" src="http://farm4.static.flickr.com/3089/2667878336_17afb85a33_o.jpg" alt="" width="137" height="240" />Dentro del inmenso océano de la poesía distinguía varias corrientes: maricones, maricas, mariquitas, locas, bujarrones, mariposas, ninfos y filenos. Las dos corrientes mayores, sin embargo, eran las de los maricones y la de los maricas. Walt Whitman, por ejemplo, era un poeta maricón. Pablo Neruda, un poeta marica. William Blake era maricón, sin asomo de duda, y Octavio Paz marica. Borges era fileno, es decir de improviso podía ser maricón y de improviso simplemente asexual. Rubén Darío era una loca, de hecho la reina y el paradigma de las locas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–En nuestra lengua, claro está –aclaró–; en el mundo ancho y ajeno el paradigma sigue siendo Verlaine el Generoso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Una loca, según San Epifanio, estaba más cerca del manicomio florido y de las alucinaciones en carne viva mientras que los maricones y los maricas vagaban sincopadamente de la Ética a la Estética y viceversa. Cernuda, el querido Cernuda, era un ninfo y en ocasiones de gran amargura un poeta maricón, mientras que Guillén, Aleixandre y Alberti podían ser considerados mariquita, bujarrón y marica, respectivamente. Los poetas tipo Carlos Pellicer eran, por regla general, bujarrones, mientras que poetas como Tablada, Novo, Renato Leduc eran mariquitas. De hecho la poesía mexicana carecía de poetas maricones, aunque algún optimista pudiera pensar que allí estaba López Velarde o Efraín Huerta. Maricas, en cambio, abundaban, desde el matón (aunque por un segundo yo escuché mafioso) Díaz Mirón hasta el conspicuo Homero Aridjis. Debíamos remontarnos a Amado Nervo (silbidos) para hallar a un poeta de verdad, es decir a un poeta maricón, y no a un fileno como el ahora famoso y reivindicado potosino Manuel José Othón, un pesado donde los haya. Y hablando de pesados: mariposa era Manuel Acuña y ninfo de los bosques de Grecia José Joaquín Pesado, perennes padrotes de cierta lírica mexicana. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> <!--more--></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Y Efrén Rebolledo? –pregunté yo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Un marica menorcísimo. Su única virtud es la de ser si no el único, el primer poeta mexicano que publicó un libro en Tokio, Rimas japonesas, 1909. Era diplomático, por supuesto. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">El panorama poético, después de todo, era básicamente la lucha (subterránea), el resultado de la pugna entre poetas maricones y poetas maricas por hacerse con la palabra. Los mariquitas, según San Epifanio, eran poetas maricones en su sangre que por debilidad o comodidad convivían y acataban –aunque no siempre– los parámetros estéticos y vitales de los maricas. En España, en Francia y en Italia los poetas maricas han sido legión, decía, al contrario de lo que podría pensar un lector no excesivamente atento. Lo que sucedía era que un poeta maricón como Leopardi, por ejemplo, reconstruye de alguna manera a los maricas como Ungaretti, Montale y Quasimodo, el trío de la muerte. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–De igual modo Pasolini repinta a la mariquería italiana actual, véase el caso del pobre Sanguinetti (con Pavese no me meto, era una loca triste, ejemplar único de su especie, o con Dino Campana, que come en mesa aparte, la mesa de las locas terminales). Para no hablar de Francia, gran lengua de fagocitadores, en donde cien poetas maricones, desde Villon hasta nuestra admirada Sophie Podolski cobijaron, cobijan y cobijarán con la sangre de sus tetas a diez mil poetas maricas con su corte de filenos, ninfos, bujarrones y mariposas, excelsos directores de revistas literarias, grandes traductores, pequeños funcionarios y grandísimos diplomáticos del Reino de las Letras (véase, si no, el lamentable y siniestro discurrir de los poetas de Tel Quel). Y no digamos nada de la mariconería de la Revolución Rusa en donde, si hemos de ser sinceros, sólo hubo un poeta maricón, uno solo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Quién? –le preguntaron.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Maiacovski?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–No. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Esenin? </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Tampoco.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Pasternak, Blok, Mandelstam, Ajmátova?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Menos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Dilo de una vez Ernesto, que me estoy comiendo las uñas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Sólo uno –dijo San Epifanio–, y ahora te saco de la duda, pero eso sí, maricón de las estepas y de las nieves, maricón de la cabeza a los pies: Khlebnikov.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Hubo opiniones para todos los gustos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Y en Latinoamérica, ¿cuántos maricones verdaderos podemos encontrar? Vallejo y Martín Adán. Punto y aparte. ¿Macedonio Fernández, tal vez? El resto, maricas tipo Huidobro, mariposas tipo Alfonso Cortés (aunque este tiene versos de maricona auténtica), bujarrones tipo León de Greiff, ninfos abujarronados tipo Pablo de Rohka (con ramalazos de loca que hubieran vuelto loco a Lacan), mariquitas tipo Lezama Lima, falso lector de Góngora y junto con Lezama todos los poetas de la Revolución Cubana (Diego, Vitier, el horrible Retamar, el penoso Guillén, la inconsolable Fina García) excepto Rogelio Nogueras, que es un encanto y una ninfa con espíritu de maricón juguetón. Pero sigamos. En Nicaragua dominan mariposas tipo Coronel Urtecho o maricas con voluntad de filenos, tipo Ernesto Cardenal. Maricas también son los Contemporáneos de México...</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¡No –gritó Belano–, Gilberto Owen no!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–De hecho –prosiguió imperturbable San Epifanio–, Muerte sin fin es junto con la poesía de Paz, La Marsellesa de los nerviosísimos y sedentarios poetas mexicanos maricas. Más nombres: Gelman, ninfo, Benedetti, marica, Nicanor Parra, mariquita con algo de maricón, Westphalen, loca, Enrique Lihn, mariquita, Girondo, mariposa, Rubén Bonifaz Nuño, bujarrón amariposado, Sabines, bujarrón abujarronado, nuestro querido e intocable Josemilio Pe, loca. Y volvamos a España, volvamos a los orígenes –silbidos–: Góngora y Quevedo, maricas; San Juan de la Cruz y Fray Luis de León, maricones. Los primeros piden hasta en sueños una verga de treinta centímetros que los abra y fecunde, pero a la hora de la verdad les cuesta Dios y ayuda encamarse con sus padrotes del alma. Los maricones, en cambio, pareciera que vivan permanentemente con una estaca removiéndoles las entrañas y cuando se miran en un espejo (acto que aman y odian con toda su alma) descubren en sus propios ojos hundidos la identidad del Chulo de la Muerte. El chulo, para maricones y maricas, es la palabra que atraviesa ilesa los dominios de la nada (o del silencio o de la otredad). Por lo demás, y con buena voluntad, nada impide que maricas y maricones sean buenos amigos, se plagien con finura, se critiquen o se alaben, se publiquen o se oculten mutuamente en el furibundo y moribundo país de las letras.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–¿Y Cesárea Tinajero, es una poeta maricona o marica? –preguntó alguien. No reconocí la voz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">–Ah, Cesárea Tinajero es el horror –dijo San Epifanio.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Ronan]]></title>
<link>http://segundapessoa.wordpress.com/?p=30</link>
<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 22:29:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Leonardo</dc:creator>
<guid>http://segundapessoa.wordpress.com/2008/10/07/ronan/</guid>
<description><![CDATA[
A casa parecia abandonada havia muito tempo. A grama estava alta entre as pedras da entrada e os jo]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class="snap_preview">
<p>A casa parecia abandonada havia muito tempo. A grama estava alta entre as pedras da entrada e os jornais pendiam pelo alpendre. Neles, manchetes de semanas atrás que ninguém fez questão de ler. O cinza das paredes parecia refletir o céu, que independente do dia, parecia sempre cinza.</p>
<p>Do lado de fora, as crianças passavam procurando entre si corajosos o suficiente para bater na porta ou tocar a campainha. Ninguém tinha coragem de entrar pelo portão enferrujado que rangia ao sabor do vento, nem os vizinhos mais antigos, nem os cobradores mais engravatados. Contas estavam atrasadas, mas, aparentemente, ninguém estava lá dentro para ser cobrado.</p>
<p>Por dentro, entretanto, atrás de um véu de fumaça clara, Ronan estava estirado na única espreguiçadeira que restara no cômodo. Fumava um cachimbo escuro que pendia pelo lado esquerdo da boca. Numa mão, uma caixa de fósforos. Na outra, uma aliança de prata, amarelada por estar a tanto tempo entre o seu punho fechado.</p>
<p>O coração partido nunca se colou e, como dizem, a confiança é como cristal. Fora difícil quebrá-la, mas existem proezas que pessoas pródigas fazem com uma facilidade inquietante. Agora, sentado e tentando fazer seu coração se calar, observava o tempo passar um pouco mais, enquanto tentava aprender novamente os princípios que a um custo enorme cultivou durante a vida. Perdoar, esquecer, na prática é impossível quando não se tem um coração calejado, ou algo melhor, amor.</p>
<p>De acordo com o tempo, a tendência é esquecer o ruim. Algum mecanismo de defesa do homem, talvez. Esquecer o mau, fortalecer o bom. Ronan ainda lembrava do passado não tão distante, mas pouco importava no momento. Levantou-se e, caminhando como podia, apesar do joelho que insistia em doer, pegou o telefone, sem linha. Os olhos vasculharam a sala, enquanto pensava silenciosamente. Foi ao quarto e retirou do criado mudo algumas folhas e uma antiga caneta. Mergulhou-a no tinteiro quase vazio que repousava na escrivaninha empoeirada.</p>
<p><em>-Querida Laura, eu sinto sua falta…</em></p>
<p>Retirado de <a title="http://leowroblewski.wordpress.com/" href="http://leowroblewski.wordpress.com/">leowroblewski.</a></div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Fragmento: El Curioso Incidente del Perro a Medianoche]]></title>
<link>http://lasombradelviajero.wordpress.com/?p=148</link>
<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 21:39:55 +0000</pubDate>
<dc:creator>lasombradelviajero</dc:creator>
<guid>http://lasombradelviajero.wordpress.com/2008/10/07/fragmento-el-curioso-incidente-del-perro-a-medianoche/</guid>
<description><![CDATA[La gente me provoca confusión.
Eso me pasa por dos razones principales.
La primera razón principal]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>La gente me provoca confusión.</p>
<p>Eso me pasa por dos razones principales.</p>
<p>La primera razón principal es que la gente habla mucho sin utilizar ninguna palabra. Siobhan dice que si uno arquea una ceja puede querer decir montones de cosas distintas. Puede significar "quiero tener relaciones sexuales contigo" y también puede querer decir "creo que lo que acabas de decir es una estupidez".</p>
<p>Siobhan también dice que si cierras la boca y expeles aire con fuerza por la nariz puede significar que estás relajado, o que estás aburrido, o que estás enfadado, y todo depende de cuánto aire te salga por la nariz y con qué rapidez y de qué forma tenga tu boca cuando lo hagas y de cómo estés sentado y de lo que hayas dicho justo antes y de cientos de otras cosas que son demasiado complicadas para entenderlas en sólo unos segundos.</p>
<p>La segunda razón principal es que la gente con frecuencia utiliza metáforas.</p>
<p> </p>
<p style="text-align:right;"><em>El Curioso Incidente del Perro a Medianoche - Mark Haddon</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sabe quando um sonho parece realidade?]]></title>
<link>http://segundapessoa.wordpress.com/?p=27</link>
<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 04:44:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>naoresolve</dc:creator>
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<description><![CDATA[Pois é, aconteceu com ele hoje. Foi tão real que quando acordou se sentiu renovado. Sentiu que ist]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Pois é, aconteceu com ele hoje. Foi tão real que quando acordou se sentiu renovado. Sentiu que isto poderia mesmo acontecer. Na verdade, achou mesmo uma pena que ainda não tivesse acontecido.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela se chamava Bianca e ele a conhecera quando ainda tinha 6 anos. O tempo passa mesmo muito rápido e menos de um ano depois de estar extremamente apaixonado por ela, teve que se mudar. Claro que uma criança de 6 anos não decide se mudar sozinha, e mesmo que decida, dificilmente consegue sobreviver por muito tempo. Portanto, se mudou por conta dos seus pais.</p>
<p style="text-align:justify;">Na nova cidade, que era muitos quilômetros distante da primeira, não existia nem a chance de encontrá-la. Nem de ligar para ela, pois a conta de telefone ficaria muito cara. E como naquela época a internet não era popular o suficiente para que ambos tivessem acesso, não mantiveram mesmo mais contato.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma pena, porque ela era linda. Cabelos cacheados e loiros. Dona de olhos verdes que ainda brilham na memória dele. O tempo passou e a paixão também.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o sonho de hoje...</p>
<p style="text-align:justify;">Estava saindo com os amigos para uma balada descompromissada. Na hora de ir embora, vêem duas meninas sentadas perto da saída. Nada de especial, até então. Por um motivo qualquer, começaram a conversar. A fila para pagar a conta passava perto da saída de maneira que pararam perto delas por um tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">E sabe quando o papo rola? Rolou. E ele já nem fazia questão de ir embora mais. Não estava paquerando, só queria mesmo aproveitar a boa conversa que estava tendo. Seu amigo, desenfreado, começou a paquerar a mocinha amiga dela. E ele resolveu saber o nome dela.</p>
<p style="text-align:justify;">Bianca, ela responde. Fora do sonho, sentiu sua espinha congelar. Mas queria muito continuar sonhando, e logo sentiu que a espinha congelava dentro do sonho. O que o fez perguntar de onde ela era. Sim, ela era daquela cidade. O que o fez perguntar quantos anos ela tinha. Sim, tinha a idade que ele esperava. O que o fez perguntar se ela tinha feito ginástica olímpica no mesmo clube que ele tinha feito. Ela ficou impressionada. Como poderia saber que ela tinha feito ginástica olímpica? E naquele clube.</p>
<p style="text-align:justify;">Foi então que ele contou quem era.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre teve a impressão que ela não se lembraria dele. Foi a primeira vez na vida que teve a impressão do contrário. E como foi real! Ela se lembrava de vários detalhes. Alguns deles ele mesmo já não lembrava mais. No sonho, apenas foram embora depois de longa conversa e prometeram manter contato.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantou e o mundo continuava o mesmo. Tinha as mesmas obrigações para cumprir. Os mesmos horários para comparecer. Os mesmos jeitos, mesmas feições.</p>
<p style="text-align:justify;">Somente uma coisa estava diferente. Sentiu-se capaz de se apaixonar novamente.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Clarice e a chuva]]></title>
<link>http://olhoscaramelos.wordpress.com/?p=421</link>
<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 04:16:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cássia Pires</dc:creator>
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<description><![CDATA[Vou então à janela, está chovendo muito. Por hábito estou procurando na chuva o que em outro mom]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Vou então à janela, está chovendo muito. Por hábito estou procurando na chuva o que em outro momento me serviria de consolo. [...] Estou à janela e só acontece isto: vejo com olhos benéficos a chuva, e a chuva me vê de acordo comigo. Estamos ocupadas ambas em fluir. [...] A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva. E eu não estou agradecendo nada. Não tivesse eu, logo depois de nascer, tomado involuntária e forçadamente o caminho que tomei – e teria sido sempre o que realmente estou sendo: uma camponesa que está num campo onde chove. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Clarice Lispector</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">*</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Aqui está chovendo e eu queria ler algo doce sobre isso. Encontrei esse trecho. E ela era tão incrível que fazia poesia com algo tão simples: olhar a chuva pela janela.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Sem fazer barulho]]></title>
<link>http://carambolasazuis.wordpress.com/?p=284</link>
<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 03:52:03 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cássia Pires</dc:creator>
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<description><![CDATA[A chuva batendo no telhado e os trovões que acordam as pessoas de sono breve a acompanham enquanto ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">A chuva batendo no telhado e os trovões que acordam as pessoas de sono breve a acompanham enquanto escreve. Enquanto pensa. Enquanto sente. Quando criança, ela amava ficar na chuva pelo simples prazer de chegar em casa, tirar a roupa e tomar banho quente. Sentia uma calma plena, poucas vezes encontrada em outros momentos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Ela deveria estar lá fora, de madrugada, deixando o seu corpo ser lavado pela chuva. Porque dentro dela também há água transbordando. Mas, essa, ninguém escuta.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[circulando]]></title>
<link>http://carolgloria.wordpress.com/?p=819</link>
<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 02:21:02 +0000</pubDate>
<dc:creator>carolgloria</dc:creator>
<guid>http://carolgloria.wordpress.com/2008/10/05/circulando/</guid>
<description><![CDATA[O menino tava alisando a menina que tava alisando a gata. O vento tava alisando o menino e a árvore]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>O menino tava alisando a menina que tava alisando a gata. O vento tava alisando o menino e a árvore tava alisando o vento. Quem tava alisando a árvore era o passarinho, que era alisado pelo vento. A gata alisava a menina, só pra fechar o círculo.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um pouco de Grey's Anatomy]]></title>
<link>http://olhoscaramelos.wordpress.com/?p=416</link>
<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 03:14:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cássia Pires</dc:creator>
<guid>http://olhoscaramelos.wordpress.com/2008/10/03/um-pouco-de-greys-anatomy/</guid>
<description><![CDATA[Uma das minhas séries preferidas é Grey&#8217;s Anatomy, a série mulherzinha da minha lista. Afin]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Uma das minhas séries preferidas é <strong>Grey's Anatomy</strong>, a série mulherzinha da minha lista. Afinal, eu adoro <strong>24 horas</strong>, <strong>Damages </strong>e <strong>In Treatment</strong>, então preciso de algo sentimental para o meu coração.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">O fim da quarta temporada foi uma das mais sensíveis que já assisti. Não foi triste, ao contrário das anteriores, e acalmou aqueles que cansaram de ver o Derek e a Meredith ficarem juntos, separados, juntos, separados nos últimos quatro anos. Aqui está a cena e, para que todos entendam, ele havia pedido a Meredith em casamento e mostrou a ela a planta da casa que ele quer construir. Ela não aceitou, por mil questões, desde os problemas dela, até o fato de não confiar nele por ter sido trocada em algum momento da série. Com a recusa do pedido, ele começou a sair com outra, a Rose, e no fim da temporada aconteceu o seguinte... (não há legendas, por isso a tradução vem a seguir).</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/SENIQldW6rY'></param><param name='wmode' value='transparent'></param><embed src='http://www.youtube.com/v/SENIQldW6rY&rel=0' type='application/x-shockwave-flash' wmode='transparent' width='425' height='350'></embed></object></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Derek</strong> Meredith?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Meredith</strong> Estúpida, sentimental, idiota. Não posso acreditar que fiz isso. Idiota, perdedora, filha da... Poderia estar em casa em vez de... Idiota...</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Derek </strong>Meredith.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Meredith</strong> Onde estava? Fiquei esperando por você. E fiz essa coisa idiota, vergonhosa, humilhante e cafona. E ia te falar que isso aqui é a nossa cozinha e aqui é a nossa sala de estar. E ali é o quarto onde nossos filhos poderão brincar. Tenho essa coisa de construir uma casa para nós, mas não construo casas, porque sou uma cirurgiã. E agora estou aqui me sentindo como uma grande perdedora. Estou inteira e curada. E você não apareceu. E agora está tudo arruinado, pois você demorou tanto para chegar em casa e nem consegui achar aquela garrafa de champanhe. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Derek </strong>Aqui é a cozinha? A sala de estar? Um pouco pequena. Acho a vista muito melhor daqui. E esse é o quarto onde as crianças brincarão? Onde é o nosso quarto?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Meredith </strong>Ainda estou brava com você. E não sei se confio em você. Quero confiar em você, mas não sei se confio, então, vou tentar, tentar confiar em você porque acredito que possamos ser extraordinários juntos. Melhor que normais e separados, e quero ser... </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Derek</strong> Tenho de ir</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Meredith</strong> O quê?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Derek </strong>Para te beijar do jeito que quero. Para fazer mais que beijar, preciso falar com a Rose. Quero que minha consciência fique limpa. Para poder fazer mais que te beijar. Fique aqui. Não se mexa. Espere por mim. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">*</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">E ontem eu assisti ao primeiro episódio da quinta temporada. A idéia central foi a diferença entre contos de fada e realidade. Durante quase duas horas, chorei quase o tempo todo. E o episódio terminou lindamente: <em>"Era uma vez... Felizes para sempre. As histórias que contamos são coisas de sonho. Contos de fada não se tornam realidade. [...] A realidade é muito mais agitada. Muito mais turva. Muito mais assustadora. [...] A realidade é muito mais interessante do que viver feliz para sempre".</em></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Preciso urgentemente que as outras séries recomecem.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Song for Bassanio]]></title>
<link>http://mensurabilis.wordpress.com/?p=379</link>
<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 21:48:25 +0000</pubDate>
<dc:creator>mensurabilis</dc:creator>
<guid>http://mensurabilis.wordpress.com/2008/10/01/song-for-bassanio/</guid>
<description><![CDATA[Este es uno de los versos de la obra de &#8220;El Mercader de Venecia&#8221; de Shakespeare que más]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Este es uno de los versos de la obra de "El Mercader de Venecia" de Shakespeare que más me emociona. Es de la escena (no recuerdo exactamente cuál y el libro ya lo he devuelto a la biblioteca) en la que Bassanio llega a casa de Porzia y va a hacer su elección entre los famosos tres cobres de oro, plata y plomo. Supuestamente, en la escena suena una música y se oye cantar esto:</p>
<p><em>Tell me where is fancy bred,<br />
Or in the heart or in the head?<br />
How begot, how norished?</em></p>
<p><em>Reply, reply...</em></p>
<p><em>It is engender'd in the eyes,<br />
With gazing fed; and fancy dies<br />
In the cradle, where it lies.<br />
Let us all ring fancy's knell;<br />
I'll begin it - Ding, dong, bell.<br />
Ding, dong, bell.</em><br />
<span style="font-size:12pt;font-family:&#34;"><em> </em></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&#34;">------------- </span></p>
<p>Decidme, ¿dónde nace la ilusión?<br />
¿En la mente? ¿En el corazón?<br />
¿Cómo se engendra? ¿Cómo se alimenta?</p>
<p>Contestad, contestad</p>
<p>Nace en los ojos,<br />
Del mirar ávido se alimenta,<br />
Y yace en la cuna, donde reposa<br />
Demos el repicar de difuntos por la ilusión<br />
Comenzaré yo: campana, din-don<br />
Campana din-don</p>
<p>----------------------</p>
<p>Jocelyn Pook ha puesto música a este texto para la banda sonora de la película (Michael Radford 2004). Puedes escucharla aquí:</p>
<p><a href="http://www.goear.com/listen.php?v=29ff1fe"><em>Song for Bassanio</em></a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[La fábula de los ciegos de Hermann Hesse.]]></title>
<link>http://algundiaenalgunaparte.wordpress.com/?p=1364</link>
<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 14:34:28 +0000</pubDate>
<dc:creator>Alguien</dc:creator>
<guid>http://algundiaenalgunaparte.wordpress.com/2008/10/01/la-fabula-de-los-ciegos-de-hermann-hesse/</guid>
<description><![CDATA[
&#8220;Durante los primeros años del hospital de ciegos, como se sabe, todos los internos detentab]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.hermann-hesse.de/es/dokumente/portrait/images/portraet.jpg" alt="" width="165" height="442" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:16pt;font-family:Georgia;">"D</span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">urante los primeros años del hospital de ciegos, como se sabe, todos los internos detentaban los mismos derechos y sus pequeñas cuestiones se resolvían por mayoría simple, sacándolas a votación. Con el sentido del tacto sabían distinguir las monedas de cobre y las de plata, y nunca se dio el caso de que ninguno de ellos confundiese el vino de Mosela con el de Borgoña. Tenían el olfato mucho más sensible que el de sus vecinos videntes. Acerca de los cuatro sentidos consiguieron establecer brillantes razonamientos, es decir que sabían de ellos cuanto hay que saber, y de esta manera vivían tranquilos y felices en la medida en que tal cosa sea posible para unos ciegos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Por desgracia sucedió entonces que uno de sus maestros manifestó la pretensión de saber algo concreto acerca del sentido de la vista. Pronunció discursos, agitó cuanto pudo, ganó seguidores y por último consiguió hacerse nombrar principal del gremio de los ciegos. Sentaba cátedra sobre el mundo de los colores, y desde entonces todo empezó a salir mal. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Este primer dictador de los ciegos empezó por crear un círculo restringido de consejeros, mediante lo cual se adueñó de todas las limosnas. A partir de entonces nadie pudo oponérsele, y sentenció que la indumentaria de todos los ciegos era blanca. Ellos lo creyeron y hablaban mucho de sus hermosas ropas blancas, aunque ninguno de ellos las llevaba de tal color. De modo que el mundo se burlaba de ellos, por lo que se quejaron al dictador. Éste los recibió de muy mal talante, los trató de innovadores, de libertinos y de rebeldes que adoptaban las necias opiniones de las gentes que tenían vista. Eran rebeldes porque, caso inaudito, se atrevían a dudar de la infalibilidad de su jefe. Esta cuestión suscitó la aparición de dos partidos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Para sosegar los ánimos, el sumo príncipe de los ciegos lanzó un nuevo edicto, que declaraba que la vestimenta de los ciegos era roja. Pero esto tampoco resultó cierto; ningún ciego llevaba prendas de color rojo. Las mofas arreciaron y la comunidad de los ciegos estaba cada vez más quejosa. El jefe montó en cólera, y los demás también. La batalla duró largo tiempo y no hubo paz hasta que los ciegos tomaron la decisión de suspender provisionalmente todo juicio acerca de los colores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Un sordo que leyó este cuento admitió que el error de los ciegos había consistido en atreverse a opinar sobre colores. Por su parte, sin embargo, siguió firmemente convencido de que los sordos eran las únicas personas autorizadas a opinar en materia de música”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:9pt;color:#333333;font-family:Arial;"> © “<em>La fábula de los ciegos</em>” de Hermann Hesse. (</span><span style="font-size:9pt;color:#333333;"><span style="font-family:Times New Roman;">Inspirada en VOLTAIRE)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Camille Claudel]]></title>
<link>http://olhoscaramelos.wordpress.com/?p=446</link>
<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 22:52:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cássia Pires</dc:creator>
<guid>http://olhoscaramelos.wordpress.com/2008/10/11/camille-claudel/</guid>
<description><![CDATA[Carta de Auguste Rodin para Camille Claudel, 1886
 
&#8220;[...] Não agüento mais, não posso pass]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Carta de Auguste Rodin para Camille Claudel, 1886</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">"[...] Não agüento mais, não posso passar mais um dia sem vê-la. Senão é a atroz loucura. Tudo acabou, não trabalho mais, divindade malfazeja e, no entanto, amo você com furor. Minha Camille, esteja segura de que não tenho nenhuma outra amiga e toda minha alma lhe pertence. Não consigo convencê-la e minhas razões são importantes, você não acredita em meu sofrimento. Eu choro e você duvida. Há tempos não rio, não canto, tudo me é insípido e indiferente. Já estou morto e não mais compreendo todo o esforço que fiz para conseguir coisas que hoje me são totalmente indiferentes. Deixe-me vê-la todos os dias, será uma boa ação e talvez eu possa ter alguma melhora, pois só você pode me salvar com sua generosidade. [...] não deixe que a horrível e lenta doença atinja minha inteligência, o amor ardente e tão puro que sinto por você. Enfim, piedade minha querida, e você será recompensada.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Auguste Rodin"</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">*</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>Carta de Camille Claudel a Auguste Rodin, 1891</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">"[...] Como seria gentil se me comprasse uma roupa de banho azul escura com galões brancos, em duas peças, blusa e calça (tamanho médio), no Louvre ou no Bon Marché (de sarja) ou em Tours! Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado, mas quando acordo já não é mais a mesma coisa.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Um beijo,</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Camille</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Sobretudo, não volte a me enganar."</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">*</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Encontrei esses trechos por acaso e me lembrei do filme sobre a história de Camille Claudel. Eu já assisti e é imensamente triste. Ela foi abandonada pelo Rodin depois de ser seu braço direito e verdadeira autora de muitas de suas obras. Acabou destruindo boa parte de suas próprias esculturas e morreu sozinha, depois de passar seus últimos 30 anos de vida trancada num hospício. Mesmo assim, ela foi genial e merecia ser reconhecida e lembrada por isso. Quem sabe um dia.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Trecho do filme, sem legendas, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=m2ztDb69iIE&#38;feature=related" target="_blank">aqui</a>.</span><br />
<span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Trechos das cartas, <a href="http://www.camilleclaudel.com.br/correspondencias.htm" target="_blank">aqui</a>.</span><br />
<span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Site da <em>Association Camille Claudel</em>, <a href="http://www.camilleclaudel.asso.fr/" target="_blank">aqui</a>.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[O outro lado]]></title>
<link>http://olhoscaramelos.wordpress.com/?p=438</link>
<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 06:39:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cássia Pires</dc:creator>
<guid>http://olhoscaramelos.wordpress.com/2008/10/08/o-outro-lado/</guid>
<description><![CDATA[Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem pare]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade (ou da minha estupidez, segundo alguma opinião mais radical) e me dariam a única resposta que nunca me poderia convencer: “As coisas, quando não olhamos para elas, são iguais ao que parecem quando não estamos a olhar”. Sempre achei que as coisas, quando estavam sozinhas, eram outras coisas.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><strong>José Saramago</strong>, trecho do texto <em>O outro lado</em>, publicado no seu blogue <a href="http://caderno.josesaramago.org" target="_blank">O Caderno de Saramago</a></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Para ler o texto completo, <a href="http://caderno.josesaramago.org/2008/10/07/o-outro-lado/" target="_blank">aqui</a>.</span></p>
]]></content:encoded>
</item>

</channel>
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