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	<title>filme-premiado &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "filme-premiado"</description>
	<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 03:55:32 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[In Bruges]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=268</link>
<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 16:50:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Existem filmes de ação e sobre criminosos muito diferentes&#8230; alguns apostam mais nas persegu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/07/inbruges1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-269" src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/07/inbruges1.jpg" alt="" width="495" height="732" /></a></p>
<p>Existem filmes de ação e sobre criminosos muito diferentes... alguns apostam mais nas perseguições, outros em planos de roubo ou assalto arriscados, outros ainda em "dissecar" o que se passa na mente de um ou mais vilões. Realmente há de tudo, para distintos gostos. Mas são poucos os filmes sobre criminosos marcados, essencialmente, pela auto-ironia e por um bocado de cinismo. Comentei antes <a href="http://moviesense.wordpress.com/2007/10/22/shoot%c2%b4em-up-mandando-bala/">aqui</a> no blog sobre o filme <a href="http://www.newline.com/properties/shootemup.html">Shoot 'Em Up</a>, que também vejo como um belo exercício de "tirada de sarro" de filmes do gênero. Mas este <a href="http://www.inbruges.co.uk/">In Bruges</a> é ainda mais satírico, cínico, e o melhor: não apenas com filmes do gênero, mas essencialmente com parte da cultura inglesa. Realmente é um filme engraçado e que tem um ritmo um tanto louco - com altos e baixos nas horas mais inusitadas. Ele não tem muitas cenas de ação - e as que tem, são "à moda antiga", ou seja, perseguições de homem contra homem em ruas com neblina, nada de carros em alta velocidade, lanchas, aviões ou qualquer outro meio de transporte enlouquecido pelos lugares. Na verdade, pensando bem, In Bruges consegue ser, ao mesmo tempo, um filme "à moda antiga" e uma produção inovadora. Ele consegue ter essa dupla personalidade sem ser esquizofrênico - apenas engraçado. Mas um humor inglês, deixe-se bem claro! Sutil, cínico, provavelmente não indicado para todos.</p>
<p>A HISTÓRIA: Ray (<a href="http://www.colinfarrell.org/">Colin Farrell</a>) e Ken (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0322407/">Brendan Gleeson</a>) são enviados para a cidade de <a href="http://www.brugge.be/internet/en/index.htm">Bruges</a>, na Bélgica, por ordem do chefe deles. Ray está muito descontente. Ele quer voltar para Londres o mais rápido possível e não entende o que está fazendo em uma cidade belga pequena. Ken, mais experiente, tenta acalmar o amigo e animá-lo a conhecer Bruges, destacando os seus canais, igrejas antigas e demais edifícios do patrimônio histórico. Ray, inconsolável, só começa a se interessar pela cidade quando vê a um anão... e, seguindo-o, acompanha uma filmagem. Fascinado por anões e por mulheres bonitas - assim como por cerveja -, Ray acaba conhecendo a Chloë (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0993242/">Clémence Poésy</a>), por quem fica encantado. Mas aos poucos vamos descobrindo porque Ray e Ken, dois assassinos de aluguel, foram enviados para Bruges - e as razões não são das melhores.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a In Bruges): Difícil fazer um resumo do filme sem estragar surpresas. Aliás, REALMENTE recomendo que você, caro leitor, pare de ler se ainda não assistiu ao filme, porque daqui por diante vou estragar todas as surpresas - e são elas que dão graça à história. Algo que gostei no roteiro do também diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm1732981/">Martin McDonagh</a> é como ele vai nos contando mais sobre as duas figuras principais da história pouco a pouco. É como se ele nos desse pequenos biscoitos de cachorros como prêmio por cada minuto que vamos gastando com o filme.</p>
<p>Então, inicialmente, não sabemos que Ray e Ken são dois matadores de aluguel. Nem sabemos porque o chefe deles, chamado Harry Waters (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000146/">Ralph Fiennes</a>) lhes envou para lá. Tudo indica, inicialmente, que eles foram para lá para, quem sabe, matar alguém por ali... depois, parece que o chefe está querendo escondê-los por um tempo, depois que Ray matou acidentalmente a um menino durante o trabalho de matar um padre. Só depois é que descobrimos que as razões de Harry são muito diferentes.</p>
<p>Achei muito engraçado todo o "desprezo" de Ray para a cidade. É como se ele dissesse, a cada segundo: "E o que me interessa essa cultura, esses séculos de história? São apenas igrejas, apenas construções antigas e sujas"... heheheheheheeh. Na verdade ele fala essas coisas, não assim literalmente. Enquanto isso, Ken tenta aproveitar o tempo por lá. Que remédio? Mas tudo muda, claro, quando Harry finalmente liga e comunica a Ken a razão deles estarem ali: ele quis que Ray, antes de morrer, conhecesse a sua visão de "paraíso" na Terra, ou seja, que conhecesse a Bruges. E o mais cômico é que Ray, se não fosse por ter conhecido a Chloë, teria odiado a experiência. hehehehehehehehe. Ironia pura! E das boas.</p>
<p>Achei cômica a fixação de Ray com anões. O cara ficava louco toda vez que pensava em um anão e cada vez que via a Jimmy (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0696015/">Jordan Prentice</a>). Sei que fazer piadas com anões e qualquer outra minoria é politicamente incorreto, mas a sequência em que Ray vai "tirar satisfações" com Jimmy no bar, depois de estar louco por ter cheirado cocaína, é algo absurdamente cômico. Falando em absurdo, o filme tem que ser visto com um bocado de percepção de "realidade fantástica", porque tem várias cenas que são exatamente isso - e não apenas a sequência final, mas a maioria das cenas com Jimmy e com Harry, para dar exemplos. Guardada todas as devidas proporções, mas o trabalho do diretor Martin McDonagh me lembrou um pouco a Fellini.</p>
<p>Respeitando ao máximo a "lenda" que gira sobre os ingleses - aliás, a história brinca muito com estereótipos -, o filme exagera nos palavrões e nos personagens bebendo cerveja. E a partir do momento em que Harry aparece em cena, ele exibe muitas armas e um bocado de violência. Como <a href="http://www.focusfeatures.com/easternpromises/">Eastern Promises</a> (que eu comentei <a href="http://moviesense.wordpress.com/2007/10/24/eastern-promises/">aqui</a>), In Bruges também fala de "código de ética" dos bandidos - neste caso, especialmente na sequencia final. Cheio de surpresas pelo caminho, é uma história que sempre vai mudando de rumo e segurando a atenção do espectador.</p>
<p>Só que repito: é um filme com humor muito inglês, ou seja, é um humor um tanto irônico e diferente do que estamos acostumados no dia-a-dia. Nem por isso deixa de ser bacana, pelo contrário. Só talvez não convença ou goste a todos.</p>
<p>NOTA: 8,5.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Segundo informação do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>, a palavra "fuck" e seus derivados são ditos 126 vezes durante o filme. Levando em conta que a produção tem 107 minutos, isso significa que um palavrão é dito mais de uma vez por minuto. heheheheheheheehhe</p>
<p>Colin Farrell e Brendan Gleeson estão geniais em seus papéis. Os dois convencem muito - e não sei como eles não morriam de rir de algumas de suas falas. :)</p>
<p>Nos Estados Unidos o filme teve uma bilheteria um tanto fraca... pouco mais de US$ 7,7 milhões. Na Inglaterra, até o dia 1 de junho, ele tinha conseguido pouco mais de 4,7 milhões de libras esterlinas.</p>
<p>In Bruges foi indicado para três prêmios na <a href="http://www.goldentrailer.com/">Golden Trailer Awards</a>, uma premiação criada para valorizar os melhores trailers feitos pelo mercado. Das três indicações que recebeu, In Bruges ganhou como o Mais Original trailer feito em 2008. Curioso.</p>
<p>Tanto o público quanto os críticos gostaram do filme. Uma prova disto é a nota 8,1 que os usuários do site IMDb deram para a produção, assim como as 99 críticas positivas compiladas pelo <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a>. Os críticos que tem textos publicados no site dedicaram ainda 26 crônicas negativas sobre o filme.</p>
<p>Esse é o primeiro longa do diretor londrino Martin McDonagh. Antes ele tinha filmado apenas a um curta: <a href="http://www.imdb.com/title/tt0425458/">Six Shooter</a>, de 2004. Mas claro, esse curta não foi "apenas" mais um, porque ele ganhou o <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a> e outros quatro prêmios.</p>
<p>Os dois cartazes que vi do filme achei ótimos também. Nada como cuidar de cada detalhe de um projeto e ter uma noção de "identidade" dele em tudo bem feita, não é mesmo?</p>
<p>CONCLUSÃO: Filme de ação com muito humor politicamente incorreto sobre a vida de dois bandidos que são enviados para Bruges, na Bélgica, e que esperam por ordens de um tal de "Harry". Produção inglesa que tira sarro de tudo, especialmente sobre fazer turismo, sobre o "jeito inglês" e muitos outros estereótipos. Indicado para quem gosta do humor inglês e de um filme que aposta um bocado pelo surrealismo.</p>
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<title><![CDATA[Grace is Gone]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=205</link>
<pubDate>Mon, 26 May 2008 20:06:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Este é um bom exemplar de filme para ser bombardeado. Primeiro, porque a história é a típica qu]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.files.wordpress.com/2008/05/graceisgone.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-206" src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/05/graceisgone.jpg" alt="" width="495" height="732" /></a></p>
<p>Este é um bom exemplar de filme para ser bombardeado. Primeiro, porque a história é a típica que cai no gosto de quem gosta de julgar o próximo. Segundo, porque o diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm1475479/">James C. Strouse</a> não tem nenhuma pressa em acelerar o ritmo da narrativa ou de escrever o seu roteiro para agradar o espectador. Resumindo: <a href="http://www.graceisgone-themovie.com/">Grace is Gone</a> é o típico filme que fará muita gente criticar imensamente o personagem Stanley Philipps, vivido de uma maneira interessante e marcante por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000131/">John Cusack</a>, acreditando que tem a resposta certa para o que uma pessoa deveria fazer em uma situação como a dele. O problema é que jogam papéis decisivos aqui a frustração e a incredulidade. Como explicar para as suas duas filhas que você mal consegue criar sozinho quando a sua mulher está fora de que a mãe delas morreu de uma forma estúpida, sem justificativa? E olha que Philipps ainda acredita na instituição do Exército e vê como "justificável" a causa que matou a sua mulher... ou pensava que acreditava até que o pior aconteceu.</p>
<p>A HISTÓRIA: Stanley Philipps (John Cusack) é o chefe de uma equipe de vendedores de uma loja de departamentos típica nos Estados Unidos. Fora o tempo no trabalho, ele passa muito tempo em casa sozinho com as duas filhas, Heidi (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2339231/">Shélan O'Keefe</a>) e Dawn (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2471706/">Gracie Bednarczyk</a>), porque a mulher dele, Grace, serve o Exército e vive sendo chamada para missões fora. Desta vez ela está servindo na Guerra do Iraque. Um dia pela manhã, antes de ir trabalhar e depois que as filhas saem para o colégio, ele recebe a visita de dois oficiais que comunicam a morte de Grace. Sem saber como comunicar isso para as filhas, ele resolve sair com elas para uma aventura especial.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Grace is Gone): Muitas pessoas - talvez a maioria - que vá assistir a esse filme sairá do cinema ou desligará o DVD irritadas. Estarão dizendo uma para as outras: "Mas isso é atitude de um homem adulto, pai de família e que tem duas garotas em casa que são suas dependentes?". Fácil julgar. Sempre foi e sempre será mais tranquilo apontar o dedo para a pessoa próxima e dizer tudo que ela faz de errado. Mas quem pode julgar Stanley Philipps? Ninguém. Nem mesmo alguém que tenha passado pelo mesmo. E eu explico o porquê.</p>
<p>O personagem vivido por John Cusack (em uma das, senão a maior interpretação de sua carreira) vive frustrado. Se sente também culpado por estar em casa enquanto a mulher faz o que ele gostaria, enquanto ela leva a vida de "herói" que ele sempre sonhou. Enquanto ela está longe de casa defendendo o seu país - algo que ele realmente acredita ser o correto -, ele está em casa cuidando de duas meninas com as quais ele não consegue se comunicar direito. Quando começamos a assistir o filme, Philipps parece um estranho em seu próprio lar, em seu próprio corpo. Cada gesto, cada olhar furtivo que Cusack lança em sua interpretação denuncia a falta de conforto de um homem vestindo uma fantasia de pai de família. E se ele queria sair correndo, tudo fica mais impossível quando chega a notícia da morte de Grace.</p>
<p>É dificílimo lidar com a morte de uma pessoa que a gente ama muito. Mas, algumas vezes, por mais paradoxo que isso possa parecer, é mais fácil lidar com a perda quando estamos sozinhos. Porque daí nada e nem ninguém nos impede de nos afundarmos por um tempo, de nos jogarmos dentro de um casulo sem prazo para sair. Mas tudo fica mais "pesado" ou mais "grave" quando existem pessoas hipoteticamente mais frágeis que nós mesmos dependendo de nossa força, de nossa postura. Mas que força? Que postura? Como permanecer com a coluna ereta se perdemos uma parte importante de nós mesmos expresso na forma da pessoa que escolhemos para viver conosco e que é o nosso amor? Difícil, muito difícil. Mas necessário se reerguer.</p>
<p>Neste cenário de perda, de frustração e de dificuldade em se comunicar é que Philipps decide sair de casa, do seu "lugar seguro", para aventurar-se. Quem sabe no caminho ele não encontra a forma de contar para as filhas que a mãe que elas sentem falta todos os dias nunca mais irá voltar? E ele vai dirigindo, perguntando o que Heidi e Dawn querem fazer sempre, enquanto pensa no que vai fazer. (SPOILER - não leia o trecho a seguir se realmente não assistiu ao filme). Para mim um dos momentos mais duros do filme é a última ligação que ele faz para a casa deles. Na primeira, quando ele liga para ouvir a voz de Grace na secretária eletrônica e deixa uma mensagem como se ela fosse voltar para casa, achei besta, pensei que ele estivesse negando a realidade. Talvez sim. Mas depois, quando ele liga para ouvir a voz de Grace na secretária eletrônica e também para pedir ajuda, perguntando como ele deveria falar o que deveria falar para as filhas, foi de matar. Cada um realmente sabe a dor que sente e encontra, por autopreservação mesmo, a melhor forma de enfrentar a sua dor.</p>
<p>Agora sobre o filme propriamente dito. Gostei do ritmo natural da história, que não tem pressa alguma em chegar a respostas. James C. Strouse escreveu o roteiro e também dirige o filme. Para mim, fez um bom trabalho. John Cusack, como eu disse antes, está incrível. Não é fácil interpretar um sujeito que carrega tanto peso sobre os ombros e que, por incrível que pareça, talvez seja mais comum do que gostaríamos. As meninas que interpretam as filhas de Stanley e Grace são ótimas, especialmente Shélan O'Keefe. Gostei bastante da direção de fotografia de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0093610/">Jean-Louis Bompoint</a> e da trilha sonora de - quem diria! - <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000142/">Clint Eastwood</a>.</p>
<p>Falando em "quem diria!", <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000673/">Marisa Tomei</a> faz uma ponta quase imperceptível como a "mulher da piscina" do hotel em que eles ficam hospedados uma noite - e em que Heidi conhece um garoto com o qual tenta "flertar" e começar a fumar.</p>
<p>NOTA: 8.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Algo interessante do filme é que nunca vemos a Grace que dá título ao filme, mas ela está sempre presente, como uma "entidade". Acho que a trilha sonora de Eastwood ajuda bastante neste efeito.</p>
<p>Falando em "efeito", achei curioso também como o filme acaba sendo uma crítica interessante a ignorância da Guerra do Iraque, ainda que isto não seja muito óbvio na história. Sabemos que Grace foi para o Iraque por uma "fração" de tempo em que Heidi está assistindo TV em casa. Depois, a crítica aparece em uma conversa "casual" entre Heidi, seu tio John (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0005273/">Alessandro Nivola</a>) e o próprio pai. No fim das contas, assistimos em tela uma história que poderia ser real e que, provavelmente, está ocorrendo de maneiras "levemente" distintas em muitas casas dos Estados Unidos agora mesmo. Pessoas perdendo amores de suas vidas, filhas ficando órfãs por uma guerra inútil e corrompida. Mesmo sendo um "drama humano", Grace is Gone é carregado desta crítica das mortes estúpidas e anti-naturais.</p>
<p>Até agora o filme foi indicado a 10 prêmios - levando para casa quatro deles. Entre os mais importantes, destaque para os prêmios de no <a href="http://www.sundance.org/Festival/">Festival de Sundance</a> - para o roteiro de Strouse e como prêmio da audiência para filme dramático. No <a href="http://www.goldenglobes.org/">Globo de Ouro</a> o filme concorreu em duas categorias de música - trilha sonora e música - mas não levou nenhum prêmio para casa.</p>
<p>O interessante é que Grace is Gone teve um baixíssimo orçamento: teria custado US$ 2 milhões. Independente, sendo exibido em pouquíssimas salas nos Estados Unidos, ele até agora conseguiu uma bilheteria "ridícula" para os padrões de Hollywood: pouco mais de US$ 50 mil. Isso mesmo, "mil" e não "milhões"... hehehehehehehehe</p>
<p>Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> deram a nota 6,8 para o filme, enquanto o site <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> publica 35 críticas positivas e 25 negativas para o filme.</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme com clara vocação para ser "amado ou odiado", pode tanto fazer as pessoas chorarem quanto fazê-las querer bater no personagem principal - ou querer acelerar o filme até a parte inevitável. Ainda assim, achei um filme interessante por mostrar outra "ótica" na questão de perdas pela Guerra do Iraque. E, mais que isso, por tratar de forma natural o quão desajustada uma pessoa pode estar e/ou ficar com uma notícia incomunicável. Recomendado para quem consegue ver filmes sem muita ação e que gostam de observar diferentes tipos de pessoas em situações de ruptura em suas vidas.</p>
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<title><![CDATA[War/Dance]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=201</link>
<pubDate>Sat, 24 May 2008 09:46:05 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Impressionante o ponto em que pode chegar a maldade humana. Devo dizer que fiquei mal com esse film]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.files.wordpress.com/2008/05/wardance.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-202" src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/05/wardance.jpg" alt="" width="494" height="730" /></a></p>
<p>Impressionante o ponto em que pode chegar a maldade humana. Devo dizer que fiquei mal com esse filme. E claro que o mal que eu fiquei tem a ver com as minhas crenças e minhas necessidades e não, necessariamente, pelo que o filme realmente é. Dito isso, comento que eu estava atrás deste <a href="http://www.wardancethemovie.com/">War/Dance</a> há alguns meses, mas nunca conseguia assistí-lo. Por fim consegui. E me fez um estrago importante, ainda que necessário. É um filme duro, muito duro. E belo, belíssimo. Incrível como a crueldade e a beleza podem dividir um mesmo espaço e, mais, compartilhar das mesmas vidas. Mas talvez aí, justamente neste ponto, esteja o mais incrível do filme: nos mostrar como a pior das maldades, que a vida mais vilipendiada do mundo, pode também renascer e sonhar. A esperança das pessoas reais que aparecem neste documentário é algo impossível de medir. E contagiante. Ainda que fique um gosto amargo na boca, a sensação de que algo importante pode ser feito de maneira muito simples acaba sendo maior.</p>
<p>A HISTÓRIA: O documentário dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0277658/">Sean Fine</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm2107225/">Andrea Nix</a> conta a história da Escola Primária de Patongo, localizada no Campo de Refugiados da Zona de Guerra de Patongo, no Norte de Uganda. Pela primeira vez na história do Concurso Nacional de Música a tribo Acholi participa com uma escola na competição. Naquele ano, 20 mil escolas de todo o país competiram por uma vaga no concurso, e a Escola Primária de Patongo conseguiu ser selecionada. O filme mostra os preparativos para o concurso de música, dança e tradições ao mesmo tempo em que ressalta a história de Rose, Dominic e Nancy, pré-adolescentes marcados pela situação de conflito permanente na região - eles tiveram alguns de seus pais ou parentes mortos pelos guerrilheiros, além de contarem com outras marcas de abuso, violência, medo e de privação da liberdade.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a War/Dance): O filme inteiro é marcado por umas imagens muito boas, tecnicamente falando, e fortes em sua expressão. Ainda assim, depois de algumas imagens muito boas iniciais, War/Dance começa a ouvir o depoimento de Rose, Dominic e Nancy sobre as suas vidas e o que lhes aconteceu. Inicialmente me incomodou um pouco o estilo "falar direto para a câmera". Achei que os depoimentos ficaram, assim, muito "forçados" ou mecânicos. Me incomodou porque sempre há outras maneiras de se ouvir um depoimento sem que pareçam tão "forçados", mas depois as histórias dos pré-adolescentes vão se desenvolvendo e vê-los cantando e dançando, principalmente, é algo mágico e que quebra qualquer idéia anterior de artificialidade.</p>
<p>War/Dance é realmente impressionante. Primeiro porque conta uma história que muitos poderiam considerar "banal", ou seja, conta a história da participação de uma pequena e esquecida escola primária nos "cafundós" de Uganda em um concurso de música, danças e tradições. Essa seria a típica história que ninguém nunca conheceria ou ouviria falar se não fosse pelo filme. Típica história também ignorada por jornalistas e governos mundo afora. Mas é justamente uma história simples como esta que comove porque mostra uma parte da realidade pela ótica das pessoas que vivem ali - e que sempre são estereotipadas - e, mais que isso, mostra a superação destas pessoas por um sonho. Lindo, realmente lindo.</p>
<p>Como comentei antes, fiquei admirada de como a crueldade pode andar tão de braços dados com a resistência, como o medo pode estar tão ligado a esperança e a superação, de como a miséria pode ser apenas o pano de fundo de vidas que sonham e que lutam mais com a suas consciências do que com a sua fome. No filme existem um ou dois takes de crianças vivendo a miséria extrema, como um garotinho que fica catando grãos de arroz depois que a população refugiada reparte os sacos de donativos, mas não é este o foco da história. O filme de Sean Fine e Andrea Nix quer mesmo descobrir o que pensam aqueles jovens, o que eles sentem por estar ali, sendo ameaçados constantemente pela violência, pelas guerrilhas e pela perda de pessoas que amam. O que pensam e sentem jovens que não podem usufruir de sua liberdade plena e que só tem a memória e os sonhos como aliados.</p>
<p>War/Dance não mostra cenas de violência, mas tem uma narrativa do terror tão impressionante que torna esta história algo muito forte. E dói ainda mais ouvir estas histórias das bocas dos jovens que a viveram literalmente na pele. Dói, mas é fundamental ouvir. Assim como é fundamental ver a beleza que a música e a dança trazem para estas vidas, iluminando os olhos desta garotada acostumada a ver absurdos; enchendo de esperança e de encanto os corações e mentes algumas vezes cansados da lida diária de trabalho ou de luta contra os seus "fantasmas". Lindo, realmente. Nesta parte o filme é muito poético, com imagens realmente incríveis.</p>
<p>E claro, quando a história vai chegando cada vez mais perto da competição, o espectador não foge da "armadilha" de ficar torcendo pela escola de Patongo. Digo que é uma armadilha porque, afinal, você está torcendo por algo que já aconteceu, que é passado, para algo que sua torcida não fará mais nenhuma diferença. Ao mesmo tempo, senti medo por eles... afinal, toda aquela vontade de ganhar, se fosse frustrada, seria realmente terrível. Especialmente para aquelas crianças e jovens.</p>
<p>Gostei muito também da idéia de resgate e preservação das tradições que o filme passa com a história daquelas pessoas. Afinal, como dizem em um certo momento, a música e suas tradições são valores que nem a guerra pode tirar deles. A verdade é que uma pessoa se conhece muito melhor quando descobre de onde veio, que elementos, costumes e signos de suas "linhagens" lhe acompanham até hoje - direta ou indiretamente.</p>
<p>Recomendo o filme muitíssimo, mas para pessoas não muito sensíveis. Como eu disse, ele não tem cenas de violência, mas tem uma narrativa dura sobre os abusos que foram feitos contra aquelas pessoas, sobre o extremo da maldade humana. Também tem cenas belíssimas e uma idéia muito forte de quebra de estigmas, de quebra de pré-conceitos e de esperança. Para quem pode suportar algumas verdades muito duras e que está preparado para querer "sair correndo para alguma parte" para fazer um gesto pequeno que signifique algo, eu recomendo.</p>
<p>NOTA: 10.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: War/Dance foi indicado ao <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a> 2008 - mas perdeu a estatueta para <a href="http://www.imdb.com/title/tt0854678/">Taxi to the Dark Side</a>, um filme que ainda não tive o prazer de assistir. Além do Oscar, ele foi indicado a muitos outros prêmios - ganhando 15 deles até agora, com destaque para os prêmios dados pelo público nos festivais de Aspen, Wisconsin e Woodstock. Sean Fine e Andrea Fix ganharam ainda o prêmio como melhores diretores no Festival de Sundance.</p>
<p>Antes não tratei de um dos pontos fortes do filme: além de contar histórias de perdas, War/Dance toca no tema do ultrajante sequestro de crianças pelas tropas rebeldes. Elas são levadas para as selvas e treinados para matar - algo que vai mudar as suas vidas para sempre. Forçadas pelos rebeldes, elas algumas vezes tem que matar pessoas que conhecem. Algo inconcebível, aterrador. Nesta parte, a hora em que Dominic pergunta sobre seu irmão desaparecido e, mais, pergunta a razão dos rebeldes sequestrarem crianças como ele mesmo "sabendo que isto é errado", é de romper qualquer coração. Tudo se resume a luta por poder, sempre. Realmente um belíssimo trabalho dos diretores.</p>
<p>Segundo as notas dos produtores no site do filme - ótimo, diga-se - o campo de refugiados em que a história é contada abriga 60 mil pessoas. Eles não tem eletricidade e nem água corrente, além de estarem permanentemente inseguros sobre possíveis ataques - ainda que tenham a "segurança" permanente do exército. Para se ter uma idéia desta insegurança, um ano antes do filme ser feito, 29 crianças foram sequestradas, retiradas a força do colégio local, pelos rebeldes.</p>
<p>Uma das coisas bacanas do site é que ele tenta atualizar as pessoas da vida de Rose, Dominic e Nancy. No filme, Rose tem 13 anos e conta a sua história após ter perdido os pais assassinados. Dominic, 14 anos, escapou do território dos rebeldes depois de ter sido sequestrado por eles, separado de sua família e de ter sido obrigado a servir para os rebeldes com armas nas mãos. Nancy, 14 anos, perdeu o pai, morto pelos rebeldes, e agora cuida dos irmãos enquanto a mãe viaja para trabalhar e ajudar outras pessoas. No site os produtores publicam mais informações de cada um.</p>
<p>Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> conferiram a nota 7,7 para o filme, enquanto que o <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> publica 37 críticas positivas e seis negativas. Ele não é uma unanimidade... ainda assim, achei a nota no IMDb muito baixa.</p>
<p>Sean Fine vêm de uma carreira basada essencialmente em produções para a televisão - tendo no currículo trabalhos como diretor de fotografia para a <a href="http://www.nationalgeographic.com/ultimateexplorer/">National Geographic</a> e para a série <a href="http://www.imdb.com/title/tt0330958/">Taboo</a>, da qual é também produtor e roteirista. Andrea Nix trabalhou com ele na série Taboo, além de ter experiência em documentários como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0959417/">Reptile Wild</a>. Resumindo: os dois tem experiência como documentaristas e vêm de uma grande parceria com a National Geographic - o que explica, talvez, um pouco da preocupação em "depoimentos para a câmera".</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme forte e belo, que toca em temas como o sequestro de crianças para engrossar o número de guerreiros em tropas rebeldes, a falta de liberdade e os problemas de um campo de refugiados, a violência e o medo em uma zona de conflito e, ao mesmo tempo, aborda com um trabalho de direção muito bom a esperança que a música, a dança e os resgates de tradições trazem para crianças e jovens expostos às condições acima comentadas. No fundo, é um belo filme sobre a luta contra a brutalidade, sobre atos simples que podem trazer esperança e brilho nos olhos para pessoas esquecidas pela dita "humanidade". Recomendo, especialmente para quem pode suportar narrativas de violência - mas sem cenas do mesmo - fortes. Um belíssimo filme, realmente.</p>
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<title><![CDATA[The Savages - A Família Savage]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=199</link>
<pubDate>Sun, 11 May 2008 20:47:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
As pessoas sofrem e tem problemas, mas muitas vezes não se dão conta disso. Até que algo realmen]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.files.wordpress.com/2008/05/thesavages1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-200" src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/05/thesavages1.jpg" alt="" width="495" height="844" /></a></p>
<p>As pessoas sofrem e tem problemas, mas muitas vezes não se dão conta disso. Até que algo realmente forte acontece em suas vidas para dar uma "chacoalhada" geral no que parecia até então ser um quadro estável e controlado. <a href="http://www.foxsearchlight.com/thesavages/">The Savages</a> é um filme que eu tinha curiosidade de ver há algum tempo porque ele foi aparecendo, aqui e ali, como indicado a vários prêmios. Nunca como melhor filme, mas sempre em categorias de roteiro e de interpretações de seus atores principais. E realmente o trio principal de atores, em especial <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001473/">Laura Linney</a> - para mim na melhor interpretação de sua carreira - e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000450/">Philip Seymour Hoffman</a>, estão desconcertantes. Um filme sobre família, sentimentos mal resolvidos e a confrontação de um estado na velhice que infelizmente pode acometer a qualquer pessoa - inclusive aquelas que mais amamos.</p>
<p>A HISTÓRIA: Wendy (Laura Linney) e Jon Savage (Philip Seymour Hoffman) são dois irmãos que vivem distantes e que não mantêm praticamente contato algum um com o outro. Wendy é uma escritora freelancer que tem como verdadeira vocação escrever peças de teatro, mas nunca conseguiu montar nenhum de seus textos ou alguma ajuda para financiá-los. Uma noite ela recebe um recado de que seu pai, Lenny (o incrível <a href="http://www.imdb.com/name/nm0097842/">Philip Bosco</a>) está apresentando os primeiros sinais de demência. Ela então liga para Jon, seu irmão que trabalha como professor universitário e que está envolvido em um novo ensaio sobre o trabalho de Bertold Brecht, para que os dois possam tomar uma atitude juntos. Ele não considera a situação ainda preocupante. Até que a mulher com quem Lenny morava morre, e os irmãos Wendy e Jon tem que assumir a responsabilidade de cuidar do pai que começa a apresentar o Mal de Parkinson.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a The Savages): Lidar com a fragilidade humana não é algo fácil. Verdade que todos sabemos que um dia vamos morrer, mas assistir ao deterioro de nossas capacidades é algo duro, triste. Quando acontece conosco, talvez não seja tão complicado, porque aprendemos a lidar com a dor e com os demais problemas que surgem na vida como mecanismo de sobrevivência mesmo. Mas tudo piora quando isso ocorre com alguém que amamos, especialmente se tratando de pai ou mãe.</p>
<p>O interessante deste filme, contudo, é que ele não suaviza em aspecto algum. Afinal, ele não tenta contar uma "historinha da carrochinha" ao enfeitar o que acontece com a família dos Savage. Não. A diretora e roteirista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0420982/">Tamara Jenkins</a> deixa claro, desde o início, que aquelas três pessoas envolvidas com o mesmo sobrenome não tem, na verdade, muita intimidade. Elas carregam o mesmo sangue e um laço familiar impossível de negar, mas também levam muita incompreensão, abandono e desconhecimento de uns com os outros. Ainda assim, a doença do pai de Wendy e Jon acaba aproximando-os de uma maneira tocante e forte - a ponto de confrontar os irmãos com a vida que estão levando e de fazer com que eles reajam a tudo que lhes deixa infelizes. A verdade é que perdas importantes ou a exposição um tanto prolongada a fragilidade humana faz qualquer pessoa pensar sobre as decisões que anda tomando e sobre o rumo que vem dando para a sua vida.</p>
<p>O roteiro tem algumas linhas realmente preciosas. Ele não alivia, como eu disse antes, mas não chega a ser cruel. Na verdade, é mais realista do que muita gente gostaria de admitir. Uma das primeiras grandes falas do filme é quando Jon diz a sua irmã que a conversa que eles estão tendo de sua vida pessoal não é "uma terapia, mas é a vida real". Demais! Sempre me pareceu hipócrita os familiares que crêem que sabem muito da sua vida e que podem dar opinião sobre você, sendo que na verdade eles nem lhe conhece  ou sabe de verdade o que você pensa ou sente. Claro que Jon está tendo uma postura de auto-defesa e quer afastar a irmã que pode colocar o dedo justamente em sua ferida - a partida de Kasia (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0786806/">Cara Seymour</a>), sua namorada de alguns anos, de volta para a Polônia. Sempre fui da opinião que é importante, algumas vezes, alguém fazer esse papel, mas que normalmente as pessoas que tentam fazer isso não passam muitas vezes de serem apenas franco-atiradores, sem conhecimento de causa. Não é o caso de Wendy, claro - mas isso ela mesma precisa descobrir sozinha depois.</p>
<p>Além de uma grande e contundente radiografia das relações entre pessoas de uma mesma família, uns "estranhos" que compartilharam de uma mesma realidade por algum tempo; assim como de uma reflexão sobre a fragilidade humana, The Savages trata da redenção que todos nós somos capazes de fazer com o nosso passado e com tudo aquilo que nos ajudou a formar e que nos faz mal. Sempre me interessei muito pelo tema de "o que faz você ser o que você é", ou seja, o quanto de você depende da sua criação familiar, de seu entorno de amigos, de sua educação, de seu "meio" (país e cultura onde nasceu), de seus hábitos, do que aconteceu com você na vida e de como você reagiu a isso - seu próprio aprendizado. E quanto mais eu penso a respeito, mais eu tenho certeza que muito depende do que ocorreu na fase da sua criação familiar, de como seus pais lhe trataram e educaram.</p>
<p>Neste ponto The Savages também entra fundo nas "marcas" que uma pessoa pode levar para a vida toda daquela fase "familiar". E o filme mostra, de uma maneira bem interessante, de como muitas pessoas não se dão conta de que muitos de seus problemas vêem de muito longe, quase do "berço"... na verdade, acredito que tem pessoas que vão morrer sem descobrir isso. Mas o importante é que nossos personagens conseguem a sua redenção e conseguem, a sua maneira, sobreviver aos cortes e feridas ainda não bem cicatrizadas e saem para fora para respirar o ar puro das novas oportunidades. A vida sempre é feita de escolhas, e sempre há o caminho de quem quer dar certo e daquele que vai passar o resto dos seus dias reclamando.</p>
<p>NOTA: 9.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como comentei antes, Laura Linney, para mim, apresenta aqui a grande interpretação da sua carreira. Ela realmente mereceu ser indicada para o <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a> como atriz coadjuvante - e, na verdade, acho que ela deveria ter ganho no lugar de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0842770/">Tilda Swinton</a>. Philip Seymour Hoffman está mais uma vez ótimo - aliás, esse ator é increvelmente regular em seus papéis, nunca o vejo "mal" em algum filme. Aos 77 anos de idade, Philip Bosco tem uma interpretação muito sensível e impressionantemente equilibrada como o patriarca dos Savage. Além deles, vale citar o trabalho de <a href="http://www.reelaccess.com/talent/peterfriedman/">Peter Friedman</a> como Larry, o vizinho casado de Wendy que mantêm um caso com ela; e <a href="http://www.imdb.com/name/nm1782153/">Gbenga Akinnagbe</a> como Jimmy, um dos enfermeiros que passa a cuidar de Lenny no asilo em que ele acaba ficando depois da morte da sua namorada.</p>
<p>Antes de The Savages, a diretora Tamara Jenkins havia dirigido três curtas-metragens e um longa, este último chamado <a href="http://www.imdb.com/title/tt0120831/">Slums of Beverly Hills</a>, de 1998, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005169/">Natasha Lyonne</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000273/">Alan Arkin</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000673/">Marisa Tomei</a>.</p>
<p>Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> conferiram a nota 7,6 para o filme. Achei baixa. Os críticos gostaram mais do filme: o <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> registra 129 críticas positivas e apenas 14 negativas para a produção.</p>
<p>The Savages realmente foi filmado nas cidades em que a história é contada, ou seja, Nova York, Buffalo (ambas no Estado de Nova York), Sun City e Phoenix (ambas no Arizona).</p>
<p>O filme foi indicado a um total de 20 prêmios, incluindo as indicações ao Oscar por roteiro e atriz coadjuvante, e ganhou seis deles, com destaque para o prêmio de melhor roteiro conferido pelo Círculo de Críticos de Cinema de San Francisco, pela Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles e do prêmio da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos; além de prêmios para o ator Philip Seymour Hoffman conferidos pela Associação de Críticos de Cinema de Ohio Central e no Independent Spirit Award.</p>
<p>Considerado de produção independente, The Savages conseguiu uma bilheteria modesta nos Estados Unidos: até o dia 27 de abril ele tinha arrecadado pouco mais de US$ 6,6 milhões.</p>
<p>Na parte técnica, merece destaque o trabalho do diretor de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0403258/">W. Mott Hupfel III</a> e do compositor <a href="http://stephentrask.com/">Stephen Trask</a> pela trilha sonora do filme - só fui descobrir depois que ele também assina a trilha de Feast of Love, outro trabalho interessante dele e um filme bem gostoso.</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme sem papas-na-língua sobre a realidade de uma família que se separou com os filhos ganharam a sua independência e que volta a se reencontrar quando o patriarca fica doente. Com um roteiro cuidadosamente escrito e uma direção competente, o filme dá todo o espaço para que seus atores se sobressaiam em diálogos realistas e provocadores. Uma bela história sobre a fragilidade humana e o poder das pessoas em fazerem mal umas as outras e, ao mesmo tempo, em conseguirem a cura e a redenção própria no difícil desafio de viver.</p>
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<title><![CDATA[Enchanted - Encantada]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=197</link>
<pubDate>Sun, 04 May 2008 15:15:51 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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Realmente eu não tinha interesse em assistir a esse filme. Nada nele me atraia - até porque a ún]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.files.wordpress.com/2008/05/enchanted2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-198" src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/05/enchanted2.jpg" alt="" width="495" height="733" /></a></p>
<p>Realmente eu não tinha interesse em assistir a esse filme. Nada nele me atraia - até porque a única "razão" justificável para assistí-lo, ver ao ator <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001131/">Patrick Dempsey</a> em cena, não era suficientemente forte. Explico: para ver esse bonitão atuando, vale mais a pena assistir a <a href="http://abc.go.com/primetime/greysanatomy/index?pn=index">Grey's Anatomy</a> (ainda que a série não seja uma "Brastemp" mas, pelo menos, trata de dramas humanos e não de uma fantasia cor-de-rosa). Bem, mas acabei assistindo a Enchanted por "encomenda", a pedido do editor de um site para o qual estou escrevendo alguns textos. Não digo que meu tempo foi totalmente jogado fora, mas este filme definitivamente é muito "<a href="http://disney.go.com/disneypictures/index.html">Disney</a>" para o meu gosto. Digo isso porque ele é carregado demais de uma "fantasia" já vencida, na minha opinião. Exceto para as crianças, claro. Para os "pequenos" ele deve ser interessante. Mas, diferente do anteriormente comentado <a href="http://www.penelopethemovie.com/">Penelope</a> - que eu tinha interesse de assistir porque gosto da <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000207/">Christina Ricci</a> e tinha curiosidade de ver a <a href="http://www.imdb.com/name/nm0564215/">James McAvoy</a> em outro papel que não fosse em <a href="http://www.filminfocus.com/focus-movies/atonement/movie-splash.php">Atonement</a> -, que trata também de transportar uma história de conto-de-fadas para a "vida real", esse <a href="http://disney.go.com/disneyvideos/liveaction/enchanted/">Enchanted</a> me pareceu muito óbvio, um tanto arrastado e um bocado chato - pelo menos para os adultos. Espero ver um filme melhor em breve... quem sabe algo mais denso para compensar tanto açúcar - hehehehehehehehe.</p>
<p>A HISTÓRIA: Em um bosque encantado cheio de animais falantes, uma linda garota espera por seu príncipe encantado, que lhe dará um beijo de "amor eterno". O filme começa como os antigos desenhos da Disney, até que a rainha e mãe do príncipe resolve se livrar da garota que irá se casar com ele. A rainha joga a garota em um poço encantado e ela surge em um bueiro em Nova York. Perdida na cidade, Giselle (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0010736/">Amy Adams</a>) é encontrada pelo advogado Robert Philip (Patrick Dempsey) e sua filha Morgan (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1684762/">Rachel Covey</a>). Mas o príncipe Edward (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0005188/">James Marsden</a>) logo aparece no encalço de sua amada, trazendo para o mundo real vários outros personagens do conto-de-fadas.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta trechos importantes da história, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Enchanted): Como eu dizia lá no princípio, o filme é por demais "Disney" antiga. Desde <a href="http://video.movies.go.com/products/2439803.html">Roger Rabbit</a> - que está completando 20 anos - a mistura de desenho animado com atores reais não é mais novidade - e evoluiu bastante, desde então. Ainda assim, em Enchanted a escolha do diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm0510674/">Kevin Lima</a>, um amante do mundo Disney, segue pelo caminho do tradicionalismo. Tanto que as inserções animadas no mundo real são bem limitadas e resgatam uma forma de "traços de desenhos" antiga da Disney - resgatando a animação 2D. Para crianças deve funcionar.</p>
<p>Como comentei lá no início também, o filme é muito, mas muito óbvio. Todos nós sabemos, logo que a atriz Amy Adams aparece no mundo real, o que irá acontecer entre ela e Patrick Dempsey. A partir daí e até o final não há surpresa alguma. E magia? Me desculpem os extremamente românticos, mas até a "sintonia" entre os dois não me convenceu. Dempsey faz as mesmas caras, bocas e esbanja aquele sorriso que faz muita gente suspirar por aí do seu personagem Dr. Derek Shepherd de Grey's Anatomy. Igualzinho, sem colocar ou tirar nada. A única diferença é que em Enchanted ele é um pai que foi "deixado" por sua mulher e que cuida sozinho de uma menininha encantadora. Nada mais. Mas não senti com ele e a atriz principal do filme a sintonia ou o carismo que vi, por exemplo, entre Christina Ricci e James McAvoy no recentemente comentado Penelope.</p>
<p>Também tenho que admitir que me irritou um pouco o estilo "quase" musical do filme. Toda a parte da cantoria no parque, por exemplo, achei por demais brega. Ok, foi tudo muito bem filmado e coreografado. Lembrou algumas sequências de musicais urbanos feitos por Hollywood. Mas, de verdade? Dispensável. Assim como todo aquele final... depois do tão "esperado" e previsível beijo para salvar a Giselle, toda a transformação e "loucura" da Rainha Narissa (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0000215/">Susan Sarandon</a>, coitada!), era totalmente passível de ser cortada, convenhamos. Não leva a lugar algum e não refresca em nada a história. Mas enfim...</p>
<p>Além dos atores já citados, vale citar a participação de <a href="http://www.idinamenzel.com/">Idina Menzel</a> como a namorada de Robert, Nancy Tremaine; e de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001758/">Timothy Spall</a> como Nathaniel, o braço direito da Rainha má que, sem nenhuma lógica, vira a casaca no final. E não me venham dizer que ele foi influenciado pela televisão, porque nem isso me convence. hehehheheheheheheehehe. E duas curiosidades: a veterana atriz Julie Andrews participa do filme como narradora da história; enquanto o diretor Kevin Lima dá a voz ao esquilo Pip em sua passagem "muda" (melhor dizendo, falando através de grunhidos) em Nova York. E a filha dele, <a href="http://www.imdb.com/name/nm2124501/">Emma Rose Lima</a>, dá a voz para três personagens: o pássaro azul, o falcão e a Rapunzel.</p>
<p>Semi-musical, o filme foi indicado a três Oscar pelas canções Happy Working Song, So Close e That's How You Know. Perdeu, na decisão, para Falling Slowly, uma linda composição de <a href="http://www.theframes.ie/">Glen Hansard</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm2461627/">Makéta Irglová </a>para o filme <a href="http://www.foxsearchlight.com/once/">Once</a>.</p>
<p>NOTA: 5.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Antes que alguém envie vírus para o meu computador como represália indignada, quero ressaltar que a nota acima leva em conta que eu já passei dos 10 anos de idade. O filme ganharia uma nota melhor, talvez um 8, se eu fosse indicá-lo para as crianças. Afinal, tem toda uma parte de "acreditar nos seus sonhos e no amor" e de ver a fantasia como algo tão paupável como um sorvete que se compra no parque que pode ser valorizada. Mas como escrevo, inicialmente, para adultos, acho que o filme realmente é previsível e arrastado demais. Por isso a nota 5.</p>
<p>O filme, que custou impressionantes US$ 85 milhões, se deu muito bem na bilheteria. Apenas nos Estados Unidos ele arrecadou pouco mais de US$ 127,7, milhões. A Disney mostra que ainda está podendo. E com um filme no estilo tradicional, deixando para trás as "inovações" narrativas e de estilo de várias histórias inspiradas em seus desenhos. Eu diria que é quase uma revanche que deu certo. Vamos ver agora se eles vão continuar com seu resgate do "velho jeito de fazer" animações e filmes...</p>
<p>No site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> o filme registra a nota 7,7 conferida por seus usuários, enquanto no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes </a>Enchanted acumula impressionantes 133 críticas positivas e apenas nove negativas.</p>
<p>O filme foi indicado a outros 14 prêmios, além dos três Oscar já citados para canções, e saiu vencedor em duas premiações: como Melhor Filme para a Família dado pela crítica na premiação da Broadcast Film Critics Association (que reúne desde 1995 um total de 192 críticos de televisão, rádio e meios online do Canadá e dos Estados Unidos), e como Melhor Filme de Ação para a Família no prêmio da Sociedade de Críticos de Cinema de Phoenix. Nenhum dos dois prêmios é expressivo, mas pelo menos o filme ganhou algo...</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme à moda antiga da Disney, que resgata tanto sequencias de animação em duas dimensões - na parte inicial - quanto um roteiro tradicional sobre a busca do amor verdadeiro. Deve agradar às crianças, mas adultos um pouco exigentes devem sentir que falta algo na história. E realmente falta, praticamente tudo - desde um roteiro que não seja extremamente óbvio até atores com melhor sintonia.</p>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[Slipstream - Um Sonho Dentro de Um Sonho]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=179</link>
<pubDate>Sat, 29 Mar 2008 16:41:04 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[ 
Acho interessante quando um ator conhecido resolve arriscar-se na direção. Existem por aí inúm]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/slipstream2.jpg" title="slipstream2.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/slipstream2.jpg" alt="slipstream2.jpg" height="732" width="502" /></a></p>
<p>Acho interessante quando um ator conhecido resolve arriscar-se na direção. Existem por aí inúmeros bons exemplos de atores que se tornaram interessantes diretores, desde <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000142/">Clint Eastwood</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000602/">Robert Redford</a> até <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000243/">Denzel Washington</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000576/">Sean Penn</a>. A lista é grande, na verdade. Mas existem também tentativas de atores assumirem a direção de um filme que, digamos, não dá muito certo. Fiquei curiosa para ver o que <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000164/">Anthony Hopkins</a> queria nos contar na direção e com o roteiro deste <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000164/">Slipstream</a>. Em sua carreira, é o terceiro filme que dirige - fez 11 anos antes <a href="http://www.imdb.com/title/tt0115591/">August</a> (1996) e, em 1990, filmou <a href="http://www.imdb.com/title/tt0099476/">Dylan Thomas: Return Journey</a>. Nenhum dos filmes anteriores ficou conhecido. E algo me diz que este Slipstream vai seguir o caminho dos anteriores. Gostei da "ousadia" de Hopkins em fazer este filme nonsense e/ou surrealista, mas para mim foi inevitável ficar lembrando, quase durante os 96 minutos do filme, dos trabalhos de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005069/">Spike Jonze</a>, para dar um exemplo mais recente de um cineasta com a digital de fazer "filmes malucos" ou cheios de uma mistura entre realidade e sonho. O problema é que diretores como Spike Jonze acabam se mostrando realmente melhores e mais criativos do que figuras como Anthony Hopkins. Realmente o ator inglês que completou 70 anos em 2007 parece ser melhor interpretando do que dirigindo.</p>
<p>A HISTÓRIA: Cenas cortadas rapidamente e logo assistimos a Bette Lustig (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001217/">Fionnula Flanagan</a>) falando ao telefone. Ela comenta sobre algo trágico que aconteceu com seu amigo, Felix Bonhoeffer (Anthony Hopkins), e sobre a viagem que fará na manhã seguinte para Las Vegas com Gina (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1470260/">Stella Arroyave</a>). Em seguida, imersos em uma cena que aparece na TV, passamos para a vida de Felix - ou o que parece ser sua vida. Aos poucos, contudo, a história vai se confundindo cada vez mais entre a realidade, o sonho e as memórias do roteirista Felix Bonhoeffer.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - Aviso aos navegantes que boa parte do texto a seguir conta trechos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Slipstream): Claro que o filme de Hopkins tem uma narrativa própria. E que até se demonstra interessante. Não dá, exatamente, para comparar com Spike Jonze, ainda que eu tenha lembrado muito do diretor e seu <a href="http://www.imdb.com/title/tt0120601/">Being John Malkovich</a> por toda a premissa de "entrar na cabeça de alguém criativo" e pela mescla entre realidade-sonho-e-imaginação. Mas as coincidências terminam aí. Porque o filme de Hopkins é bem mais fragmentado, com cenas "acidentais" bem planejadas e imersas no meio da realidade/sonho, lembranças de discursos de Nixon, de guerras, de parte da história que marcou os Estados Unidos e o mundo nas últimas décadas. Ok, essas imersões de cenas são interessantes. Pena que o resto da história seja um tanto "fraca".</p>
<p>O filme, na verdade, funciona bem até pouco depois de 30 minutos. Mais precisamente, até toda a sequência da lanchonete na beira-da-estrada protagonizada por Ray (<a href="http://www.christianslater.com/">Christian Slater</a>, ótimo no seu papel) e por Geekman (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001787/">Jeffrey Tambor</a>). Depois que Ray tem um colapso e entra em cena toda a produção do "filme dentro do filme", a história fica meio chata. Especialmente porque acaba sendo uma crítica aos bastidores do cinema - com todo o jogo de egos entre produtores, diretores, atores e demais pessoas da produção - mais do que um filme sobre a crise de identidade de um artista (no caso o roteirista) ou a dualidade entre realidade e sonho. Acho que acaba ficando meio chato e até meio "pueril" todo o debate sobre quem é mais importante no filme: o diretor, o produtor, o roteirista ou os atores... quem tem o direito de criar e quem não tem, etc. Oras bolas, o que me importa esse jogo de cena e essa disputa entre egos por detrás de uma produção? Ok, a muita gente lhes interessa - basta olhar o sucesso das revistas de fofocas -, mas o que eu acho que realmente importa é o resultado final e não a vida pessoal das pessoas envolvidas em uma produção ou os bastidores das histórias que querem nos contar.</p>
<p>Mas ok, o filme acaba indo, a partir da meia hora inicial, para este caminho de bastidores do cinema. Tem algumas partes engraçadas e que são interessantes, como todo o descontrole e autoritarismo do produtor principal Harvey (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0001806/">John Turturro </a>em um papel em que ele não para de gritar um segundo, mas em que está muito bem). Os diálogos de Harvey com o diretor Gavin (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0337157/">Gavin Grazer</a>) realmente são ótimos. Mas o filme faz pouco mais que isso, uma crítica aos bastidores das produções hollywoodianas. Como eu disse, tem alguns acertos no jogo de cenas, especialmente quando trata mais de flertar com o sonho dentro do sonho ou, em outras palavras, com o sonho dentro da fantasia do escritor em crise e sob pressão. As cenas de sua memória e de suas referências na formação de sua personalidade jogadas no meio da narrativa são interessantes, mas só. No final das contas, o filme acaba sendo meio arrastado e repetitivo, meio chato na tentativa de ser "autoral" demais. Nem tudo que parece ser muito criativo ou arte realmente é o que pretende ser.</p>
<p>Ainda assim, acho bacana atores como Anthony Hopkins se arriscarem, fazerem cinema além de trabalharem como intérpretes em histórias alheias. Mais por isso que por outra coisa é que dou a nota a seguir para o filme.</p>
<p>NOTA: 7.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Slipstream é uma produção de baixo orçamento do ator. Basicamente, Hopkins se valeu da sua amizade e da "moral" que conquistou nestes anos todos de cinema para contar a história que quis com pessoas muito interessantes no elenco. Por isso é que, além dos atores já citados, o filme conta com interpretações interessantes de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0003817/">Michael Clarke Duncan</a>, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0492441/">Christopher Lawford</a> (como o engraçado Lars), <a href="http://www.camryn.com/">Camryn Manheim</a> (como Barbara), <a href="http://www.imdb.com/name/nm1801022/">Lisa Pepper </a>(como Tracy, uma atriz que, em uma das cenas iniciais do filme, com Anthony Hopkins em um restaurante à céu aberto, protagoniza um dos melhores diálogos da história),  <a href="http://www.imdb.com/name/nm1461082/">Scott L. Treger</a> (Scott e também o cozinheiro da lanchonete na beira-da-estrada) e a russa <a href="http://www.lanaantonova.com/">Lana Antonova</a> (Lily, a garçonete que aspira ser uma estrela do cinema).</p>
<p>No ano passado, Slipstream concorreu a dois prêmios no Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça - as duas indicações para Anthony Hopkins. Ele perdeu o prêmio principal, o "Leopardo de Ouro", mas ganhou o prêmio do júri jovem. A primeira exibição de Slipstrem foi feita há um ano, no Mercado Europeu de Filmes na Alemanha. Depois esteve, em maio, no Festival de Cannes - fora da competição - e no Festival Internacional de Cinema de Seattle. Em outubro, antes de estrear com cópias limitadas nos Estados Unidos, participou do Festival Internacional de Cinema de Chicago. Até agora foi um filme pouco visto e pouco comentado. E deve seguir assim. Talvez tenha um desempenho um pouco melhor quando sair em DVD.</p>
<p>Para quem gosta de saber as locações dos filmes, Slipstream foi todo filmado na Califórnia, incluindo Los Angeles, Palm Desert e Yucca Valley.</p>
<p>No site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> ele ganhou a nota 5,9 dos usuários, enquanto que no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> ele recebeu nove críticas positivas e 28 negativas.</p>
<p>De todas as atuações, gostei em especial de Anthony Hopkins (ainda que eu ache que ele parece excessivamente "perdido" durante todo o filme), da colombiana Stella Arroyave (surpreendente em seu papel), de Slater e Turturro, de Fionnula Flanagan e de Lisa Pepper. Um bom grupo em cena.</p>
<p>Ah, e antes que me esqueça: o filme também acaba se parecendo muito a <a href="http://www.mulhollanddrive.com/">Mulholland Dr.</a> (Cidade dos Sonhos), filme de <a href="http://www.davidlynch.com/">David Lynch</a> que também faz uma mistura de sonho, fantasia e realidade, com direito a crítica aos bastidores e ao "glamour" do cinema. Mas, mais uma vez, recomendo mais o filme de Lynch que o de Hopkins. Tudo bem que faz tempo já que "nada se cria, tudo se copia", mas ainda assim acho que existem boas e novas idéias no mercado e que não faz falta tantas idéias repetidas como este Slipstream.</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme que mescla imaginação, lembranças, sonho e realidade. Até a primeira meia hora, se mostra uma história interessante e instigante, mas depois acaba caindo em vários lugares-comum de outros filmes do gênero - de diretores como Spike Jonze e David Lynch que, para mim, fizeram trabalhos melhores. A partir dos 34 minutos iniciais o filme acaba caindo demais em uma "sátira" dos bastidores do cinema e fica chato, arrastado e perde boa parte do seu interesse. O final também acaba sendo meio frustrante. Os atores, no geral, estão bem, mas nada que faça o filme ser recomendado - tem vários outros mais interessantes no mercado. Ainda assim, vale pela curiosidade de ver Anthony Hopkins assinando direção e roteiro.</p>
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<title><![CDATA[Mongol]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=177</link>
<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 16:03:59 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[ 
Gosto de filmes que contam histórias reais ou a saga de um povo em determinado momento da Histó]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/mongol3.jpg" title="mongol3.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/mongol3.jpg" alt="mongol3.jpg" /></a></p>
<p>Gosto de filmes que contam histórias reais ou a saga de um povo em determinado momento da História. Dependendo do número de pessoas envolvida no projeto (geralmente se pensa no número de figurantes) ou do tempo histórico da narrativa, as pessoas costumam classificar filmes assim de "épicos". Eu sempre acho um perigo chamar um filme de épico, porque ele parece meio "deslocado" no tempo ou até meio chato quando leva esse título. Ao menos para mim. Por isso não vou chamar <a href="http://www.mongolmovie.com/">Mongol</a> de épico, mas de um grande filme histórico sobre a formação daquele povo como sociedade organizada e que dominou boa parte do mundo no final do século XII e início do século XIII. Mongol concorreu ao <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a> 2008 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, mas perdeu a disputa para o austríaco <a href="http://www.sonyclassics.com/thecounterfeiters/">Die Fälscher</a> (que está na minha lista de filmes para assistir há tempos). Ainda assim, o representante do Cazaquistão dirigido pelo russo <a href="http://www.imdb.com/name/nm0091076/">Sergei Bodrov</a> representou com muitos méritos e honra os países que o produziram na disputa.</p>
<p>A HISTÓRIA: Mongol começa com um homem preso recebendo a notícia de que o monge que enviou para saber de sua mulher está morto. O ano é 1192. Então voltamos duas décadas na história para conhecer a história de Temudjin (interpretado quando criança por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2150452/">Odnyam Odsuren</a> e, quando adulto, por <a href="http://www.asanotadanobu.com/">Tadanobu Asano</a>), o filho do khan (chefe de uma tribo) Esugei (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2436529/">Ba Sen</a>). Aos nove anos de idade, ele viaja com o pai para escolher a sua mulher na tribo dos Merkit. Muitos anos antes, Esugei havia roubado a sua mulher desta tribo e, agora, com o casamento do filho com uma de suas meninas, ele pretende selar um acordo de paz. No caminho, contudo, eles param no acampamento de Dai-Sechen (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2436486/">He Qi</a>), um amigo de Esugei. Ali Temudjin conhece a Börte (interpretada quando criança por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2439724/">Bayertsetseg Erdenebat</a> e, adulta, por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2153444/">Khulan Chuluun</a>) e decide casar-se com ela. Pouco depois, na volta para casa, Esugei é morto por uma tribo rival. Temudjin e família são rechazados pelos demais de sua tribo e o garoto sobrevivo a duras penas. Até que adulto ele volta para casar-se com Börte. Os dois juntos vão consolidando o poder de Temudjin até que ele consegue, em 1206, unir todas as tribos mongóis sob uma mesma lei, ordem e sob seu comando.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta partes importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Mongol): No resumo acima eu não quis comentar algo que talvez muitos saibam, mas que eu só fiquei sabendo no final do filme - uma surpresa que eu acho bacana (NÃO LEIA se não assistiu a Mongol): que Temudjin é o nome de batismo do personagem mundialmente conhecido Genghis Khan. Juro que não sabia que esse era o nome dele... por isso gostei de só saber no final que aquela história toda de sofrimento, perspicácia e luta era, na verdade, a história de um dos grandes líderes que o mundo já teve - e que, para muitos, foi o grande conquistador da História. Bacana saber disso só no final.</p>
<p>O filme é muito bem feito em vários sentidos. O roteiro do diretor Sergei Bodrov com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0019732/">Arif Aliyev</a> equilibra bem os aspectos humano e histórico do personagem principal. Gosto de filmes "épicos" que fazem isso, se centram nos dilemas e decisões que fizeram pessoas "comuns" tornarem-se excepcionais. Um exemplo clássico de um filme assim é <a href="http://www.imdb.com/title/tt0054331/">Spartacus</a>, do mestre <a href="http://kubrickfilms.warnerbros.com/">Stanley Kubrick</a>, que conta com maestria a história do escravo que virou gladiador, sem nunca perder todas as tintas humanas de sua história. Pois Mongol faz o mesmo com Genghis Khan. Claro que depois fui atrás de mais informações e há partes do filme que podem ser questionadas, historicamente, mas quem disse que um filme como este precisa ser 100% fiel à História? Até porque a história mesma está sempre em discussão, com vários pesquisadores discordando entre si e "puxando a sardinha" mais para um lado ou para outro.</p>
<p>Gostei, então, primeiramente do roteiro. Acho que ele valoriza o papel da mulher na história - algo que a maioria das biografias de Genghis Khan ou mesmo de textos sobre o povo mongol não trata -, o que é algo muito bacana. Também valoriza muito a "quebra de paradigmas" que Temudjin estabelece no seu povo. Se alguns dizem "mas isso sempre foi feito assim", ele diz: "sim, mas podemos fazer diferente e melhor". Claro que eu acho que a história suaviza bastante a parte "bárbara" do personagem. Afinal, ele foi um dos grandes assassinos da história. E pelo que eu fiquei sabendo através de alguns textos sobre ele e os mongóis (cito como exemplos <a href="http://www.vidasdefuego.com/bio_GenghisKhan.htm">este</a> e <a href="http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u47.jhtm">este</a>), na verdade Genghis Khan não perdôo nenhum inimigo - inclusive Jamuha (quando criança interpretado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2150530/">Amarbold Tuvshinbayar</a> e, quando adulto, pelo ótimo <a href="http://www.imdb.com/name/nm0838944/">Honglei Sun</a>). Se no filme Jamuha acaba sendo libertado por Temudjin, na vida real ele foi morto pelo outro líder khan antes dele se tornar Genghis. E descobri também que Jamuha era, na verdade, um grande amigo de Temudjin com quem ele havia feito um "pacto de sangue" quando criança, mas que na prática eles não eram filhos da mesma mãe, não tinham laços familiares realmente. Detalhes, claro. Nada que desmereça o filme. Ainda assim, Mongol suaviza muito a figura de Temudjin que, na verdade, pelo que contam os historiadores, era um homem sábio, justo e um grande estrategista, verdade, mas que também foi bem cruel e vingativo - esses últimos pontos o filme não mostra.</p>
<p>Gostei muito dos atores em geral. Todos estão muito bem. Com destaque, claro, para o casal protagonista, o japonês Tadanobu Asano - fiquei louca para ver os outros filmes dele - e a atriz Khulan Chuluun. Asano, por incrível que pareça, tem apenas 35 anos... sinal que a equipe de maquiagem de Mongol fez um excelente trabalho de caracterização do personagem, especialmente quando ele está preso. Gostei muito do garoto Odnyam Odsuren, que interpreta o Temudjin jovem. Na verdade, todos estão muito bem. Além dos atores já citados, destaco a interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm2480655/">Aliya</a> como Oelun, a mãe de Temudjin; de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1213449/">Amadu Mamadakov</a> como Tarugai, o homem que persegue Temudjin quando ele é criança e que maltrata a sua família; e de <a href="http://www.imdb.com/name/nm2506979/">Sun Ben Hon</a> como o Monge que ajuda Temudjin.</p>
<p>Além do elenco em geral, o filme se destaca por uma fotografia deslumbrante. As paisagens na China e no Cazaquistão, na verdade, ajudam muito. heheheheehehehheehehe. Ainda assim, claro, não deixa de ser um belo trabalho dos diretores de fotografia <a href="http://www.imdb.com/name/nm0831114/">Rogier Stoffers</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0873327/">Sergei Trofimov</a>. Muito boa também a trilha sonora do finlandês <a href="http://www.kantelinen.net/">Tuomas Kantelinen</a>.</p>
<p>Ah, já ia me esquecendo: outro ponto "falho" do roteiro é que ele só mostra os adultérios de Börte para ajudar Temudjin e para que ela conseguisse sobreviver sem ele, mas não mostra os vários filhos que ele teve fora do casamento - algo que a História comprova. Resumindo: Mongol é um grande filme, mas falha um pouco ao mostrar só as qualidades de Genghis Khan, sem enfocar o personagem em toda a sua complexidade - incluindo os defeitos, é claro. Na verdade, parece mais um filme encomendado pelo governo da Mongólia do que um filme que busca resgatar a história de um grande líder histórico.</p>
<p>NOTA: 9.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Como eu disse antes, o filme começa no ano de 1192, quando Temudjin está preso, e depois volta 20 anos... no final, a história segue até 1206, quando o personagem é eleito como Genghis Khan e une, pela primeira vez na história daquele povo, todas as tribos sob um mesmo governo e um mesmo sistema. Aliás, os mongóis só dejam de ser tribos nômades com poderes isolados depois que a figura de Temudjin aparece na história. Sob seu comando eles chegariam a dominar grande parte do mundo conhecido na época, ampliando muitíssimo o que era o território original do povo mongol.</p>
<p>O filme foi indicado, até agora, a um total de 10 prêmios. Destes, ganhou dois: melhor figurino para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0517915/">Karin Lohr</a> e melhor som para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0465186/">Stephan Konken</a> no Prêmio Golden Eagle, na Rússia. Mas para a grande mídia, ele realmente recebeu destaque após ser indicado ao Oscar como Melhor Filme Estrangeiro. Há poucos dias, mais precisamente em 17 de março, o filme ganhou no Asian Films Awards, em Hong Kong, o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para o chinês Honglei Sun. Atualmente o filme concorre em seis categorias no Nika Awards, um dos mais importantes - se não o principal - prêmio de cinema na Rússia. Levando em conta que o diretor e roteirista é russo, eu diria que ele tem boas chances de ganhar alguns prêmios... hehehehehehehehehehehe</p>
<p>Falando no diretor, Sergei Bodrov é considerado na Rússia um dos grandes nomes do cinema moderno naquele país. O filme mais conhecido dele, antes de Mongol, foi <a href="http://www.imdb.com/title/tt0374089/">Nomad</a>, que também conta uma história do Cazaquistão.</p>
<p>Mongol registra a nota 7,5 no <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>, além de acumular duas críticas positivas no <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> - e só isso! Parece que os críticos não viram ao filme indicado ao Oscar... heheheheheheheheehehe.</p>
<p>O filme teria custado aproximadamente US$ 20 milhões - se fosse uma produção de Hollywood, por toda a "engenharia" que o filme pede, com certeza teria custado pelo menos cinco ou seis vezes mais.</p>
<p>Mongol é uma co-produção do Cazaquistão, Rússia, Mongólia e Alemanha.</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme competente sobre a história do povo mongol se transformando de tribos isoladas para uma sociedade organizada que seria responsável pela dominação de grande parte do mundo no início do século 13. Na verdade o filme conta a história de Temudjin, o homem que foi responsável por este feito. Bem dirigido, com um roteiro competente - ainda que deixe boa parte da História de lado -, uma equipe de atores afinada e uma fotografia impressionante, é um filme que tenta resgatar a história humana e social daquele povo mas que, também, tem várias cenas de violência e de batalhas sanguinolentas. Interessante.</p>
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<title><![CDATA[Walk Hard: The Dewey Cox Story - A Vida é Dura]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=166</link>
<pubDate>Sat, 15 Mar 2008 14:13:41 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Uma série de filmes recentes tratou da vida de músicos e, especialmente, de ícones do rock dos E]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a title="walkhard.jpg" href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/walkhard.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/walkhard.jpg" alt="walkhard.jpg" width="508" height="732" /></a></p>
<p>Uma série de filmes recentes tratou da vida de músicos e, especialmente, de ícones do rock dos Estados Unidos. O primeiro deles em evidência foi <a href="http://www.walkthelinedvd.com/">Walk the Line</a> (Johnny e June), que conta parte da trajetória de <a href="http://www.johnnycash.com/">Johnny Cash</a> e <a href="http://www.junecartercash.com/">June Carter</a>. O filme foi indicado a cinco <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a> e ganhou o de melhor atriz para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000702/">Reese Witherspoon</a>. Dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0003506/">James Mangold</a> (que filmou depois o bacana <a href="http://310toyumathefilm.com/">3:10 to Yuma</a>), realmente é um filme bem interessante. Um ano antes, em 2004, <a href="http://www.jamiefoxx.com/index2.cfm">Jamie Foxx</a> ganhava o Oscar por seu impressionante desempenho em <a href="http://www.raymovie.com/">Ray</a>, filme sobre a vida de <a href="http://www.raycharles.com/">Ray Charles</a>. O filme seria indicado ainda a outros cinco Oscar, ganhando ainda o de melhor edição de som. Em 2005, o premiado <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000217/">Martin Scorsese</a> lança o documentário <a href="http://www.pbs.org/wnet/americanmasters/dylan/index.html">No Direction Home: Bob Dylan</a> sobre a vida do "trovador" estadunidense. Em 2007, apareceram na telona vários filmes sobre conhecidos artistas da música: <a href="http://www.controlthemovie.com/">Control</a>, sobre a vida de <a href="http://www.iancurtis.org/">Ian Curtis</a>, o líder da banda <a href="http://joydivision.homestead.com/">Joy Division</a>; <a href="http://www.imnotthere-movie.com/">I´m Not There</a>, sobre o multifacetado <a href="http://www.bobdylan.com/moderntimes/home/main.html">Bob Dylan</a>; e <a href="http://www.edithpiafmovie.com/">La Môme</a> ou La Vie en Rose, sobre <a href="http://www.little-sparrow.co.uk/">Edith Piaf</a>; só para citar alguns. Pois <a href="http://www.walkhard-movie.com/">Walk Hard: The Dewey Cox Story</a> aparece neste cenário para satirizar todos estes filmes e muitos outros. <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000604/">John C. Reilly</a> mostra mais uma vez sua versatilidade e, aqui, todo seu repertório de caras e bocas para assumir a identidade de Dewey Cox, um fictício artista que "surpreende" a todos com o seu talento e, de quebra, nos conta de maneira engraçado tudo que aconteceu no cenário musical dos Estados Unidos desde a década de 50.</p>
<p>A HISTÓRIA: O filme conta a vida de Dewey Cox, um garoto (interpretado por <a href="http://www.connerrayburn.net/">Conner Rayburn</a> nesta fase) que cresceu em uma cidade no interior do Alabama na década de 40 e que, em 1946, perde o irmão "gênio" Nate (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1585445/">Chip Hormess</a>/<a href="http://www.imdb.com/name/nm1706767/">Jonah Hill</a>) em um acidente que ele mesmo provoca. Renegado pelo pai (<a href="http://www.raymondjbarry.org/">Raymond J. Barry</a>), ele encontra alguns artistas negros tocando blues e decide que será músico. Em 1953, aos 14 anos, ele participa de um show de talentos e provoca reações extremas da platéia, incluindo seu pai, com quem acaba discutindo feio. Então ele decide sair de casa e vai trabalhar em um bar onde tocam músicos negros muito bons. Ali ele consegue um espaço em uma noite em que o artista principal não consegue tocar e, após se apresentar, consegue um contrato com uma gravadora de judeus. A partir daí ele consegue emplacar suas músicas nas principais listas de sucessos e conhece figuras como <a href="http://www.elvis.com/">Elvis</a> (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1226421/">Jack White</a>, do <a href="http://www.whitestripes.com/">The White Stripes</a>), os <a href="http://www.beatles.com/core/home/">Beatles</a>, entre outros.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que parte do texto a seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Walk Hard: The Dewey Cox Story): Como se pode presumir do resumo do filme logo acima, o diretor e roteirista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0440458/">Jake Kasdan</a> pega todas as referências das "cinebiografias" de músicos conhecidos desde <a href="http://www.thedoors15thdvd.com/">The Doors</a> (filme clássico de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000231/">Oliver Stone</a> de 1991) e faz uma salada de referências e de ironias, inclusive com raças e seus pré-conceitos, com especial destaque para negros e judeus. Claro que no meio alguns podem ver piadas "incorretas" com alguns deles. E pode até existir, mas o que eu vejo em Walk Hard é uma paródia escrachada de tudo, com um humor que chega a ser quase infantil. Também percebo no roteiro de Kasdan com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0031976/">Judd Apatow</a> uma alta dose de exagero mesmo, de escracho, como eu disse antes, aumentando as "tintas" de todas as interpretações e dos "momentos decisivos", como todas as vezes em que Dewey Cox entra em um "vício" novo.</p>
<p>John C. Reilly para mim é o grande nome do filme. Ele consegue exagerar em todas as cenas, fazendo comédia sem emitir uma palavra, apenas com suas expressões e gestuais. A relação mal resolvida com o pai e a "tragédia" que lhe persegue por toda a vida - a morte do irmão - são motores de cenas "dramáticas" geniais, que tiram sarro de todo o drama de filmes "sérios" do gênero. Achei genial a mudança pela qual vai passando o artista conforme as décadas vão seguindo... sua "crise" nos anos 60, em especial, vale o filme. Quando ele pergunta aos jornalistas se não seria Bob Dylan uma cópia dele. hahahahahahaha. E seus shows "engajados" pelos anões... uma comédia! Aliás, para não dizer que os roteiristas tiram sarro só de negros e judeus, eles também satirizam com os anões - talvez os públicos mais óbvios para se fazer uma piada, não é mesmo?</p>
<p>Mas ninguém pode levar a sério Walk Hard. O filme é escrachado, é besta, tem um humor super infantil. E, ainda assim, vale algumas risadas muito francas, tem "sacadas" muito boas... e, ao mesmo tempo, muitas piadas idiotas. Achei meio "besta" ou fraquinha toda a sequência com os Beatles, por exemplo. Ainda que seja, justamente aqui, que se registrem as "pontas" mais rápidas e de gente "famosa" do filme, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0748620/">Paul Rudd</a> interpretando John Lennon, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005403/">Jason Schwartzman</a> interpretando Ringo Starr, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0085312/">Jack Black</a> como Paul McCartney e <a href="http://www.justinlong.net/ubbthreads7/ubbthreads.php">Justin Long</a> fazendo as vezes de George Harrison. Mas, fora a questão curiosa da cena, achei ela muito fraquinha.</p>
<p>Por outro lado, o encontro de Dewey Cox com Elvis - interpretado por Jack White - foi ótimo. Assim como os diálogos sem sentido com Buddy Holly (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0005260/">Franke Muniz</a>, em outra ponta de "luxo"). O filme, como se pode perceber, é recheado de pontas de gente interessante.</p>
<p>Achei muito boa a mudança de visual e de "problemática" do personagem conforme os tempos vão mudando, as décadas vão seguindo... nos anos 70, por exemplo, ele se muda para Malibu, na California, e passa por uma crise de identidade gigantesca, assim como não consegue mais criar nada. A saída será ele criar um programa de TV. hahahhahahahha. Muito bom! Genial também a "repaginada" com gosto de "homenagem" e/ou referência que o rapper Lil' Nutzzak (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2692354/">Jacques Slade</a>) faz da música de Dewey Cox, trazendo ele novamente à ativa. Querendo ou não o filme é uma grande crítica feita com humor aos modismos na música e a exploração que é feita dos artistas pelas gravadoras e pelo mercado. Sátiras sempre são bem-vindas quando feitas com certa inteligência. O que é o caso deste filme.</p>
<p>Ah, e o filme me fez lembrar muito daquela frase de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Waly_salom%C3%A3o">Waly Salomão</a>: "A memória é uma ilha de edição". Também me fez lembrar do filme <a href="http://www.lescaphandre-lefilm.com/">Le Scaphandre et le Papillon</a>, recentemente comentado aqui, quando Bauby comenta que a memória e a imaginação é que sobra a todos nós... Porque claro que toda autobiografia é uma história contada em parte, porque nossa memória mesmo "corrompe" e modifica o que aconteceu, seleciona as informações dentro do que foi realidade. O que lembramos e, principalmente, da forma com que lembramos nem sempre é toda a verdade - sei que é difícil admitir isso, mas é assim.</p>
<p>NOTA: 8,5.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Além dos atores já citados, destaco as participações de Raymond J. Barry como Pa Cox, o pai comicamente "carrasco" do artista; <a href="http://www.imdb.com/name/nm0553269/">Margo Martindale</a> como Ma Cox, a mãe superprotetora e amorosa do personagem principal; <a href="http://www.myspace.com/pambeesley">Jenna Fischer</a> como Darlene Madison, a mulher que faz as vezes de "June Carter", ou seja, a artista que se apaixona por Dewey Cox, termina com o casamento dele com Edith (<a href="http://www.imdb.com/name/nm1325419/">Kristen Wiig</a>), mãe de seus primeiros filhos, e que acaba sendo o "amor de sua vida"; <a href="http://www.haroldramis.com/">Harold Ramis</a> como L'Chai'm, o judeu da gravadora que acaba descobrindo e protegendo o seu "jovem" talento; e o trio de músicos que "aguenta" Cox - <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005218/">Tim Meadows</a> como Sam (para mim, o melhor deles, especialmente nas cenas das "drogas", hehehehehehehe), <a href="http://www.mattbesser.com/">Matt Besser</a> como Dave e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0663177/">Chris Parnell</a> como Theo.</p>
<p>Estou dando essa nota para o filme porque realmente gostei muito de várias sacadas e de Reilly, mas também acho que ele perde muito do seu potencial com piadas manjadas e um certo humor meio "pueril". A parte dos exageros de interpretação eu gostei, afinal, os filmes "sérios" do gênero também exageram muito nas doses - mas parecem "bons" porque são "sérios". Só achei que Walk Hard tira muito sarro de Walk the Line. Acaba sendo quase que uma paródia do filme do Johnny Cash. Tentando seguir a linha deste filme acho que ele perde várias oportunidades de ser mais ousado e engraçado.</p>
<p>O filme foi indicado a quatro prêmios, inclusive dois <a href="http://www.goldenglobes.org/">Globos de Ouro</a>, mas só ganhou o de melhor música no Sierra Award, prêmio conferido pela Sociedade de Críticos de Las Vegas. Fiquei curiosa em ver o filme quando John C. Reilly foi indicado como ator em comédia no Globo de Ouro.</p>
<p>Walk Hard custou aproximadamente US$ 35 milhões e faturou, em menos de um mês em cartaz nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 18,3 milhões. Deve se pagar e conseguir faturar um pouco. Não muito.</p>
<p>A produção inteira foi filmada em Los Angeles, na California.</p>
<p>Os usuários do site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a> deram nota 7 para o filme, enquanto os críticos do <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> lhe conferiram 94 textos positivos e 32 negativos. Diria que está um pouco equilibrado o termômetro de público e crítica.</p>
<p>O diretor Jake Kasdan é "especializado" em comédias... nenhuma, até hoje, de grande destaque. Antes ele fez <a href="http://www.imdb.com/title/tt0473709/">The TV Set </a>com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000141/">David Duchovny</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000244/">Sigourney Weaver</a>; <a href="http://www.imdb.com/title/tt0273923/">Orange County</a> (Correndo atrás do Diploma) com Jack Black e <a href="http://www.myspace.com/schuylerfisk">Schuyler Fisk</a>; e <a href="http://www.imdb.com/title/tt0120906/">Zero Effect</a>, com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000597/">Bill Pullman</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001774/">Ben Stiller</a>. Por sua parte, o outro roteirista de Walk Hard, Judd Apatow, é responsável por outras comédias, como as recentes <a href="http://www.knockedupmovie.com/">Knocked Up</a> (Ligeiramente Grávidos), <a href="http://www.sonypictures.com/homevideo/funwithdickandjane/">Fun with Dick and Jane</a> (As Loucuras de Dick e Jane) e <a href="http://www.the40yearoldvirgin.com/">The 40 Year Old Virgin</a> (O Virgem de 40 Anos) - se percebe que ele gosta de um escracho, não é mesmo?</p>
<p>CONCLUSÃO: Um filme engraçado que tira "sarro" das principais cinebiografias musicais desde The Doors. Segue basicamente a linha de Walk the Line - inclusive com seus principais temas -, mas também vai "um pouco além" ao provocar o encontro do personagem principal com ícones como Elvis e The Beatles. Tem uma boa dose de humor pastelão e "pueril" e interpretações propositalmente exageradas. Vale especialmente pela "linha do tempo" satírica e crítica da música nos Estados Unidos desde a década de 50, com todas as suas "ondas" e modas.</p>
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<title><![CDATA[Curtas de animação indicados ao Oscar - Peter &amp; The Wolf e Madame Tutli-Putli]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=163</link>
<pubDate>Sat, 01 Mar 2008 21:35:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[ 
Pouca gente fala ou assisti aos curtas que concorrem ao Oscar. Isso vale tanto para os de animaç]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/madametutliputli1.jpg" title="madametutliputli1.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/madametutliputli1.jpg" alt="madametutliputli1.jpg" /></a></p>
<p>Pouca gente fala ou assisti aos curtas que concorrem ao <a href="http://www.oscars.org/">Oscar</a>. Isso vale tanto para os de animação quanto para os documentários. Meu problema sempre foi a falta de acesso a eles - nunca faltou vontade. O bacana dos curtas em geral é que eles mostram como é possível contar grandes e belas histórias em pouco tempo. É um bom treino para os cineastas - ou para quem está seguindo está direção - e para nós, admiradores do cinema. Poder de síntese é algo em falta no mercado. Este ano eu resolvi ir atrás dos curtas indicados na categoria animação. E com a ajuda da internet - do <a href="http://www.youtube.com/">YouTube</a> e demais recursos -, consegui assistir a alguns dos principais concorrentes do ano. Comento cada um a seguir.</p>
<p><a href="http://www.imetthewalrus.com/">I MET THE WALRUS</a> - O curta utiliza a entrevista feita por um garoto de 14 anos com <a href="http://www.johnlennon.com/html/news.aspx">John Lennon</a> em 1969 para criar uma narrativa através de desenhos sobre a sociedade contemporânea. A partir do que o garoto canadense vai perguntando e, principalmente, do que Lennon vai respondendo, os artistas <a href="http://www.thebathwater.com/">James Braithwaite</a> (traços de caneta) e <a href="http://www.alex.playairways.com/20_/20_.htm">Alex Kurina </a>(ilustração digital) vão criando a animação. A direção é feita por <a href="http://www.imdb.com/name/nm2865315/">Josh Raskin</a>, e a produção é de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0506157/">Jerry Levitan</a> - o garoto que em 1969 entrou no quarto de hotel de Lennon em Toronto para fazer esta entrevista para a escola. Gostei da "simplicidade" do filme, que utiliza técnicas limpas, tradicionais ou "modernas" para criar sobre a verborragia de Lennon. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AL3ZgNOTPhI">Aqui</a> você pode assistir ao trailer do curta estadunidense.</p>
<p><a href="http://www.onf.ca/webextension/madame-tutli-putli/index.php?lg=fr">MADAME TUTLI-PUTLI</a>: Eu admito que fiquei alucinada quando assisti ao trailer deste filme no YouTube. Aí tive que ir atrás até que consegui ver a animação inteira. E ela é maravilhosa! Excepcionalmente bem feita tecnicamente e com uma narrativa muito curiosa. Fiquei impressionada com estes vídeos com os cineastas canadenses <a href="http://www.imdb.com/name/nm2650321/">Chris Lavis</a> e <a href="http://www.imdb.com/name/nm2649299/">Maciek Szczerbowski</a> contando como foi feita a animação. Eles utilizam a conhecida técnica stop motion (que filma movimento por movimento dos bonecos e depois os une em forma de animação) com uma novidade: a utilização do que eles chamam de "olhos compostos" para os bonecos desenvolvido pelo artista <a href="http://madametutliputli.com/">Jason Walker</a>. Por isso que você assiste a uma animação com tanta emoção e vivacidade, já que os olhos de cada personagem passaram por um tratamento especial - diferente do que se consegue tradicionalmente com o stop motion. Eu adorei a história e adorei o resultado que eles conseguiram. Claro que para conseguir a qualidade que se vê eles também utilizaram efeitos feitos por computador. O curta conta a viagem de trem da mulher que dá título para a animação. Assim, acompanhamos a viagem da Madame Tutli-Putli em um cobiçado e sinistro trem. Para fazer este curta Lavis e Szczerbowski dedicaram quase cinco anos de suas vidas com a parte da animação. O curioso é que eles passaram duas semanas vivendo a bordo do trem The Canadian para recompilar histórias de passageiros e seus "trejeitos". Maravilhoso curta! Para mim, deveria ter levado o Oscar - ainda que o ganhador, Peter &#38; The Wolf, seja também muito bom. Aliás, a alta qualidade dos curtas é uma característica deste ano. Nestes links você pode assistir ao curta pelo YouTube (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=IE9cTFTYTig">primeira</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=SPeRaAQ_wx0&#38;feature=related">segunda</a> parte) e, também por este site, pode encontrar vários vídeos sobre como foi feita a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0wp4JNMogzQ">animação </a>do curta, de como surgiu a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HqD0fZ0k9WU">personagem</a>, assim como o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZaEEHigGH2A">making off </a> (bastidores) das filmagens.  Realmente um trabalho interessante do The National Film Board of Canada que possibilita muitas informações e detalhes deste lindo curta. Altamente recomendado. Detalhe: este curta estadunidense ganhou o prêmio da semana da Crítica em <a href="http://www.festival-cannes.fr/en">Cannes</a> em 2007.</p>
<p><a href="http://www.samueltourneux.com/PAGE1/page1.html">MÊME LES PIGEONS VONT AU PARADIS</a>: Interessante trabalho do diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm1361017/">Samuel Torneaux</a> tanto na parte técnica quanto na narrativa. O curta conta a história de um sacerdote que vive ao lado da Morte. Em uma noite, ele ouve o chamado para que ela (a Morte) atenda ao Sr. Moulin, um velhinho que guarda uma boa quantia de dinheiro e que tem uma lista boa de pecados colecionados durante a vida. O sacerdote literalmente dá uma rasteira na Morte e consegue chegar antes na casa do Sr. Moulin para tentar vendê-lo uma máquina esquisitíssima com a promessa de que ela lhe garantirá sua "viagem ao Paraíso". Uma enganação, claro. Muito divertida e bem contada a história. Tem uma boa velocidade e usa a técnica da animação feita por computador. Neste <a href="http://www.youtube.com/watch?v=j0FwyLPqXNI">link</a> você pode assistir ao curta francês inteiro - e o melhor, para quem não fala francês: com legenda em inglês! hehehehehehehe</p>
<p><a href="http://www.imdb.com/title/tt0874952/">MOYA LYUBOV (MY LOVE)</a>: Eu sei que o filme tem uma técnica dificílima e que é uma "peça de arte" mas, ainda assim, é um dos que eu menos gostei entre os indicados deste ano. Tem uma parte deste curta que eu achei arrepiante, pela velocidade e pelo onírico e surrealista da narrativa, mas para o meu gosto boa parte do curta do premiado diretor russo <a href="http://www.imdb.com/name/nm0678154/">Alexander Petrov</a> é lento demais, "arrastado" também. Sei que talvez eu esteja sendo muito exigente, afinal, é um grande curta. Mas realmente não caiu no meu gosto. Petrov, que ganhou antes o Oscar de animação por seu belíssimo <a href="http://www.imdb.com/title/tt0207639/">The Old Man and the Sea</a>, de 1999, conta em Moya Lyubov a descoberta do amor por um jovem russo no início do século 20. A técnica utilizada por Petrov é a mesma do filme de 1999: aquarela em vidro. Isso mesmo! Tudo o que você vê narrado em movimento é uma sequencia de pinturas, de arte pura e simples. Realmente impressionante o trabalho dele. Tão impressionante que ganhou vários prêmios mundo afora, incluindo os de melhor curta de animação nos festivais de Hiroshima, Dresden, Melbourne, Teheran, Sant Petersburg e no Anima Mundi. Uma curiosidade: o filme é baseado em Uma História de Amor, escrita por <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Iv%C3%A1n_Shmeliov">Iván Shmelyov</a>. Para fazer este curta, Petrov dedicou três anos de sua vida. Nestes links é possível assistir ao curta inteiro (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=dq7nLVoaPX8">parte 1</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=yN_gV2qLaYk&#38;feature=related">parte 2</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=47Cs6hHp_Wo&#38;feature=related">parte 3</a>). E, mais uma vez, para quem não fala russo, com subtítulos em inglês - pena que, desta vez, com várias falas faltando... mas já é algo.</p>
<p><a href="http://www.breakthrufilms.co.uk/peterandthewolffilm/index.html">PETER &#38; THE WOLF</a>: Eu admito que, inicialmente, fiquei na dúvida sobre a técnica utilizada nesta animação. Isso porque não sabia se era computação gráfica, feita em computador, ou stop motion. Depois que o curta ganhou o Oscar de Melhor Curta de Animação deste ano é que fui tirar a dúvida e descobri que a base dele é, na verdade, o bom e velho trabalho de stop motion com marionetes (como Madame Tutli-Putli). Os recursos em computador são utilizados apenas para dar o "acabamento", os efeitos. É uma bela animação, disto não tenho dúvidas. O trabalho da diretora estadunidense <a href="http://www.imdb.com/name/nm0994585/">Suzie Templeton</a> é muito bom. Mais que tudo, ela resgata a fábula clássica de <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Sergu%C3%A9i_Prok%C3%B3fiev">Sergei Prokofiev</a> - Pedro e o Lobo - e a conta com nova "roupagem", humor e sensibilidade. Para quem não lembra, Peter &#38; The Wolf conta a aventura de um garoto que sempre foi proibido de sair do quintal de casa pelo medo que seu avô tem de que ele possa ser atacado por algum lobo. Tem uma parte da história que também reflete sobre a mentira, já que Pedro sempre "brincava" com todos sobre a chegada do lobo até o dia em que ele realmente aparece e ninguém acredita nele. Mas está parte de "moral" da história de Prokofiev foi deixada de lada por Suzie Templeton. A diretora acertadamente ressalta o contato com a natureza de Pedro, assim como a vida selvagem e a sobrevivência - ou ganância, quando se trata dos humanos - de cada espécie. Um filme sem falas - como Madame Tutli-Putli - e com uma trilha sonora belíssima. Me chamou a atenção os detalhes dos cenários, especialmente, assim como a edição e o ritmo da narrativa. Muito bom, realmente. Infelizmente, depois que o curta ganhou o Oscar, ele foi retirado do YouTube. Antes ele estava inteiro lá, dividido em três partes. Agora é possível assistir a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fe0pQNdlhiM">esse</a> vídeo com o making off da animação e a este <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DpfZjvncXNQ">outro</a> com detalhes sobre a pós-produção do curta. Vale a pena ser visto também.</p>
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<title><![CDATA[Doutores da Alegria]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=161</link>
<pubDate>Sat, 01 Mar 2008 15:35:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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Sempre gostei de documentários. Assim como gosto de biografias. Acho que o que as pessoas fazem co]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/doutores.jpg" title="doutores.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/03/doutores.jpg" alt="doutores.jpg" /></a></p>
<p>Sempre gostei de documentários. Assim como gosto de biografias. Acho que o que as pessoas fazem com esse tempo que nos é dado - algumas vezes conquistado - para viver define muitas coisas. Define, por exemplo, qual é a magia de toda essa história chamada vida. Para que, afinal, você vive? Mas documentários, claro, não tratam apenas da vida das pessoas, mas de realidades pelas quais elas passam - voluntariamente ou não. Gosto de filmes sobre realidade que "simplesmente" mostra o que acontece, no melhor sentido de "documentar" os fatos. Mas, claro, sabemos que qualquer narrativa é uma eleição... sendo assim, mesmo o mais "fiel" dos documentários significa apenas uma parte da verdade, uma forma de narrar o que acontece - assim como o jornalismo. Gosto também de filmes que declaradamente fazem um "discurso" crítica da realidade - como os do <a href="http://www.michaelmoore.com/">Michael Moore</a> - ou que, de outra forma, nos interpretam uma realidade que parecia já devidamente contada (mas, agora, com outra ótica). É difícil um documentário qualquer não me fascinar. Realmente gosto do gênero. Mas tem filmes que vão um pouco além da média e realmente emocionam, marcam, fazem pensar sobre as escolhas que as pessoas fazem e como isso pode "modificar" o mundo - nem que for, pelo menos, o "interno". Um filme já meio "antiguinho" e que vi só agora fez isso comigo: <a href="http://www.doutoresdaalegriaofilme.com.br/">Doutores da Alegria</a>. Uma bela peça documental e de cinema.</p>
<p>A HISTÓRIA: A diretora e roteirista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0610045/">Mara Mourão</a> e sua equipe contam a história do projeto <a href="http://www.doutoresdaalegria.org.br/">Doutores da Alegria Brasil</a>, formado por atores e coordenado por <a href="http://www.bahai.org.br/premio/PREMIO2000.ASP#NOGUEIRA">Wellington Nogueira</a>. As filmagens foram realizadas durante sete semanas em diversos hospitais de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde o projeto está sendo desenvolvido por mais tempo, além de distintos cenários destas cidades durante a fase de entrevistas. Doutores da Alegria existe no Brasil desde 1991 por iniciativa de Nogueira, que trouxe a idéia "importada" de Nova York, onde morava e trabalhava como ator na <a href="http://www.broadway.com/">Broadway</a> e demais espaços para a arte naquela cidade. O filme conta a história de como o projeto "migrou" para o Brasil e de como os atores desenvolvem seu trabalho nos hospitais, lidando diariamente com crianças doentes - algumas em estado terminal -, com seus familiares, médicos e equipe de enfermagem. Mais que mostrar o projeto, o filme reflete sobre a figura do palhaço, o trabalho do ator, a improvisação, a vida e a morte.</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que parte do texto à seguir conta trechos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Doutores da Alegria): Criança em filme normalmente emociona. Criança sofrendo, por doença ou outra forma de "punição", ainda mais. Se isso é uma regra para filmes em geral, se torna especialmente verdade quando falamos de documentários. Mas o que realmente emociona em Doutores da Alegria não é tanto as cenas com crianças - ainda que isto é o que ocupa a maior parte do tempo da produção -, mas as histórias que aqueles atores nos contam, suas reflexões e suas inquietudes. Assim como sua alegria por fazer um trabalho tão bonito. Algo contagiante, realmente.</p>
<p>Digo isso tudo porque é CLARO que algumas cenas com crianças emocionam, e muito. Mas eu ouso dizer - não me joguem pedras! - que estas cenas são de "emoção fácil", como quando cai uma bomba em determinado bairro judeu que mata um menino que estava, até aquele momento, jogando bola na igreja semi-destruída. Ok, é o "ápice" da história, a hora em que você "deve" chorar. Mas e todos e os outros momentos do filme? O que eu gostei em Doutores da Alegria é que o filme não foge de cenas realmente impressionantes com crianças, como aquela do menino sentado na cama que dança junto com os palhaços perto do final e, ainda assim, ele se torna realmente emocionante por aquilo que as pessoas dizem, sobre o que elas pensam e sentem sobre aquilo que se vê.</p>
<p>Me emocionei com muitas cenas. Desde aquela em que Wellington Nogueira fala de seu pai e do seu "mérito", até a história do duende e do menino ou da despedida de um pai de seu filho. Amei muitos depoimentos de atores/palhaços, mas em especial as falas de alguns. Fiquei arrepiada com o poder transformador que eles tem e com a sensibilidade de seus olhares. E acho, de verdade, que qualquer pessoa com amor e vontade pode fazer isso na profissão que for - ou, se você é um técnico em física quântica e não vê como pode ajudar as pessoas com isso, pelo menos pode reservar parte de seu tempo livre para fazer algo por alguém.</p>
<p>O bacana do filme, como eu disse antes, é que ele não fala apenas do projeto - ou seja, do trabalho de levar humor para crianças doentes nos hospitais. Mas ele trata, especialmente, sobre o olhar diferenciado destes atores e atrizes para com a arte, para com as crianças, para com a vida e a morte. Pela primeira vez tive uma visão ampliada do que é o trabalho de um palhaço - ou "clown", como muitos gostam de citar no filme.</p>
<p>De todos os depoimentos, gostei de alguns em especial. Entre eles, o comentário de <a href="http://www.jogandonoquintal.com.br/manela.asp">Paola Musatti</a> (Dra. Manela) sobre os "tentáculos" que um palhaço precisa ter. Em outras palavras: como ele deve estar ligado em tudo o que acontece ao seu redor, conectado com todos os movimentos e com tudo que acontece para, daí sim, poder improvisar, fazer rir ou emocionar em conexão com o mundo ao redor que, nestes casos, parece contribuir para o seu trabalho - ou, como disse a atriz Danielle Barros (Dra. Leonoura), nestas horas o "universo" parece conspirar a favor do palhaço. E acho que isso não é por acaso... quando fazemos o bem sem esperar nada em troca, quando estamos atentos e com os tentáculos "espalhados" por aí, acho mesmo que o universo conspira a nosso favor. Isso vale para o trabalho dos Doutores da Alegria e para muitas outras partes da nossa vida.</p>
<p>Aliás, essa possibilidade de assistir o filme e ver um paralelo com a vida de qualquer um de nós é superinteressante. Realmente acho que muitas das reflexões que estão ali sobre o improviso, sobre a capacidade que as crianças e os palhaços tem de ver além do óbvio, sobre o uso de máscaras e demais histórias, podem sim ser aplicadas fora daquela experiência.</p>
<p>Ainda sobre o trabalho dos atores, achei interessante a fala de Luiz Fernando Bolognesi (Dr. Comendador Nelson) sobre a necessidade do "vazio" para poder criar - e o quanto isso é difícil de conseguir. A necessidade do vazio é muito interessante, porque no nosso modo de vida moderno atual é difícil conseguir isso, o "vazio" de idéias, sentimentos e afins. Mas para quem quer estar conectado com o que acontece ao redor, fatos e energias, sentimentos e possibilidades, é preciso treinar o vazio. Inclusive para sentir as demandas dos demais e conseguir responder a elas da melhor forma. Além das nossas próprias, é claro.</p>
<p>A atriz Thais Ferrara (Dra. Ferrara) teve algumas falas muito interessantes. Entre elas, a necessidade do ator em dar uma "rasteira no próprio ego" para poder fazer um trabalho realmente bom - importando-se menos com o seu "virtuosismo" e sua capacidade de improvisar e/ou criar e mais com a criança ou o adulto que tem na sua frente -; assim como quando comenta sobre a busca deles de uma "qualidade do riso" - ao invés do riso fácil, conseguido muitas vezes à custa da agressão ou da chacota.</p>
<p>Gostei quando a atriz Beatriz Sayad (Dra. Valentina) comenta que tudo para o doente é forçado, mas que o palhaço não pode e não deve ser... ou seja: que mais que todos ele deve saber ouvir um "não" e respeitá-lo. A vontade da criança está acima, novamente, de seu "virtuosismo". Também gostei quando ela fala que eles buscam aprender a "subverter" o mundo com as crianças - quem dera que todos nós conseguíssemos fazer mais isso. Amei a sua versão de que o palhaço é aquele que não busca ter respostas, mas que se "contenta em brincar com as perguntas" - outra lição que eu e você deveríamos praticar mais.</p>
<p>Wellington Nogueira tem muitas declarações muito interessantes e bonitas. Destaco aquela em que ele fala sobre sobre o que une o palhaço e a criança: nenhum dos dois está limitado "a lógica ou a razão"... neste ponto eles falam sobre como nós, adultos, perdemos a capacidade de ver além do olhar. Para nós, cada vez mais o que vemos primeiro é o que vale. Enquanto para a criança e para o palhaço aquilo que se vê não é tudo... pode ser muito mais. O limite é a imaginação de cada um. Isso me fez pensar muito... sobre como a gente realmente vai ficando mais sério, vai perdendo o humor... como vai julgando e sendo julgado pela aparência, pelo que acredita ser a verdade através da imagem que se apresenta na nossa frente. Mas e quem disse que os olhos captam só a verdade? Ou toda a verdade? E os outros sentidos? E o que está além dos sentidos? Deveríamos reaprender a "olhar" de maneiras múltiples, ao invés de olharmos de forma tão básica. Eu tento fazer isso diariamente, mas nem sempre consigo.</p>
<p>Outra frase de Nogueira que eu gostei é de que os palhaços trabalham em parceria com os médicos. Enquanto os últimos olham para o lado ruim, para aquilo que precisa ser "curado" fisicamente no doente, os palhaços olham para o "lado bom que precisa ser incentivado". Acho que isso é outro ponto de reflexão para a vida de qualquer um de nós. Quantas vezes eu e você não olhamos para tudo aquilo que nos falta, para o que está errado ao nosso redor, enquanto o que deveríamos realmente fazer é olhar para o "lado bom que precisa ser incentivado".</p>
<p>A atriz Marina Quinan (Dra. Quinan) faz uma leitura bem interessante sobre o olhar do palhaço - que é o seu nariz vermelho - e sobre a "fabricação" destes olhares. Fala, na verdade, sobre como algumas máscaras estão aí só para chamar a atenção para pontos que queremos enquanto que, para os que olham atentamente, tudo o demais é o que importa - a máscara também serve para nos libertar. Ela também comenta como é importante a pessoa estar inteira "para trocar", que não se pode ser desequilibrado ou louco para conseguir trocar experiências boas com alguém. Isso vale não apenas para os palhaços/atores do filme, mas para todos os encontros que temos durante a vida. Só existem boas trocas quando as pessoas estão com vontade e equilibradas para isso. Uma frase de Nogueira que achei ótima: "Em todos os lugares que seja preciso rever a nossa relação com o mundo um palhaço estará lá". Tomara mesmo! Afinal, sobram lugares em que é preciso rever a nossa relação com o mundo.</p>
<p>NOTA: 10.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: O documentário foi filmado em vários hospitais e institutos, citando: Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Hospital da Criança; Hospital do Mandaqui; Hospital Cândido Fontoura; Hospital Albert Einstein (todos em São Paulo); IPPMG - Hospital do Fundão (Rio de Janeiro).</p>
<p>Uma curiosidade: Doutores da Alegria teve as entrevistas filmadas em Super 16 mm e as demais cenas, ou seja, todas aquelas passagens nos hospitais e institutos, em DV Cam (ou seja, em formato digital).</p>
<p>Algo que me impressionou: a equipe de produção filmou nada mais, nada menos que 130 horas!!! Ou seja: eles tem um material bruto gigantesco sobre o trabalho dos Doutores da Alegria. E tudo isso para gerar pouco mais de 1 hora e meia de filme.</p>
<p>A trilha sonora do filme, lindíssima, é de autoria do músico e compositor <a href="http://www.mpbnet.com.br/canto.brasileiro/arrigo.barnabe/index.html">Arrigo Barnabé</a>.</p>
<p>O filme ganhou poucos prêmios - levando em conta que merecia muitos outros mais: foi o principal vencedor do (desconhecido) Festival de Cinema Brasileiro de Nova Iorque/Brazilian Festival of NY; ganhou os prêmios Especial do Júri e o do Júri Popular no Festival de Cinema de Gramado; e, para finalizar, o prêmio de Melhor Documentário no Paraty Cine.</p>
<p>Doutores da Alegria consumiu 33 dias de filmagens nos hospitais e outros 16 para as entrevistas com atores e médicos.</p>
<p>O projeto do Doutores da Alegria Brasil atualmente está imerso em 16 hospitais e institutos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte. Além destes 16 locais, eles já trabalharam em outros oito hospitais - incluindo um em Campinas. Para saber mais sobre o trabalho deles, acesse seu <a href="http://www.doutoresdaalegria.org.br/">site oficial</a>.</p>
<p>Tecnicamente falando, gostei em especial do trabalho da diretora e roteirista Mara Mourão - que, quem diria, antes tinha dirigido o chato e previsível Avassaladoras -, que teve um olhar cuidadoso, atento e uma narrativa exata do projeto, equilibrando desde as informações sobre a arte como sobre a vida, assim como o humor e o drama. <a href="http://revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG1039595-3428,00.html">Aqui</a> ela fala um pouco sobre o trabalho com o filme. Colaborou com ela no roteiro do filme Fernando Bolognesi. Também gostei muito do trabalho de montagem de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1998155/">Rodrigo Menecucci</a> e da direção de fotografia de <a href="http://www.imdb.com/name/nm1130349/">Helcio Alemão Nagamine</a>. Um detalhe: em algumas cenas do filme dá para perceber como a equipe se "disfarçou" para conseguir um resultado mais realista nos hospitais. Eles se disfarçavam de palhaços também, assim como cobriam as câmeras com bonecos.</p>
<p>Para quem gosta de saber o nome de todos do elenco, aí segue os participantes por ordem alfabética: Morgana Masetti (psicóloga), Ângelo Brandini (Dr. Zorinho), Beatriz Sayad (Dra. Valentina), César Gouvêa (Dr. Cizar Parker), Cláudia Zucheratto (Dra. Zuzu), Danielle Barros (Dra. Leonoura), Ésio Magalhães (Dr. Zabobrim), Fernando Escrich (Dr. Escrich), Flávia Reis (Dra. Nena), Heraldo Firmino (Dr. Severino), Juliana Gontijo (Dra. Dona Juca Pinduca), Kleber Montanheiro (Dr. Krebs Croc), Luiz Fernando Bolognesi (Dr. Comendador Nelson), Marcio Ballas (Dr. João Grandão), Marina Quinan (Dra. Quinan), Paola Musatti (Dra. Manela), Pedro Pires (Dr. Dog), Raul Figueiredo (Dr. Lambada), Sávio Moll (Dr. Clóvis Socó), Soraya Saide (Dra. Sirena), Thais Ferrara (Dra. Ferrara) e Vera Abbud (Dra. Emily).</p>
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</item>
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<title><![CDATA[Le Scaphandre et le Papillon - O Escafandro e a Borboleta]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=159</link>
<pubDate>Sun, 24 Feb 2008 03:16:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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<description><![CDATA[
A memória e a imaginação. Estas são as únicas coisas que uma pessoa não perde quando continua]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/02/lescaphandre1.jpg" title="lescaphandre1.jpg"><img src="http://moviesense.wordpress.com/files/2008/02/lescaphandre1.jpg" alt="lescaphandre1.jpg" /></a></p>
<p>A memória e a imaginação. Estas são as únicas coisas que uma pessoa não perde quando continua vivendo, pensando, ainda que enclausurada em si mesma. E isso não é uma metáfora. Falo de estar enclausurada em si mesma literalmente. Lendo assim parece não significar muito, mas pensando a respeito, isso é maravilhoso. A descoberta que <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jean-Dominique_Bauby">Jean-Dominique Bauby</a> faz em determinado momento de sua vida deveria servir de farol para os demais seres viventes, como eu e você. Fiquei pensando sobre isso e sobre tudo que nos conta o filme <a href="http://www.lescaphandre-lefilm.com/">Le Scaphandre et le Papillon</a> e fiquei arrepiada. Eu diria que, ao lado de <a href="http://www.intothewild.com/">Into the Wild</a>, este é o filme que mais está me fazendo pensar nos últimos tempos. E isso porque acabo de assistí-lo, ainda estou "imersa" em suas imagens. Impressionante.</p>
<p>A HISTÓRIA: O filme começa com um homem acordando em uma cama de hospital. Aos poucos ele vai enxergando as pessoas e o ambiente que o circunda, escuta a voz de uma enfermeira e de um outro homem, que pede para que ela chame ao Dr. Cocheton (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0914313/">Gérard Watkins</a>). Descobrimos que o paciente se chama Mr. Bauby - depois saberemos seu nome completo, Jean-Dominique Bauby (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0023832/">Mathieu Amalric</a>), e sua profissão... editor da <a href="http://www.elle.fr/elle/">Revista Elle francesa</a>. O médico que entra no quarto explica que Bauby está no Hospital Naval de Berck-Sur-Mer, na costa de Calais, e que foi transferido para lá de Paris. Ele sofreu um derrame e ficou em coma por quase três semanas. Logo ele descobre, através do Dr. Lepage (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0156228/">Patrick Chesnais</a>), que sofre de uma condição muito rara: a Síndrome do Encarceramento. Em outras palavras, ele está paralisado dos pés até a cabeça e não consegue falar. Aos poucos, contudo, ele vai conseguindo progredir com a ajuda da fonoaudióloga Henriette Durand (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0189887/">Marie-Josée Croze</a>) e da fisioterapeuta Marie Lopez (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0307638/">Olatz López Garmendia</a>).</p>
<p>VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Le Scaphandre et le Papillon): Enquanto assistia ao filme, me lembrei muito - e acho isso inevitável - de <a href="http://www.theseainside.com/">Mar Adentro</a>. O filme estrelado por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000849/">Javier Bardem</a> e dirigido por <a href="http://www.imdb.com/name/nm0024622/">Alejandro Amenábar</a> é uma ode à liberdade individual, à escolha de uma pessoa em seguir vivendo - e em que condições ela faz isso. Le Scaphandre et le Papillon também é isso, mas o filme vai além. Ele consegue ser algo parecido a Mar Adentro e, ao mesmo tempo, o seu inverso. Parecido enquanto mostra uma história de privação total de movimentos, enquanto conta a tragédia de dois homens apaixonados pela vida. Mas as semelhanças terminam por aí. Porque Le Scaphandre et le Papillon mostra uma decisão totalmente contrária a de <a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Ram%C3%B3n_Sampedro">Ramón Sampedro</a>, já que Jean-Dominique Bauby decide pela vida e não pela morte. Dentro de seu "escafandro" ele descobre uma outra maneira de sentir e refletir sobre a vida. E mais: decide mergulhar nela, aproveitá-la com ironia, sarcasmo e deixando um testemunho belíssimo e comovente. Esse testemunho foi publicado primeiro em livro e, depois, virou este filme igualmente belo e impressionante - o curioso é que Sampedro também publicou um livro sobre sua experiência e seu ponto de vida sobre continuar ou não a viver.</p>
<p>A primeira característica que me chamou a atenção de Le Scaphandre et le Papillon foi a narrativa em primeiríssima pessoa no início. Literalmente nos colocamos por "detrás" dos olhos do protagonista, escutando o que seus pensamentos lhe diziam enquanto sua voz não saia, assim como presenciando tudo que lhe ocorria ao redor. Impressionante, nesta parte do filme, a direção de fotografia extremamente técnica e bem-feita de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001405/">Janusz Kaminski</a> (este polonês talentosíssimo que trabalhou em muitos filmes com <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000229/">Steven Spielberg</a>) e o trabalho do diretor <a href="http://www.imdb.com/name/nm0773603/">Julian Schnabel</a>. Só bem depois é que a câmera sai da posição de "olhos-do-protagonista" para mostrar outros ângulos da realidade - e transportar-se também no tempo e no espaço. Muito interessante esta narrativa - aliás, o roteiro de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0367838/">Ronald Harwood</a> baseada na obra homônima de Bauby é outro ponto forte do filme.</p>
<p>Além da narrativa em primeira pessoa, o filme ganha muitos pontos por seu elenco afinado e regular. Ninguém se desponta muito, mas todos fazem um trabalho inspirado. Além de Mathieu Amalric como Bauby, destaco Marie-Josée Croze e Olatz López Garmendia como as belíssimas e competentes médicas Henriette e Marie, respectivamente. Merece um capítulo a parte a interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0782561/">Emmanuelle Seigner</a> como Céline Desmoulins, a ex-mulher de Bauby e mãe de seus três filhos. Ela está estupenda em seu papel, como uma mulher devotada ao homem que amou (e continua amando, ainda que de maneira distinta), que tenta controlar seus sentimentos mas que, ainda assim, demonstra os ciúmes que tem de Inès (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0478569/">Agathe de la Fontaine</a>), a mulher que se tornou a paixão na vida de Bauby. Muito interessante a complexidade de Céline e, ao mesmo tempo, sua simplicidade. Merece uma menção especial também a comovente interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001884/">Max von Sydow</a> como Papinou, o pai um tanto "esclerosado" de Bauby.</p>
<p>Além de contar uma nova maneira de encarar a vida e, ainda assim, de sentí-la plenamente, Le Scaphandre et le Papillon é como uma minibiografia de Bauby, que conta seus amores - além de Céline e Inès, também o de Joséphine (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0359652/">Marina Hands</a>) -, sua relação com a família - incluindo seus três filhos, Théophile (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2402009/">Théo Sampaio</a>), Céleste (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2401904/">Fiorella Campanella</a>) e Hortense (<a href="http://www.imdb.com/name/nm2686320/">Talina Boyaci</a>) - e com amigos, como Laurent (<a href="http://www.imdb.com/name/nm0207218/">Isaach De Bankolé</a>). A interpretação de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0175931/">Anne Consigny</a> como Claude Mendibil, a mulher que possibilita que o livro de Bauby seja publicado, interpretando o que ele diz através de suas piscadas, também merece destaque. Ela consegue equilibrar no tom exato dedicação e apaixonamento pelo que ele consegue fazer, por seu testemunho de vida e coragem de enfrentar as limitações do que lhe aconteceu.</p>
<p>O interessante da história é que o que acontece com Bauby é a privação extrema da liberdade. Afinal, ele não pode se mexer e nem falar, não pode ir para onde tem vontade, nem tocar as pessoas que ama, nem sentir nada com os dedos ou a ponta dos pés. Consegue apenas raciocinar e, mais tarde, expressar o que sente e pensa através dos olhos. Apaixonado pela vida, ele prefere continuar respirando e existindo desta maneira, fazendo uso principalmente da sua imaginação e da sua memória, para continuar curtindo cada minuto que tem a seu dispor. É um exemplo maravilhoso. A memória e a imaginação, que instrumentos incríveis. Além deles, eu adicionaria ao exemplo de Bauby algumas doses de sarcasmo e de senso de humor. Acho que só através desta última ferramenta ele consegue suportar a sua condição após o derrame.</p>
<p>Como disse antes, Le Scaphandre et le Papillon é o contrário de Mar Adentro. Lembro que quando vi o filme de Amenábar, adorei a história. Especialmente porque ela tratou com "distanciamento" e, ao mesmo tempo, uma aproximação inevitável o drama de Sampedro que, diferente de Bauby, podia falar. Ele decidiu que preferia morrer a continuar vivendo em sua condição de paralisia. Gostei do filme porque ele trata com respeito a decisão de uma pessoa em querer morrer - afinal, se alguém não suporta a vida como está tendo, por que não pode decidir terminar com ela? Sei que sempre se deve ter esperança e que a vida está cheia de boas surpresas, mas quem pode condenar alguém que decidiu que prefere que tudo termine? Eu não posso julgar uma pessoa como Sampedro. Ainda assim, devo admitir, que gostei muito mais do exemplo de Bauby, até porque ele mostra que até na pior condição humana imaginável é possível sacar proveito, aprendizado.</p>
<p>Sobre a memória e a imaginação... realmente, acho que por pior que esteja a vida de alguém ou por maior que seja a sua privação de liberdade - de escolha, por exemplo -, sempre lhe resta a capacidade de lembrar do passado com orgulho, com fantasia. Sempre é bom olhar pra trás e ver tudo que uma pessoa já caminhou para chegar até determinado lugar. Recordar todas as dificuldades que passou e as quais conseguiu superar, lembrar de todos os amores e pessoas especiais que fizeram a sua vida até ali... lembrar é importante para se saber a pessoa que somos e o porquê de sermos desta maneira. E a imaginação... até a memória fica interessante com um pouco de imaginação, de cores absurdas. E a vida atual também. Fantasiar faz bem, imaginar uma realidade distinta abre horizontes. Memória e imaginação podem nos libertar, nos prender, nos firmar no chão ou nos dar asas. Tudo depende do uso que se faz das duas.</p>
<p>NOTA: 9,5.</p>
<p>OBS DE PÉ DE PÁGINA: Devo comentar que o filme talvez não caia no gosto popular e nem se mostre interessante para todos. Digo isso porque ele é, até uma grande parte e em um certo sentido, bem experimental. Especialmente pela narrativa em primeira pessoa que está em grande parte da produção. Sendo assim, são frequentes as imagens sem foco, os ângulos de câmera que mudam conforme o "humor" do protagonista, dentre outros jogos de imagem que não obedece ao padrão de Hollywood. O que, para mim, é uma qualidade - claro! Quem não sofrer de vertigens e nem passar "mal" com algumas cenas - como a do olho sendo costurado - pode gostar do filme.</p>
<p>Algo de bom aconteceu no lançamento desta produção francesa mundo afora: o título original foi preservado. Sendo assim, nos Estados Unidos e nos demais países de língua inglesa, o filme recebeu o nome de The Diving Bell and the Butterfly, enquanto no Brasil ele recebeu o nome de O Escafandro e a Borboleta.</p>
<p>O filme ganhou, até agora, 26 prêmios, com destaque para o de melhor roteiro no BAFTA (versão inglesa do Oscar); melhor diretor no Festival de Cannes (onde o diretor de fotografia Janusz Kaminski recebeu também, de forma muito merecida, um importante prêmio técnico); melhor diretor e melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro; entre outros. Além destes prêmios, Le Scaphandre et le Papillon foi indicado a outros 30.</p>
<p>Sei que os filmes são muito diferentes - em temática e estilo -, mas comparado com <a href="http://www.4months3weeksand2days.com/blog/index.php">4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile</a>, Le Scaphandre et le Papillon me parece um filme muito mais "inovador", ousado e interessante. O mesmo digo de <a href="http://www.sonyclassics.com/persepolis/">Persepolis</a> - que me pareceu mais interessante que a obra de <a href="http://www.imdb.com/name/nm0612816/">Cristian Mungiu</a> -, ainda que o filme ganhador da Palma de Ouro seja muito bom, é claro. Mas gostos são gostos...</p>
<p>Voltando a Le Scaphandre et le Papillon... o filme de Schnabel registra a nota 8,3 no site <a href="http://www.imdb.com/">IMDb</a>, assim como acumula 129 críticas positivas e apenas 9 negativas no site <a href="http://www.rottentomatoes.com/">Rotten Tomatoes</a> - agradou mais aos críticos que ao público.</p>
<p>E por falar em público, o filme arrecadou, até 10 de fevereiro, pouco mais de US$ 4,3 milhões nos Estados Unidos. Pouco, levando em conta que ele estava presente em 213 salas de cinema - pelo menos nesta última semana, quando conseguiu pouco mais de US$ 433 mil em todas estas salas.</p>
<p>Julian Schnabel não é um diretor muito prolífero. Tanto que desde a sua estréia na direção em 1996 com <a href="http://www.imdb.com/title/tt0115632/">Basquiat</a> - um filme delicioso! -, ele só havia dirigido um filme antes deste Le Scaphandre et le Papillon: <a href="http://www.before-night-falls.com/">Before Night Falls</a>, outro filme interesantíssimo com Javier Bardem e datado do ano 2000. Ou seja: em 11 anos ele só fez dois filmes. Mas os dois de qualidade, diga-se.</p>
<p>Este filme é uma co-produção da França e dos Estados Unidos.</p>
<p>PALPITE PARA O OSCAR: Le Scaphandre et le Papillon foi indicado aos prêmios de Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Sinceramente? Ainda que ele mereça ganhar prêmios nestas três categorias, acho que na verdade ele sairá de "mãos abanando" deste <a href="http://www.oscars.org/">Oscar 2008</a>. Digo isso porque acho que apenas as indicações do filme francês já serão consideradas "uma vitória" pelos membros da Academia. Duvido muito que eles deixem de dar o Oscar de direção para os <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001054/">irmãos</a> <a href="http://www.imdb.com/name/nm0001053/">Coen</a> ou para <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000759/">Paul Thomas Anderson</a>, todos "na crista da onda", para premiar o menos conhecido e menos "produtivo" nova-iorquino Julian Schnabel. Também duvido muito que vão premiar o roteiro deste filme em lugar de <a href="http://www.nocountryforoldmen-themovie.com/">No Country for Old Men</a>, <a href="http://www.atonementthemovie.co.uk/site/site.html">Atonement</a> ou <a href="http://www.paramountvantage.com/blood/">There Will Be Blood</a>. A verdade é que em cada categoria em que Le Scaphandre et le Papillon concorre este ano existe um outro "medalhão" interessante para a indústria que está correndo na frente.</p>
<p>CONCLUSÃO: Autobiografia do editor de moda Jean-Dominique Bauby a partir do momento em que ele fica totalmente paralisado após um derrame. Interessante narrativa de um homem "sem comunicação" tradicional com o meio exterior em primeira pessoa - ainda que as "inovações" de câmera podem deixar alguns com vertigem. Uma antítese de Mar Adentro, um belo retrato da possibilidade humana de superação mesmo com a maior das adversidades.</p>
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<title><![CDATA[There Will Be Blood - Sangue Negro]]></title>
<link>http://moviesense.wordpress.com/?p=154</link>
<pubDate>Sun, 03 Feb 2008 02:45:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>aleogeda</dc:creator>
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Tem filmes que nascem épicos. No sentido não apenas do tema, mas do tipo de produção, pela qual]]></description>
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