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	<title>dom-estevao &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/dom-estevao/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "dom-estevao"</description>
	<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 10:10:49 +0000</pubDate>

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	<language>en</language>

<item>
<title><![CDATA[FALECIMENTO DE DOM ESTÊVÃO BETTENCOURT]]></title>
<link>http://catolicismo.wordpress.com/?p=395</link>
<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 18:41:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>José Roldão</dc:creator>
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<description><![CDATA[Rio de Janeiro, 14 de Abril de 2008.
Prezados senhoras e senhores e amigos de Dom Estêvão,
Paz!
Ho]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Rio de Janeiro, 14 de Abril de 2008.</p>
<p style="text-align:justify;">Prezados senhoras e senhores e amigos de Dom Estêvão,</p>
<p style="text-align:justify;">Paz!</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje, antes do amanhecer, nosso querido Dom Estêvão realizou sua Páscoa junto ao Senhor.</p>
<p style="text-align:justify;">A Santa Missa de exéquias terá lugar, hoje, às 16 horas, seguida de sepultamento no claustro de nossa Abadia.</p>
<p style="text-align:justify;">Pedimos vossas orações.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Abade e Comunidade</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong>Abadia Nossa Senhora de Monserrate do Rio de Janeiro </strong> <span style="font-size:12pt;"><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><!--[endif]--></span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[SEPARAR CRISTO E IGREJA? ]]></title>
<link>http://catolicosnarede.wordpress.com/2008/01/27/separar-cristo-e-igreja/</link>
<pubDate>Sun, 27 Jan 2008 12:01:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>gargiulo</dc:creator>
<guid>http://catolicosnarede.wordpress.com/2008/01/27/separar-cristo-e-igreja/</guid>
<description><![CDATA[Dom Estêvão Bettencourt, OSB.
Em síntese: O Sr. Luiz Fernando Pérez, ex-protestante, fala de sua]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Dom Estêvão Bettencourt, OSB.</p>
<p>Em síntese: O Sr. Luiz Fernando Pérez, ex-protestante, fala de sua experiência. Refere-se ao fato de que Jesus fundou sua Igreja, da qual Ele é inseparável. O protestantismo separa Cristo e Igreja; nem dentro do âmbito protestante se guarda a unidade. Outras incoerências são ainda apontadas pelo autor do depoimento.</p>
<p><!--more--></p>
<p>Via internet a Redação de PR recebeu a mensagem do sr. Luiz Fernando Pérez, que, de protestante, se converteu ao Catolicismo e comenta o princípio protestante "Somente Cristo", princípio que o autor julga ser anticristão.</p>
<p>Segue-se o texto de L. F. Pérez:</p>
<p>O PRINCÍPIO "SOLUS CHRISTUS" VISTO POR UM EX-PROTESTANTE</p>
<p>No tempo em que nos importa viver, no qual os ventos do ecumenismo tornam a soprar cada vez com mais firmeza, não é nada fácil tentar dizer três ou quatro verdades sobre os nossos "irmãos separados". Eu, que durante nove anos de minha vida fui protestante, sei como é estar dos dois lados da cerca. É uma experiência inegavelmente peculiar. Apesar de encontrarmos do lado protestante uma grande maioria que julga que o Catolicismo romano não é cristão, do lado católico não observamos com abundância aqueles que colocam em dúvida a natureza cristã do protestantismo. Sem querer valorizar demais, posto que não vale a pena, a opinião anti-católica deste grupo de protestantes, creio ser necessário comentarmos alguns pontos-chave para que os católicos em geral, ou pelo menos aqueles que mantem um contato maior com protestantes, reconheçam que deveriam ser menos otimistas quanto à existência de um elemento cristão genuíno no cristianismo protestante.</p>
<p>Desde seu surgimento, na reforma, o protestantismo elaborou uma série de lemas que se tornaram verdadeiros dogmas de fé do cristianismo protestante. Analisemos um desses lemas, e vejamos o que ocorre na prática.</p>
<p>Solus Christus</p>
<p>A princípio nada haveria a opor a esta doutrina essencial da fé cristã, pela qual reconhecemos que a figura e a pessoa de Jesus Cristo é, por si só, o centro de nossa vida e esperança. Indubitavelmente, sem Cristo não há cristianismo. Contudo, acontece que na Bíblia ocorre uma realidade muito clara: uma vez que Jesus Cristo se encarnou e fundou sua Igreja, não podemos mais separar a realidade de Cristo da realidade da Igreja. A Palavra de Deus é clara neste ponto: a Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1, 18). Diz mais: a Igreja é a Sua Plenitude (Ef 1, 23). Quem persegue a Igreja, persegue o Cristo (At 9, 1-6) e, caso a relação não esteja suficientemente nítida, podemos perceber que a relação entre Cristo e a Igreja é um mistério, ao qual São Paulo compara o mistério da união entre o homem e a mulher (Ef 5, 31-32).</p>
<p>Portanto dizemos a verdade se ensinamos que não pode crer em "Solus Christus" aquele que aceita o Cristo, mas rejeita a Igreja, indissoluvelmente unida a Ele por todo o sempre. Por isso o Símbolo Niceno-Constantinopolitano afirma em um de seus pontos: "Creio na Santa Igreja Católica e apostólica". Ou seja, desde a antigüidade era demonstrado que a fé ou crença na Igreja era parte da fé cristã. E se o Cristo em pessoa afirmou, sobre o matrimônio, que "o que Deus uniu o homem não separe", mais ainda devemos crer que a união de Cristo com a Igreja está selada eternamente por vontade divina.</p>
<p>Se isto está claro, cabe aqui uma pergunta: atacar a unidade da Igreja não é exatamente o mesmo que atacar o Cristo? É cristão, portanto, dividir o corpo de Cristo em milhares de fragmentos? Ou, pelo contrário, a divisão da unidade do corpo de Cristo não é a arma mais poderosa de que Satanás se poderia servir durante a história da Igreja?</p>
<p>Quando era protestante, eu via como secundário este assunto de unidade da Igreja e, acima de tudo, sacrificável ao "deus" da pureza doutrinária. Ou seja, a verdadeira doutrina expressa "somente na Bíblia" seria um tesouro de muito mais valor que a unidade visível da Igreja de Cristo. Porém não era somente isso. Assim como a imensa maioria dos protestantes, eu tinha um conceito sobre a Igreja que não se acha em lugar nenhum da Bíblia, a não ser através de interpretações torcidas e contorcidas. É o que eu chamo de conceito "docetista" da Igreja, conceito que nega possa haver uma Igreja visível, organizada e hierarquizada, para se aceitar uma Igreja desorganizada, invisível, pseudo-etérea, sem unidade orgânica real.</p>
<p>Sem muita demora, vejamos o que diz a Bíblia sobre a Igreja:</p>
<p>1. Cristo deixou muito claro que a unidade dos cristãos deveria ser semelhante à sua unidade com o Pai e que por essa unidade o mundo deveria crer.</p>
<p>2. A Igreja teria uma hierarquia muito bem definida: apóstolos, entre eles Pedro, o primeiro, e logo os bispos e anciãos (presbíteros).</p>
<p>3. A Igreja adotaria um sistema de análise chamado Conciliar, tal como se vê em Atos 15, com o particular fato de que Pedro iniciou os debates sobre os temas em pauta naquele Concílio. Além disso, as disposições do Concílio eram de aceitação obrigatória por toda a Igreja.</p>
<p>4. Os apóstolos eram intolerantes com aqueles que causavam divisões. Encabeçados por Paulo, que teve que se deparar com os "denominacionalismos" de Corinto (1Cor 1, 10-13). Também ele deu a Tito uma ordem bem clara sobre o que ele deveria fazer com aqueles que causassem divisões. Deveria admoestá-los primeiro e depois expulsá-los da Igreja, porque se haviam pervertido (Tt 3, 10-11). Judas (Jd 19) afirma que os que causam divisão não possuem o Espírito. E, digamos alto e claro, o apóstolo João mostra em 1Jo 2, 18-19 que os que saem da Igreja são anti-cristos, ainda que alguns queiram interpretar este versículo de uma forma mais suave.</p>
<p>Bem, alguém deve estar se perguntando: "E o que tem a ver isto tudo com o protestantismo e `Solus Christus'?". Respondo: tem tudo a ver! E mais: o protestante que entende esta realidade, se é honesto e inteligente, necessariamente tem de deixar de ser protestante, a menos que queira pecar gravemente contra Deus.</p>
<p>É evidente que um sistema religioso que afirma aceitar inteiramente o Cristo e todo o seu ensinamento, mas que leva em sua essência o vírus mortal da divisão do corpo de Cristo, somente pode ser definido como anti-cristo. Não há justificativa alguma para o fato de que o protestantismo tem sido absolutamente incapaz de manter uma unidade eclesial interna minimamente respeitável. Quando os protestantes se insurgem em apontar, com seus tratados e comentários bíblicos, os erros doutrinários do catolicismo, não se dão conta de que a simples existência de uma miríade de denominações protestantes independentes umas das outras é, nos seus olhos, uma trave de proporções apocalípticas.</p>
<p>Parece forte dizer isso, mas a verdade é que o protestantismo é a negação de Cristo desde o momento em que, na prática, nega a existência de uma só Igreja de Cristo, com uma só fé, com um só batismo e um só credo. E, negando a existência dessa Igreja, que é o corpo de Cristo, está negando o próprio Cristo, ainda que inconscientemente. Ponto final!</p>
<p>Se o protestantismo tivesse a capacidade de ter-se organizado em uma só denominação, poderíamos hoje contemplar a reforma a partir de um prisma totalmente diferente. Porém, a reforma não foi o que pretendia ser, senão o maior levante de aniquilação da Igreja, com a desculpa de uma verdadeira mudança. Aproveitaram da fraqueza da Igreja da época para tentar destrui-la por completo, mas, graças a Deus, foi na fraqueza que a Igreja despertou com força para novos desafios, ainda que lhe custasse muito recuperar o que havia perdido com a corrupção interna e os desajustes doutrinais e externos.</p>
<p>Para finalizar, ainda me caberia verificar muitas das ramificações desse desastre que é o protestantismo para a cristandade, mas me contentarei em assinalar pelo menos algumas poucas incoerências da agressiva dinâmica dialética que os protestantes usam contra a Igreja Católica:</p>
<p>1. Os protestantes rejeitam a Igreja Católica por não se basear somente na Bíblia. A verdade é que eles, que dizem basear-se somente na Bíblia, não conseguem chegar a um acordo sobre doutrinas como a Eucaristia, sacramentos, organização eclesial, doutrinas da graça e salvação (calvinismo e arminianismo), etc., etc., etc.</p>
<p>2. Os protestantes atacam a Igreja Católica por valorizar o papel da Tradição, mas eles mesmos são escravos de suas próprias tradições interpretativas da Palavra de Deus. E, ainda por cima, aceitam grande parte da linguagem e do conteúdo doutrinal que a eles chegou através da Tradição (Trindade, Cânon da Bíblia, Pecado Original, Domingo como dia do Senhor).</p>
<p>3. Os protestantes usam a Bíblia como uma arma contra determinadas doutrinas e práticas católicas, porém nada dizem sobre o que essa mesma Bíblia fala sobre divisões na Igreja, tão presentes nas suas igrejas.</p>
<p>4. Os protestantes atacam a Igreja Católica acusando-a de possuir um sistema de governo ditatorial, porém resulta que boa parte das igrejas protestantes exercem uma tirania a nível denominacional que faria você rir da severidade disciplinar do cardeal Ratzinger.</p>
<p>Por fim, para não estender-me demais, terminarei com uma reflexão. Creio que tanto aqueles que nasceram numa família protestante, como aqueles que saíram da Igreja Católica para o protestantismo deveriam voltar com urgência para a Igreja de Cristo. É incompatível ser de Cristo e pertencer a um sistema religioso que está dividindo continuamente o Corpo de Cristo, que nega o princípio da eficácia regeneradora que o Espírito Santo possui na sua condução da Igreja. Muitos protestantes nunca tinham sido defrontados com esta realidade que estou escrevendo. Outros tomaram conhecimento, mas resolveram continuar seguindo separados da Igreja, e, portanto, apesar de se revoltarem ao ler isso, separados de Cristo.</p>
<p>É nossa missão evangelizá-los e/ou resistir às suas tentativas de levar católicos da Igreja de Cristo. Sem dúvida, muitos católicos precisam de um contato maior com Cristo, porém este encontro não se dá fora do Corpo de Cristo, nas igrejas protestantes, mas um encontro na Igreja do Cristo verdadeiro.</p>
<p>REFLETINDO...</p>
<p>O arrazoado do sr. Pérez é simples e consistente. Com efeito, Jesus Cristo quis fundar a Igreja que Ele disse ser "sua Igreja" (cf. Mt 16, 16-19) e que São Paulo considera ser o Corpo de Cristo... Corpo no qual Cristo se plenifica. Se assim é, quem divide a Igreja de Cristo divide o próprio Cristo (cf. 1Cor 1, 11-13), é anticristão.</p>
<p>Dirá alguém: os homens da Igreja podem falhar, de modo que se torna necessária uma reforma periódica. Reconhecemos o que há de verídico nessa afirmação, mas acrescentamos que a reforma não pode equivaler a uma ruptura com a Igreja fundada por Cristo. Este assegurou à sua Igreja infalível assistência até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 18-20); prometeu-lhe também o Espírito Santo como Mestre da verdade (cf. Jo 14, 26; 16, 14s). Por conseguinte, não se pode crer que tenha deixado sua Igreja entregue ao léu, de modo a ser necessário que os homens refaçam "a obra abandonada por Cristo". O que os homens podem fazer é uma sociedade humana e animada por boas intenções, mas nunca farão um Sacramento ou uma realidade divino-humana.</p>
<p>Dirão ainda: a Igreja Católica tem suas muitas denominações (franciscanos, jesuítas, beneditinos, salesianos...) como o protestantismo tem suas denominações (luteranos, metodistas, adventistas, neopentecostais...). _ Em resposta registramos que as Ordens e Congregações Religiosas do Catolicismo não quebram a unidade da Igreja, pois estão sujeitas à mesma autoridade suprema, professam a mesma fé e recebem os mesmos sacramentos. No protestantismo, ao contrário, cada denominação toma o nome de Igreja e existe independentemente das demais; assim dividem a Igreja e o próprio bloco protestante.</p>
<p>E a propalada pureza de doutrina dos protestantes? Já os reformadores divergiam entre si no tocante a pontos importantes (SS. Trindade, Eucaristia, hierarquia da Igreja...). A tese do livre exame da Bíblia favorece o subjetivismo, as múltiplas interpretações do texto sagrado, donde a pluralidade de orientações doutrinárias do protestantismo.</p>
<p>Possam estas considerações falar fundo ao coração dos irmãos de boa vontade.</p>
<p>Publicado na revista "Pergunte e Responderemos"</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Dom Estevão - A ESCRAVIDÃO NO BRASIL]]></title>
<link>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/23/dom-estevao-a-escravidao-no-brasil/</link>
<pubDate>Tue, 23 Oct 2007 19:25:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>gargiulo</dc:creator>
<guid>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/23/dom-estevao-a-escravidao-no-brasil/</guid>
<description><![CDATA[Em síntese: O Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil ocasionou a publicação de vária]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Em síntese: O Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil ocasionou a publicação de várias obras atinentes ao assunto, portadoras de notícias e documentos poucos divulgados referentes à ação humanizadora da Igreja em favor dos escravos. Três dessas obras são utilizadas nas páginas seguintes, pondo-se em relevo traços da atitude da Igreja frente à escravatura.</p>
<p><!--more--></p>
<p>Já em PR 267/1983, pp. 106-132 e PR 274/1984, pp. 240-247 foi abordado o tema "Igreja e Escravatura"; foram aí publicados textos de Papas, Bispos, sacerdotes e leitos que censuram tal regime, procurando abrandá-lo e colaborando para extingui-lo. Em muitos manuais e tratados de história, tais depoimentos são ignorados ou silenciados, pois se registra a tendência a afirmações genéricas e contundentes, destituídas de qualquer documentação comprovante.</p>
<p>A ocorrência do Centenário da Abolição no Brasil oferece-nos ocasião de voltar ao assunto, valendo-se de obras recém-editadas sobre o mesmo e portadoras de novos dados, extraídos de Arquivos, que põem em mais claro relevo a ação humanizante da Igreja perante o fato escravagista. De modo especial referimo-nos a três publicações:</p>
<p>Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, A Escravidão. Convergências e Divergências. Ed. Folha de Viçosa 1988.</p>
<p>Idem, A Igreja e a Escravidão. As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Rio de Janeiro 1988.</p>
<p>Jaime Balmes, A Igreja Católica em face da Escravidão, com Adendo do Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho: A Igreja e a Escravidão no Brasil, São Paulo 1988.</p>
<p>Estas três obras apresentam informações e documentos pouco divulgados, que passamos a resumir ou ocasionalmente transcrever nas páginas subseqüentes.</p>
<p>1. O Tráfico Negro no Brasil e a Igreja</p>
<p>1. As tribos da África Ocidental praticavam a venda de homens negros como escravos. Procuravam assim os vencedores na guerra retirar algum lucro da vitória: trocavam por dinheiro ou mercadorias os adversários prisioneiros; para estes, era preferível ser vendidos como escravos a permanecer sob o domínio de africanos vencedores; estes tratavam ignominiosamente os vencidos.</p>
<p>No Brasil, a exploração das minas e demais riquezas naturais sugeriu aos portuguesas a procura de escravos na África - coisa, aliás que já outros povos (como, por exemplo, os árabes da península ibérica) praticavam, para atender aos serviços da agricultura e da indústria. Principalmente após D. Afonso, que reinou até 1453, os reis de Portugal perderam o controle sobre a importação de escravos, de modo que os colonos portugueses, levaram multidões de africanos para a Europa. Conseqüentemente também os trouxeram para o Brasil, fazendo negócios altamente lucrativos tanto para quem vendia como para quem comprava os negros.</p>
<p>2. A Igreja não se calou diante de tais costumes. Entre os documentos que o atestam, além dos que já foram citados em PR, existe uma carta do Papa João VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Príncipes da Sardenha, que diz:</p>
<p>"Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito; por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos, que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas" (Denzinger-Schönmetzer, Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668).</p>
<p>O Papa Pio II, em 7 de outubro de 1462, condenou o comércio de escravos como magnum scelus (grande crime)¹.</p>
<p>Em 1571 Tomás de Mercado, teólogo de Sevilha, declarava desumana e ilícita a traficância de escravos, tanto mais que instaurava uma luta fratricida entre os próprios africanos. Em sua Summa de Tratos y Contratos, este autor afirmava não haver justificativa para negócio tão infame.</p>
<p>3. Houve mesmo sacerdotes que se sacrificaram, tanto no Brasil como fora, em favor dos escravos. Sejam citados, entre outros, os Padres Afonso Sandoval S. J. e Pedro Claver. O primeiro foi o pioneiro do trabalho em prol dos negros em Cartagena das Índias, porto de tráfico no Mar das Antilhas; com grande coragem denunciou os maus tratos de muitos traficantes; através de seus escritos, tentou suscitar uma mentalidade antiescravagista; para melhor trabalhar, procurou conhecer a cultura africana a fim de entender mais perspicazmente aqueles pobres seres humanos que ele defendia.</p>
<p>Quanto a Pedro Claver, em 1610 chegou de Sevilha a Cartagena das Índias, onde o Pe. Sandoval lhe ensinou o amor aos negros. Na Colômbia foi ordenado sacerdote e passou a trabalhar com o Pe. Sandoval junto aos negros. No ano seguinte, foi para o Peru; retornou depois a Cartagena e assumiu também as missões entre os escravos das fazendas do interior. Durante toda a sua vida, cuidou de cerca de trezentos mil escravos. Em 1639, quando o Papa Urbano VIII publicou um documento em favor dos escravos, viveu dias felizes. Todavia esse servidor dos escravos morreu paralítico, de doença contraída nas missões da região pantanosa de Tolu e Finu, aos 8 de setembro de 1654</p>
<p>4. As Constituiçoens primeyras do Arcebispado da Bahia (1707) mais de uma vez se voltaram para a sorte dos escravos, procurando fazer que os senhores lhe propiciassem ou facilitassem os bens espirituais. Assim, por exemplo, no tocante ao sacramento do matrimônio, rezavam as Constituições:</p>
<p>"Conforme o direito divino e humano, os escravos e escravas podem casar com outras cativas ou livres e seus senhores lhe não podem impedir o matrimônio nem o uso dele em tempo e lugar conveniente, nem por esse respeito os podem tratar pior, nem vender para outros lugares remotos, para onde o outro, por ser cativo ou por Ter outro justo impedimento, o não possa seguir, e, fazendo o contrário, pecam mortalmente e tomam sobre suas consciências culpas de seus escravos, que por este temor se deixam muitas vezes estar e permanecer em estado de condenação" (D. Sebastião Monteiro de Vide, Constituiçoens, título 71).</p>
<p>Os sacramentos da Eucaristia e da Penitência eram de fácil acesso aos escravos, principalmente na Quaresma, em vista do cumprimento do preceito pascal.</p>
<p>No concernente ao sacramento da Ordem, o impedimento para os escravos não era racial, mas provinha da própria condição de escravos. Regozijavam-se, porém, quando entravam em contatos com sacerdotes negros, que vinham da Costa de Angola ou da ilha de São Tomé, onde havia um cabido de cônegos todos negros.</p>
<p>5. Deve-se notar também o papel benéfico desempenhado pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cujas igrejas eram pontos de encontro de escravos e livres; aí cultuavam a Deus e faziam suas devoções como também exprimiam suas aspirações e deixavam via à tona seus íntimos sentimentos.</p>
<p>Dentre os Estatutos dessas Confrarias merecem destaque alguns tópicos como os seguintes:</p>
<p>"Toda pessoa, preta ou branca, de um ou outro sexo, forro ou cativo, de qualquer nação que seja, que quiser ser Irmão desta irmandade, irá à mesa ou à casa do Escrivão da Irmandade pedir-lhe faça assento de Irmandade" (cap. I do Compromisso da Irmandade da Paróquia do Pilar de Ouro Preto).</p>
<p>O capítulo II do mesmo Compromisso reza:</p>
<p>"Haverá nesta Irmandade um Rei e uma Rainha, ambos pretos, de qualquer nação que sejam, os quais serão eleitos todos os anos em mesa a mais votos e serão obrigados assistir com o seu estado as festividades de Nossa Senhora e mais Santos, acompanhando no último dia atrás do pálio".</p>
<p>Vê-se que nestes textos desaparecem as diferenças raciais; além do que, escravos e livres são equiparados entre si.</p>
<p>6. Descendo através dos tempos, temos uma Carta do Papa Pio VII enviada ao Imperador Napoleão Bonaparte da França, em protesto contra os maus tratos infligidos a homens vendidos como animais; ao que acrescentava: "Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica" (citado por L. Conti, A Igreja Católica e o Tráfico Negreiro, em O Tráfico dos Escravos Negros nos séculos XV-XIX. Lisboa 1979, p. 337).</p>
<p>O mesmo Sumo Pontífice se dirigiu a D. João VI de Portugal nos seguintes termos:</p>
<p>"Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é planamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que... o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem da religião e do gênero humano".</p>
<p>Pio VII também muito se empenhou para que no Congresso Internacional de Viena (1814-15) a instituição da escravatura fosse condenada e abolida</p>
<p>7. Quanto à travessia do Oceano Atlântico por parte dos escravos trazidos em navios negreiros, verifica-se hoje que descrições de Castro Alves e outros autores são hiperbólicas e poéticas, fugindo à realidade histórica. Os brancos tinham interesse em prover à conservação da vida de seus escravos em condições tão boas quanto possível, visto que os negros deviam ser oferecidos aos colonos do Brasil, que os examinariam de perto antes de os comprar. Julga-se até que os traficantes contratavam médicos que acompanhavam a população dos navios negreiros.</p>
<p>2. Alforrias e "Mão Posta"</p>
<p>1. A alforria é ato de libertar um escravo. Tal prática foi notável no Brasil colonial não só em favor dos inválidos (como erroneamente já se disse).</p>
<p>Havia ocasiões propícias à concessão de alforria por parte dos senhores: festas familiares, confecção de testamento, visitas episcopais... A alforria podia ser concedida também como recompensa à lealdade no serviço.</p>
<p>Além disto, registram-se os vários casos de escravos que compravam a sua liberdade ou a conseguiam através de padrinhos e madrinhas benfeitores.</p>
<p>Os libertos ajudavam os ex-companheiros de serviço a conseguirem a sua libertação. As próprias Irmandades emprestavam dinheiro para que o escravo se tornasse forro.</p>
<p>Podia outrossim ocorrer a chamada "coartação": o escravo e o patrão estipulavam o preço do resgate, que o servo ia pagando aos poucos; entrementes, o cativo já gozava de vários direitos do homem livre.</p>
<p>Mais: os escravos que denunciassem um contrabando, eram libertados pelo Estado. Aqueles que encontrassem diamantes acima de vinte quilates, eram alforriados.</p>
<p>Na Bahia os negros organizaram "fundos de empréstimos" para facilitar a compra da alforria; essas organizações foram-se convertendo em sociedades emancipacionistas. A eficácia de tais instituições pode-se avaliar pelo seguinte depoimento de Herbert S. Klein, doutor pela Universidade de Chicago e autor do livro African Slavery in Latin America and the Caribbean, onde assevera:</p>
<p>"Na época do primeiro censo nacional brasileiro, em 1872, havia 4,2 milhões de pessoas de cor livres e 1,5 milhão de escravos. As pessoas de cor livres não apenas ultrapassavam em número os 3,8 milhões de brancos, mas também representavam 43% da população brasileira, de 10 milhões de habitantes. Tudo isto mais de uma década antes da abolição da escravatura" (pp. 241-3).</p>
<p>A Igreja incentivou as formas de libertação dos cativos, como bem dizia D. Pedro Maria de Lacerda, bispo do Rio de Janeiro:</p>
<p>"provemos que os aplausos tantas vezes dados a quem dava alforria, eram aplausos sinceros, nascidos de um coração ansioso de ver a liberdade refulgir mais e mais entre os homens à sombra da Cruz" (Carta Pastoral anunciando a Lei nº 2040 de 27/09/1871).</p>
<p>2. A Manu posita (Mão posta) era a prática de angariar recursos para redimir cativos por parte de pessoas caridosas; estas eram chamadas "manuposteiros". Constituiam associações com o Seu Regimento; os membros dessas entidades tinham cada qual a sua função: ora a de esmolér, que pedia donativos por ocasião das festas ou nas fazendas, nas igrejas, nas ermidas..., ora a de escriturar as receitas (escrivães), ora a de guardá-las e distribui-las na qualidade de tesoureiro...</p>
<p>Aliás, existiam na Igreja a Ordem da SS. Trindade, desde 1198, e a dos Mercedários ou Nolascos desde 1222, destinadas a redimir os cativos detidos pelos Sarracenos. A existência dessas ordens era, por si mesma, uma réplica à prática da escravatura: como explicar a arrecadação de elevadas somas para pôr em liberdade cativos, se de outro lado, os próprios portugueses aprisionavam africanos e os reduziam à escravidão? Os Trinitários e os Mercedários suscitaram, por seu trabalho, uma mentalidade anticativeiro, que se exprimiu no Brasil através dos manuposteiros. Assim descreve o historiador Vítor Ribeiro a solenidade do resgate realizada pelas Ordens Religiosas:</p>
<p>"Era revestida de pompas estranhas a expedição de resgates. Os redentores, depois de terem recolhido as esmolas em cofre especial, despediam-se de El-Rey e do seu convento, deixavam crescer longas barbas, embarcavam com o cofre, e iam à Mauritânia expor-se a mil perigos, vexames e emboscadas com a cautela que a experiência lhes ia aconselhando; negociavam os resgates por intermédio do governo de Bey ou das autoridades e, por fim, conseguindo libertar os cativos, reconduziam-nos ao reino, onde faziam e publicavam longas listas de resgates, com os nomes, idades, naturalidades, condições de cativeiro e libertação e custo dos resgates... Depois, em dia aprazado, fazia-se em Lisboa solene procissão em que entravam várias Ordens e Confrarias, especialmente a da Misericórdia e a Nossa Senhora do Resgate, a qual dava volta à Igreja velha da Misericórdia e regressava ao convento" (cf. História de Portugal, vol. IV , Damião Peres (Dir.) Barcellos, Portucalense Editora 1932, p. 565).</p>
<p>O Bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, em 1871 escrevia na sua Carta Pastoral referente à Lei do Ventre Livre:</p>
<p>"A Igreja Católica alegra-se imensamente à vista do que acaba de realizar-se entre nós. E como não? Por ventura não é a Igreja Católica que deu ao mundo São João da Mata e que aprovou a Ordem dos seus Religiosos da Santíssima Trindade, cujo fim principal foi resgatar os que gemiam cativos em poder dos Sarracenos? Não foi a Igreja Católica que aprovou a Ordem dos Religiosos das Mercês, instituída por São Pedro Nolasco com o fim de resgatar os cativos que viviam sob o poder dos infiéis, obrigando-os a um heroísmo assombroso de caridade, ligando-os com um solene voto a se deixarem eles mesmos em ferros como penhora e reféns, se tanto fosse preciso para o resgate dos Cristãos? E a Igreja Católica não celebra há tantos séculos a 24 de setembro de cada ano a instituição dessa heróica Ordem Religiosa, criada por inspiração de Maria Santíssima, a quem a Igreja reconhece tanti operis Institutricem? E graças a Deus, no quinto dia dentro do oitavário desta festa é que a nova lei brasileira foi sancionada pela Augusta princesa Imperial Regente".</p>
<p>Os frutos da mentalidade humanitária despertada pelo Cristianismo são atestados por vários relatos de viajantes e cronistas que passaram pelo Brasil. Entre outros, merece atenção Henry Koster. Filho de ingleses, nascido em Portugal, chegou ao Brasil em 1809. No seu livro Travels in Brazil relata viagens ao Nordeste e refere-se à condição dos escravos:</p>
<p>"Atesta Koster: "Os escravos no Brasil gozam de maiores vantagens que seus irmãos nas colônias britânicas. Os numerosos dias santos para os quais a Religião Católica exige observância, dão ao escravo muitos dias de repouso ou tempo para trabalhar em seu proveito próprio. Em trinta e cinco desses dias e mais nos domingos é-lhes permitido empregar seu tempo como lhes agradar". Atribui à opinião pública força suficiente para obstar que os senhores diminuíssem o número destes dias, o que revela uma mentalidade altamente humanitária da sociedade de então.</p>
<p>Desce Koster a detalhes sobre as alforrias, porta aberta para a libertação dos cativos...</p>
<p>Destaca o papel não relevante das associações religiosas: "Os escravos possuem sua Irmandade como as pessoas livres, e a ambição que empolga geralmente o escravo é ser admitido numa dessas confrarias, e ser um dos oficiais ou diretores do conselho da sociedade"...</p>
<p>Focaliza a terna devoção dos cativos a Nossa Senhora do Rosário, "algumas vezes, pintada com a face e as mãos negras". Ressalta que "os reis do Congo brasileiro invocam a Nossa Senhora do Rosário e são vestidos como vestem os brancos. Conservam, é verdade, a dança do seu país, mas nessas festas são admitidos pretos africanos de outras nações". É que tribos de diversas regiões africanas, muitas até rivais na África, aqui se irmanavam sob o signo da Mãe comum, a Virgem Maria, que tanto amavam e veneravam.</p>
<p>Que os escravos eram respeitados se deduz deste assento: "Os escravos no Brasil são regularmente casados de acordo com as fórmulas da Igreja Católica. Os proclamas são publicados como se fossem para pessoas livres. Tenho visto vários casais felizes (tão felizes quanto podem ser os escravos), com grande número de filhos crescendo ao redor deles". Nota ainda Koster que era permitido que os escravos se casassem com pessoas livres. Se a mulher era escrava, o filho permanecia cativo; mas se o homem era escravo e a mulher forra, o filho era também livre.</p>
<p>"Aos escravos pertencem os sábados de cada semana para providenciar sua própria subsistência, além dos domingos e dias santificados. Os que são diligentes raramente deixam de comprar sua liberdade. Os monges não guardam interferência alguma quanto às roçarias dadas aos escravos, e quando um desses morre ou obtém sua alforria, permitem que leguem seu pedaço de terra a qualquer companheiro de sua escolha. Os escravos alquebrados são carinhosamente providos de alimento e roupa". (Grifo nosso).</p>
<p>Testemunha ainda que muitos agricultores tratavam sua escravaria com carinho. Aliás, alega textualmente: "Embora os negros sejam sustentados por seus amos, existindo terras com abundância, permitem aos escravos plantar o que quiserem e vender as colheitas a quem lhes aprouver. Muitos criam galinhas e porcos e, ocasionalmente, um cavalo para alugar e possuir o dinheiro assim obtido" (Transcrito do livro de J. Balmes: A Igreja Católica em face da Escravidão, pp. 108-110).</p>
<p>São estes alguns aspectos da história da escravidão no Brasil que devem ser postos em relevo para que se tenha uma visão tão objetiva e fiel quanto possível do período analisado.</p>
<p>3. Observação final</p>
<p>É necessário, sim, reconhecer o passado com realismo e veracidade. Mas não se pode esquecer o presente ainda trágico, que a humanidade vive, trazendo até hoje a chaga da escravatura, embora dissimulada ou elegantemente rotulada.</p>
<p>Eis, a propósito, o que se refere na imprensa de nossos dias:</p>
<p>Mundo tem 200 milhões de crianças escravas</p>
<p>"Londres - Em alguns países podem ser comprados pelo equivalente a apenas US$ 15 e em outros trabalham até 20 horas por dia. Não se trata dos robôs produzidos pela moderna tecnologia, mas de vítimas de um comércio que se acreditava há muito desaparecido: a escravidão de crianças.</p>
<p>Segundo a Sociedade contra a Escravidão, que tem sede em Londres, há no mundo pelos menos 200 milhões de crianças escravas, trabalhando em fazendas, fábricas, na indústria do sexo, esgotando-se em longos expedientes, freqüentemente maltratadas e sempre pagas com migalhas.</p>
<p>No livro "Crianças escravizadas", recentemente lançado, Roger Swayer, de 57 anos, doutor em História, afirma que há no mundo mais escravos hoje que durante o século passado, quando a escravidão se tornou ilegal. Autor de muitas outras sobre a escravidão, ele explica que aparece até como participação forçada das vítimas em conflitos bélicos.</p>
<p>Swayer descreveu em seu livro as condições imperantes numa fábrica do norte da Índia, onde foram libertadas 27 crianças. Algumas haviam sido seqüestradas, outras vendidas por mães desesperadas para receber algumas rúpias imprescindíveis a alimentar o resto da família e outras "hipotecadas" a prestamistas que os parentes das vítimas utilizam para adquirir comida.</p>
<p>"Qualquer tentativa para escapar dos estreitos limites de uma jornada de trabalho de 20 horas era reprimida por golpes com uma vara de ferro ou bambu, e a penalidade por chorar era ser golpeado por uma pedra envolta de pano. O castigo por tentar fugir era ser pendurado numa árvore de cabeça para baixo".</p>
<p>Na Europa e nos Estados Unidos, as crianças-escravas trabalham fundamentalmente para a indústria de sexo. "O sofrimento físico das crianças utilizadas na indústria do cinema pornô, na prostituição e no tráfico de narcóticos faz com que, comparadas às crianças do Terceiro Mundo, pareçam privilegiadas", escreveu Swayer, segundo quem a prostituição infantil e juvenil está proliferando em Paris, Nova York e Londres.</p>
<p>Somente em Paris, segundo especialistas, existem 8.000 crianças de ambos os sexos dedicadas à prostituição, em sua maioria provenientes da Argélia e Marrocos. Em várias grandes cidades dos Estados Unidos existem os denominados "cavalariços", meninos de entre 12 e 14 anos que praticam a prostituição" (O Globo, 25/07/88, p. 12).</p>
<p>Como se vê, ainda mais importante do que censurar o passado é considerar o presente e dar-lhe os remédios de que carece para evitar a persistência da escravatura em nossos dias. Na verdade, somente a fé em Deus, que suscita o amor ao próximo, é capaz de conter a onda de erotismo e ganância que degradam o ser humano em nossos tempos. Possa, pois, o passado servir de escola e advertência ao presente, contribuindo para despertar a consciência do homem contemporâneo para uma das grandes nódoas do momento.<br />
A propósito:</p>
<p>TERRA, JOÃO EVANGELISTA MARTINS, A Igreja e o Negro no Brasil. Ed. Loyola 1983.<br />
PR 274/1984, pp. 240-247 (síntese do livro acima).<br />
Bíblia, Igreja e Escravidão. Coordenador João Evangelista Martins Terra S. J. Ed. Loyola 1983.<br />
PR 267/1983, pp. 106-132.</p>
<p>¹ O. Rainaldi, Annales X (a. 1482).</p>
<p>D. Estevão Bettencourt, osb.</p>
]]></content:encoded>
</item>
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<title><![CDATA[Dom Estevão - DESVIOS NA LITURGIA ]]></title>
<link>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/19/dom-estevao-desvios-na-liturgia/</link>
<pubDate>Fri, 19 Oct 2007 22:39:29 +0000</pubDate>
<dc:creator>gargiulo</dc:creator>
<guid>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/19/dom-estevao-desvios-na-liturgia/</guid>
<description><![CDATA[Em síntese: A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitiu uma Instruç]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Em síntese: A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitiu uma Instrução que corrige abusos ocorrentes na celebração da Liturgia: leituras não bíblicas em lugar da Bíblia, cantos profanos, Oração Eucarística dita pela assembléia... Visa assim a preservar a dignidade do culto sagrado.</p>
<p> <!--more--><br />
A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos entregou ao público uma Instrução que visa a coibir certos abusos ocorrentes na celebração da S. Eucaristia. O documento consta de 186 parágrafos, incutindo de modo geral o respeito à S. Eucaristia e às normas do Missal, em oposição ao subjetivismo improvisador. Vista a importância de tal Instrução, serão, a seguir, apresentados os seus principais tópicos.</p>
<p>1. Desvios mais comuns</p>
<p>Percorrendo a Instrução, somos chamados à atenção para os seguintes pontos:</p>
<p>47. É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que meninos ou jovens... realizem um serviço junto ao altar como acólitos... A este tipo de serviço podem ser admitidas meninas e mulheres segundo o juízo do Bispo diocesano, observadas as normas estabelecidas.</p>
<p>48. Não pode constituir matéria válida para a celebração da Eucaristia o pão feito com outras substâncias que não trigo puro, ainda que sejam cereais. É grave abuso introduzir na confecção do pão para a Eucaristia outros ingredientes como frutas, açúcar, mel.</p>
<p>50. O vinho utilizado na celebração da Eucaristia deve ser natural, puro, fruto da videira, sem mescla de elementos estranhos. Durante a celebração da Missa, misture-se-lhe um pouco de água.</p>
<p>52. A proclamação da Oração Eucarística é própria do sacerdote em virtude da sua ordenação. Por conseguinte é abuso fazer que partes da Oração Eucarística sejam recitadas por um diácono, um ministro leigo ou por um só ou por todos os fiéis juntos.</p>
<p>53. Enquanto o celebrante pronunciar a Oração Eucarística, não se efetuem outras orações ou cantos. Fiquem em silêncio o órgão e outros instrumentos musicais.</p>
<p>Estão aprovadas as aclamações do povo tais como se encontram no Missal.</p>
<p>55. Em algumas regiões difundiu-se o costume abusivo segundo o qual o sacerdote parte a hóstia no momento da consagração. Este abuso, contrário à tradição da Igreja, seja reprovado e corrigido com urgência.</p>
<p>56. Na Oração Eucarística não se omita a referência ao Sumo Pontífice e ao Bispo diocesano; assim é conservada antiquíssima tradição e se manifesta a comunhão eclesial.</p>
<p>57. É um direito da comunidade de fiéis que, principalmente na celebração dominical, haja música sacra adequada. Resplandeçam sempre por sua dignidade e limpeza o altar, os paramentos e os panos sagrados.</p>
<p>59. Cesse a prática reprovável de que sacerdotes, diáconos ou leigos troquem, segundo o seu arbítrio, os textos da Sagrada Liturgia. Quem o faz, torna instável a celebração da Liturgia e não raramente adultera o autêntico sentido da mesma.</p>
<p>60. Na celebração da Missa, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão intimamente conjugadas entre si, formando um só e mesmo ato de culto. Por isto não é lícito separar uma da outra nem celebrá-las em lugares e momentos diversos... Também é ilícito realizar parte da Missa em momentos diferentes, ainda que no mesmo dia.</p>
<p>62. Não é permitido substituir a leitura de textos bíblicos pela de textos não bíblicos.</p>
<p>66. A proibição de admitir os leigos para pregar, dentro da celebração da Missa, também é válida para os alunos de seminários, ou estudantes de teologia, para os que têm recebido a tarefa de "assistentes pastorais" e para qualquer outro tipo de grupo, irmandade, comunidade ou associação.</p>
<p>69. Na santa Missa e em outras celebrações da Sagrada Liturgia não se admita um "Credo" ou Profissão de fé que não se encontre nos livros litúrgicos devidamente aprovados.</p>
<p>71. Conserve-se o costume, do Rito romano, de dar a paz um pouco antes de distribuir a Sagrada Comunhão, como está estabelecido no Ordinário da Missa. Além disso, conforme a tradição do Rito romano, esta prática não tem um sentido de reconciliação, nem de perdão dos pecados, mas sim significa a paz, a comunhão e a caridade, antes de receber a Santíssima Eucaristia. O sentido de conversão ou de reconciliação entre os irmãos se manifesta claramente no ato penitencial que se realiza ao início da Missa, sobretudo quando se usa a primeira fórmula.</p>
<p>72. Convém que cada um dê a paz, sobriamente, só aos mais próximos a si. O sacerdote pode dar a paz aos ministros, permanecendo sempre dentro do presbitério, para que não altere a celebração. Proceda do mesmo modo se, por uma causa razoável, deseja dar a paz a alguns fiéis. No que se refere ao significado (sinal) para se desejar a paz, estabeleça a Conferência dos Bispos qual é a forma mais apropriada, com o reconhecimento da Sé Apostólica, de acordo com a idiossincrasia (características próprias) e os costumes dos povos.</p>
<p>74. Quando se considera a necessidade de que instruções ou testemunhos sobre a vida cristã sejam expostos por um leigo aos fiéis congregados na igreja, sempre é preferível que isto se faça fora da celebração da Missa. Havendo causa grave, é permitido dar este tipo de instruções ou testemunhos, depois que o sacerdote pronuncie a oração após a Comunhão. Mas isto não se pode tornar um costume. Além disto, estas instruções e testemunhos de nenhuma maneira podem ter um sentido que possa ser confundido com a homilia, nem se permite que, por isso, seja suprimida totalmente a homilia.</p>
<p>77. A celebração da santa Missa, de nenhum modo, pode ser inserida como parte integrante de uma ceia comum, nem se unir com qualquer tipo de banquete. Não se celebre a Missa, a não ser por grave necessidade, sobre uma mesa de refeição, ou num refeitório, ou num lugar que será utilizado para uma festa, nem em qualquer sala onde haja alimentos, nem os participantes na Missa se sentem à mesa, durante a celebração. Se, por uma grave necessidade, se deva celebrar a Missa no mesmo lugar onde depois será realizada a refeição, deve-se deixar um espaço suficiente de tempo entre a conclusão da Missa e o início da refeição, sem que se exibam aos fiéis, durante a celebração da Missa, alimentos ordinários.</p>
<p>78. Não é permitido relacionar a celebração da Missa com acontecimentos políticos ou mundanos, ou com outros elementos que não concordem plenamente com o Magistério da Igreja Católica. Além disso, se deve evitar totalmente a celebração da Missa pelo simples desejo de ostentação ou celebrá-la de acordo com o estilo de outras cerimônias, especialmente profanas, para que a Eucaristia não se esvazie de seu significado autêntico.</p>
<p>79. Por último, o abuso de introduzir, na celebração da santa Missa, ritos tomados de outras religiões, contrários ao que se prescreve nos livros litúrgicos, deve ser julgado com grande severidade.</p>
<p>80. O ato penitencial, situado ao início da Missa, tem a finalidade de dispor a todos para que celebrem adequadamente os sagrados mistérios, embora careça da eficácia do sacramento da Penitência; não se pode pensar que substitua, para o perdão dos pecados graves, o sacramento da Penitência. Os pastores de almas cuidem diligentemente da catequese, para que a doutrina cristã sobre esta matéria se transmita aos fiéis.</p>
<p>81. O costume da Igreja manifesta ser necessário que cada um se examine a si mesmo em profundidade para que quem seja consciente de estar em pecado grave, não celebre a Missa nem comungue o Corpo do Senhor sem recorrer antes à confissão sacramental, a não ser que haja motivo grave e não ocorra a oportunidade de se confessar; neste caso, lembre-se de que é obrigado a fazer um ato de contrição perfeita, que inclua o propósito de se confessar o quanto antes.</p>
<p>83. Certamente, o melhor é que todos aqueles que participam na celebração da santa Missa e têm as devidas condições, recebam nela a sagrada Comunhão. Acontece, porém, que os fiéis indiscriminadamente se cheguem à mesa sagrada. A tarefa dos pastores é corrigir com prudência e firmeza tal abuso.</p>
<p>84. Onde se celebre a Missa para uma grande multidão ou nas grandes cidades, deve-se vigiar para que não recebam a sagrada Comunhão, por ignorância: os não-católicos ou os não-cristãos. Corresponde aos pastores advertir, no momento oportuno, os presentes sobre a verdade e disciplina que se deve observar estritamente.</p>
<p>86. Os fiéis devem ser guiados com insistência para o costume de participar no sacramento da Penitência fora da celebração da Missa, especialmente em horas estabelecidas, para que assim se possa administrar com tranqüilidade, sendo para eles de verdadeira utilidade e não impedindo uma participação ativa na Missa.</p>
<p>87. A primeira Comunhão das crianças deve estar sempre precedida da confissão e absolvição sacramental. Além disso, a primeira Comunhão sempre deve ser administrada por um sacerdote e, certamente, nunca fora da celebração da Missa. Salvo casos excepcionais, é pouco adequado que se administre na Quinta-feira Santa, "in Coena Domini". O melhor será escolher outro dia, como os domingos II-VI do tempo Pascal, ou a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ou dos domingos do Tempo Comum, posto que o domingo é justamente considerado como o dia da Eucaristia. O pároco não permita que recebam a sagrada Eucaristia as crianças que ainda não tenham chegado ao uso da razão ou os que o pároco não julgue suficientemente dispostos. Sem dúvida, quando acontece que uma criança seja considerada madura para receber o sacramento, não se lhe deve negar a primeira Comunhão, sempre que esteja suficientemente instruída.</p>
<p>90. Os fiéis comunguem de joelhos ou em pé, de acordo com o que estabelece a Conferência dos Bispos, com a confirmação da Sé apostólica. Quando comungarem em pé, recomenda-se fazer, antes de receber o Sacramento, a devida reverência, que deve ser estabelecida pelas mesmas normas.</p>
<p>91. Na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pede de modo oportuno, e esteja bem disposto. Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim, pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou em pé.</p>
<p>92. Todo fiel tem sempre o direito de escolher receber a sagrada Comunhão na boca ou na mão. Ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se afaste tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.</p>
<p>93. A bandeja para a Comunhão dos fiéis se deve manter, para evitar o perigo de que caia no chão a hóstia consagrada ou algum fragmento.</p>
<p>94. Não é permitido que os fiéis tomem a hóstia consagrada nem o cálice sagrado por si mesmos, nem muito menos que o passem entre si de mão em mão. Além disso, deve-se suprimir o abuso de que os esposos, na Missa nupcial, administrem de modo recíproco a sagrada Comunhão.</p>
<p>95. O fiel leigo que já tenha recebido a Santíssima Eucaristia, pode recebê-la outra vez no mesmo dia somente dentro da celebração eucarística da qual participe.</p>
<p>100. Para que, no banquete eucarístico, a plenitude do sinal apareça ante os fiéis com maior clareza, são admitidos à Comunhão sob as duas espécies também os fiéis leigos, nos casos indicados nos livros litúrgicos, com a devida catequese prévia sobre os princípios dogmáticos que nesta matéria estabeleceu o Concílio Ecumênico Tridentino.</p>
<p>101. Para administrar aos fiéis leigos a sagrada Comunhão sob as duas espécies, deve-se ter conhecimento das circunstâncias, sobre as quais devem julgar os Bispos diocesanos. Deve-se excluir totalmente este rito quando exista perigo de profanação das sagradas espécies.</p>
<p>103. As normas do Missal Romano admitem o princípio de que, nos casos em que se administra a sagrada Comunhão sob as duas espécies, o sangue do Senhor pode ser bebido diretamente do cálice, ou por intinção, ou com uma palheta, ou uma colher pequenina. No que se refere à administração da Comunhão aos fiéis leigos, os Bispos podem excluir, nos lugares onde não seja costume, a Comunhão com palheta ou com uma colher pequenina, permanecendo sempre, não obstante, a opção de distribuir a Comunhão por intinção. Para se utilizar esta forma, usam-se hóstias que não sejam nem demasiadamente delgadas nem demasiadamente pequenas e o comungante receba do sacerdote o sacramento, somente na boca.</p>
<p>104. Não se permita ao comungante molhar por si mesmo a hóstia no cálice, nem receber na mão a hóstia molhada. No que se refere à hóstia que se deve molhar, esta deve ser de matéria válida e estar consagrada, ficando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.</p>
<p>108. A celebração eucarística deve ocorrer em lugar sagrado, a não ser que, em caso particular, a necessidade exija outra coisa; neste caso, a celebração deve se realizar em lugar digno. Da necessidade do caso julgará, habitualmente, o Bispo diocesano para sua diocese.</p>
<p>109. Nunca é lícito a um sacerdote celebrar a Eucaristia em um templo ou lugar sagrado de qualquer religião não cristã.</p>
<p>112. A Missa se celebre quer em língua latina; quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que tenham sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim.</p>
<p>115. Reprove-se o abuso de suspender de forma arbitrária a celebração da santa Missa em favor do povo, sob o pretexto de promover o "jejum da Eucaristia", contra as normas do Missal Romano e a santa tradição do Rito romano.</p>
<p>126. Seja reprovado o abuso de que os sagrados ministros celebrem a santa Missa, sem usar as vestes sagradas ou só com a estola sobre a roupa monástica, ou o hábito dos religiosos, ou a roupa comum, contra o prescrito nos livros litúrgicos. Os Ordinários cuidem de que este tipo de abuso seja corrigido quanto antes e haja, em todas as igrejas e oratórios de sua jurisdição, um número adequado de vestes litúrgicas, confeccionadas de acordo com as normas.</p>
<p>130. De acordo com a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes de cada lugar, o Santíssimo Sacramento será guardado em um sacrário, na parte mais nobre da igreja, mais insigne, mais destacada, mais convenientemente adornada e também apropriada pela tranqüilidade do lugar, para a oração, com espaço diante do sacrário, assim como suficientes bancos ou assentos e genuflexórios. Atenda-se diligentemente, além disso, a todas as prescrições dos livros litúrgicos e às normas do direito, especialmente para evitar o perigo de profanação.</p>
<p>132. Ninguém leve a Sagrada Eucaristia para casa ou a outro lugar, contra as normas do Direito. Deve-se considerar, além disso, que roubar ou reter as sagradas espécies com um fim sacrílego, ou jogá-las fora, constitui um dos "graviora delicta" (delitos graves), cuja absolvição está reservada à Congregação para a Doutrina da Fé.</p>
<p>133. O sacerdote, o diácono, o ministro extraordinário, quando o ministro ordinário esteja ausente ou impedido, ao levar ao enfermo a Sagrada Eucaristia para a Comunhão, irá diretamente, na medida do possível, desde o lugar onde se guarda o Sacramento até o domicílio do enfermo, excluída qualquer atividade profana, para evitar todo perigo de profanação e para guardar o máximo respeito ao Corpo de Cristo. Além disso, siga-se sempre o ritual para administrar a Comunhão aos enfermos, como se prescreve no Ritual Romano.</p>
<p>138. O Santíssimo Sacramento nunca deve permanecer exposto sem suficiente vigilância, nem sequer por tempo muito breve. Portanto, faça-se a exposição de tal forma que, em momentos determinados, sempre estejam presentes alguns fiéis, ao menos por turno.</p>
<p>158. O ministro extraordinário da sagrada Comunhão pode administrar a Comunhão somente na ausência do sacerdote ou diácono, quando o sacerdote está impedido por enfermidade, idade avançada, ou por outra verdadeira causa, ou quando é tão grande o número dos fiéis que se reúnem à Comunhão, que a celebração da Missa se prolongaria demasiado. Por isso, deve-se entender que uma breve prolongação da missa seria uma causa absolutamente insuficiente, de acordo com a cultura e os costumes próprios do lugar.</p>
<p>167. De maneira parecida, não se pode pensar em substituir a santa Missa dominical por Celebrações ecumênicas da Palavra ou encontros de oração em comum com cristãos membros de outras [...] comunidades eclesiais, ou bem pela participação em seu serviço litúrgico. Vigiem os pastores para que entre os fiéis católicos não se produza confusão sobre a necessidade de participar da Missa de preceito, também nestas ocasiões, a outra hora do dia.</p>
<p>2. Os Delitos mais graves</p>
<p>172. Os atos mais graves contra a santidade do Sacratíssimo Sacramento e Sacrifício da Eucaristia e os sacramentos, são tratados de acordo com as Normas sobre os Graviora delicta reservados à Congregação para a Doutrina da Fé:</p>
<p>a) roubar ou reter com fins sacrílegos, ou jogar fora as espécies consagradas;</p>
<p>b) tentar a realização da liturgia do Sacrifício eucarístico ou praticar a simulação da mesma;</p>
<p>c) concelebração proibida do Sacrifício eucarístico juntamente com ministros de Comunidades eclesiais que não tenham sucessão apostólica, nem reconhecida a dignidade sacramental da ordenação sacerdotal;</p>
<p>d) consagração com fim sacrílego de uma matéria sem a outra, na celebração eucarística ou também de ambas, fora da celebração eucarística.</p>
<p>183. De forma muito especial, todos procurem, de acordo com seus meios, que o santíssimo sacramento da Eucaristia seja defendido de toda irreverência e deformação, e todos os abusos sejam completamente corrigidos. Esta é uma tarefa gravíssima para todos e cada um, excluída toda acepção de pessoas, todos estão obrigados a cumprir esta tarefa.</p>
<p>184. Qualquer católico, seja sacerdote, seja diácono, seja fiel leigo, tem direito a expor uma queixa por abuso litúrgico ao Bispo diocesano ou ao Ordinário competente. Convém, que, na medida do possível, a reclamação ou queixa seja exposta primeiro ao Bispo diocesano. Isto se faça sempre com veracidade e caridade.</p>
<p>À guisa de comentário, a Redação de PR acrescenta: compreende-se o rigor destas normas desde que se tenha compreendido a sublimidade da S. Eucaristia: perpetuação do sacrifício do Calvário sobre os nossos altares.</p>
<p>Publicado na Revista Pergunte e Responderemos</p>
<p>Dom Estevão Bettencourt, OSB</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Dom Estevão - Braço a braço com Deus]]></title>
<link>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/18/dom-estevao-braco-a-braco-com-deus/</link>
<pubDate>Thu, 18 Oct 2007 17:25:45 +0000</pubDate>
<dc:creator>gargiulo</dc:creator>
<guid>http://catolicosnarede.wordpress.com/2007/10/18/dom-estevao-braco-a-braco-com-deus/</guid>
<description><![CDATA[Revista Pergunte e Responderemos - Ano XLVII - Outubro 2007 - nº 544
Em síntese: A revista VEJA de]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p>Revista Pergunte e Responderemos - Ano XLVII - Outubro 2007 - nº 544</p>
<p>Em síntese: A revista VEJA de 27/6/07 apresenta quatro livros de ateus estrangeiros que têm sido amplamente difundidos, ridicularizando a Religião. O presente artigo procura demonstrar a inconsistência dos argumentos em prol do ateísmo.</p>
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<p>O episódio de 11 de setembro 2002 e o surto religioso que o acompa­nhou sob diversas modalidades, têm provocado a réplica de ateus, que vêm publicando obras que combatem a fé como grande ilusão ou maluqui­ce infantil ou ainda fator alienante ultrapassado, diz-nos a revista VEJA de 27/6/07: são citados quatro autores de escritos ateus: o biólogo inglês Richard Dawkins, o filósofo americano Dennett, o jornalista inglês Christopher Hitchens e o filósofo francês Michel Onfray. Vamos, a seguir, transmitir as principais sentenças desses pensadores e propor-Ihes uma resposta.</p>
<p>1. Que dizem os ateus?</p>
<p>Eis algumas das afirmações mais características de tais pensadores:<br />
"O mundo seria melhor sem Deus" (Dawkins, Onfraye Hitchens). "Mesmo um ateu pode e deve cultivar valores sagrados como a verdade, o amor, a democracia".</p>
<p>"Uma vida sem Deus tampouco precisa ser vazia de sentido, como bem demonstrou o filósofo inglês Bertrand Russe: "Acredito que, quando eu morrer, irei apodrecer e nada do meu ego sobrevivera. Mas me recuso a tremer de terror diante da minha aniquilação. A felicidade não é menos feliz porque deve devem chegar a um fim, nem o pensamento e o amor perdem seu valor porque não são eternos'" (Dennett).</p>
<p>"A existência de Deus não pode ser comprovada nem tampouco há como a negar...<br />
Dawkins admite que é impossível negar Deus, mas nem por isso ateísmo e teísmo são hipóteses equivalentes. A evolução parte de elementos simples para chegar a formas complexas como o olho ou o cérebro humano. A hipótese teísta seria uma inversão dessa lógica: colo­ca uma inteligência complexa como origem de todo o universo. Não se trata, portanto, de dizer que Deus não existe; ele seria apenas muito, muito improvável".</p>
<p>Em relação ao Catolicismo a agressão é muito violenta:<br />
" Santíssima Trindade é acompanhada pela Virgem Maria, uma deusa de fato, embora não seja chamada assim. O panteão católico é inflado ainda pelos santos, que, se não são semideuses, têm poderes de intercessão em áreas especializadas que incluem dores abdominais, anorexia, desordens intestinais. O que me impressiona na mitologia cató­lica é não só a sua qualidade kitsch, mas também a falta de vergonha com que essa gente fabrica as coisas no andar da carruagem. É tudo despu­doradamente inventado".</p>
<p>Richard Dawkins, biólogo inglês, em The God Delusion Frente ao Antigo Testamento:</p>
<p>"Nem é preciso dizer que nenhum dos eventos repulsivos e desordenados que o Êxodo narra aconteceu. Não houve fuga do Egito, nem peregrinação pelo deserto, e nem a conquista dramática da Terra Prometida - (. . .) os horrores e crueldades e loucuras do Velho Testamen­to. E quem - a não ser por sacerdotes antigos que exercem o poder atra­vés do método consagrado da imposição do terror - poderia desejar que esse novelo emaranhado de fábulas seja verdadeiro?"</p>
<p>Christopher Hitchens, jornalista americano em God Is Not Great<br />
2. Que respondem os cristãos?</p>
<p>1. "O mundo seria melhor sem Deus .. ,"</p>
<p>Os ateus talvez digam isto impressionados pelas guerras de Religião ocorrentes na história da humanidade.</p>
<p>A respeito observamos:</p>
<p>Para os antigos, era, muitas vezes, dever de consciência empreen­der uma guerra para salvaguardar valores religiosos. Tal era a importância que atribuíam à fé. - Hoje em dia já não se pensa assim. Mas não se podem julgar os antepassados segundo categorias de pensamento que eles não tinham nem podiam ter. Ao cristão é necessário defender as verdades da fé, sem, porém, chegar ao recurso das armas.</p>
<p>Feita esta ponderação, devemos dizer que a religião, além de ser culto a Deus, é um fator morigerante ou educativo de alto valor. Muitos são aqueles e aquelas que, após uma vida devassa e desesperadora, se voltam para a Religião e se tornam novas criaturas. Nada há de mais poderoso do que a Religião para motivar feitos heróicos. Por isto o mundo não seria melhor sem religião.</p>
<p>O ateu pode ser uma pessoa moralmente honesta e digna, porque em seu íntimo existe a lei natural com seus ditames: "Não matar, não roubar, não caluniar". Mas é bem difícil sustentar essa bondade natural, tal é a força das paixões que habitam no coração humano ou que o atraem no seu ambiente de vida. Sartre dizia: "Se Deus não existe, tudo é permitido; sou carrasco ou açougueiro". Na verdade, se Deus não existe, nada há acima do homem que o obrigue a determinado procedimento ou lho proíba; cada qual fará seu código de Ética, de acordo com suas conveniências. "Cada um na sua', como proclamam os existencialistas. O cidadão será carrasco ou açougueiro, de acordo com os referenciais do momento. Acontece, porém, que o homem foi feito para o Absoluto e não consegue viver plenamente sem tal parâmetro transcendental.</p>
<p>2. "Quando eu morrer, apodrecerei e nada ficará de mim"</p>
<p>Estas são palavras que contrariam a aspiração natural do ser humano à Vida, à Verdade, ao Amor... Bem dizia S. Agostinho: "Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti". A morte é um corte, se não há continuidade no além, deixa o homem frustrado no que ele tem de mais autêntico e legítimo: o anseio de viver, de conhecer a Verdade, de experimentar o Amor, a Bondade, a Justiça ...<br />
Bertrand Russell afirma que a felicidade, por ser finita, não deixa de ser felicidade ... Sim, ainda é felicidade, mas chorosa em seu íntimo, pois todo ser humano tem sede de Bem (aventurança) sem limites. Quem teria coragem para dizer "Não" a uma alegria sadia e reconfortante? Por que será necessário dar-lhe um fim?<br />
3. Prova-se ou não a existência de Deus?<br />
A sã filosofia (não só a Teologia) prova que Deus existe, pois todo relógio supõe um relojoeiro ou, em linguagem mais erudita: todo ser contin­gente (que existe, mas poderia não existir) requer uma causa que tenha feito passar do não-existir para o existir. O mundo, complexo como é, desde a bactéria até o olho e o cérebro humanos, não pode ser produto do acaso.<br />
Se não tem causa, o mundo é eterno, é o próprio Deus - o que não condiz com a volubilidade das criaturas passageiras deste mundo. É preciso que exista um Ser Supremo, sumamente inteligente e poderoso, que tenha dado origem à matéria que evoluiu após o bíg bang. Não é lógico admitir que Deus seja muito, muito improvável, como diz o ateu.<br />
Em geral os ateus não tocam na questão da origem da matéria primordial, pois essa temática leva a descobrir Deus, limitam-se a explicar a origem da vida sem Deus - o que é aceitável para os graus da vida vegetativa e da sensitiva, não para a vida intelectiva, que supõe uma alma espiritual, especialmente criada por Deus.<br />
Ocorre porém que um cientista não pode furtar-se a uma questão atinente à sua área de trabalho, como é a questão da origem da matéria inicial: A verdadeira ciência não tem medo da verdade.</p>
<p>4. O "panteão católico"</p>
<p>Richard Darkins caricatura a mensagem católica para zombar da mesma.<br />
o Catolicismo está longe de considerar Maria Santíssima "a mais bendita de todas as mulheres", como uma deusa. Atribui-se-lhe profunda estima e veneração, por ter concebido Deus Filho em seu seio, jamais, porém adoração.<br />
Os Santos não são semideuses, mas criaturas que correram o pá¬reo com grande êxito, e hoje junto a Deus continuam a interceder por nós, como nós intercedemos por nossos irmãos necessitados aqui neste mun¬do. A morte não rompe a comunhão ou solidariedade existente entre os filhos de Deus. A piedade popular pode ter exagerado o papel dos Santos na vida católica; assim fazendo, não é representativa do pensamento ca¬tólico. Este professa que há um só Mediador entre Deus e os homens, Mediador que quer comunicar sua obra mediadora aos justos para que pela oração colaborem com Cristo na salvação dos seus semelhantes.<br />
Acusam a Igreja de se envolver em assuntos de ordem temporal ou material, como casamento, sexo, experiências científicas ... , quando ela deveria ficar no plano meramente espiritual sem interferência na vida pú¬blica dos homens. - Em resposta, notamos que o ser humano é psicossomático; tem uma alma espiritual que vive num corpo e num mun¬do materiais, de modo que as questões de índole material importam à Igreja na medida em que são ou não são conformes à lei de Deus. É somente o ponto de vista ético que a Igreja atinge.</p>
<p>5. O Antigo Testamento</p>
<p>Michel Onfray zombeteia acerca da história do Antigo Testamento como nenhum cientista faria. Revela não ter estudado o assunto, de modo que fala levianamente, em contraste com sua veia filosófica.<br />
Fazendo contraparte a todo o ceticismo ateu, que extingue o senso místico de todo ser humano, publicamos, a seguir, bela página de Santo Agostinho, que escreve em nome do que há de mais íntimo dentro de cada um de nós.<br />
6. Em contraste: Santo Agostinho<br />
"Ninguém vem a Mim, senão aquele que é atraído por meu Pai. Não julgues que és atraído contra a tua vontade: a alma também é atraída pelo amor. Não devemos temer a censura que, por causa destas palavras evan¬gélicas da Sagrada Escritura, poderiam dirigir-nos alguns homens, que pesam materialmente as palavras, mas estão muito longe de compreender o verdadeiro sentido das coisas divinas. Poderiam dizer-nos "Como posso acreditar livremente, se sou atraído?". E eu respondo: "Parece-me pouco dizer que somos atraídos livremente: é com prazer que sentimos a força dessa atração".<br />
Que significa ser atraído com prazer Põe as tuas delícias no Se¬nhor e Ele satisfará os anseias do teu coração. Trata-se de um certo ape¬tite da alma que nos torna saboroso pão do céu. Se o poeta pôde dizer:<br />
"Cada um é atraído pelo próprio apetite", não pela necessidade, mas pelo prazer, não pela obrigação, mas pelo gosto, não poderíamos dizer nós com maior razão, que o homem é atraído para Cristo, porque põe as suas delicias na verdade, na bem-aventurança, na justiça, na vida eterna, e sabe que Cristo é tudo isto?<br />
Acaso terão os sentidos corporais os seus prazeres, sem que o es¬pírito tenha também os seus? Se o espírito não pode experimentar as suas delícias, por que se diz no salmo: À sombra das vossas asas se refugiam os homens? Podem saciar-se da abundância da vossa casa e vós os inebriais com a torrente das vossas delícias. Em Vós está a fonte da vida e é na vossa luz que veremos a luz.<br />
Apresenta-me alguém que ame e compreenderá o que afirmo. Apre¬senta-me alguém que deseje, que tenha fome, que se sinta peregrino e exilado neste deserto, que tenha sede e suspire pela fonte da pátria eterna; apresenta-me um destes homens e compreenderá o que digo. Mas se falo a um coração frio, esse não pode compreender nada do que estou a dizer.<br />
Se as delícias e os gostos terrenos, quando se oferecem a quem os ama, exercem tão forte atração, porque "cada um é atraído pelo próprio apetite", como não há de atrair-nos o amor de Cristo, que é a revelação do Pai? Que pode a alma desejar mais ardentemente que a verdade? De que outra coisa pode sentir-se o homem mais faminto? Para que deseja ele ter são o paladar interior senão para discernir a verdade, para comer e beber a sabedoria, a justiça, a verdade, a eternidade?<br />
Diz o Senhor: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, cá na terra, porque serão saciados, lá no céu". Dou-Ihes o que amam; dou-Ihes o que esperam; verão aquilo em que acreditaram sem ver; comerão e serão saciados com aqueles bens de que tiveram fome e sede. Onde? Na ressurreição dos mortos, porque Eu os ressuscitarei no último dia".<br />
Sem dúvida, a volúpia de que fala S. Agostinho é mais valiosa do que o vazio apregoado pelo ateísmo.</p>
<p>"Todo homem tem dentro de si um vazio do tamanho de Deus". (Dostoievski)</p>
<p>Dom Estevão Bettencourt, OSB</p>
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