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	<title>conto-de-amor &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "conto-de-amor"</description>
	<pubDate>Fri, 05 Sep 2008 05:31:50 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Uma História Clichê e Verdadeira]]></title>
<link>http://palomarosa.wordpress.com/?p=36</link>
<pubDate>Sat, 26 Jan 2008 19:36:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>palomarosa</dc:creator>
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<description><![CDATA[Ela era Ana; ele, Daniel. Se conheceram no tempo de colégio. Ana era bela, bela Ana, pois a beleza ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Ela era Ana; ele, Daniel. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Se conheceram no tempo de colégio. Ana era bela, bela Ana, pois a beleza está no espírito das coisas. Era menina doce. Ainda não conhecia o transbordar de vida que morava dentro dela. Ana não se permitia passar pelo estado verde das coisas: o estado da beleza bruta. Era dura de tão angelical, comportada e sensata. Ela sabia que seu comportamento não condizia com o que sentia no fundo de si, mas ela não sabia o que sentia. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Daniel era menino-homem, observador e belo. Daniel era poeta e amou Ana no primeiro instante em que a viu. E um dia, fez Ana receber um bilhete-poema-carta. Entregou o papel e foi-se embora. Ana ficou imóvel. </span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E era como se fosse o primeiro beijo. E este beijo falava de água, de mar, de uma pedra e da beleza, da sua beleza. Com suas palavras, Daniel tocou Ana. E ela, com o espírito tocado, tocava-se em si mesma. A alma por si só tocava seu corpo, e era como se fosse a primeira noite de amor. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E foi só assim que eles se conheceram, por palavras e por ir a fundo um em cada um. E a cada dia se comunicavam por bilhetes escondidos, como casais que se espreitam atrás de alguma moita, se agarram num elevador vazio, na escada de um prédio, no banheiro de um botequim... </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Ana não via a hora de deixar um bilhete no livro que Daniel havia emprestado a um amigo e este pedido à Ana que devolvesse ao Daniel. E estes bilhetes falavam de mar, de água, sol, flores, cores, dessas coisas que têm alma, e não falavam de gente.</span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"><span>            </span></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"><span></span></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Mas um dia, Daniel foi embora. Deixou o colégio e deixou também Ana na sua pacata vida de boa menina. Deixou-a apenas com a memória escrita e a pena de sua ausência. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E o silêncio fez-se escuro. Ana tateava no mundo sem o seu alimento que surgia em tão pouco tempo: a vida das palavras. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">No escuro da ausência, Ana viu, porém, que o silêncio era a presença das tintas derramadas, que eram tantas... </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E o silêncio escuro fez-se dia. E Ana acordou Daniel dentro de si. Ela se tornava mulher, e não era mais santa, nem pacata. Sentia seu corpo despontar, seus desejos cantarem, seus olhos chorarem – e escrevia. A cada dia escrevia. E foi tomando sua vida, galgando num cavalo branco, sem sela, nem rédeas. Ela nua com a vida, no cavalo, os cabelos longos e a boca vermelha. E com suas palavras Ara virou mulher. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E no seu estado mulher foi vivendo sozinha. E vivia como gente comum. Estudou, estudava, trabalhou, trabalhava – e escrevia. De ônibus em ônibus, de par em par, de bar em bar, na vida urbana ela vivia.</span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"><span>            </span></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"><span></span></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Um dia, Ana saiu do trabalho, ia para casa pensando em nada, e sentido o cheiro do nada. Duas horas da tarde, <i>hora dura em que todas as coisas estão visíveis</i> – este pensamento ela já tinha sentido antes. Lembrou-se da última carta de Daniel. Ele é que havia escrito estas palavras, mas agora eram dela também. Sorriu. </span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">O ônibus passava ao lado de uma igreja azul. Batia um vento leve e, na calçada, um homem andava solto pelo vento. Os cabelos livres e uma linda barba de profeta. Os olhos iam de encontro ao sol.<span>              </span></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"><span></span></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">E foi só de um suspiro que as águas se misturaram no fogo e Ana transbordou pela janela...</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"></span><span style="font-size:12pt;font-family:'Times New Roman';"><span>-<span style="font:7pt 'Times New Roman';">          </span></span></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Daniel!</span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;"></span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Gritou com toda sua<span>  </span>alma. Ele sentiu a voz de Ana e se olharam. E se viram tão dentro como ainda não tinham se visto. Eram um. E se amaram durante menos de meio minuto e por todo o sempre. Ela seguiu no ônibus, ele continuou a caminhar.</span><span style="font-size:12pt;font-family:Garamond;">Ele era Ana; ela, Daniel.</span><span><font size="2" face="Arial"> </font></span></p>
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