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	<title>biografias-vidas &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
	<link>http://wordpress.com/tag/biografias-vidas/</link>
	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "biografias-vidas"</description>
	<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 23:35:56 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[TEXTOS INÉDITOS DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (Actualização)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=790</link>
<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 09:02:17 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Acabou de ser publicado em edição conjunta da Dinossauro / Abrente Editora uma colectãnea de textos]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/06/fmrod2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-789" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/06/fmrod2.jpg?w=171" alt="" width="171" height="300" align="left" /></a></p>
<p>Acabou de ser publicado em edição conjunta da Dinossauro / Abrente Editora uma colectãnea de textos de Francisco Martins Rodrigues que inclui memórias inéditas (escritas em 2006) sobre os seus tempos de funcionário clandestino do PCP e as suas primeiras prisoes. Em anexo, republica-se o relatório que escreveu sobre a tortura de sono (1966) e a defesa em Tribunal (1970).</p>
<p>Num suplemento especial que lhe dedicou a revista <strong>Política Operária</strong> (115, Maio/Junho 2008 ) de que tinha sido director, há um texto inédito intitulado "Duas correntes na resistência ao fascismo" sobre a cisão com o PCP.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MATERIAIS EM LINHA SOBRE ANTÓNIO JOAQUIM GOUVEIA ("ANTÓNIO MELENAS") (1929-2008)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=783</link>
<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 08:45:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=783</guid>
<description><![CDATA[
Autobiografia e outros textos sobre Moscavide.
Texto nos blogues Escritos Outonais e Enquanto e N]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/06/antjoaquimgouveia.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-784" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/06/antjoaquimgouveia.jpg?w=142" alt="" width="142" height="200" align="left" /></a><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/06/antjoaquimgouveia-2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-785" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/06/antjoaquimgouveia-2.jpg?w=235" alt="" width="156" height="197" align="left" /></a><a href="http://sobremoscavide.com.sapo.pt/"></a></p>
<p><a href="http://sobremoscavide.com.sapo.pt/">Autobiografia e outros textos sobre Moscavide</a>.</p>
<p>Texto nos blogues <a href="http://escritosoutonais.blogspot.com/">Escritos Outonais</a> e <a href="http://enquantoenao.blogspot.com/">Enquanto e Não</a> , incluindo memórias da sua prisão em 13 de Janeiro de 1959.</p>
<p>Poemas em <a href="http://guardadonaarca.no.sapo.pt/index.htm">Do Fundo da Arca</a>.</p>
<p><a href="http://a2b3c4d5.no.sapo.pt/">Memórias</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MATERIAIS PARA A BIOGRAFIA DE ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=700</link>
<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 10:47:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
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<description><![CDATA[fonte: informações de José Carlos Santos

Os materiais do Colóquio António Aniceto Monteiro: Comemor]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h6><span style="color:#ff0000;">fonte: informações de José Carlos Santos</span></h6>
<p style="text-align:center;"><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/04/antonio-aniceto-monteiro.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-701" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/04/antonio-aniceto-monteiro.jpg" alt="" width="120" height="160" /></a></p>
<p>Os materiais do <a href="http://aam.cii.fc.ul.pt/">Colóquio António Aniceto Monteiro: Comemorações do centésimo aniversário do seu nascimento</a><a href="http://aam.cii.fc.ul.pt/"></a> (Lisboa, 4 - 5 Junho 2007) serão publicados este ano num número especial do <strong>Boletim da Socieda</strong><strong>de Portuguesa de Matemática</strong> (dirigido por José Carlos Santos) com as actas deste colóquio.</p>
<p style="text-align:center;">*</p>
<p>Artigos disponíveis em linha sobre António Aniceto Monteiro:</p>
<p><a class="linkNavPage" href="http://purl.pt/index/pmath/index.html">Portugaliae Mathematica</a> , Volume - 39, Fascículo - 1-4, 1980</p>
<p>Hugo Ribeiro,<strong></strong><strong><a class="workLink" title="Actuação de António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942" href="http://purl.pt/2921"><strong>Actuação de António Aniceto Monteiro em Lisboa entre 1939 e 1942</strong></a></strong></p>
<p>Ruy Luís Gomes /Luís Neves Real, <strong></strong><strong><a class="workLink" title="António Aniceto Monteiro e o C.E.M. do Porto (1941/1944)" href="http://purl.pt/2922"><strong>António Aniceto Monteiro e o C.E.M. do Porto (1941/1944)</strong></a></strong></p>
<p>Leopoldo Nachbin,<strong><a class="workLink" title="The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil" href="http://purl.pt/2923"><strong> The influence of António A. Ribeiro Monteiro in the development of Mathematics in Brazil</strong></a></strong></p>
<p>Eduardo L. Ortiz, <strong></strong><strong><a class="workLink" title="Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina" href="http://purl.pt/2924"><strong>Professor António Monteiro and contemporary mathematics in Argentina</strong></a></strong></p>
<p>A. Pereira Gomes, <strong></strong><strong><a class="workLink" title="O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979" href="http://purl.pt/2925"><strong>O regresso de António Monteiro a Portugal de 1977 a 1979</strong></a></strong></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Júlia Coutinho, JOÃO ABEL MANTA, O ARTISTA RESISTENTE]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=689</link>
<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 12:04:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=689</guid>
<description><![CDATA[«Foram dois indivíduos extremamente importantes para a minha formação mental, o Zé [Dias] Coelho e o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-left:144pt;text-align:justify;"><em><span style="font-size:9pt;">«Foram dois indivíduos extremamente importantes para a minha formação mental, o Zé [Dias] Coelho e o João Abel [Manta]; dois líderes naturais (...) um pela consciência política, o outro pela grande cultura»</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:144pt;text-align:justify;"><em></em><span style="font-size:9pt;">Rolando Sá Nogueira</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-left:324pt;text-align:right;" align="right">
<p class="MsoNormal" style="margin-left:324pt;text-align:right;" align="right"><span style="font-size:9pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/04/natal-de-1947-mud-juv-esbal-j-abel-manta.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-690" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/04/natal-de-1947-mud-juv-esbal-j-abel-manta.jpg" alt="" width="242" height="327" align="left" /></a><span>Falar de João Abel Manta é recordar uma geração que, no período após a Segunda Guerra, forjou um combate militante ao «Estado Novo» e aprendeu a resistência dos actos, das palavras e do silêncio. Num tempo em que a cultura subvertia e incomodava</span><span>.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Fixemo-nos em 1945, ano em que finda a Segunda Guerra Mundial e surge o movimento oposicionista MUD - Movimento de Unidade Democrática, o ano lectivo (45-46) em que o futuro arquitecto ingressa na escola de Belas-Artes de Lisboa,<span> </span>no velho casarão de São Francisco onde o jovem de 17 anos vai encontrar um ensino obsoleto e um ambiente asfixiante, que desprezará, mas onde inicia também um ciclo de encontros, partilhas, lutas e emoções que irão consolidar o homem e o cidadão João Abel Manta.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><a name="_ednref2" href="#_edn2"><span class="MsoEndnoteReference"><span><span class="MsoEndnoteReference"></span></span></span></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><!--more--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><a name="_ednref2" href="#_edn2"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[endif]--></span></span></a></span><span>Um <em>curriculum</em> idêntico ao primeiro ano de pintura, escultura e arquitectura aproxima-o<span> </span>de colegas com cadeiras em atraso<a name="_ednref1" href="#_edn1"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[i]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>, como Jorge Vieira, F. Castro Rodrigues, Duarte Castel-Branco, Rolando Sá Nogueira ou José Dias Coelho, criando um grupo de amigos que daria origem a <em>“uma verdadeira tertúlia (...) onde cada indivíduo contribuía com a sua curiosidade e com o seu saber para o conhecimento do grupo inteiro”.</em><a name="_ednref2" href="#_edn2"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[ii]</span></span></span></span></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>João Abel já então detinha, pelo berço e pelo convívio<a name="_ednref3" href="#_edn3"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[iii]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>, uma enorme cultura nas áreas das artes plásticas, música, cinema e literatura, pelo que a sua preponderância no grupo surge naturalmente. Como nos transmitiu Sá Nogueira, um dos seus grandes amigos:<span> </span><em>“eu costumo dizer que li o Eça de Queirós por causa do João Abel Manta (...) Em miúdo não lia, mas com os meus amigos, nas nossas tertúlias,<span> </span>li o Eça e muitos outros autores porque eu próprio concluí ser necessário, e passei a ter prazer na leitura (...) O mesmo com a música.</em>” Outra particularidade o distingue: as viagens anuais a Paris e outras cidades europeias, de onde regressa com livros e revistas que os colegas devoram. Será, pois, nestas tertúlias que se vão fomentando gostos e criando hábitos culturais e de convívio, que suprirão, em parte, as lacunas familiares e escolares de alguns deles. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Assim, enquanto João Abel prevalecia pela cultura, José Dias Coelho impunha-se pela política e teve, nas palavras de Sá Nogueira, <em>“uma importância muito grande na formação do grupo, porque estava sempre a espicaçar”, </em>assumindo a “<em>função de alertar os outros</em>” e levá-los a agir enquanto cidadãos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>O MUD Juvenil surge em 46 e a sua organização logo se estende a Belas-Artes<a name="_ednref4" href="#_edn4"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[iv]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>, tendo início as tentativas de revitalização da sua associação académica e a participação na primeira Festa da Queima das Fitas de Lisboa, realizada nesse ano.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>O ano de 1947 será paradigmático da resistência a Salazar e, para a História, ficam a repressão da Semana da Juventude (Março) e o assalto pelas polícias à Faculdade de Medicina<a name="_ednref5" href="#_edn5"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[v]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> (Abril), onde os estudantes se reuniam, solidários com os colegas e amigos do MUD Juvenil presos. É neste contexto que João Abel concebe o desenho “Natal de 1947”, editado para angariação de fundos e apoio aos jovens encarcerados.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span><span> </span><span style="background:yellow none repeat scroll 0;">(desenho)</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Ainda nesse ano, participa na II Exposição Geral de Artes Plásticas (EGAP), assistindo à violência da PIDE, que invade a SNBA e apreende doze obras de dez neo-realistas, só as devolvendo com a exigência de não voltarem a ser mostradas em público.<a name="_ednref6" href="#_edn6"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[vi]</span></span><!--[endif]--></span></span></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Hoje as EGAP´s estão esquecidas. E, no entanto, não subsistem dúvidas de que as mesmas configuraram <em>“o primeiro combate organizado pela oposição ao Salazarismo”</em><a name="_ednref7" href="#_edn7"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[vii]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> precisamente pela <em>“consciência que trouxeram aos artistas da recusa de expor no SNI”</em><a name="_ednref8" href="#_edn8"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[viii]</span></span><!--[endif]--></span></span></a><em> </em>e ainda pela frente cívica que constituíram e as sensibilidades que juntaram. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>À distância, tendo presentes as discussões que se seguiram entre neo-realistas e surrealistas e o desespero aqui evidenciado pelo regime, é legítimo concluir que, por mais ingénua que haja sido a sua formulação, o neo-realismo era a linguagem expressiva correcta para o momento, a mais incomodativa e aquela que, pelo seu sentido pragmático, na feliz expressão de Ernesto de Sousa, melhor atingia os objectivos oposicionistas. Como o reforçou Álvaro Cunhal, num escrito elaborado na Penitenciária, sob o pseudónimo de António Vale, o conteúdo haveria de dominar a forma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Num período propício à formação de movimentos cívico-culturais, como o campismo e o cineclubismo, é criado em Lisboa, por José Ernesto de Sousa, o <span style="text-decoration:underline;">Círculo de Cinema</span>. Pelo seu imenso activismo, o clube torna-se suspeito e quando a PIDE assalta a sua sede e prende alguns membros, apreende um Boletim com o nome de todos os dirigentes, incluindo o de João Abel Manta, que co-dirigia essa publicação<a name="_ednref9" href="#_edn9"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[ix]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Acresce que a sua morada era há muito utilizada para recepção de correspondência e o seu quarto, <em>“que até tinha uma porta que dava directamente para o patim da entrada</em>”, aproveitado para reuniões clandestinas, a pedido de José Dias Coelho.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Pelas 24:30 do dia 1 de Fevereiro de 1948, João Abel é preso pela PIDE na casa dos pais — na Rua Tenente Valadim (actual Infante Santo) 362-2º Esq., Lisboa — e levado para a prisão de Caxias, <em>“por fazer parte de uma organização clandestina”.</em><a name="_ednref10" href="#_edn10"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[x]</span></span><!--[endif]--></span></span></a><em> </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Tinha 20 anos, feitos a 29 de Janeiro desse ano.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Em Caxias, começa por ser colocado em companhia dos homens dos cineclubes <em>“mas eles acabaram por sair primeiro e eu fiquei lá sozinho na cela</em>”. Os interrogatórios na sede da PIDE são de extrema violência psicológica com o famigerado Fernando Gouveia a exigir nomes. Para não colocar em perigo gente ainda não assinalada pela polícia, cita membros do Juvenil que se encontram presos. Fisicamente não foi torturado: os agentes tratariam com alguma deferência uns tantos que consideravam serem<em> filhos-família.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>A Direcção [Universitária] Provisória do MUD Juvenil emite um comunicado apelando à unidade e ao protesto, afirmando que <em>“a defesa dos nossos amigos presos é a própria defesa do Movimento”, </em>ao mesmo tempo que um abaixo-assinado de solidariedade para com João Abel é posto a circular na Escola de Belas-Artes, tendo tido um êxito relativo porque <em>“entre os colegas do meu curso </em>[arquitectura]<em> houve uma série de gente que recusou assinar com medo do «Cunha Bruto»”</em>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>É solto a 14 de Fevereiro de 1948. Sobre a reacção familiar, recorda que o pai Manta, apesar de oposicionista, <em>“não gostou que eu tivesse sido preso, achava um bocado inútil essas coisas (...) mas a minha mãe reagiu extraordinariamente e deu-me todo o apoio”<span> </span>- </em>ou não fosse Clementina Carneiro de Moura uma digna subsidiária da ética republicana.<a name="_ednref11" href="#_edn11"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[xi]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>A PIDE não mais o largaria. Mas João Abel Manta nunca deixará de intervir socialmente, sobretudo quando as causas da cultura estão em jogo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Quando, em 1959, morre Diogo de Macedo e o regime nomeia o pintor Eduardo Malta para o substituir na direcção do Museu de Arte Contemporânea, João Abel Manta afirma publicamente: <em>“Com Diogo de Macedo sempre trilhámos os caminhos da arte do nosso tempo, mas agora teremos certamente de lutar contra todos os preconceitos e ameaças que nos vão tolher os passos”</em><a name="_ednref12" href="#_edn12"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[xii]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>. Essa luta contra o conhecido academismo de Malta ficou expressa numa das várias representações então dirigidas ao ministro da Educação Nacional, discordando da nomeação e sugerindo que fosse substituído.<a name="_ednref13" href="#_edn13"><span class="MsoEndnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:12pt;">[xiii]</span></span><!--[endif]--></span></span></a></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Várias obras suas foram censuradas. Já na época marcelista o artista seria acusado de ridicularizar a bandeira portuguesa num <em>cartoon</em> publicado no suplemento <em>A Mosca</em> do <span style="text-decoration:underline;">Diário de Lisboa</span> do dia 11.11.1972 e, por isso, levado à barra do Tribunal. O desenho apresentava uma bandeira nacional sem a totalidade dos atributos e, no centro, por sobre a esfera armilar, uma cabeça de mulher, supostamente a cantar. Era óbvia a crítica aos nossos festivais da canção de onde os artistas de maior qualidade estavam arredados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Viu-se obrigado a pagar uma fiança para aguardar julgamento em liberdade e, quando, em Junho de 73, o processo finalmente se concluiu com a sua absolvição, foi afirmado:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><em><span>“Este não foi o processo de João Abel Manta – mas o processo dos seus próprios denunciantes, da censura, do fascismo (...) É portanto um processo político, que leva ao extremo do ridículo a farsa da pseudoliberalização marcelista (...) e é também um processo que felizmente chegou até este tribunal (...) cuja única sentença condenatória será, na consciência de nós todos, homens livres, para o regime que trouxe para este banco dos réus um grande artista e um cidadão como João Abel Moura.”</span></em><em><span style="font-size:16pt;"> </span></em><a name="_ednref14" href="#_edn14"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[xiv]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><em></em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>O 25 de Abril de 1974 chegaria a tempo do artista João Abel Manta não ser de novo incomodado pela polícia política, desta feita pelos desenhos do livro <em>Dinossauro Excelentíssimo</em>, que produzira com o amigo José Cardoso Pires, e que ficaria sendo para a posteridade, com as <em>Caricaturas Portuguesas do Tempo de Salazar</em>, a mais lúcida e feroz denúncia dos cinquenta anos de obscurantismo vividos no nosso país.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span>Lisboa, 24 de Março de 2008</span></p>
<div><!--[if !supportEndnotes]--></p>
<hr size="1" /><!--[endif]--></p>
<div id="edn1">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><a name="_edn1" href="#_ednref1"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[i]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> João Abel Manta foi dos raríssimos alunos (se não o único) a fazer o curso na Escola de Belas-Artes de Lisboa sem atrasos. As razias eram em Geometria Descritiva ou em Desenho Arquitectónico (1º ano) e Construções (4º ano) de Luís Alexandre da Cunha, o “Cunha Bruto”, que também foi director. Ficaram célebres as debandadas para a Escola de Belas-Artes do Porto, para fazer as cadeiras deste professor </span></p>
</div>
<div id="edn2">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn2" href="#_ednref2"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[ii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> Rolando Sá Nogueira, entrevista à autora, em Março.2001. <strong>Todas as citações de RSN são desta fonte.</strong></span></p>
</div>
<div id="edn3">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn3" href="#_ednref3"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[iii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> A Família Manta convivia com Aquilino Ribeiro, Manuel Mendes, Dordio Gomes, Keil do Amaral, Gualdino Gomes, Lopes-Graça, Bernardo Marques, Bento Jesus Caraça, Pulido Valente, e muitos outros.</span></p>
</div>
<div id="edn4">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn4" href="#_ednref4"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[iv]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> Pertenceram à Comissão do MUD Juvenil da Escola de Belas-Artes de Lisboa, entre 1946-1952, J.Dias Coelho, J.Abel Manta, R.Sá Nogueira, Jorge Vieira, Lima de Freitas, Nuno Craveiro Lopes, Alice Jorge, F. Castro Rodrigues, M.Emília Cabrita, Raul Hestnes Ferreira, Augusto Sobral, António Alfredo, M.Cecília Ferreira Alves, Bartolomeu Cid, A. Sena da Silva, Lia Fernandes, Tomás Xavier de Figueiredo,<span> </span>etc.</span></p>
</div>
<div id="edn5">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn5" href="#_ednref5"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[v]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> Em 29.04.1947 com prisões e agressões indiscriminadas. Na sequência, Salazar demitiu grande número de professores do ensino superior, nomeadamente o director da Faculdade de Medicina.</span></p>
</div>
<div id="edn6">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn6" href="#_ednref6"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[vi]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> Foram 10 as EGAP´s, entre 1946-1956. A invasão da Pide deu-se a 13.05.1947 pelas 13 horas, e as obras apreendidas de Júlio Pomar, Avelino Cunhal, Viana Dionísio (José Viana) José Chaves (Mário Dionísio), Maria Keil, A.Louro de Almeida, Lima de Freitas, Manuel Filipe, Nuno Tavares e Rui Pimentel (Arco).</span></p>
</div>
<div id="edn7">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn7" href="#_ednref7"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[vii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> António Valdemar, “<span style="text-decoration:underline;">SNBA: continuidade e ruptura</span>”, DN 18.03.2001</span></p>
</div>
<div id="edn8">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn8" href="#_ednref8"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[viii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> </span><span style="font-size:10pt;">João Abel Manta, entrevista à autora em 22.08.2002. <strong>Todas as citações de JAM são desta fonte.</strong></span></p>
</div>
<div id="edn9">
<p class="MsoFootnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn9" href="#_ednref9"><span class="MsoEndnoteReference"><span><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[ix]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span> A sede funcionava na Rua B às Amoreiras 4-1º Dto – Lisboa, das 21.30 às 24 horas, em casa alugada para o efeito e inaugurada em 10.11.1947. O assalto da PIDE deu-se em 31.01.1948.</span></p>
</div>
<div id="edn10">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn10" href="#_ednref10"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[x]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> Conforme Registo Geral de Presos e Processo<span> </span>ANTT/ PIDE/DGS 214/48 – NT 4956</span></p>
</div>
<div id="edn11">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn11" href="#_ednref11"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[xi]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> </span><span style="font-size:10pt;">Abel Manta (pai) foi muito maltratado pelo regime. Em 1932, concorre à Escola de Belas Artes de Lisboa para professor de Pintura, sendo preterido por Henrique Franco, num processo muito pouco claro, de que recorreu. Um ano depois, Henrique Franco demite-se e, em vez de ser chamado o segundo classificado no concurso, o regime nomeia Varela Aldemira que fora discípulo de Columbano. <span> </span>Já em 1939 Abel Manta e Dordio Gomes são chamados para decorar a escadaria principal do Palácio de S. Bento. Por questões estéticas, são dispensados quando as obras se encontram quase prontas, sendo as mesmas destruídas e ambos substituídos por Lino António.</span></p>
</div>
<div id="edn12">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn12" href="#_ednref12"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[xii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> </span><span style="font-size:10pt;">Lista da PIDE com declarações públicas dos artistas plásticos e assinalando, de entre eles, quais os que se encontravam representados no Museu de Arte Contemporânea.</span></p>
</div>
<div id="edn13">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn13" href="#_ednref13"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[xiii]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> A acção de Eduardo Malta (1900-1967) à frente do Museu de Arte Contemporânea revelar-se-ia catastrófica, a todos os níveis, como já foi publicamente admitido. Após o incêndio do Chiado seria o edifício objecto de requalificação profunda, reabrindo em 1994 como Museu do Chiado.</span></p>
</div>
<div id="edn14">
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_edn14" href="#_ednref14"><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoEndnoteReference"><span style="font-size:10pt;">[xiv]</span></span><!--[endif]--></span></span></span></a><span style="font-size:10pt;"> J. Carlos Vasconcelos, «<span style="text-decoration:underline;">Cartoons» que abalaram o fascismo<span> </span>e fizeram sorrir a revolução</span>», in <em>O Jornal</em> de 19.12.75, pp. 20-21.</span></p>
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;"> </span></p>
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;"> </span></p>
<p class="MsoEndnoteText" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;"> </span></p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OUTROS MAIOS DE 1968]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=675</link>
<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 09:50:10 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=675</guid>
<description><![CDATA[fonte: Baltimore Sun, 6/4/2008.
MORTE DE TOM LEWIS, UM DOS &#8220;NOVE DE CATONSVILLE&#8221;

Tom Le]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<h6><span style="color:#ff0000;">fonte: <a href="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/www.baltimoresun.com/news/local/baltimore_county/bal-md.ob.lewis06apr06,0,1359375.story">Baltimore Sun</a>, 6/4/2008.</span></h6>
<h3 style="text-align:center;"><strong>MORTE DE TOM LEWIS, UM DOS "NOVE DE CATONSVILLE"</strong></h3>
<h3 style="text-align:center;"><a href="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/04/cattonsvillenine.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-676" src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2008/04/cattonsvillenine.jpg" alt="" /></a></h3>
<h4>Tom Lewis  1940-2008</h4>
<h3>Activist and artist known as one of 'Catonsville Nine'</h3>
<h3>Protester was jailed 3 years for part in burning of draft files</h3>
<p>(Tom Pelton, Sun reporter)</p>
<div>
<p><em>Forty years ago next month, Tom Lewis and eight other Vietnam War protesters strode into the offices of U.S. Selective Service Board 33 in Catonsville and left a mark on history.</em></p>
<p><em>The "Catonsville Nine" emptied file cabinets, hauled 600 draft records into the parking lot and burned them with homemade napalm. Then they prayed and waited to be arrested.</em></p>
<p><em>That act of civil disobedience on May 17, 1968, inspired headlines - and more than 200 protests at draft board offices across the country. The tone of Vietnam War protests changed, becoming angrier and more intense as the war dragged on for seven more years.</em></p>
<p><!--more--></p>
<p>Mr. Lewis' activism on behalf of peace continued through the rest of his life, ending only Friday, when he died in his sleep at his home in Worcester, Mass., at the age of 68. He might have suffered heart failure, said his brother, Don Lewis, although the medical examiner's office has not declared a cause of death.</p>
<p>"It was a calling for him to take a stand about what he saw wrong in the world," said Don Lewis, 72, a retired science teacher who lives in Hampstead. "It was a way of life - there were things going wrong, and he had to make a statement about it."</p>
<p>Tom Lewis was part of a famed group of Catholic anti-war activists led by Philip and Daniel Berrigan, both priests. The trial of the Catonsville Nine would land Mr. Lewis in prison for more than three years - and become the subject of a play and a movie.</p>
<p>Five of the Catonsville Nine are still living - Daniel Berrigan, Thomas and Marjorie Melville, John Hogan and George Mische.</p>
<p>Tom Lewis had been scheduled to appear in Baltimore on May 8 at a 40th-anniversary commemoration that is to feature a movie titled Investigation of a Flame by Lynne Sachs at the Creative Alliance at the Patterson in Highlandtown.</p>
<p>Despite Mr. Lewis' death, the event will go on, said Megan Hamilton, an organizer of the Creative Alliance.</p>
<p>"The Catonsville Nine took everything one step further, and they radicalized the anti-war movement in America. It went from a peaceful, wholly nonviolent movement to actually destroying the machinery of the war machine," she said.</p>
<p>Mr. Lewis was also a member of the "Baltimore Four," a group that poured blood on draft records at a city Selective Service office in October 1967.</p>
<p>He continued his activism for four decades, even after he moved to Massachusetts in the 1970s. He picketed the White House recently to express opposition to the Iraq war, and he was arrested in 2005 outside the Sudanese Embassy in Washington in a protest against genocide in Darfur.</p>
<p>"His commitment to justice and peace flowed out of his love and art, and began with civil rights, continued with opposition to the Vietnam War, and the nuclear arms race, and the current U.S. war in Iraq," said a longtime friend, Scott Schaeffer-Duffy.</p>
<p>Tom Lewis was also a painter whose art portrayed his belief in peace and justice. "There are a lot of good artists, but there aren't a lot of truthful artists - and he was one of them," said Brendan Walsh, a lifelong friend and founder of the Viva House soup kitchen in Baltimore. "He combined his power as an artist and his power as a human against the forces of death."</p>
<p>In one of Mr. Lewis' black and white etchings, called Ghetto, a Christ figure hangs between fire escapes. In another work, Crucifixion Triptych, a cross appears to double as a black nuclear explosion crucifying mankind, according to a story in The Sun about Mr. Lewis' work.</p>
<p>His fellow Catonsville Nine protester, Daniel Berrigan, who was also imprisoned in the incident, wrote poetry about Tom Lewis' paintings. One poem about Crucifixion Triptych included the words "image of hell/image of our landscape/the hell we hammer/on the face of fair creation."</p>
<p>Elizabeth McAlister, Philip Berrigan's widow and a friend of Mr. Lewis for 40 years, said he thought it was tragic that the United States launched the Iraq war after all the errors of Vietnam. "It's more of the same," Ms. McAlister said of the two wars. "He was strongly opposed to [the invasion of Iraq], he grieved over it, like we had learned nothing from all the death and destruction in Vietnam."</p>
<p>Mr. Lewis was born on St. Patrick's Day in 1940, one of four children of a manager with the National Biscuit Co. (later Nabisco). The family moved several times as the father switched positions within the firm, going from Uniontown, Pa., to Cambridge, Mass., to Philadelphia, Louisville and then Baltimore.</p>
<p>Tom Lewis arrived here at about age 17 and graduated from Mount St. Joseph High School in 1958. He worked on a Greek freighter and went to Europe for almost a year to study drawing.</p>
<p>He was attracted to the protest movement in 1965 when he went to the Gwynn Oak amusement park in Baltimore to sketch civil rights demonstrators and found himself standing in a crowd that began stoning them. "He joined the protesters and never looked back," according to a profile of him in The Sun.</p>
<p>After spending three years at a federal penitentiary in Lewisburg, Pa., for burning draft records, Mr. Lewis moved to Massachusetts in the mid-1970s. There he devoted himself to painting, and his work was exhibited in New York, Baltimore and Boston.</p>
<p>He was married for more than a decade to Andrea Borbely. They divorced about five years ago.</p>
<p>Funeral arrangements are incomplete. The commemoration of the Catonsville Nine will be held at 7:30 p.m. May 8 at the Creative Alliance at The Patterson, 3134 Eastern Ave. in Baltimore.</p>
<p>Besides his brother, Mr. Lewis is survived by a 16-year-old daughter, Nora Lewis-Borbely of Springfield, Mo.; his mother, Pauline Lewis of Baltimore County; another brother, John Lewis of Livermore, Calif., and a sister, Paula Scheye of Baltimore County.</p>
<p><!-- CUTLINE TEXTTom Lewis is shown at an anti-war rally. His commitment to protest was "a way of life," said his broth er, Don Lewis of Hampstead. CUTLINE TEXT--> <!-- CUTLINE TEXTTom Lewis and other members of the so-called Catonsville Nine, led by Dan iel and Philip Berrigan, use napalm to burn draft cards in a May 1968 protest of the Vietnam War. Mr. Lewis was also a member of the "Baltimore Four," who poured blood on draft records at a city Selective Service office. CUTLINE TEXT--></p>
</div>
<p class="copyright">Copyright © 2008, <a href="http://www.baltimoresun.com/" target="_blank">The Baltimore Sun</a></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE JOSÉ GREGÓRIO (1908-2008)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=671</link>
<pubDate>Sun, 06 Apr 2008 10:59:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/?p=671</guid>
<description><![CDATA[
Na sequência desta nota acrescentam-se mais informações sobre as comemorações do centenário do diri]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://estudossobrecomunismo2.files.wordpress.com/2008/04/gergorio.jpg" alt="" width="149" height="357" align="left" /></p>
<p>Na sequência desta <a href="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2008/03/27/homenagem-e-exposicao-sobre-jose-gregorio-na-marinha-grande/">nota</a> acrescentam-se mais informações sobre as comemorações do centenário do dirigente do PCP José Gregório centradas na sua terra natal da Marinha Grande:</p>
<p>- o PCP publicou um <a href="http://www.google.com/url?sa=t&#38;ct=res&#38;cd=4&#38;url=http%3A%2F%2Fwww.pcp.pt%2Findex.php%3Foption%3Dcom_docman%26task%3Ddoc_download%26gid%3D219%26Itemid%3D543&#38;ei=qKf4R9G6B5D20ATm84CUAQ&#38;usg=AFQjCNGDmX5lTC0vKuUzFFDUsrUu9SyYSA&#38;sig2=BxhPiUipNugCl90kMeb5ew">documento foto-biográfico</a> sobre a vida de José Gregório que contém algumas reproduções de materiais inéditos, algumas fotografias de juventude, fotos da sua estadia na Checoslováquia (ver foto)  e um original manuscrito de uma saudação do PCP a um Congresso do PC checo.  No seu conjunto, o texto avança muito pouco no que já se sabe sobre o papel de Gregório, é omisso em relação a muitos aspectos da sua acção também já conhecidos,  e nada nos diz sobre a sua actuação desde 1956, nas "i<em>mportantes tarefas do Partido nomeadamente no quadro das suas relações internacionais</em>".</p>
<p>- <a href="http://www.cyberjornal.net/index.php/Nacional/Recordando-Jose-Gregorio.html">placa evocativa</a> do centenário na Marinha Grande.</p>
<p>-<a href="http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&#38;task=view&#38;id=31626&#38;Itemid=195">intervenção</a> de  João Dias Coelho, da Comissão Política do PCP,  na inauguração da exposição evocativa do centénário do nascimento de José Gregório, no Museu do Vidro da Marinha Grande.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[OS MATEMÁTICOS DA OPOSIÇÃO: ANTÓNIO ANICETO MONTEIRO]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/05/03/os-matematicos-da-oposicao-antonio-aniceto-monteiro/</link>
<pubDate>Thu, 03 May 2007 10:21:22 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/05/03/os-matematicos-da-oposicao-antonio-aniceto-monteiro/</guid>
<description><![CDATA[No Ciclo MATEMÁTICA na Almedina Atrium Saldanha, organizado por Jorge Nuno Silva e Almedina:
António]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoPlainText"><img src="http://www.cienciahoje.pt/files/17/17066.jpg" alt="http://www.cienciahoje.pt/files/17/17066.jpg" align="left" height="201" width="241" />No Ciclo MATEMÁTICA na Almedina Atrium Saldanha, organizado por Jorge Nuno Silva e Almedina:</p>
<p class="MsoPlainText"><strong>António Aniceto Monteiro - Os matemáticos da geração de 40</strong></p>
<p class="MsoPlainText">4 de Maio, às 19:00 horas</p>
<p class="MsoPlainText">Com os professores Ilda Perez (U. Lisboa), Jorge Rezende (U. Lisboa) e Luís Saraiva (U. Lisboa)</p>
<p class="MsoPlainText"><em><br />
</em>
</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em>António Aniceto Monteiro, cujo centenário se comemora, foi um dos matemáticos perseguidos pelo Salazarismo. A gloriosa geração de 40 tem muitas histórias para desvendar, tanto em Portugal como nos diversos locais de exílio.</em></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[NOVA BIOGRAFIA DE SOEIRO PEREIRA GOMES]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/03/22/nova-biografia-de-soeiro-pereira-gomes/</link>
<pubDate>Thu, 22 Mar 2007 13:02:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/03/22/nova-biografia-de-soeiro-pereira-gomes/</guid>
<description><![CDATA[
Uma nova biografia de Soeiro Pereira Gomes de autoria da sua companheira   Manuela Câncio Reis,  in]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://imagens.editorial-caminho.pt/XPQED717F9666FED61E13AEZKU.jpg" alt="A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes" align="left" border="1" height="186" width="131" /></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">Uma nova biografia de Soeiro Pereira Gomes de autoria da sua companheira   Manuela Câncio Reis,  intitulada <strong><span class="texto_geral_titulo">A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes</span></strong>, foi editada pela Caminho. Na contracapa a sobrinha de Soeiro, <font color="#000000">Isabel Câncio Reis Nunes, </font> escreve:</p>
<p style="text-align:justify;margin:0;"><em>"Através da ternura das gentes de Alhandra, Joaquim Soeiro Pereira Gomes acompanhou a minha vida de menina. Conheci-o nas ruas e... nas gentes de Alhandra... e conheci as ruas... e as gentes... de Alhandra pelos olhos do tio Joaquim. Manuela leva-nos aqui ao encontro não só de Soeiro, o político, o autor, o humanista mas também de Joaquim, rapaz alegre e brincalhão, o irmão, o amigo, o cunhado... o marido; o Quinzinho de Gestaçô; o Joaquim das guitarradas, dos despiques, das baladas e outras estudantices de Coimbra. Tal como Consuelo Saint-Éxupery, muitos anos depois de o criador de </em><em>O Pequeno Príncipe ter desaparecido, Manuela Câncio Reis oferece-nos uma jóia da memória - a biografia de um Homem. Estou-lhe grata pelo privilégio de me ter entreaberto a porta da sua intimidade.</em></p>
<p><em><font color="#000000">Não conheci Soeiro Pereira Gomes, não conheço Soeiro Pereira Gomes. Só conheço o tio Joaquim, o meu primeiro Herói!"</font></em></p>
<p><font color="#000000"><br />
</font></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[PARA A HISTÓRIA DOS CATÓLICOS NA OPOSIÇÃO]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/03/16/para-a-historia-dos-catolicos-na-oposicao/</link>
<pubDate>Fri, 16 Mar 2007 23:14:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/03/16/para-a-historia-dos-catolicos-na-oposicao/</guid>
<description><![CDATA[
A partir da segunda metade da década de sessenta do século XX, uma das fontes da resistência à dita]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://imagens.webboom.pt/imagem?amb=capaprod&#38;id=158320&#38;width=130" align="left" border="0" /></p>
<p style="text-align:justify;margin:0;">A partir da segunda metade da década de sessenta do século XX, uma das fontes da resistência à ditadura foi a nova geração de jovens católicos “progressistas”, que queriam levar à prática a renovação que o Concílio Vaticano II tinha trazido. Desde muito cedo que as preocupações religiosas e eclesiais ficaram submersas pelas ideias políticas circulantes à volta do Maio de 1968, mas o momento inicial da ruptura com o regime ficou sempre marcado pela pertença a um credo confrontado com o mundo. O livro de Joana Lopes <strong>Entre as Brumas da Memória</strong> editado pela Ambar acrescenta-se a uma série de outras memórias e relatos de percursos de vida, como o de João Bénard da Costa, no retrato dos católicos “progressistas” na luta contra a ditadura. No entanto, estas memórias não se sobrepõem inteiramente, o que torna o relato de Joana Lopes um testemunho original. Enquanto na memorialística de Bénard da Costa, nos livros e ensaios sobre o <strong>Tempo e o Modo</strong> a editora Moraes, o papel de António Alçada Batista, se relata o percurso de um sector que rapidamente e mais cedo se politiza em organizações que se viriam a revelar mais “moderadas” (o que tem que ser visto com um grão de sal <u>a posteriori</u>, porque o Movimento de Acção Revolucionária a que quase todos pertenceram pretendia-se “revolucionário”) , o livro de Joana Lopes parte mais de dentro do interior da própria Igreja e das suas crises institucionais, na Acção Católica, no Seminário dos Olivais, no abandono das suas funções eclesiais de muitos padres, até chegar a movimentos radicais como a LUAR e o PRP-BR, mais determinados na acção violenta imediata do que o movimentos seus antecessores. Vale a pena lá encontrar a complexidade dos últimos anos da ditadura e a pluralidade da oposição, já bem longe da hegemonia comunista.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[HOMENAGEM A JOSÉ DE SOUSA NO MUSEU DA REPÚBLICA E DA RESISTÊNCIA]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/01/04/homenagem-a-jose-de-sousa-no-museu-da-republica-e-da-resistencia/</link>
<pubDate>Thu, 04 Jan 2007 18:05:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2007/01/04/homenagem-a-jose-de-sousa-no-museu-da-republica-e-da-resistencia/</guid>
<description><![CDATA[ O 40º aniversário da morte de José de Sousa vai ser assinalado com um colóquio nos dias 13 e 20 de ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p> O 40º aniversário da morte de José de Sousa vai ser assinalado com um colóquio nos dias 13 e 20 de Janeiro, dois sábados às 15 horas. No Espaço Cidade Universitária da Biblioteca Museu República e Resistência.</p>
<p>A primeira sessão, no dia 13, contará com intervenções de Edmundo Pedro, Francisco Canais Rocha, Fernando Rosas e Carlos Carvalho (dirigente da CGTP).</p>
<p>A segunda sessão, no dia 20, contará com intervenções de José Hipólito dos Santos, Eugénio Mota, José Pacheco Pereira e Manuel Canaveira de Campos (presidente do Instituto António Sérgio).</p>
<p><!--more-->Hoje pouco dirá o seu nome a muita gente. Mas foi seguramente uma das figuras mais marcantes da resistência à ditadura do Estado Novo.</p>
<p>Destacou-se ainda durante a 1ª República. Primeiro como secretário-geral das Juventudes Sindicalistas (anarquistas) e depois como fundador e primeiro secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas - em 1921.</p>
<p>Foi, a par de Bento Gonçalves, o grande responsável pela reorganização do PCP de 1929, que lançou este partido para a resistência na clandestinidade. Assumindo a liderança do PCP aquando da primeira prisão de Bento Gonçalves (1930/3).</p>
<p>Fundador e secretário-geral da Intersindical, foi o principal responsável, do lado do PCP, pela revolta operária de 18 de Janeiro de 1934.</p>
<p>Preso juntamente com Bento Gonçalves e Júlio Fogaça em 1935, os três formavam então o secretariado do PCP, foi brutalmente torturado (praticamente à frente de Bento Gonçalves), e foi um dos primeiros prisioneiros do Tarrafal, onde passou cerca de 9 anos.</p>
<p>Foi expulso do PCP, em 1943, por divergências políticas marcadas pela sua condenação do Pacto entre a Alemanha nazi e a URSS em 1939. Mas manteve sempre as suas convicções de comunista.</p>
<p>Após sair em liberdade, em 1945, apesar de uma actividade profissional intensa, liderou ainda uma tentativa de lançar um novo partido operário de oposição à ditadura. Foi também, com António Sérgio, o grande organizador do movimento cooperativista, particularmente do Ateneu Cooperativo, um espaço de resistência contra a ditadura que reuniu comunistas, socialistas, anarquistas e outros resistentes.</p>
<p>—————————————————————————-<br />
Nota informativa da Biblioteca Museu República e Resistência</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ALFREDO PEREIRA GOMES (1919-2006)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/12/07/alfredo-pereira-gomes-1919-2006/</link>
<pubDate>Thu, 07 Dec 2006 11:04:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/12/07/alfredo-pereira-gomes-1919-2006/</guid>
<description><![CDATA[
Faleceu no dia 29 de Novembro Alfredo Pereira Gomes, matemático, professor, que foi um  membro da o]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.cienciahoje.pt/files/16/16978.jpg" align="left" height="320" width="240" /></p>
<p>Faleceu no dia 29 de Novembro Alfredo Pereira Gomes, matemático, professor, que foi um  membro da oposição ao regime ditatorial, quer como militante do PCP, quer depois, fora do PCP, como oposicionista no exílio.</p>
<p>Por ocasião da sua morte foram publicados várias  notas biográficas, centradas na sua actividade científica, entre as quais o <a href="http://www.spm.pt/imprensa/comunicados/2006-11-30.pdf">comunicado de imprensa</a> da Sociedade Portuguesa de Matemática. Muita documentação, correspondência e fotos relativas a Alfredo Pereira Gomes encontra-se no blogue <a href="http://ruyluisgomes.blogspot.com/">Ruy Luis Gomes</a> de autoria de Jorge Rezende. O Departamento de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco tem em linha um <a href="http://www.dmat.ufpe.br/historia/textos/teoria_das_funcoes_p_gomes.htm">facsimile do manuscrito </a>da "Teoria das funções" de Alfredo Pereira Gomes. Uma nota no blogue <a href="http://homoclinica.blogspot.com/2006/11/prof-alfredo-pereira-gomes-1919-2006.html">Nós-sela</a> inclui  fotos de um dos últimos convívios de matemáticos em que participou.</p>
<p>Reproduz-se aqui a nota biográfica publicada na <a href="http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=16977&#38;op=all">CiênciaHoje</a>:</p>
<p><!--more-->Alfredo Pereira Gomes faleceu ontem, dia 29 de Novembro, no hospital Curry Cabral em Lisboa. Pereira Gomes era irmão dos escritores Alice Gomes e Soeiro Pereira Gomes, e fazia parte de uma geração composta por nome como Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes e António Aniceto Monteiro, de quem foi orientando. Ao contrário da maior parte dos matemáticos portugueses de seu tempo, fez o doutoramento no país, na Universidade do Porto. Em 2005, em entrevista à Sociedade Portuguesa de Matemática e ao programa 2010, relatou com orgulho o facto de José Sebastião e Silva, um dos maiores matemáticos daquela geração, ter dito que a sua tese – Introdução ao estudo duma noção de funcional em espaços sem pontos – fora a primeira realizada em Portugal a ter repercussão internacional.O matemático nasceu a 18 de Janeiro de 1919 em Espinho. Concluiu a licenciatura e o Doutoramento na Universidade do Porto, onde iniciou sua carreira de professor. Era professor assistente em 1947, quando foi surpreendido pela expulsão de diversos intelectuais – entre os quais quase uma geração inteira de matemáticos – das universidades portuguesas, orquestrada pelo regime salazarista. Impedido de trabalhar, viu-se obrigado a partir para França, onde permaneceu até 1953.</p>
<p>A convite do reitor da então Universidade do Recife, partiu para o Brasil, onde fundou o Instituto de Física Matemática (IFM). No IFM, recebeu matemáticos de renome, como os medalha Fields Laurent Schwartz e Alexander Grothendieck, e acolheu diversos matemáticos portugueses, como ele impedidos de prosseguir as suas carreira no país. Com isso, criou no estado de Pernambuco aquilo a que o matemático brasileiro Leopoldo Nachbin chamava “a melhor escola portuguesa de Matemática do mundo”. O trabalho desenvolvido nesse período foi alvo de uma homenagem em 1997, durante o II encontro Luso-Brasileiro de História da Matemática, em São Paulo.</p>
<p>No início da década de 1960, aceitou um convite de Jean Delsarte, Doyen da Faculdade de Ciências da Universidade de Nancy, para lá ocupar um posto de professor durante um ano. A instauração da ditadura militar no Brasil, no entanto, fez com que permanecesse em França, como professor da Universidade de Nancy, por mais tempo do que o inicialmente previsto. Em 1972, com a abertura proporcionada por Marcelo Caetano, regressou a Portugal, onde participou na reactivação da Sociedade Portuguesa de Matemática e foi o responsável pela reabilitação da Portugaliæ Mathematica.</p>
<p>O corpo de Pereira Gomes estará em câmara ardente a partir das 17 horas de hoje, 30 de Novembro de 2006, na casa mortuária da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Av. de Berna, em Lisboa. Pelas 10h30 de amanhã, dia 1 de Dezembro, o corpo seguirá para o cemitério do Alto de São João, onde será cremado.<!--more--></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FLAUSINO TORRES (1906-1974)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/11/28/centenario-do-nascimento-de-flausino-torres-1906-1974/</link>
<pubDate>Tue, 28 Nov 2006 00:33:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/11/28/centenario-do-nascimento-de-flausino-torres-1906-1974/</guid>
<description><![CDATA[&nbsp;

Por inciativa das Edições Afrontamento e da  Câmara Municipal de Tondela será lançado um liv]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="titNov">&#160;</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5545/2298/1600/568152/Flausino%20Torres.gif" alt="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5545/2298/1600/568152/Flausino%20Torres.gif" align="left" /></p>
<p class="subtitNOV">Por inciativa das Edições Afrontamento e da  Câmara Municipal de Tondela será lançado um livro e realizada uma exposição relativa a Flausino Torres, historiador, militante comunista e resistente contra o regime ditatorial. No <a href="http://www.acert.pt/mais.php?ID=324">texto</a> que acompanha estas inciativas faz-se um esboço biográfico de<br />
<strong>FLAUSINO TORRES (1906-1974) - Documentos e fragmentos biograficos de um intelectual antifascista</strong></p>
<p><!--more--><em>A passagem do centenário do nascimento de Flausino Torres constitui-se como a ocasião ideal para retirar do esquecimento público alguém que pelo seu percurso político e intelectual foi um participante activo em alguns dos mais decisivos momentos do século XX português e europeu. Contemporâneo em Coimbra das primeiras lutas académicas contra a ditadura militar do 28 de Maio, foi director-bibliotecário da Associação Académica, secretário da loja maçónica A Revolta e revisor da Imprensa da Universidade até ao seu encerramento compulsivo por ordem de Salazar; activista do PCP, do MUNAF e do MUD em Lisboa no efémero momento de esperança que sobreveio à derrota do nazi-fascismo em 1945, foi conferencista na Universidade Popular e o autor mais prolixo da notável Biblioteca Cosmos dirigida por Bento de Jesus Caraça; resistente em Tondela nos difíceis combates da oposição democrática em 1949, em 1958 e em tantas outras ocasiões, marcou a diferença numa pequena vila de província pelas suas posições frontais como professor, jornalista e historiador; exilado em Argel nos tempos conturbados da FPLN e testemunha na heróica Praga da exaltante primavera política violentamente interrompida em Agosto de 1968 pelos tanques soviéticos, deu as suas últimas lições a um grupo de estudantes universitários checos para quem escreveu uma História de Portugal em que o Povo Português, com letra grande como gostava de grafar, surge como o protagonista principal. Ter estado presente em todos estes lugares da história seria só por si excepcional mas Flausino Torres não se limitou nunca a assistir aos acontecimentos que acompanharam a sua vida. Desde muito jovem, em tempos bem mais perigosos do que os actuais, fez a sua escolha política por um dos lados da barricada, como ele próprio afi rmava — o lado dos desfavorecidos e dos oprimidos do seu país e de todo o mundo — e tomou um caminho intelectual, não sem contradições, em que o referente marxista se cruzou com o seu apurado sentido crítico e pragmático. O seu testemunho é pois um contributo valioso para o conhecimento de acontecimentos e contextos vários da história política portuguesa do século XX, com um particular destaque para a história do Partido Comunista Português, ainda com tanto por desvendar, mas igualmente para a história da oposição ao Estado Novo, da cultura portuguesa das décadas de 30 a 60 e mesmo para a história local de Tondela.</em></p>
<p class="fichtec">Pesquisa e texto Paulo Torres Bento<br />
Edição Edições Afrontamento<br />
Apoios Câmara Municipal de Tondela / ACERT</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MIGUEL TORGA PRESO NO ALJUBE EM 1939]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/09/04/miguel-torga-preso-no-aljube-em-1939/</link>
<pubDate>Mon, 04 Sep 2006 09:48:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/09/04/miguel-torga-preso-no-aljube-em-1939/</guid>
<description><![CDATA[
No jornal Público de 3 de Setembro foi publicado um artigo de Artur Pinto, com a colaboração de Mar]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.vidaslusofonas.pt/torga1.gif" alt="Retrato de Miguel Torga" height="145" width="106" /></p>
<p align="left">No jornal <b>Público</b> de 3 de Setembro foi publicado um artigo de Artur Pinto, com a colaboração de Margarida Sousa Reis, “Miguel Torga e o Aljube”,  sobre a prisão em 1939 do médico e escritor, que a seguir se transcreve:</p>
<p><font color="#800040" size="4"><em><strong></strong></em></font><!--more--><b>MIGUEL TORGA E O ALJUBE</b></p>
<p align="justify">"Falta-lhe a liberdade.<br />
Só essa dor lhe dói.<br />
Mas só por ela há-de<br />
Não ser o ser que foi."<br />
Do poema CANÇÃO, escrito a 30 de Dezembro de 1939 na Cadeia do Aljube<br />
(in Diário - I , 4ª edição revista, Coimbra 1957)</p>
<p>Entre muitos outros intelectuais que passaram pela cadeia do Aljube durante o regime do Estado Novo, encontra-se Miguel Torga, aí encarcerado no início de Dezembro de 1939, por três meses.</p>
<p>«1939 ...<br />
Edita "O Quarto Dia" d" A Criação do Mundo, um dos poucos testemunhos sobre a Guerra Civil de Espanha que em Portugal foram produzidos a partir de uma vivência in loco e publicados durante o conflito. A descrição crua de uma Espanha devastada pela luta fratricida e dominada pelo franquismo, e também uma Itália arrebatada pelos discursos de Mussolini, leva Miguel Torga às cadeias de Salazar. O livro é imediatamente apreendido, e o autor é preso em Leiria, e depois levado para o Aljube (sublinhado nosso).<br />
... É também na cadeia do Aljube que compõe, a 1 de Janeiro de 1940, um dos seus mais conhecidos poemas de resistência, "Ariane".»<br />
Do livro Miguel Torga - Fotobiografia, de Clara Rocha</p>
<p>Exactamente um mês depois, a 1 de Fevereiro, escreve "Claridade". Mas já antes escrevera "Exortação", ainda na cadeia de Leiria, e, também no Aljube, "Lembrança", "Pietà" e "Canção", em datas anteriores aos já citados.</p>
<p>CLARIDADE<br />
Clareou.<br />
Vieram pombas e sol,<br />
e, de mistura com Sonho,<br />
pousou tudo num telhado...<br />
(Eu, destas grades, a ver,<br />
desconfiado.)<br />
Depois,<br />
uma rapariga loira,<br />
(era loira)<br />
num mirante,<br />
estendeu roupa num cordel:<br />
Roupa branca, remendada,<br />
que se via<br />
que era de gente lavada,<br />
e só por isso aquecia...<br />
Lisboa, Cadeia do Aljube, 1 de Fevereiro (1940), in Diário - I, 4ª edição revista, Coimbra 1957</p>
<p>Para quem esteve na cadeia do Aljube, este poema tem um significado muito especial, pois Torga mais do que nos dar uma ideia da visão que se tinha através das grades, transmite-nos uma ideia precisa do que é o tempo dos presos com pequenos gestos do dia-a-dia a serem motivo de uma apreciação cuidada e a terem um significado e uma representação inusitados ao nível dos sentimentos: "... Roupa branca, remendada, que se via que era de gente lavada, e só por isso aquecia..."</p>
<p>Esta visão, no entanto, não era possível a partir dos chamados "curros", provavelmente ainda não construídos naquela data. Estes só possibilitavam a visão da parede da Sé e, mesmo assim, era preciso que o postigo da porta interior estivesse aberto. Não há unanimidade quanto à medida correcta dos "curros", pois parece que não teriam todos exactamente as mesmas medidas. A descrição do padre angolano Joaquim da Rocha Pinto de Andrade, citada por Irene Pimentel, é bastante elucidativa e corresponde perfeitamente à memória que tenho dos tempos que ali passei.</p>
<p>Diz ele que esteve preso "numa enxovia estreitíssima, de um metro de largura por dois de comprimento, onde a luz e o ar entravam por um postigo de 15x20 cm., filtrados através de duas férreas portas, postigo, aliás permanentemente fechado". A "tarimba que lhe servia de cama era apenas provida de um enxergão sebento, duro como pedra, sendo proibido usar lençóis". "Sentado na tarimba, os joelhos roçavam a parede", isto tudo na penumbra.</p>
<p>Isto significa que só ali cabia uma pessoa, e apertada. Ora a designação de "curros" deriva da sua semelhança com os curros das praças de touros onde o espaço é à justa para um animal. As medidas citadas por Pinto de Andrade devem ser as mais próximas da realidade.<br />
Mas se estas condições falam, só por si, da violência física do encarceramento, torna-se essencial acrescentar as condições de vivência no seu interior, que constituíam uma verdadeira tortura psicológica. Desde logo o total isolamento do exterior, muitas vezes nem a luz do sol se vislumbrava, e o total despojo de qualquer bem pessoal, mesmo de um relógio. Como tudo nos era retirado à entrada, incluindo os atacadores e o cinto, nos poucos passos que dávamos tínhamos de segurar as calças com as mãos. As visitas de familiares eram raras e escrever-lhes só uma vez por semana, quando autorizado. Mas aquilo que mais nos torturava era a ansiedade da chamada à "António Maria Cardoso" [sede da PIDE-DGS] para interrogatórios, sempre que sentíamos o portão de grades do corredor a abrir-se, os passos do guarda a caminho do "curro" onde estava o companheiro que vinham chamar e o fechar dos postigos abertos à medida que avançava. Até que parava e se ouvia por todo o corredor esta frase terrível: "Prepare-se para ir à sede", ou "lá acima", ou "à António Maria Cardoso", como se houvesse alguma preparação a fazer. E de imediato um turbilhão de ideias e nomes perpassavam pela cabeça. "Quem será?, Será Fulano? Também estará preso?" Alguns faziam perguntas estúpidas aos guardas só para que se ouvisse a sua voz e pudessem ser identificados. E esta tortura durava dias e dias, semanas e semanas seguidas, mesmo meses, até que chegava a nossa vez. E outro e mais duro suplício começava.</p>
<p>"Mas eu é que não pude ainda por meus passos<br />
Sair desta prisão em corpo inteiro,<br />
E levantar a âncora, e cair nos braços<br />
De Ariane, o veleiro"<br />
Do poema ARIANE, escrito a 1 de Janeiro de 1940 na Cadeia do Aljube<br />
(in Diário - I , 4ª edição revista, Coimbra 1957)</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[JORGE BORGES DE MACEDO, 10 ANOS DEPOIS (1996-2006) NA HEMEROTECA DE LISBOA]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/09/01/jorge-borges-de-macedo-10-anos-depois-1996-2006-na-hemeroteca-de-lisboa/</link>
<pubDate>Fri, 01 Sep 2006 18:22:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/09/01/jorge-borges-de-macedo-10-anos-depois-1996-2006-na-hemeroteca-de-lisboa/</guid>
<description><![CDATA[Homenagem Póstuma (continuação)
&nbsp;


CONTEÚDOS DIGITAIS  Hemeroteca Digital - Biografia de Jorge]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Homenagem Póstuma (continuação)</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><img src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2006/05/jbmacedo.thumbnail.jpg" alt="jbmacedo.jpg" height="84" width="128" /></p>
<p align="justify">
CONTEÚDOS DIGITAIS  Hemeroteca Digital - Biografia de Jorge Borges de Macedo, actividade como ensai­sta, bibliografia activa e passiva e colaboração em jornais (artigos, entrevistas e depoimentos) entre 1940 e 1991, <a href="http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/EFEMERIDES/EFEMERIDES.htm#JORGE_BORGES_DE_MACEDO,_10_ANOS_DEPOIS_(1996-2006)_">disponí­vel em formato electrónico</a>.
</p>
<p align="justify">FORA DE PORTAS - Montra bibliográfica virtual com obras de Jorge Borges de Macedo, referências bibliográficas no catálogo das BLX e ligações para conteúdos produzidos noutros sites, disponí­vel no <a href="http://blx.cm-lisboa.pt/index.php?entra=1">Fora de Portas</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[IRENE PIMENTEL - ALGUNS DADOS PARA UMA BIOGRAFIA DE ANTÓNIO ROSA CASACO]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/31/irene-pimentel-alguns-dados-para-uma-biografia-de-antonio-rosa-casaco/</link>
<pubDate>Thu, 31 Aug 2006 21:24:18 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/31/irene-pimentel-alguns-dados-para-uma-biografia-de-antonio-rosa-casaco/</guid>
<description><![CDATA[            Recentemente falecido António Rosa Casaco foi um dos elementos importantes na PIDE/DGS, ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify"><span>            </span>Recentemente falecido António Rosa Casaco foi um dos elementos importantes na PIDE/DGS, tendo feito a sua “tarimba” nomeadamente nos serviços de Investigação, onde participou em torturas perpetradas sob os presos políticos, e nos serviços de Informação, onde organizou o importante serviço de intercepção postal. No entanto, Rosa Casaco ficou sobretudo conhecido por ter chefiado a brigada da PIDE que assassinou, em Espanha, em<span> 13 de Fevereiro de 1965, o general Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos. Divididas em cinco capítulos, estas notas para uma biografia de António Rosa Casaco abordam os seguintes temas:</span></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Currículo de António Rosa Casaco</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">A investigação por meio de tortura</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>A intercepção postal</span></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">“Especialista” em raptos</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">O Caso Delgado</p>
<p class="MsoNormal"><!--more--></p>
<p class="MsoNormal">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b>1. Currículo de António Rosa Casaco</b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Filho de pai incógnito. António Rosa Casaco nasceu, a 1 de Março de 1915, em Rossio ao Sul do Tejo/Abrantes/Santarém, onde fez o 2.º grau da instrução primária e trabalhou, aos 10 anos, como marceneiro, antes de se tornar empregado de comércio. Ingressou na PVDE, em 12 de Janeiro de 1937, como agente praticante, prestando serviço no Porto, na sede dessa polícia em Lisboa e em Vila Real de Santo António. “Ascendeu” sucessivamente a agente de 3.ª classe, em 1939, agente de 2.ª classe, em 1942, e a agente de 1.ª classe, em 1945.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Logo no ano em que ingressou na PVDE, Casaco terá participado no interrogatório do militante do PCP, Almeida Martins, que quatro dias depois deu entrada na morgue, com as unhas queimadas, equimoses e costelas fracturadas. Mais tarde, terá também sido ele, que após a prisão de Alda Nogueira, companheira de Sérgio Vilarigues, foi ao colégio do filho desses dois funcionários do PCP, fazendo-se passar por amigo destes e interrogando a criança para tentar saber do paradeiro do pai.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em 1950, concorreu a chefe de brigada, mas foi reprovado, só ascendendo a essa categoria, no ano seguinte, sendo colocado na sede, na Rua António Maria Cardoso em Lisboa. Os seus superiores da PIDE consideraram-no «combativo, mas pouco expedito», «educado, inteligente, dedicado e de toda a confiança», «trabalhador» e «zeloso» e com «qualidade de chefia». No 2.º curso de aperfeiçoamento da Escola Técnica da PIDE, em Sete Rios (Lisboa), o respectivo conselho escolar considerou, porém, que ele tinha «preguiça mental» e só trabalhava em assuntos que lhe interessavam, embora fosse muito «cortês» e tivesse «capacidade de decisão», «sentimentos afectivos fortes», «espírito artístico» e «sentido crítico».</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Embora tenha sido frequentemente elogiado pelo seu desempenho na PIDE, nomeadamente na década de sessenta, Rosa Casaco também chegou a ser punido por motivos disciplinares. Segundo a Ordem de Serviço da PVDE n.º 222/39, sofreu quatro meses de suspensão de vencimento, em 1939, devido a «não ter impedido» a agressão de um preso, por um agente da PVDE, tê-lo «secundado» e até excedido «a atitude iniciada» pelo colega, «o que além de ser contrário às recomendações e instruções dadas ao pessoal desta Polícia, colide com o decoro, brio e bom-nome da mesma».</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Na década de quarenta, Rosa Casaco integrou a brigada de segurança de Oliveira Salazar, que chegou a ser padrinho de um dos filhos daquele e o convidou a fotografar o ditador com a jornalista francesa Christine Garnier. Algumas das fotografias, com carácter íntimo, foram depois incluídas no livro desta última, <i>Vacances avec Salazar </i>(1952), e posteriormente, na tradução, da autoria de Barbieri Cardoso<i>, Salazar na Intimidade</i> (1954). Rosa Casaco manteve aliás uma grande admiração por Salazar, sobre o qual disse, nas suas memórias, que era hum homem «sério, austero, forte, disciplinador», o qual havia sido «pelas circunstâncias históricas, um autoritário, mas nunca um ditador»<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn1" title="_ftnref1" name="_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[1]</span><!--[endif]--></a>.<span></span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Durante dez anos, nomeadamente no período da II Guerra Mundial, Rosa Casaco esteve no serviço do correio diplomático Lisboa-Madrid, de onde foi retirado, em 1953, por «mau cumprimento» do seu trabalho. Na realidade, a punição deveu-se provavelmente a dedicar-se ao contrabando de moeda mexicana. Depois, Rosa Casaco foi sucessivamente colocado no posto de Sacavém, nos Serviços Marítimos, nos Serviços de Investigação, nos Serviços de Informação e no Aeroporto de Lisboa, cujo posto da PIDE chefiou, em 1956, tendo então sido sujeito a um processo disciplinar por se ter ausentado do seu cargo. No ano seguinte, foi, porém, elogiado pela forma como instalou uma sede da PIDE, em Ponta Delgada. Em 1958, voltou a Lisboa, sendo colocado nos Serviços de Investigação.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b>2. A investigação por meio de tortura</b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Ao longo da sua vida «profissional» na PIDE/DGS, em particular quando ocupou um cargo nos serviços de Investigação, nos anos cinquenta e início de sessenta, Rosa Casaco também torturou numerosos presos políticos. <span>Alguns ex-elementos da PIDE/DGS, presos e interrogados após Abril de 1974, confirmaram a aplicação de torturas pelos serviços de Investigação e,</span> pelo seu lado, o ex-sub-inspector Farinha dos Santos confirmou terem sido «usados interrogatórios prolongados para obrigar os detidos a confessar as suas actividades», «segundo questionários elaborados» por diversos investigadores, entre os quais Rosa Casaco.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Entre outros depoimentos de antigos presos políticos, refira-se o de Carlos Aboim Inglês, detido, em 14 de Junho de 1959, e levado para o terceiro andar da sede da PIDE, em Lisboa, onde permaneceu, sem dormir, até dia 17, às 20 horas. Aparecerem-lhe, só ou em conjunto, Gouveia, Rosa Casaco, Tinoco e Rego, que insistiram para que desse a morada da casa e lhe disseram que o deixariam ir para o Brasil, caso “falasse”<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn2" title="_ftnref2" name="_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[2]</span></a></span><!--[endif]-->. <span>No mesmo ano de 1959, Diogo Velez, operário agrícola de Benavila, preso pela quarta vez, foi brutalmente espancado, por Rosa Casaco, que o chamava como se «faz aos touros na praça». </span><span>Manuel Serra, um dos revoltosos do «golpe da Sé» (1959) e do «golpe de Beja» (1962), foi sujeito por Mortágua, Abílio Pires e Rosa Casaco, à tortura do sono, ao longo de trinta e três dias, quase sem descanso<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn3" title="_ftnref3" name="_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[3]</span></a></span><!--[endif]-->.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Albertina Diogo relatou os interrogatórios, por meio da tortura do “sono” e da “estátua” a que foi sujeita, às mãos de </span><span>Falcão, Rego, Tinoco e Rosa Casaco, entre outros:</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>«O meu estado ia-se agravando e as alucinações sucediam-se. Quando me punha de pé, o chão começava a balouçar a tal ponto que tinha que me agarrar às paredes para não cair. (...). O Rosa Casaco, que tinha jogado o seu último trunfo, ficou irritadíssimo e disse-me que eu era uma grande puta, que afinal nem sabia quem era o pai dos meus filhos. As coisas que ele me disse de seguida foram das mais obscenas que ouvi nos dias da minha vida. (...)»<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn4" title="_ftnref4" name="_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[4]</span></a></span><!--[endif]-->.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Maria Rosa Viseu, operária agrícola do Couço, detida em 19 de Janeiro de 1961, foi interrogada </span><span>pelas duas “pides” Madalena e Odete, que, desde logo a encheram de bofetadas. Tiraram-lhe então a cadeira e puseram-na a fazer estátua, com os braços elevados à altura dos ombros, no meio da sala. Quando baixava os braços, obrigavam-na a levantá-los e à cabeça, à força de murros. Ficou assim durante horas, com “pides”, homens e mulheres a entrarem, e ela a vomitar a sopa que punha à boca, até à segunda noite, em que Madalena e a colega voltaram à sala, «sempre à porrada», sem a deixarem ir à casa de banho, para se lavar.</span> <span>Às duas da tarde, apareceram na sala oito “pides” - Silva Carvalho, Rego, Rosa Casaco, Correia e mais quatro -, interrogando um, enquanto o outro dizia: «Damos-lhe tamanha tareia!» e outro ainda: «Atiramo-la da janela, que ela não sabe!». Isso durou até às três horas da manhã e, como nada dissesse, levaram-na a uma sala onde viu muitos objectos esquisitos e então essas duas mulheres, Rego, Rosa Casaco e um baixinho puseram-lhe uma espécie de capacete em metal na cabeça, duas lâmpadas, uma branca outra vermelha, que lhe colocaram em direcção aos olhos<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn5" title="_ftnref5" name="_ftnref5"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[5]</span></a></span><!--[endif]-->.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span> </span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b><span>3. A intercepção postal</span></b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Quando Fernando da Silva Pais se tornou director da PIDE (1962) e Agostinho Barbieri Cardoso reentrou nessa polícia, os serviços de Informação da PIDE foram remodelados em moldes «científicos» por Álvaro Pereira de Carvalho. Passando a prestar serviço na Informação, António Rosa Casaco chefiou a intercepção postal - «operação cegonha» - da PIDE/DGS, e foi ele a introduzir o método de requisitar, aos CTT, a «correspondência de todos os locatários de um prédio (para desviar as suspeitas)», para escolher a que mais lhe interessava. Numa fase posterior, eram detectadas, por métodos sofisticados, as cartas ou encomendas dirigidas às pessoas sobre as quais recaíam suspeitas nas próprias estações de correio ou havia ainda outro método, que consistia na abertura de cerca de vinte ou trinta de mil cartas vindas de um determinado país, para amostragem<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn6" title="_ftnref6" name="_ftnref6"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[6]</span></a></span><!--[endif]-->.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Dois outros autores revelaram que a PIDE tinha um gabinete</span><span> na estação central dos CTT da Praça do Comércio, onde trabalhavam </span>seis agentes, chefiados por João Nobre, homem de confiança de Rosa Casaco, que instruiu alguns dos seus homens, no sentido de interceptarem também a correspondência com valor económico (de bancos, grupos económicos) ou que servisse como meio de chantagem. A correspondência suspeita era aberta, com vapor, lida, fotocopiada e colocada novamente no envelope, que, depois de fechado, era devolvido ao circuito de distribuição dos CTT. Isto acontecia, quando não era pura e simplesmente interceptado o original, que o destinatário nunca recebia, colocado directamente no ficheiro dele ou do remetente. De acordo com listas de moradas de suspeitos, fornecidas pela polícia, os carteiros eram também obrigados a separar correspondência e a entregá-la aos serviços de fiscalização dos CTT, que depois a remetia à PIDE.<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn7" title="_ftnref7" name="_ftnref7"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[7]</span><!--[endif]--></a>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>O próprio Rosa Casaco contou, nas suas memórias, que a polícia procedia ao</span> controlo de correspondência, na central de correio da Praça do Comércio e na estação de Arroios, em Lisboa, através de quatro agentes, que faziam a triagem das cartas, depois analisadas, na sede, por um inspector superior. Rosa Casaco reconheceu, aliás, que este «método de trabalho, na parte reservada, por força das circunstâncias, era nalguns casos pontuais, em, rigor, inconstitucionais», acrescentando que a recolha, selecção, analise e tratamento das informações se processava à «boa maneira portuguesa “em cima do joelho”»<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn8" title="_ftnref8" name="_ftnref8"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[8]</span><!--[endif]--></a>.<span></span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b>4. “Especialista” em raptos</b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Muito bem relacionado com as autoridades espanholas desde o tempo em que prestara serviço como correio diplomático entre Lisboa e Madrid, foi amigo de Nicolau Franco, do conselheiro do reino Fernando la Cuesta, de Carlos Arias Navarro, director geral da<i> Seguridad</i> (polícia política espanhola), e do director da brigada política e social dessa polícia, Vicente Reguengos.</span> Vários dos elogios que Rosa Casaco recebeu na PIDE deveram-se, aliás, a essa relação privilegiada que mantinha com as autoridades espanholas: em 1963, pelo êxito com que desempenhou «uma missão especial junto das autoridades do país vizinho»<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn9" title="_ftnref9" name="_ftnref9"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[9]</span><!--[endif]--></a> e, em 1969, devido à colaboração «com as autoridades dum país amigo numa acção de muito interesse para a segurança interna» do país<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn10" title="_ftnref10" name="_ftnref10"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[10]</span><!--[endif]--></a>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>A placa espanhola serviu também frequentemente a Rosa Casaco para raptar (ou matar) opositores políticos portugueses. Após a tentativa falhada do golpe de Beja, na noite da passagem do ano 1961/1962, Germano Pedro, irmão de Edmundo Pedro e um dos participantes na tomada do quartel dessa cidade alentejano conseguiu fugir para Marrocos, onde recebeu um telefonema de alguém a pedir-lhe auxílio, sugerindo que fosse a Algeciras. Ao chegar a essa vila espanhola, foi de imediato preso por agentes da <i>Seguridad </i>espanhola, que os entregou, em Madrid, a António Rosa Casaco e a Agostinho Tienza, os quais o remeteram, por seu turno, ao inspector Sílvio Mortágua, em Lisboa.</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em Abril de 1964, Rosa Casaco, tentou raptar (ou matar), em Espanha, Manuel Tito de Morais, exilado na Argélia, onde um informador (de nome Ferreira da Silva) o tentara atrair para uma deslocação a Sevilha. O rapto acabou por falhar, não só porque Tito de Morais desconfiou da armadilha e não apareceu no encontro, como porque os raptores da PIDE tiveram um acidente grave de automóvel à saída de Zafra, ficando José Gonçalves moribundo e Rosa Casaco muito ferido e teve de ser hospitalizado, só escapando ileso o informado<span>r</span>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b> </b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><b>5. O Caso Delgado</b></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Mas, Rosa Casaco ficou sobretudo conhecido, por ter chefiado a «operação Outono», na qual foram mortos Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos. Já anteriormente, no início da década de sessenta, Rosa Casaco tinha sido enviado ao Brasil, com o provável objectivo de assassinar o general Delgado, que aí se encontrava exilado, mas o crime não foi levado por diante devido a dissensões no seio da chefia da PIDE. Rosa Casaco, justificou essa ida ao Brasil com o objectivo de se informar, após o assalto ao paquete Santa Maria, quais seriam os futuros planos de Henrique Galvão, criticando, aliás, a PIDE por nada ter feito, relativamente à operação contra o paquete português, embora tivesse sabido dela de antemão. Casaco responsabilizou, em particular, Manuel da Silva Clara, então director dos serviços de Informação da PIDE, que considerou de «inepto» por esse fracasso da PIDE. O certo é que, pouco depois, Silva Clara foi substituído, na chefia da Informação, por Álvaro Pereira de Carvalho, quando Fernando Silva Pais chegou à chefia da PIDE, em 1962<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn11" title="_ftnref11" name="_ftnref11"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[11]</span><!--[endif]--></a>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Segundo o libelo acusatório do julgamento do caso Delgado, de 1977, Silva Pais, Barbieri Cardoso e Pereira de Carvalho «definiram, em data não averiguada - seguramente localizada no ano de 1962», o objectivo central de reduzir Humberto Delgado «à não actuação, quaisquer que fossem os meios necessários para tanto»<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn12" title="_ftnref12" name="_ftnref12"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[12]</span><!--[endif]--></a>. Depois, chegou-se à conclusão<span> que o assassinato de Delgado tinha de facto sido decidido, em 1962, coincidindo «com uma viagem de trabalho ao Brasil de Rosa Casaco», mas que o director dos Serviços Centrais da PIDE, Manuel da Silva Clara, impedira então a materialização do crime. Este teria mesmo afirmado a Casaco, que o responsabilizaria pelo que acontecesse ao general, pois considerava, técnica e politicamente, errado o seu assassinato, não só porque «as pessoas bem formadas dentro da Polícia não tinham ódio a quem quer que fosse», como porque «o senhor general» era «um homem nosso formado no 28 de Maio». Mas, a partir de 1962, teria havido um «verdadeiro golpe de Estado dentro da PIDE» e, contra a sua vontade, Silva Clara tinha sido retirado das suas funções e remetido para trabalho administrativo, começando até a ser perseguido e vigiado pela PIDE, através de escutas telefónicas e violação de correspondência<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn13" title="_ftnref13" name="_ftnref13"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[13]</span></a></span><!--[endif]-->.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>T</span>eriam sido escolhidos e aliciados, para trabalhar com a PIDE, o português Mário de Carvalho e o italiano Ernesto Bisogno, ambos a residir em Roma, que se insinuaram junto do general, para informarem aquela polícia das suas disposições e seus movimentos. Na sequência desta actividade, Mário de Carvalho foi contactado por várias vezes, em datas indeterminadas de 1963/64, por Pereira de Carvalho, Rosa Casaco e Ernesto Lopes Ramos, «que o dirigiram, aconselharam e ordenaram actuação conducente aos propósitos definidos na política da direcção da PIDE contra» Delgado<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn14" title="_ftnref14" name="_ftnref14"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[14]</span><!--[endif]--></a><span>. Veja-se ainda a continuação do libelo acusatório</span><span>:</span><span></span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>«Sabedores da desunião política do general com os correligionários, no exílio, que terão fomentado pela acção dos informadores Mário de Carvalho e Ernesto Bisogno - os arguidos Barbieri Cardoso, Pereira de Carvalho e Rosa Casaco, com os <i>(sic)</i> conhecimento de Silva Pais, ordenaram a Ernesto Ramos que, avistando-se com o ofendido, com o falso nome de “Eduardo de Castro Sousa”, o convencesse a dirigir-se a Badajoz, junto da fronteira portuguesa (como o convenceu), com o objectivo de efectuar uma reunião política com elementos adversos ao regime de Salazar, entre os quais estaria um oficial do Exército português (um falso coronel), assumido na presença do arguido Rosa Casaco, o que ele, Ernesto Ramos, deveria fazer acreditar ao general Humberto Delgado».</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><span>Barbieri Cardoso determinou que Rosa Casaco chefiaria a brigada, composta ainda por Casimiro Monteiro, Ernesto Ramos e Agostinho Tienza, que se ocuparia da acção, no encontro aprazado em Badajoz, para 13 de Fevereiro de 1965. Na manhã desse dia, os elementos da PIDE atravessaram a fronteira, com destino a Badajoz. Convencido de que iria reunir com os seus correligionários políticos, Delgado encontrou-se, ao meio-dia, na zona da Estação dos Caminhos-de-Ferro, com «Eduardo de Castro Sousa» (Ernesto Lopes Ramos), que o levou e a Arajaryr Campos para um local, onde a pretensa reunião estaria aprazada. Chegados junto à ribeira de Olivença, em Los Almerines, cerca das 15 horas, Ernesto Ramos parou o seu automóvel, de marca Renault, com a falsa matrícula IA-65-40, a cerca de dez metros da viatura com a matrícula falsa EL-44-39, na qual estava sentado apenas Rosa Casaco.</span><span> </span>Ernesto Lopes Ramos convenceu o general de que Rosa Casaco era o coronel, correligionário político e, na sequência desta falsa indicação, Delgado saiu do veículo. Ao mesmo tempo que Rosa Casaco saía da sua viatura, dirigindo-se ao encontro do general, Casimiro Monteiro ganhou a dianteira e já se encontrava muito próximo de Delgado, que se terá apercebido de que aquele encontro era uma armadilha da PIDE. Percebendo isso, Monteiro empunhou a pistola, disparando por várias vezes contra Delgado. Ao assistir à cena, Arajaryr Campos acorreu em auxílio do general, «sendo então atingida por agressões violentas que lhe causaram a morte por parte dos elementos da brigada».<span></span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Ainda segundo o auto de acusações, o «arguido Casimiro Monteiro agiu com intenção de matar o ofendido general Humberto Delgado» e o mesmo «Monteiro, Tienza, Rosa Casaco e Ernesto Ramos agiram com intenção de matar Arajaryr de Campos». Em seguida, «Rosa Casaco, Ernesto Ramos, Casimiro Monteiro e Agostinho Tienza colocaram os dois cadáveres na mala dos automóveis e deixaram o local, dirigindo-se para Vila Nueva del Fresno (lugar de Los Malos Pasos) e, nos arredores da povoação», abandonaram-nos, «regando-os com ácido sulfúrico e cal viva, desfeitando-lhes a figura e depositando-os em cima da terra, sem formalidades, cobertos de pedras e ramos de árvores». A brigada da PIDE dirigiu-se para Aracena, onde se hospedou e, na manhã do dia imediato, entrou em Portugal pelo posto espanhol de El Rosal, Huelva<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn15" title="_ftnref15" name="_ftnref15"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[15]</span><!--[endif]--></a>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Depois do assassinato de Delgado, Rosa Casaco terá reforçado a sua posição no seio da PIDE, chegando mesmo a substituir Pereira de Carvalho, na direcção da divisão de Informação, quando este ia para férias. Esta posição deu-lhe, nomeadamente, a possibilidade, como se viu, de reorganizar os serviços de intercepção de correspondência, de modo a colher benefícios económicos, exercendo pressão e chantagem.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Além de ter sido punido, na própria PIDE, por abuso de autoridade, como numa ocasião em que, sem estar de serviço, prendeu um porteiro do Casino Estoril que se havia recusado a dar-lhe a identidade<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn16" title="_ftnref16" name="_ftnref16"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[16]</span><!--[endif]--></a>, Rosa Casaco foi ainda acusado de envolvimento em vários casos obscuros, ligados a grandes quantias de dinheiro. Numa ocasião terá avisado de que a polícia estava no seu encalce, o seu amigo Ortega Pardo, um espanhol ao serviço da <i>Opus Dei</i>, ligado a diversos bancos portugueses e à sociedade de estudos financeiros Lusifina, onde fizera um desfalque, possibilitando-lhe, assim, a fuga para a Venezuela<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn17" title="_ftnref17" name="_ftnref17"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[17]</span><!--[endif]--></a>.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Depois do 25 de Abril, no decurso do julgamento do caso Delgado, um ex-agente da PIDE/DGS, Sotero Varandas, afirmou que Rosa Casaco havia manipulado um vale pago pela tesouraria dessa polícia<a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn18" title="_ftnref18" name="_ftnref18"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[18]</span><!--[endif]--></a>. Por seu turno, o ex-director dos serviços de Informação da PIDE/DGS, Álvaro Pereira de Carvalho admitiu que os cheques enviados por esta polícia ao informador dessa polícia junto de Delgado, em Roma, «Oliveira» (Mário de Carvalho), eram passados pela casa Piano, do banqueiro Jorge Farinha Piano, amigo de Rosa Casaco, ligado ao caso Matesa, organização espanhola multinacional envolvida na exportação ilícita de capitais portugueses e espanhóis. O caso Matesa, julgado em Espanha, envolveu elementos da DGS e o próprio Rosa Casaco, que, castigado por Silva Pais, foi transferido, em 1971, para a delegação do Porto, onde se encontrava quando ocorreu o golpe de Estado do MFA.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">No entanto, Rosa Casaco, conseguiu fugir, em 27 de Abril de 1974, pela fronteira de Vila Verde da Raia, tendo vivido em Espanha, na República Dominicana, no Brasil e, novamente, no país vizinho.<span> Pelo assassinato de Humberto Delgado e de Arajaryr Campos, Rosa Casaco foi sentenciado, à revelia, por seis crimes de falsificação e dois crimes de furto de documentos, a </span><span>oito anos e nove meses de prisão</span><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftn19" title="_ftnref19" name="_ftnref19"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[19]</span><!--[endif]--></a><span>, que evidentemente nunca cumpriu.</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Irene Flunser Pimentel, Agosto 2006</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><!--[if !supportFootnotes]--></p>
<hr align="justify" size="1" width="33%" />
<p align="justify"><!--[endif]--></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref1" title="_ftn1" name="_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[1]</span><!--[endif]--></a><span> </span><span>António Rosa</span><span> Casaco</span>, <i>Servi a Pátria e Acreditei no Regime</i>, Lisboa, ed. do autor, 2003, p. 198</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref2" title="_ftn2" name="_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[2]</span><!--[endif]--></a><span> Arquivo da PIDE/DGS no ANTT</span><span>, pr. 20 GT, Carlos Aboim Inglês</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref3" title="_ftn3" name="_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[3]</span><!--[endif]--></a><span> <i>Visão</i>, 21/4/94</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref4" title="_ftn4" name="_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[4]</span><!--[endif]--></a><span> Rosa Nery Nobre de Melo,<i><span> </span>Mulheres Portugueses na Resistência, </i>Lisboa, Seara Nova, 1975</span><span>, pp. 199-203, testemunho de Albertina Diogo.</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref5" title="_ftn5" name="_ftn5"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[5]</span><!--[endif]--></a><span> Rose Nery Nobre de Melo, <i>op. cit.</i>,</span><span> pp. 210-213, testemunho de Rosa Viseu.</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref6" title="_ftn6" name="_ftn6"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[6]</span><!--[endif]--></a><span> <i>O Diário</i>, 22/5/76 e 7/12/76. Entrevista a Rogério de Carvalho, dirigente do PCP.</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref7" title="_ftn7" name="_ftn7"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[7]</span><!--[endif]--></a><span> Manuel Garcia, Lourdes Maurício, </span><i><span>O Caso Delgado. Autópsia da «Operação Outono»</span></i><span>, Lisboa, ed. Jornal Expresso, 1977</span><span>, p. 231</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref8" title="_ftn8" name="_ftn8"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[8]</span><!--[endif]--></a><span> António Rosa Casaco, <i>Servi a Pátria e Acreditei no Regime</i>, Lisboa, ed. do autor, 2003, p. 82</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref9" title="_ftn9" name="_ftn9"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[9]</span><!--[endif]--></a> OS da PIDE/DGS n.º 273/63</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref10" title="_ftn10" name="_ftn10"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[10]</span><!--[endif]--></a><span> OS da PIDE/DGS n.º 223, de 11/8/69</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref11" title="_ftn11" name="_ftn11"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[11]</span><!--[endif]--></a><span> António Rosa Casaco,<i> Servi a Pátria e Acreditei no Regime</i>, pp.84-89</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref12" title="_ftn12" name="_ftn12"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[12]</span><!--[endif]--></a><span> «Dossier Delgado», <i>O Jornal</i>, 28/10/1977, pp. 14-17</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref13" title="_ftn13" name="_ftn13"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[13]</span><!--[endif]--></a><span> <i>Diário, </i></span><span>7/6/1979</span><span></span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref14" title="_ftn14" name="_ftn14"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[14]</span><!--[endif]--></a><span> «Dossier Delgado», <i>O Jornal</i>, 28/10/1977, pp. 14-17</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref15" title="_ftn15" name="_ftn15"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[15]</span><!--[endif]--></a><span> <i>Idem, ibidem.</i></span><span>      </span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref16" title="_ftn16" name="_ftn16"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[16]</span><!--[endif]--></a><span> Ministério da Administração Interna (MAI), Pastas da PIDE/DGS, inspectores-adjuntos, pasta 13</span></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref17" title="_ftn17" name="_ftn17"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[17]</span><!--[endif]--></a> Manuel Garcia, Lourdes Maurício, <i>op. cit.</i>, p. 457</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref18" title="_ftn18" name="_ftn18"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[18]</span><!--[endif]--></a> <i>Diário Popular, </i>de 28/4/1979</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoFootnoteText" align="justify"><a href="https://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/wp-admin/#_ftnref19" title="_ftn19" name="_ftn19"><span class="MsoFootnoteReference"></span><span></span><span><!--[if !supportFootnotes]--></span><span class="MsoFootnoteReference"></span><span>[19]</span><!--[endif]--></a><span> Humberto Delgado, <i>A Tirania Portuguesa, Lisboa, </i>Publicações Dom Quixote, 1995,<i> </i>p<i>. </i>184</span></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MORREU VASCO DE CARVALHO (1910-2006)]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/23/morreu-vasco-de-carvalho-1910-2006/</link>
<pubDate>Wed, 23 Aug 2006 11:47:07 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/23/morreu-vasco-de-carvalho-1910-2006/</guid>
<description><![CDATA[Recebi agora a notícia da morte de Vasco de Carvalho, um dos principais dirigentes do PCP nos anos t]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" align="justify">Recebi agora a notícia da morte de Vasco de Carvalho, um dos principais dirigentes do PCP nos anos trinta e a figura mais significativa da direcção afastada pela "reorganização" de 1940-1, no chamado processo do "grupelho provocatório". Trabalhei extensivamente com Vasco de Carvalho na reconstituição desses eventos, dos mais obscuros da história do PCP. E quando digo "trabalhei" foi mesmo o que aconteceu porque Vasco de Carvalho não se limitou a confiar na memória que tinha dos eventos, mas fez ele próprio uma recolha por escrito de notas e apontamento que possuía. e comentou linha a linha, as primeiras versões do meu texto (excerto de um longo manuscrito de comentários e precisões que fez sobre um esboço que lhe enviei sobre o "grupelho provocatório").<span> </span></p>
<p><img src="http://abrupto.blogspot.com/vascocarvalhomanuscrito.jpg" height="222" width="431" /></p>
<p align="justify">Vasco de Carvalho tinha um forte sentimento da injustiça que lhe tinha sido feita pelo PCP, e confiava na história para a corrigir, não tanto no plano político, mas nas acusações e suspeitas sobre o papel da PIDE na actividade da direcção legítima do PCP que os "reorganizadores" tinham afastado. Embora Cunhal tenha mais tarde corrigido alguns dos excessos de Fogaça e dele próprio, afirmando não haver qualquer prova de colaboração com a PIDE na actuação do que chamava o "grupelho", o PCP até as nossos dias não fez a Vasco de Carvalho, nem a muitos outros comunistas caluniados e insultados na sua dignidade pessoal e política, qualquer reparação pública, ao contrário do que aconteceu no PCF e no PCE.</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Segundo informações recebidas de J. Hipólito dos Santos, "<i>estará em câmara mortuária, na capela da Parede, a partir de amanhã, quarta feira, ao fim da tarde e será cremado talvez na quinta feira</i>."</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Em breve se fará aqui uma biografia mais detalhada de Vasco de Carvalho e a publicação de alguns documentos inéditos (cartas, fotografias, manuscritos) que me enviou e ofereceu.</p>
<p class="MsoNormal">&#160;</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ADESÃO À UNIÃO NACIONAL DE JOSÉ CARLOS RATES]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/17/adesao-a-uniao-nacional-de-jose-carlos-rates/</link>
<pubDate>Thu, 17 Aug 2006 22:45:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/08/17/adesao-a-uniao-nacional-de-jose-carlos-rates/</guid>
<description><![CDATA[José Carlos Rates, fundador do PCP e seu primeiro secretário-geral, após o seu afastamento do partid]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">José Carlos Rates, fundador do PCP e seu primeiro secretário-geral, após o seu afastamento do partido, aproximou-se do regime do Estado Novo, num processo idêntico a outros antigos militantes operários, que tinham sido sindicalistas-revolucionários. A 16 de Julho de 1931, o jornal oficioso do regime, <b>Diário da Manhã</b>, publicava o seu pedido de adesão.</p>
<p align="center"><img src="http://abrupto.blogspot.com/RATESCARTA.jpg" height="718" width="451" /> <img src="http://abrupto.blogspot.com/RATESCARTA2.jpg" height="999" width="451" /></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[BIOGRAFIA DE FRANCISCO DE PAULA OLIVEIRA / "PÁVEL" NO DICIONÁRIO DE ESCRITORES MEXICANOS]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/21/biografia-de-francisco-paula-oliveira-pavel-no-dicionario-de-escritores-mexicanos/</link>
<pubDate>Fri, 21 Jul 2006 17:37:54 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/21/biografia-de-francisco-paula-oliveira-pavel-no-dicionario-de-escritores-mexicanos/</guid>
<description><![CDATA[







&nbsp;


Uma biografia do dirigente comunista português dos anos trinta, Francisco de Paula ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<table align="center" border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="630">
<tr valign="top">
<td colspan="3" height="100">
<p align="center"><img src="http://www.arts-history.mx/sitios/7851/flash_dicescritores.jpg" /></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td bgcolor="#677286"><img src="http://www.arts-history.mx/sp.gif" height="1" width="1" /></td>
<td valign="top" width="628">&#160;</td>
</tr>
</table>
<p>Uma biografia do dirigente comunista português dos anos trinta, Francisco de Paula Oliveira, exilado no México onde se naturalizou e mudou de nome para António Rodriguez, foi colocada em linha no <a href="http://www.arts-history.mx/feeds/ilce/sitio.php?id_sitio=7851&#38;id_seccion=3426&#38;id_subseccion=8324&#38;id_documento=1462">Diccionario de Escritores en México</a>.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[ALBERTINA MARQUES TEIXEIRA RECEBE GALARDÃO "BARREIRO RECONHECIDO"]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/08/albertina-marques-teixeira-recebe-galardao-barreiro-reconhecido/</link>
<pubDate>Sat, 08 Jul 2006 00:00:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/08/albertina-marques-teixeira-recebe-galardao-barreiro-reconhecido/</guid>
<description><![CDATA[O galardão &#8220;Barreiro Reconhecido&#8221; , destinado a homenagear personalidades da cidade foi ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">O galardão "Barreiro Reconhecido" , destinado a homenagear personalidades da cidade foi atribuído na "área da Resistência Anti-Fascista" a  Albertina Marques  Teixeira . militante comunista desde 1956, presa em 1959, e que entrou na clandestinidade em 1964, tendo sido companheira do dirigente do PCP Blanqui Teixeira.</p>
<p align="justify">Uma sua biografia foi publicada em <a href="http://www.artbarreiro.com/noticias/barreirorec/galardoados1.html">Arte Barreiro</a> :
</p>
<p align="justify"><!--more-->Biografia</p>
<p align="justify">
<i>Nasceu em Riachos, no distrito de  Santarém, em Setembro de 34. Vem para o Barreiro com apenas um ano de idade e  esta será, para sempre, a sua terra do coração. Albertina Marques Teixeira  cresceu no seio de uma família, numerosa e operária, que na CUF encontrou um  meio de subsistência. Contudo, a perspicácia que havia de nortear toda a sua  vida, também a faz entender que, na Companhia União Fabril, a repressão e as  desigualdades tinham que ser combatidas. É na zona têxtil que conhece uma amiga  que a leva, com 22 anos, para o Partido Comunista Português. "Foi uma opção de  vida" diz com alegria na voz, "as dificuldades eram muitas mas nós tínhamos uma  força tão grande que nunca pensámos em desistir. Pelo contrário!".<br />
Corria o  ano de mil nove e cinquenta e sete quando foi detida e levada para Caxias  durante 2 dias. "Certamente que foi denúncia" afirma hoje ao lembrar o susto que  a mãe 'coitadinha' apanhou, "mas nada me fazia abandonar a luta". Ainda na CUF  alargou os seus contactos e começou a distribuir o Avante, num formato muito  pequenino, tantas e tantas vezes disfarçado dentro de um cabazinho de flores.  "Cheguei a transportar o Avante, o Militante e o Corticeiro e outros tantos  pacotes com maiores quantidades mas nunca fui descoberta.". Recolher assinaturas  era outras das tarefas que desempenhava de forma expedita mas… de vez em  quando…, lá era chamada à 'António Maria Cardoso' para interrogatório.<br />
"Era  só entrada por saída", confessa, "nunca pegaram em nada".<br />
A sua casa foi,  inúmeras vezes, palco de reuniões dos camaradas que viviam na clandestinidade.  Albertina Marques Teixeira possuía uma grande perspicácia e astúcia na defesa  das casas, e nunca houve problemas com a entrada e saída dos seus camaradas.  "Era uma tarefa tão perigosa quanto apaixonante". Quando pressentia problemas,  levava os materiais do partido para a quinta da mãe que, cuidadosamente, os  enterrava na capoeira das galinhas até voltar a ser segura a sua circulação.<br />
Em 1964, deixa para trás o Barreiro, terra de gente operária, firme e  lutadora e entra na clandestinidade. Aqui, a Tina (como carinhosamente ainda  hoje é conhecida por todos), assume muitas vidas e igual número de pseudónimos.  Ao longo dos anos foi Margarida, Ana, Rosa e Paula. "Sentíamos uma  responsabilidade tão grande e o nosso amor à causa era tanto que rapidamente  assimilávamos os nossos papéis na sociedade." Mudou de vida, mudou de casa e,  por algumas vezes, teve que deixar para trás a família, mas manteve-se firme a  um ideal que iria ver concretizado em Abril de 74. "Lutámos muito. Queríamos  derrubar o fascismo e devolver a Liberdade ao nosso país."<br />
Curiosamente, não  viveu o 25 de Abril nas ruas como tantas outras pessoas. Na altura estava no  Porto e não era seguro abandonar a casa do Partido. "Assisti a tudo da janela,  as lágrimas caíam-me, sabia que a minha filha estava no Porto mas não podia  vê-la". Regressa ao Barreiro, só em Maio, com uma irmã que também vivia na  clandestinidade, e vai ao encontro do seu companheiro de então, Fernando Blanqui  Teixeira que, entretanto, havia ajudado a fundar o primeiro centro de trabalho  do pais, do Partido Comunista Português, na Rua Eusébio Leão. Aí, assume tarefas  de responsabilidade nos Fundos do Partido. Posteriormente, já na Rua Vasco da  Gama, integra a Comissão Concelhia do PCP uma vez mais com responsabilidades na  área dos Fundos e com tarefas na Comissão de Freguesia de dirigir os Bairros 5 e  6. Depois de construído o Centro Concelhio do PCP integrou a Comissão de Fundos  com responsabilidades na área da Tesouraria.<br />
Aos 71 anos, Albertina Marques  Teixeira integra a Comissão de Tesouraria com muitos outros camaradas que são a  sua família e desempenha, com a mesma satisfação de sempre, as tarefas de  militante do seu partido.<br />
"Até que me sinta útil é por aqui que vou ficar",  confessa, com uma modéstia, simplicidade e honestidade comoventes quando, vindos  de alguém, que de tudo abdicou, em prol da Liberdade de um Povo.<br />
"Sinto que,  à minha maneira, contribui para construir um mundo melhor. Estou contente com a  vida que escolhi e com as opções que fiz!".<br />
Hoje, o Barreiro agradece-lhe!    </i>
</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><i>Por um percurso de dedicação  e combate, Albertina Marques Teixeira recebe da Câmara Municipal do Barreiro o  Galardão Barreiro Reconhecido na Área da Resistência Antifascista</i></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MARCHAS, DANÇAS E CANÇÕES DE FERNANDO LOPES GRAÇA É O "DOCUMENTO DO MÊS" NA TORRE DO TOMBO]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/07/marchas-dancas-e-cancoes-de-fernando-lopes-graca-e-o-documento-do-mes-na-torre-do-tombo/</link>
<pubDate>Fri, 07 Jul 2006 10:49:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/07/07/marchas-dancas-e-cancoes-de-fernando-lopes-graca-e-o-documento-do-mes-na-torre-do-tombo/</guid>
<description><![CDATA[
O documento do mês na Torre do Tombo é &#8220;Marchas, Danças e Canções&#8221;, de Fernando Lopes G]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.vidaslusofonas.pt/lopgrac9.jpg" align="left" /></p>
<p align="justify">O documento do mês na Torre do Tombo é <a href="http://www.iantt.pt/instituto.html?menu=closed&#38;conteudo=umanoticia&#38;conteudo_nome=Not%EDcias&#38;noticia_id=143"><font><b>"Marchas, Danças e Canções", de Fernando Lopes Graça</b></font></a> que é objecto de uma pequena exposição no átrio. Nessa exposição estão alguns dos elementos sobre a antologia de poemas e canções  com  origem ao arquivo do SNI/SPN existente no IAN/TT. [<font color="#cc0000">Corrigido</font>, ver comentário. ]
</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify">Sobre Fernando Lopes Graça e sobre esta obra, escreve-se num desdobrável distribuído junto da exposição:</p>
<p><!--more--> •<i> Fernando Lopes-Graça (1906 /1994)</i></p>
<p><i>Nascido em Tomar, a 17 de Dezembro de 1906, no seio de uma família da pequena burguesia, cedo revela habilidades para tocar piano. Aos 14 anos é pianista no Cine-Teatro de Tomar, tocando Debussy e compositores russos contemporâneos, o que era pouco habitual na época. Em 1923 ingressa no Curso Superior do Conservatório de Lisboa onde tem como professores, entre outros, Adriano Meira, Tomás Borba e Luís de Freitas Branco. Em 1927 inscreve-se na Aula de Virtuosidade de um antigo aluno de Liszt, José Viana da Mota, seu Mestre e amigo.</i></p>
<p><i>Em 1928 matricula-se na Faculdade de Letras de Lisboa em Ciências Históricas e Filosóficas. Nesse mesmo ano apresenta-se pela primeira vez como compositor interpretando ele próprio as Variações sobre um tema popular português para piano solo. Em Tomar funda o semanário republicano “A Acção” e em 1929, com Pedro Prado, publica no Conservatório de Lisboa a revista “Música”.</i></p>
<p><i>Em 1931 abandona a Faculdade de Letras de Lisboa como protesto contra certas medidas coercivas tomadas pelo Conselho Escolar durante uma greve académica. Entretanto, termina o Curso Superior de Composição com a mais alta distinção e obtém a 1ª classificação para o lugar de professor de piano e solfejo do Conservatório. No entanto, por motivos políticos, não chega a tomar posse. É preso e desterrado para Alpiarça onde escreve : “Revolução e Liberdade são sinónimos, são equivalentes. São leis imutáveis gravadas na face do Cosmo, eternas e divinas como ele”.</i></p>
<p><i>Volta à Faculdade de Letras mas não chega a acabar o curso. Convive com poetas e escritores da revista “Presença”, um grupo de vanguarda da poesia portuguesa. Em 1937 ganha uma bolsa para estudar em Paris mas que lhe será recusada por motivos políticos. No entanto, e a expensas suas, parte para Paris onde estuda Composição e Orquestração com Koechlin.<br />
Antes da partida para Paris, num concerto no Teatro Éden em Lisboa, conhece Maria da Graça Amado da Cunha, jovem pianista e aluna de Francine Benoit. Será o início de uma amizade que durará mais de 50 anos, tornando-se a sua intérprete preferida.</i></p>
<p><i>Em 1940 regressa a Lisboa. Exerce grande actividade como compositor, pianista, crítico teatral em “O Diabo” e musical na “Seara Nova”, organiza coros de amadores de música ao mesmo tempo que escreve canções originais e harmoniza canções regionais portuguesas.</i></p>
<p><i>Em 1941 inicia o seu magistério na Academia de Amadores de Música e em 1942, com o apoio do director artístico Tomás Borba organiza a sociedade de concertos Sonata, com o objectivo de divulgar a música do século XX através de concertos, palestras e audição pública de música gravada. Depressa a Sonata se torna um ponto de encontro de uma vanguarda intelectual, politicamente contra a ditadura salazarista.</i></p>
<p><i>Em 1949 as divergências com a orientação ideológica assumida pela “Seara Nova” levam-no a deixar a revista, publicando em 1951 a “Gazeta Musical”, mensal, que reúne à sua volta músicos, poetas, escritores e pintores. Mesmo vigiados pelo regime, muitos são os que colaboram de forma gratuita.</i></p>
<p><i>Em 1954, mais uma vez por razões políticas, é-lhe retirado o diploma do Ensino Artístico Particular. Não pode dar aulas na Academia e até mesmo em casa. É convidado a publicar um Dicionário de Música em português.</i></p>
<p><i>Em 1961, com o seu amigo Michel Giacometti, procede à recolha na origem de canções que os camponeses cantam nas aldeias e são transmitidas de geração em geração, sendo classificadas e analisadas e depois de seleccionadas divulgadas em disco. Nos anos 70 é o reconhecimento do valor nacional da obra de Lopes-Graça.</i></p>
<p><i>Morre a 27 de Novembro de 1994.</i></p>
<p><i>• Marchas, Danças e Canções</i></p>
<p><i>Em 1946, Fernando Lopes-Graça compõe a música desta obra, com versos inéditos de Armindo Rodrigues, Arquimedes da Silva Santos, Carlos de Oliveira, Edmundo Bettencourt, João José Cochofel, Joaquim Namorado, José Ferreira Monte, José Gomes Ferreira e Mário Dionísio, a publicar pela “Seara Nova”.</i></p>
<p><i>Pretendia o compositor que esta colectânea desse “ao nosso povo um pequeno reportório de canções e danças, que correspondessem ao conteúdo actual da sua consciência e que ele pudesse bailar nos seus momentos de folga ou de entusiasmo”.</i></p>
<p><i>Não se trata pois de uma concorrência ao folclore nacional, mas sim de um conjunto de composições musicais que são para toda a gente e toda a gente as deve utilizar como mais lhe convenha: cantando-as a solo ou em coro, adaptando-as para outros instrumentos musicais, introduzindo algumas alterações tendo sempre presente a necessidade de não desrespeitar as intenções dos autores e cuja inspiração tem por base a tradição popular.</i></p>
<p><i>Foi esta obra censurada pelos serviços do SNI – Secretariado Nacional de Informação, “por apresentar uma nova modalidade subversiva, uma espécie de música celestial, com a sua finalidade comunizadora, evidenciada desde o prefácio (da autoria de Fernando Lopes-Graça) às letras das diversas poesias musicadas que contém”.</i></p>
<p><i>Segundo os serviços de Censura esta publicação, colocada à venda pela “Seara Nova”, inscrevia-se no tipo de publicações que versavam assuntos de carácter político e social.</i></p>
<p><i>A não apresentação da obra aos serviços de censura antes da sua publicação provocou a sua apreensão em 1946, na medida em que tal constituía, de acordo com a legislação então em vigor, uma transgressão. Presente à apreciação do Presidente do Conselho, este despachou mencionando que “a apreensão está plenamente justificada. Interessa que seja séria e que além disso sejam chamados à responsabilidade os autores”, solicitando-se a intervenção da PIDE.</i></p>
<p><i>“Que hei-de dizer-lhes acerca da Música, que os interesse e que esteja ao meu alcance?. Poderia dizer-lhes enfim, como além de uma Arte a considero uma Religião, a minha única Religião (…) e como visiono uma única Religião do Futuro, a única Religião de uma Humanidade Livre, Justa e Sábia”.</i></p>
<p><i>Fernando Lopes-Graça</i></p>
<p><i>Segundo o compositor francês Louis Saguer, “a Música de Fernando Lopes-Graça é uma multiplicidade de técnicas e de estilos: da tonalidade mais clássica ao atonalismo mais marcante. Imbuído das ricas polifonias da música regional portuguesa e alimentado por um vasto tesouro de obras primas de todo o mundo. A sua pesquisa é feita em todas as direcções na certeza de encontrar sempre a síntese necessária à própria expressão enquanto músico e cidadão”.</i></p>
<p><i>A presente documentação possui uma encadernação em papel e as dimensões de 320mm x 230mm x 0,50mm, com um total de 48 páginas, em papel, texto e música. Anexo encontra-se o processo do SNI com 12 páginas.</i></p>
<p><i>O Secretariado de Propaganda Nacional/Secretariado Nacional de Informação, (1929/1974), dirigiu e superintendeu a propaganda nacional, centralizou os respectivos serviços e coordenou a informação de todos os Ministérios. Durante a primeira década do Estado Novo, António Ferro foi a personalidade que empreendeu a concretização da política de propaganda do regime. A nível externo, o SNI desenvolveu a sua actuação em colaboração com todos os organismos portugueses de propaganda existentes no estrangeiro.</i></p>
<p><i>Encontra-se disponível uma versão online no seguinte endereço: <a href="http://ttonline.iantt.pt/dserve.exe?dsqServer=calm6&#38;dsqIni=Dserve.ini&#38;dsqApp=Archive&#38;dsqCmd=show.tcl&#38;dsqDb=Catalog&#38;dsqPos=1&#38;dsqSearch=%28%28%28%28text%29=%27lopes%27%29AND%28%28text%29=%27gra%C3%A7a%27%29%29AND%28RefNo=%27sni%27%29%29" target="_blank">Marchas, danças e canções</a> através do projecto TTonline.</i></p>
<p><i>Durante o mês de Julho de 2006 a documentação encontra-se disponível ao público no Piso 1, no Hall principal, junto ao Bengaleiro, de 2ª a 6ª feira, das 9h30m às 19h15m e aos sábados das 9h30m às 12h15m.</i></p>
<p><i>Lisboa, Julho de 2006</i></p>
<p><i>Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo</i></p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[NÚMERO ESPECIAL DA GAZETA DE MATEMÁTICA SOBRE RUY LUÍS GOMES]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/29/numeo-especial-da-gazeta-de-matematica-sobre-ruy-luis-gomes/</link>
<pubDate>Thu, 29 Jun 2006 10:09:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/29/numeo-especial-da-gazeta-de-matematica-sobre-ruy-luis-gomes/</guid>
<description><![CDATA[&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;
Natália Bebiano public]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p><font color="#ffffff">.................................</font><img src="http://photos1.blogger.com/blogger/5260/1319/1600/GazetaM151_001.jpg" alt="http://photos1.blogger.com/blogger/5260/1319/1600/GazetaM151_001.jpg" height="293" width="218" /></p>
<p align="justify">Natália Bebiano publica na <u>Gazeta de Matemática</u> 151, Julho de 2006, um estudo biográfico sobre Ruy Luís Gomes.</p>
]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[MEMÓRIAS DE VASCO PAIVA, DIRIGENTE ESTUDANTIL E MILITANTE COMUNISTA]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/26/memorias-de-vasco-paiva-dirigente-estudantil-e-militante-comunista/</link>
<pubDate>Mon, 26 Jun 2006 13:05:30 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
<guid>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/26/memorias-de-vasco-paiva-dirigente-estudantil-e-militante-comunista/</guid>
<description><![CDATA[
A Editora Campo das Letras publicou um livro de mem&oacute;rias ficcionado de Vasco Paiva, descrito]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://loja.campo-letras.pt/products/naoutramargem.jpg" align="left" border="0" /></p>
<p align="justify">A Editora Campo das Letras publicou um livro de mem&#243;rias ficcionado de Vasco Paiva, descrito como</p>
<p align="justify">&#160;</p>
<blockquote><p>&#34; <i>est&#243;rias, umas vividas, outras contadas, muitas partilhadas. Alguns dos nomes s&#227;o reais, outros nem tanto.S&#227;o perfis de pessoas simples que viveram, amaram, lutaram.</i>&#34;</p></blockquote>
<p align="justify">O autor foi activista estudantil e militante do PCP na clandestinidade. Uma biografia foi distribu&#237;da pela editora:</p>
<p><!--more--></p>
<p align="justify">&#160;</p>
<p align="justify"><i>Vasco Paiva &#233; natural de Matosinhos, 55 anos, engenheiro  				florestal.<br />
Participou activamente na luta antifascista.<br />
Foi dirigente associativo na Faculdade de Ci&#234;ncias da  				Universidade do Porto e do Movimento da Juventude trabalhadora.<br />
Aderiu ao PCP em 1969, tendo passado &#224; clandestinidade em 1972.  				Manteve-se como funcion&#225;rio clandestino at&#233; ao 25 de Abril. Quer  				antes quer depois da revolu&#231;&#227;o, participou em diversos  				organismos dirigentes do PCP.<br />
Tem colabora&#231;&#227;o dispersa por v&#225;rias publica&#231;&#245;es.</i></p>
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<title><![CDATA[EXPOSIÇÃO DE DESENHO DE ABEL SALAZAR]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/22/exposicao-de-desenho-de-abel-salazar/</link>
<pubDate>Thu, 22 Jun 2006 20:39:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
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No dia 29 de Junho, pelas 22h00, abre no Centro de Exposic&otilde;es do Centro Cultural de Be]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">&#160;<img src="http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/files/2006/06/abelsalazar.jpg" alt="abelsalazar.jpg" height="135" width="95" /><br />
No dia 29 de Junho, pelas 22h00, abre no Centro de Exposic&#245;es do Centro Cultural de Belem. a exposi&#231;&#227;o &#34;Abel SaIazar 0 Desenhador Compulsivo&#34;.</p>
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<title><![CDATA[INVENTÁRIO DO ESPÓLIO DE MANUEL SERTÓRIO NO CD 25 DE ABRIL ]]></title>
<link>http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2006/06/15/inventario-do-espolio-de-manuel-sertorio-no-cd-25-de-abril/</link>
<pubDate>Thu, 15 Jun 2006 21:02:19 +0000</pubDate>
<dc:creator>JPP</dc:creator>
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<description><![CDATA[Est&aacute; dispon&iacute;vel o invent&aacute;rio do esp&oacute;lio de Manuel Sert&oacute;rio oferec]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Est&#225; dispon&#237;vel o <a href="http://www.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Espolio1