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	<title>agitato &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "agitato"</description>
	<pubDate>Fri, 22 Aug 2008 00:36:11 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Noturna de Solidão ou Agitato]]></title>
<link>http://numadessas.wordpress.com/?p=41</link>
<pubDate>Mon, 03 Mar 2008 01:11:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Fernanda Cristina</dc:creator>
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<description><![CDATA[Velha. Sente-se velha. Aos 43 anos, indubitavelmente, velha. Agora, odeia esta casa, pois seu único]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Velha. Sente-se velha. Aos 43 anos, indubitavelmente, velha. Agora, odeia esta casa, pois seu único amor em vida (sua mãe) já não a povoa. Morta há dois dias, sua mãe. E, subita e indubitavelmente, ela sente-se velha. Nesta noite, subita e indubitavelmente, é uma velha.</p>
<p style="text-align:justify;"><img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="1" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" hspace="1" vspace="1" width="302" height="465" align="left" />Das portas de vidro (da casa que agora odeia) ela vê o mar. Cola as mãos nas portas de vidro, tem o rosto congestionado, e olha o mar. Faz o esforço de um murmúrio, se esforça para ao menos murmurar, mas a garganta recusa o som. Olhos franzidos, ela abraça-se (tão velha, velha) e tenta pronunciar (não tem a força de um murmúrio): mãe.</p>
<p style="text-align:justify;">A boca faz o movimento, mas o som se recusa (tem a força de uma velha; os lábios empapados de lágrimas abertos em um “O” perfeito): mãe? mãe? Força de uma velha chorona: não consegue pronunciar. Velha chorona e odeia-se por isso.</p>
<p style="text-align:justify;"><img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="0" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" width="1" height="1" align="middle" />Olha o mar pela porta de vidro. Mar negro de noite. Ao alto, nuvens pumbleas correm desenfreadas pelo céu, loucas feito desgraças. A noite é dos mortos e daqueles aos quais só resta (só é possível) a vigília mórbida de um velório eterno. A boca torta borbulha o <img src="http://numadessas.wordpress.com/files/2008/03/agitato_noturno-de-solidao.jpg" border="0" alt="agitato_noturno-de-solidao.jpg" width="1" height="1" align="left" />murmúrio: “Noite, Meu Deus” (à frente dela um abismo de choro compulsivo).</p>
<p style="text-align:justify;">Lábios empapados de lágrimas, contorcidos de dor de quase-choro. Abraçada a si mesma, anda pela casa odiada. Evita fechar os olhos, pois, sob as pálpebras fechadas estão impressas imagens de violinistas sangrados e sem lábios, mórbidos. Nuvens pumbleas correm pelo céu, desenfreadas como as piores desgraças. Sente-se velha e não nota que, ao passar pelos vasos de pedra negra de sua bela sala, os lírios murcham e fedem – nojentos e mortos.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela crava as unhas na pele, quando envolve o pescoço com as próprias mãos. Violinistas de faces descarnadas, mar revolto e sua mãe não está ali. Unhas adentram a própria pele sem perdão algum, nenhum perdão, nenhum. Sua silhueta é efêmera dentro da casa escura. Lábios (contorcidos) afogados em lágrimas, rosto congestionado. “Noite, Meu Deus”. Os lírios fedendo horrendamente e ela não nota, pois tem desespero na voz de velha: “<a title="agitato" href="http://numadessas.wordpress.com/2008/02/07/agitato/" target="_blank">Que noite</a>”, ela sussurra.</p>
<p><em>Fernanda Cristina<br />
(23/02/07)</em></p>
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