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	<title>1939-1945 &amp;laquo; WordPress.com Tag Feed</title>
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	<description>Feed of posts on WordPress.com tagged "1939-1945"</description>
	<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:58:41 +0000</pubDate>

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<title><![CDATA[Super Spy]]></title>
<link>http://bdsnews.wordpress.com/2008/10/06/super-spy/</link>
<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 02:06:33 +0000</pubDate>
<dc:creator>Percevoir</dc:creator>
<guid>http://bdsnews.wordpress.com/2008/10/06/super-spy/</guid>
<description><![CDATA[
340 pages pour renouer avec le mystère de l’espionnage…
S’il est devenu à la mode de parler]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:center;"><span style="font-family:'Trebuchet MS';"><a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspycouv.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1871" title="superspycouv" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspycouv.jpg?w=67" alt="" width="67" height="96" /></a></span></p>
<p><span style="font-family:'Trebuchet MS';">340 pages pour renouer avec le mystère de l’espionnage…</span></p>
<p><span style="font-family:'Trebuchet MS';">S’il est devenu à la mode de parler de roman graphique pour un album de BD… eh bien <em><strong>Super spy</strong></em> mérite véritablement cette appellation : par son graphisme, par les destins croisés qu’il s’ingénie à mêler d’un court chapitre à l’autre, tissant une incroyable toile d’araignée où personnages et lecteur sont lentement englués, capturés.</span></p>
<p><span style="font-family:'Trebuchet MS';">340 pages pour évoquer les missions dangereuses, naïvement héroïques ou insensément banales durant la deuxième Guerre Mondiale. 340 pages pour évoquer le Caire, Stalingrad, le temps d’une infiltration, le temps d’une rencontre. 340 pages aux couleurs d’un autre temps passé qui ne vous laisseront pas au bout de vos surprises !</span></p>
<p><span style="font-family:'Trebuchet MS';">Un gros livre qui a la délicieuse saveur des vieux films des années cinquante… à vous de voir si vous voulez le lire dans l’ordre des pages ou dans celui des dossiers !?!</span></p>
<p><span style="font-family:'Trebuchet MS';"><em><strong>Super spy</strong></em> </span>de Matt Kindt aux éditions Futuropolis, août 2008, 336 pages (14,5&#215;21 cm)</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspy01.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1872" title="superspy01" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspy01.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>  <a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspy29.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1873" title="superspy29" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspy29.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>  <a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspy40.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1874" title="superspy40" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspy40.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>  <a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspy43.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1875" title="superspy43" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspy43.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a>  <a href="http://bdsnews.files.wordpress.com/2008/10/superspy50.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-1876" title="superspy50" src="http://bdsnews.wordpress.com/files/2008/10/superspy50.jpg?w=66" alt="" width="66" height="96" /></a></p>
</div>]]></content:encoded>
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<title><![CDATA[Minha comemoração particular do fim da Segunda Guerra Mundial (e ainda não chegou ao fim...)]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/08/12/minha-comemoracao-particular-do-fim-da-segunda-guerra-mundial-e-ainda-nao-chegou-ao-fim/</link>
<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 01:28:57 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
<guid>http://jbitten.wordpress.com/2008/08/12/minha-comemoracao-particular-do-fim-da-segunda-guerra-mundial-e-ainda-nao-chegou-ao-fim/</guid>
<description><![CDATA[Afinal, qual foram os custos econômicos da Segunda Guerra Mundial?

Quando se fala em Segunda Guerr]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><strong>Afinal, qual foram os custos econômicos da Segunda Guerra Mundial?<br />
</strong></p>
<p>Quando se fala em Segunda Guerra Mundial, sempre se pensa - corretamente - que a derrota dos nazistas significou a eliminação de um enorme problema para toda a humanidade. De fato, essa visão é correta, mas o esforço mundial - talvez a única vez em que a humanidade realmente optou por escolher uma boa causa - teve custos. Os custos morais, conhecemos bem; os humanos, ninguém ignora. Mas e os custos econômicos? Todo mundo sabe que guerra é uma coisa cara, e quanto terá custado a Segunda Mundial?</p>
<p>Existem muitos estudos a respeito. Esse blogueiro fanático por tecnologia nunca foi chegado à economia - apenas o necessário pra poder ler jornal sem se sentir idiota. Entretanto, tentarei, nesse &#8220;post&#8221; - depois de um mês de férias - levantar algumas questões. Nada de muito complicado, pois se Guido Mantega certamente quebraria a cara caso tentasse falar de couraças <em>sloop</em> e esteiras de alto torque, o redator também pagará mico se tentar aprofundar-se demais.</p>
<p>Agradeço a sugestão do tema à Vânia Grosso, que, aparentemente, perde tempo lendo meus <em>papers</em> de &#8220;pesquisador de domingo&#8221;. Eu mesmo nunca tinha pensado em visitar esse assunto.</p>
<p>Então, obrigado, Vânia! <strong>:c)</strong> E divirtam-se todos! <strong>Não deixem de visitar o blog, pois irei, como sempre faço, melhorando os recursos de pesquisa, ao longo da semana. </strong></p>
<p>_______________________________________</p>
<p>Os custos? Numa palavra: imensos. Num número? 5 trilhões de dólares.</p>
<p>Parece muito? E é. Foi calculado pela <a href="http://wiki.answers.com/Q/How_much_did_World_War_2_cost">Universidade de Oxford</a>, em 1986. Em números de 1940, dá uns 288 bilhões de dólares. Em qualquer língua, é um dinheirão.  Mas &#8220;enquanto muitos observadores falam sobre o estímulo econômico que resultaram dos gastos da guerra, e os aspectos que dizem respeito à formação do caráter militar de nosso tempo, muitos economistas vêem a guerra como um ônus insuperável para os participantes diretos, bem como os indiretos. Os custos indiretos da guerra envolvem os gastos dos estados envolvidos, dos materiais destruídos e danificados, , e os custos sociais da perda de vidas. Ainda que reconheçam esses custos, os economistas, de longa data  têm também reconhecido os impactos adicionais e decorrentes que a guerra teve sobre a vida econômica de participantes e não-participantes.&#8221;</p>
<p>O texto acima, extrato de um <a href="http://www.econlib.org/LIBRARY/Columns/Teachers/warII.html">artigo maior</a> e bastante interessante, que apresenta esse aspecto da Segunda Guerra e levanta questões inusitadas sobre o assunto. Mas vejamos um tópico que todos podemos entender: pensemos nas <a href="http://news.bbc.co.uk/2/shared/spl/hi/pop_ups/03/europe_german_destruction/html/1.stm">fotografias</a> e nos documentários. Até hoje, nunca se observou destruição igual (ainda bem!..). A infra-estrutura industrial e urbana da Europa sofreu danos da ordem de 65 por cento (algo como se, em cada cem casas, 65 tivessem sido destruídas ou sofrido algum estrago); no caso da União Soviética, é impossível calcular. Aproximadamente 40 milhões de pessoas perderam a vida, e uns 100 milhões sofreram ferimentos; dentre estes, cerca de 5 milhões ficaram inválidos, de alguma forma. Em resumo: a Europa Ocidental chegou em 8 de maio de 1945 quase falida; a Rússia européia, totalmente arruinada; o Japão, queimado quase até o nível do solo. O mundo tinha muitas feridas para lamber.</p>
<p>Havia também o problema de que a indústria, em todos os países, estava totalmente adaptada para a produção de guerra. As outras áreas, ditas &#8220;civis&#8221; ou &#8220;de tempo de paz&#8221; tinham sido reduzidas ao máximo. Basta ver que, nos EUA, entre 1941 e 1946, não foram produzidos automóveis para o mercado civil (apenas por encomenda do governo, para coisas tipo polícia, ambulâncias, ônibus e táxis); a produção de mobiliário ou roupas civis, em alguns países (a Alemanha e a União Soviética, por exemplo) reduziu-se em mais de 80 por cento. Isso tudo constituiu um problema, pois quando a guerra acaba, não se trata apenas de parar de produzir material militar, mas adaptar toda a indústria para um tipo de produção cuja lógica e organização são inteiramente diferentes daquelas adotadas até então. A indústria bélica lança mão de projetos, fabricação e controle de qualidade diferentes dos adotados pela indústria civil. Uma fábrica de eletrônicos (como a Philco, em Filadélfia, ou a Telefunken, de Berlim, vamos dizer) tem, por exemplo, preocupações com o acabamento do produto que a indústria militar não precisa ter. Essa última leva em conta, em seus produtos, principalmente a funcionalidade. O produto não precisa ser bonito, e sua ergonomia tem de estar totalmente articulada com a finalidade de uso. Em tempos de guerra, a indústria bélica também não precisa se preocupar em disputar mercado. Os governos compram tudo; financiamento da produção, cobrança e pagamento de impostos também mudam completamente. Veja-se, por exemplo, os acordos <em>lend-lease</em> (&#8221;empréstimo e arrendamento&#8221;), inventados por Rooselvelt em 1940, para ajudar a Inglaterra: tudo quanto é tipo de equipamento militar passou a ser entregue aos britânicos com descontos de até 80 por cento no preço final - e financiado. Uma boa parte desses descontos era obtida através da redução nos impostos normalmente cobrados à indústria. Só isso, entretanto, não bastava: os governos tinham de financiar a indústria, e se financiavam emitindo títulos de várias espécies (os mais conhecidos eram os &#8220;bônus de guerra&#8221;, pagáveis após o fim da guerra  - até o governo brasileiro fez isso&#8230;). Isso significa que, depois da guerra, a dívida terá de ser paga. Ou seja: muitos governos (o Reino Unido, por exemplo), acabaram a guerra quebrados.</p>
<p>Este foi um dos motivos (não o único) que levou o Partido Conservador de Churchill a perder a eleição geral de 1945. O que a oposição lá começou a se perguntar é como o Estado cumpriria as promessas feitas à população quando a mobilização geral começou, em 1940 (a tal &#8220;<em>finest hour</em>&#8221; do verão de 1940). Segundo o governo conservador, depois da guerra aconteceria o advento de um verdadeiro paraíso para as classes trabalhadoras. Na Inglaterra, as promessas do governo colocaram em movimento mudanças sociais profundas, liberando as reinvindicações da sociedade. Essas possibilidades foram sistematizadas em 1941, num documento chamado &#8220;Relatório Beveridge&#8221; (de William Beveridge, um economista conservador a serviço do Partido Trabalhista). Esse documento analisava as mudanças que teriam de ser implementadas pelo governo, depois da guerra, nos serviços sociais, e concluía que o objetivo dos governantes - independente da coloração política - teria de ser manter o pleno emprego como forma de expandir a economia e financiar a coisa toda. O problema é que, já a partir de 1943, ficou claro que não haveria dinheiro para pagar essas mudanças. John Bull estava com os bolsos vazios.</p>
<p>Se era assim na Grã-Bretanha, imagine-se no resto do mundo. Poucos países ganharam com a guerra, exceto os Estados Unidos. Estes entraram na guerra quando a situação militar estava mais-ou-menos consolidada - a Alemanha tinha sido contida (já tinha perdido a Batalha da Inglaterra e sido detida diante de Moscou) e o Japão, apesar do arranque inicial, era, de fato, um adversário de segunda categoria. A mobilização da sociedade norte-americana já tinha começado, paulatinamente, desde 1939. A conversão da indústria foi feita por via de uma articulação através de comissões de alto nível armadas pela administração Rooselvelt. Foram convocados líderes de classe, tanto capitalistas quanto trabalhadores, e a sociedade foi chamada à luta por via das organizações civis - imprensa, igrejas, escolas, agências de seviços - acenando o governo com o final definitivo da Depressão.</p>
<p>Além disso, os EUA não foram atingidos pelos combates (o que, na guerra moderna, faz enorme diferença) e teve apenas danos periféricos em sua infra-estrutura, como perda de navios mercantes e instalações no ultramar. Uma vantagem pouco conhecida foi o fato de que, como os EUA se mantiveram neutros após o início das hostilidades na Europa, os capitalistas norte-americanos não retiraram seus investimentos da Alemanha imediatamente, e puderam faze-lo de forma planejada. Em muitos casos a retirada foi feita com a anuência dos nazistas. E esses investimentos não eram pequenos.</p>
<p>Um exemplo desse processo é interessante: o gigantesco <em>trust</em> General Motors Co. era dono de 100 por cento da empresa Opel, de Hamburgo. Essa empresa, produtora de veículos civis e máquinas industriais, passou, a partir de 1937, a produzir o caminhão médio &#8220;<a title="Um pouco sobre o caminhão Opel &#34;Blitz&#34;" href="http://www.cvmarj.com.br/restau2.htm">Blitz S</a>&#8220;, que se tornou, em 1938, o principal veículo de transporte não-protegido da <em>Wehrmacht</em> (Forças Armadas Alemãs). Em 1939, o governo nazista propôs a aquisição, a médio prazo, de 20000 desses veículos. No ano seguinte, acabou propondo a aquisição do controle da empresa, encerrando a participação dos norte-americanos e a produção de veículos civis. A GM pode, assim, retirar seus capitais da Alemanha antes que os dois países se tornassem inimigos. Aconteceu a mesma coisa com diversas outras empresas - inclusive algumas fábricas de armamento.</p>
<p>Outro ponto crucial foi o fato de que, a partir de 1940, a &#8220;City&#8221; londrina deixou de ser o ponto de convergência dos capitais excedentes do mundo. Em termos simples, isso quer dizer que o dinheiro gerado pelos investimentos produtivos britânicos era reinvestido e redirecionado por bancos situados em Londres. Essa situação já estava mudando desde a Primeira Guerra Mundial, com Nova Iorque se convertendo no ponto de cruzamento do capital financeiro internacional. Depois de 1940, essa situação mudou em definitivo, e Wall Street transformou-se na &#8220;esquina mundial&#8221; do dinheiro. Talvez tenha sido esse o grande ganho dos EUA com a guerra: a grana do planeta passou a ter seu pouso em Nova Iorque. Isso significou que, a médio prazo, as fontes de financiamento da economia produtiva em todo o mundo passavam a depender de banqueiros dos EUA. Passou a valer a máxima de que &#8220;quem parte e reparte e não fica com a maior parte ou é bobo ou não tem arte&#8221; - e todos sabemos que &#8220;arte&#8221; nunca faltou ao grande capital norte-americano&#8230;</p>
<p>Claro que uma situação assim não teria sido possível sem um total acordo das autoridades políticas e econômicas dos EUA, e a anuência - ainda que forçada - dos britânicos e dos &#8220;governos no exílio&#8221; instalados em Londres (que, na prática, não mandavam nada, mas eram mantidos cuidadosamente com vistas ao pós-guerra). A partir de 1942, quando a vitória dos Aliados tornou-se questão de tempo, Rooselvelt começou a sonhar com o  &#8220;mundo de paz&#8221; após a guerra, e seus planejadores receberam ordens de pensar em como funcionaria esse mundo. A principal idéia foi que as potências - na época, imaginava-se EUA, Reino Unido (o que incluía Canadá e Austrália) URSS e China - constituiriam uma espécie de &#8220;supervisão geral&#8221; para a manutenção da paz e dos meios da paz. A base dessa &#8220;supervisão&#8221; seria as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança. Claro que a idéia estava fadada ao fracasso, mas o projeto teve alguns resultados eficazes: um dos principais foi a conferência de Bretton Woods (bucólica cidadezinha no estado norte-americano de New Hampshire), realizada em julho de 1944. Essa conferência (na verdade, foram diversas, realizadas simultaneamente, com a presença de mais de 700 delegados de 44 países) estabeleceu um sistema de gerenciamento econômico internacional, que modelou regras para as relações comerciais e financeiras entre os países centrais e entre estes e periferia econômica do mundo. O resultado foi uma ordem monetária totalmente negociada - e melhor, chancelada por acordos diplomáticos entre Estados teoricamente soberanos. As resoluções do acordo final de Bretton Woods, estabeleceram, debaixo do guarda-chuva da ONU, a criação do Fundo Monetário Internacional (nosso FMI &#8220;velho de guerra&#8221;) e do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (o BIRD do &#8220;faça como eu digo&#8221;).</p>
<p>Bretton Woods não foi pouca coisa. Em meados de 1944, estava claro que um dos resultados da guerra era a criação de um enorme excedente de capital, produzido pela atividade econômica ampliada, nos EUA, Canadá e Austrália, e em regiões periféricas (como o Brasil, a Argentina e a África do Sul), e pela retração sem precedentes, nos anos anteriores, do comércio internacional regular. Esse excedente poderia provocar um enorme surto inflacionário, queda da produção e desemprego - este possivelmente agravado pela desmobilização de 25 milhões de combatentes, em todo o Ocidente. No conjunto, algo semelhante à Grande Depressão de 1929. Mas a experiência da Depressão tinha sido bem absorvida, à essa altura.</p>
<p>Na época em que o desastre econômico de 1929 se espalhava, as nações, aferradas ao sistema liberal, imaginaram que a instituição de controles e barreiras comerciais e de medidas gerenciais internas restritivas, tudo somado às &#8220;leis naturais do mercado&#8221;, acabariam resolvendo a crise. Não resolveram, e trouxeram, adicionalmente, o perigo de rompimento estrutural do sistema. A idéia geral levada a Bretton Woods (relativamente bem-intencionada) pelos economistas e pensadores reformistas, era evitar a repetição da situação observada entre 1930 e 1939. Nesse período, a retração do comércio internacional minou o sistema internacional de pagamentos, aprofundando a crise e criando um círculo vicioso. A política das maiores economias foi &#8220;safar-se empobrecendo o vizinho mais fraco&#8221;: aumentar tarifas alfandegárias de modo a implementar a competitividade das próprias economias e assim reduzir déficits da balança de pagamentos. Isso teve efeito contrário, a diminuição generalizada do comércio, não só mundial, mas também interno e, por conseqüência, da produção. O desemprego foi massivo. Em 1944, a idéia era que um sistema monetário mundial unificado preveniria uma nova crise.</p>
<p>Outro problema, articulado ao anterior, era a &#8220;aterrissagem&#8221; da economia de guerra. Em 1919, a reconversão da indústria tinha provocado uma enorme confusão, atenuada pela relativa prosperidade mundial. Não era o caso, então. A destruição generalizada e a situação de agitação social na Europa exigiria investimentos de emergência, o que dificultaria a readaptação do parque industrial.</p>
<p>Dois eventos indicaram o caminho a ser seguido: a Guerra Fria e o Plano Marshall.</p>
<p>A Guerra Fria, iniciada já em 1946, com o bloqueio de Berlim, mostrou que os EUA deveriam continuar no papel de &#8220;arsenal da democracia&#8221;, apenas reduzindo a escala. Ou seja: em vez de 350.000 aeronaves, 2.500.000 veículos de todos os tipos (inclusive 1.000.000 de caminhões) e 50.000 navios (inclusive 30.000 navios mercantes), passariam a produzir uns 20 por cento disso. Os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, principalmente na área de tecnologia e processos não diminuiriam - muito pelo contrário. Os EUA se tornariam o &#8220;laboratório do mundo&#8221;, tornando-se a &#8220;esquina da ciência e da tecnologia&#8221;, ao mesmo tempo que a &#8220;esquina do dinheiro&#8221;. Diversas guerras periféricas, surgidas a partir de 1946, como a Revolução Chinesa, a Coréia, o Oriente Médio e as diversas guerras de descolonização mostraram que seria fértil do jardim da indústria bélica.</p>
<p>O segundo evento foi o Plano Marshall. Trata-se de desdobramento da Doutrina Truman - basicamente, o conjunto de iniciativas dos EUA para conter a expansão do comunismo soviético e das agitações sociais. Oficialmente chamado &#8220;Programa de Recuperação Européia&#8221;, foi o principal plano dos EUA para a reconstrução dos aliados europeus, inclusive a Grã-Bretanha. O nome extra-oficial vem de George C. Marshall, comandante das Forças Armadas dos EUA durante a guerra e então Secretário de Estado dos Estados Unidos.</p>
<p>O plano de reconstrução foi desenvolvido em uma conferência das nações européias, em julho de 1947. Inicialmente, era previsto que a URSS e seus aliados também seriam convidados, mas o governo soviético avaliou que os acordos propostos pelos EUA significariam um retrocesso nas vantagens obtidas durante a guerra (a URSS teve um enorme desenvolvimento econômico durante o conflito, além de consolidar politicamente, o sistema comunista). Assim, Stalin determinou que nenhum país da esfera soviética estaria presente. O plano permaneceu em operação por quatro anos, a partir da assinatura do protocolo de intenções dos governos. Durante esse período, algo em torno de 13 bilhões de dólares em assistência financeira, técnica e econômica (equivalentes, hoje em dia a uns 150 bilhões de dólares) foram oferecidos aos aliados. A contrapartida foi a criação da Organização Européia de Cooperação e Desenvolvimento, sob supervisão da ONU, e a adesão incondicional ao métodos norte-americanos de organização e gerência.</p>
<p>Esse dinheiro era uma gota no oceano calculado em 1,5 trilhão de dólares, que foi o rendimento, calculado no início dos anos 1950, obtido diretamente pelo sistema econômico dos EUA, com a guerra. O Japão e a Alemanha perderam o status de potências militares, sendo o primeiro ocupado pelos EUA e o segundo dividido em dois Estados, Alemanhas Ocidental e Oriental. A Inglaterra e a França, simplesmente falidas, perderam seus impérios coloniais, e, com estes, foi-se a ordem econômica internacional pré-guerra. Teria início então uma nova fase, com o mundo dividido entre o capitalismo e o comunismo, num embate ideólogico e econômico entre americanos e soviéticos, que persistiria por mais de quatro décadas.</p>
<p>Tangencialmente, Canadá e Austrália também ganharam com a guerra, visto que boa parte do que restava do capital disponível em circulação no Império Britânico foi transferida para esses países. É bem conhecida a &#8220;mudança de endereço&#8221; dos ativos do Banco da Inglaterra para o Canadá, em 1940, e suas conseqüências. Esse país, formalmente membro da Comunidade Britânica, saiu da guerra como a quarta potência econômica do mundo, recebendo inclusive parte das indústrias e trabalhadores especializados que não puderam permanecer na Inglaterra, em função da luta contra a Alemanha.</p>
<p>Em menor escala, a Austrália também foi afetada positivamente, embora fortemente afetada pela interrupção das comunicações com a Europa (o mesmo se deu com a Nova Zelândia) e pela guerra no Pacífico, contra o Japão. Esses dois países passaram, a partir de 1942, a constituir uma das duas retaguardas das operações contra o Império Nipônico, o que significou que passaram a ser amplamente subsidiados pelos EUA. Embora tenham contribuído com o esforço de guerra de maneira considerável, como o Canadá, não chegaram a ter grandes prejuízos, pois os combates ficaram longe de seus territórios. O problema é que foram todos bastante afetados pela participação no esforço de guerra britânico, já que, em teoria, constituíam um único organismo político, e estavam obrigados por acordos que remontavam ao final do século XIX, a colaborar ativamente na defesa das Ilhas Britânicas e do Império. Basta dizer que um terço dos efetivos das forças armadas britânicas era constituído por naturais do Canadá. Ainda assim, a economia canadense, muito afetada pela Grande Depressão - era fornecedora de matérias-primas, alimentos e insumos para a Grã-Bretanha - recuperou-se com a guerra, embora tenha se tornado, no processo, ainda mais dependente dos EUA do que era da &#8220;velha Albion&#8221;.</p>
<p>A periferia, para variar, não ganhou nada com a guerra. Países como Argentina, Uruguai, Brasil e África do Sul acumularam enormes créditos com os países centrais - inclusive os EUA -, dinheiro que poderia ter sido aplicados no desenvolvimento sócio-econômico dessas regiões. A Argentina tinha aproximadamente 2 bilhões de dólares em ativos, e a enorme vantagem de que esses ativos estavam, em grande parte, disponíveis, pois o país conseguiu ficar neutro durante quase toda a guerra, vendendo matérias-primas e alimentos tanto para os EUA quanto para a Grã-Bretanha, e recebendo investimentos e &#8220;dinheiro fugido&#8221; da Alemanha. Um plano de desenvolvimento mal-elaborado e a megalomania de Juan Domingo Perón, que pretendia tornar o país uma potência regional, acabaram com grana em menos de vinte anos (o que confirma outra máxima: &#8220;o tolo e seu dinheiro logo se separam&#8221;). Perón e seus sucessores tiveram a fantasia de estabelecer uma <a title="Um artigo sobre o projeto &#34;Pulqui&#34;, um jato &#34;todo argentino&#34;." href="http://www.ipmsstockholm.org/magazine/2002/06/stuff_eng_profile_pulqui.htm">indústria local de armamento</a>, e contrataram engenheiros alemães, nazistas irrecuperáveis, que não se mostravam dispostos a trabalhar nem mesmo para o Ocidente. No caso do Brasil, pode-se dizer, com certeza, que o país foi vergonhasamente tungado por seu aliado. &#8220;<span style="font-family:Verdana;"><a title="Leia aqui a integra desse interessante artigo." href="http://www.brasilinter.com.br/guerraproscrita/custos.htm"><em>O tratamento com o Brasil, no pós-guerra, foi muito injusto.  Não tivemos ressarcimento dos ônus impostos pela guerra por termos sido excluídos da Conferência de Reparações de Guerra, em Paris, conforme nos estava assegurado pelos Acordos de YALTA e POTSDAM.</em></a>&#8221; </span>O alinhamento automático aos EUA, a partir de 1947, representado pela adesão incondicional ao &#8220;sistema panamericano&#8221; (outro desdobramento da &#8220;doutrina Truman&#8221;), viria a render mais problemas que vantagens. <span style="font-family:Verdana;">&#8220;<em>Não recebemos bens de capital para o nosso desenvolvimento, a fim de sair da economia de guerra para a de paz sem grande descompasso.</em>&#8221; Mais do que isso, fomos chamados a &#8220;colaborar&#8221; na reconstrução da Europa (!!!), gastando nossos créditos em bens de consumo da renascida indústria deles (automóveis Citroën, Renault &#8220;rabo-quente&#8221; e Morris, relógios e máquinas fotográficas feitas na Alemanha Ocidental e máquinas de costura italianas) e bugigangas, muitas bugigangas de &#8220;matéria plástica&#8221;, que pelo menos renderam muita gozação.</span></p>
<p>__________________________________________</p>
<p>Por agora, é isso aí. Caso alguém mostre interesse, voltamos ao assunto. Se ninguém mostrar, voltamos também. De qualquer forma, aproveitem: minha comemoração não deve ultrapassar agosto. Em setembro, vou comemorar outra coisa&#8230; <strong>:c))</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um sistema de armas (da Segunda Guerra Mundial, é claro) às terças::O feio, o mau e o bom::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/07/08/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercaso-feio-o-mau-e-o-bom/</link>
<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 03:19:48 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
<guid>http://jbitten.wordpress.com/2008/07/08/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercaso-feio-o-mau-e-o-bom/</guid>
<description><![CDATA[
Curiosamente, o blog das boas causas, aquelas que têm uma boa guerra por trás, consegue, pelo men]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><!-- 	 	 --></p>
<p>Curiosamente, o blog das boas causas, aquelas que têm uma boa guerra por trás, consegue, pelo menos uma vez, nessa comemoração do redator sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, sair na data correta, ou seja&#8230; terça feira. Dentro de nossa avaliação do &#8220;feio&#8221;, do &#8220;bom&#8221; e do &#8220;mau&#8221;, passemos agora ao &#8220;mau&#8221;. E logo-logo vamos publicar o último artigo da série, uma análise dos três modelos.</p>
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<p><em>Memória afogada - um tanque no fundo do lago</em><strong>::</strong></p>
<p>De fevereiro a setembro de 1944, pesados combates foram travados numa  faixa de 50 km de profundidade, ao longo do rio Narva, na fronteira entre Estônia e União Soviética. Durante um breve período, no verão e outono, a <em>Wehrmacht</em> conseguiu deter o exército soviético diante da linha de defesa «Tannenberg», ancorada na cidade estoniana de Narva. O Grupo de Exércitos Norte opôs-se com sucesso às &#8220;Frentes&#8221; (grupos de exércitos) soviéticas «Volkhov» e «Leningrado», e a propaganda nazista chamou essas operações de «Batalha da Europa». Dessa forma, queriam frisar a grande quantidade de voluntários estrangeiros envolvidos nos combates, recrutados pela <em>Waffen SS</em> («SS Armada»). A principal grande-unidade no setor era o 3<sup>o </sup>Corpo Blindado SS, do <em>Gruppenführer</em> (major-general) Felix Steiner<em>, </em>um dos grandes comandantes de tanques da Segunda Guerra Mundial<em>.</em> Por volta do final de junho, avanços soviéticos na Letônia e Curlândia obrigaram as tropas do 18<sup>o </sup>Exército alemão a retraírem a frente do Narva, o que significou o abandono da região.</p>
<p>A grande inferioridade alemã em números (a proporção de tanques era da ordem de 12 para 1, e de infantes, de 20 para 1) fazia com que o material soviético capturado nessas operações fosse imediatamente posto em serviço. Parece ter sido esse o caso de um tanque T34/76E modelo 1943 (identificável pelo tipo de torre, incorporando uma cúpula de comando). Posto em ação pelos captores, é possível que, durante a manobra de retirada, sem combustível, tenha sido abandonado e lançado no lago Kurtna Matasjarv.</p>
<p>Em setembro de 2000, o veículo foi localizado numa profundidade de uns 7 metros, por membros do clube de história da guerra  da cidade de Otsing, na Estônia. O grupo de entusiastas decidiu trazer o blindado para a superfície, o que foi feito com a ajuda de um trator de 68 toneladas. Detalhes desse fato, narrados com o estilo habitual, podem ser lidos no blog de nosso conhecido <a href="http://casadokct.blogspot.com/2006_09_19_archive.html">KCT</a>.</p>
<p>O tanque estava em boas condições, com muito pouca ferrugem e todos os sistemas, com exceção do motor, em condições de uso. Levado para a cidade de Narva - que foi parcialmente destruída durante os combates entre alemães e soviéticos e cujo centro é mantido nesse estado, como monumento - deverá ser colocado, em breve, num museu dedicado à participação da Estônia na guerra.</p>
<p>O exame do veículo revelou que o tanque estava pintado nas cores usuais da <em>Wehrmacht</em> para a região (verde cinzento) e com marcas que parecem ser do  regimento de artilharia da 20<sup>a </sup>Divisão de Infantaria <em>Waffen SS</em> «Estônia N<sup>o </sup>1». Possivelmente se trata de equipamento capturado durante a batalha de Sinimäed («Colinas Azuis»), em março de 1944. Nessa operação, tropas alemãs e voluntários locais da SS conseguiram deter temporariamente a vanguarda do exército soviético.</p>
<p><em>Antecedentes - a cópia</em><strong>::</strong></p>
<p>Não é estranho que um T34 soviético tenha sido encontrado, mais de cinqüenta anos depois de terminada a guerra, no fundo de um lago e nas cores alemãs. Este excelente produto da indústria soviética da era stalinista saiu das fábricas na estonteante quantidade de 35000 unidades, ao longo de toda a guerra, e é considerado por alguns especialistas como o melhor carro blindado a entrar em combate na época.</p>
<p>Seu projeto tem origem no desenho soviético designado «BT»  (de <em>Bystrokhodny Tank, </em>ou «Tanque de alta velocidade»), que começou a ser produzido em 1932. Essa série de tanques teve como base um projeto do engenheiro norte-americano John Walter Christie, parcialmente copiado pela URSS em 1931. Os modelos BT2 e BT3, produzidos em pequena quantidade, muito mal armados, apresentavam, entretanto, uma característica extremamente interessante: a blindagem frontal inclinada (<em>sloping armour</em>, em inglês), experimental nos modelos Christie e mantida e aperfeiçoada pelos soviéticos.</p>
<p>Em 1937, a equipe do engenheiro Mikhail Koshkin foi designada para criar um novo modelo BT, já que os anteriores eram muito leves e não aceitavam a nova geração de canhões de uso geral introduzida em 1936 no Exército Vermelho. Koshkin e seu grupo imaginaram um veículo capaz de cumprir todas as funções especializadas que dividiam os blindados soviéticos em «de reconhecimento», «de infantaria» e «cruzadores» (a linha BT), influência das experiências britânicas realizadas nos anos 20. O novo projeto também foi fortemente afetado pelos testes feitos na Guerra Civil espanhola, na qual um batalhão de  «cruzadores» BT5 foi empenhado, e no emprego de toda a linha BT contra o Japão, em 1939.</p>
<p>O resultado foram os modelos experimentais A20 e A32, depois modificados para um modelo único, cujos exemplares de teste apareceram no início de 1940. Esse novo blindado foi designado pelo Exército Vermelho «T34» e começou a ser distribuído em pequenas quantidades para as tropas de combate no final daquele ano. Em 1941 as quantidades foram aumentadas e, no início de 1942, as enormes perdas sofridas pelos soviéticos diante da <em>Wehrmacht</em> levaram os Comitês de Coordenação da Indústria de Guerra a resolver que apenas o T34 seria produzido, o que aconteceu ao longo de toda o conflito.</p>
<p align="left"><em>Aspectos técnicos - o definitivo</em><strong>::</strong></p>
<p align="left">Os aspectos do T34 que o tornaram totalmente distintos de qualquer outro veículo blindado disponível, até o surgimento dos Tigres e Panteras alemães, na metade da guerra, eram a blindagem de grande inclinação, as lagartas largas e um motor a óleo diesel bastante potente. Esses detalhes, somados ao canhão L11, que logo seria substituído por uma versão aperfeiçoada, o F34/76, de 76.2 milímetros, o tornavam o veículo blindado mais poderoso disponível até 1943. O motor V2 diesel, de 12 cilindros, refrigerado à água, além da potência de 500 HPs e da relativa simplicidade de manutenção, juntava uma vantagem adicional: o óleo diesel era bem menos inflamável do que a gasolina usada como combustível para as séries anteriores dos BT, além de possibilitar maior raio de ação ao veículo. Deslocando o peso básico de 26,5 toneladas, a velocidade máxima em estrada alcançada pelo novo modelo era de 56 km/h, que caía para algo em torno de 35 km/h em terreno acidentado, com uma autonomia de aproximadamente 300 quilômetros. A blindagem frontal tinha espessura de 52 milímetros, o que era mais ou menos a mesma coisa que tinha o <em>Panzer IV </em>e muito menos do que os 120 milímetros do «Pantera». Entretanto, a diferença é a blindagem inclinada. Além de mais dura, esse tipo de chapa permite uma maior capacidade de deflecção (desvio) do tiro adversário.</p>
<p align="left"><em>Tanque a tanque - o melhor?</em><strong>::</strong></p>
<p align="left">A surpresa dos alemães com o T34 foi tamanha que diversos comandantes de blindados declaravam, abertamente, que «não tínhamos nada nem de longe parecido» (palavras do futuro major-general, então coronel, von Mellethin, no livro <cite><em>Panzer Battles</em></cite><cite><em>: A Study of the employment of armor in the Second World War</em></cite><em> </em>, publicado em 1956). O exame do tanque, capturado em grandes quantidades pelos alemães, em todos os estágios da guerra, resultou em mudanças substanciais no projeto do «Tigre», e no projeto do «Pantera», este considerado pela maior parte dos estudiosos como o melhor tanque aparecido durante a guerra. Os planejadores alemães chegaram até mesmo a considerar a produção de uma cópia do T34, que chegou a ser desenvolvida pela empresa  Daimler-Benz, em 1942. Entretanto, a mecânica geralmente adotada pelos blindados alemães, a começar pelo motor a gasolina, era incompatível com o desenho russo, e se somava à implicância ideológica com os produtos soviéticos - os alemães tinham dificuldade em admitir que de lá pudesse vir qualquer coisa que fosse comparável aos seus produtos. A empresa MAN apresentou um desenho que incorporava todos os principais aspectos do modelo soviético, com excessão do motor, que continou a ser o <em>Maybach</em> HL230 à gasolina. Tratava-se do «Pantera». Mas, em termos gerais, esse tanque ainda era um espécie de cópia melhorada do T34.</p>
<p align="left">Entretanto, é difícil avaliar qual dos dois era realmente melhor. O aparecimento do «Pantera», assim como a introdução, no <em>Panzer IV</em> e em diversos modelos de canhões de assalto e caçadores de tanques, do excelente canhão KwK40/75mmX48 calibres fez com que os projetistas soviéticos melhorassem a blindagem e a motorização do T34. Mas a principal modificação foi a  introdução de um novo modelo de torreta, derivado do projeto, abandonado, do «tanque universal» T43. Essa nova torreta era grande o sufucuente para receber um canhão anti-aéreo de 85 milímetros. Ainda assim, o canhão KwK43, de 75 mmX70 calibres, montado no «Pantera» era superior ao novo canhão do T34, mas como os combates diretos entre tanques na Frente Oriental eram ocorrências relativamente raras, uma avaliação com base em eventos e estatísticas fica difícil. A maioria das perdas sofridas pela arma blindada soviética se deveu a problemas mecânicos, impactos de artilharia e ataques aéreos, e, a partir de 1942, também aos recém-introduzidos «caçadores de tanques», montando canhões iguais aos dos tanques e muito mais manobráveis.</p>
<p align="left">Os números certamente contaram para estabelecer a vantagem soviética. Stalis dizia que «a quantidade, em si mesma, é uma qualidade», de modo que os enormes números de T34 que se tornaram disponíveis a parter de 1943 contibuíram para esmagar as divisões blindadas da <em>Wehrmacht</em>.</p>
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<title><![CDATA[Um sistema de armas (da Segunda Guerra Mundial, é claro) às terças:: Escolha sua arma]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/07/03/um-sitema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas-escolha-sua-arma/</link>
<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 16:54:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
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<description><![CDATA[Continuaremos, a seguir, com o exame de três blindados que representam perfeitamente o panorama mi]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Continuaremos, a seguir, com o exame de três blindados que representam perfeitamente o panorama militar e  tecnológico da Segunda Guerra Mundial - o feio, o bom e o mau. Neste post, que deveria ser postado na terça-feira (digamos que não é terça, mas estamos perto&#8230;) examinaremos o bom: o tanque que carregou a arma blindada alemã nas costas.</p>
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<p><em>O bom</em><strong>::</strong></p>
<p>Diante do volume da produção ocidental e soviética durante a guerra, os números apresentados pela Alemanha, no que diz respeito a produção de tanques, são surpreendentemente modestos: embora não hajam registros confiáveis, calcula-se que tenham alcançado 22000 unidades de todos os tipos. Entretanto, esse número é enganoso. Vejamos o motivo.</p>
<p>A infantaria das divisões blindadas era transportada em veículos motorizados - caminhões convencionais ou transportadores blindados de pessoal, que não tinham capacidade de engajar tanques ou posições defensivas fortificadas. Esse problema, que já tinha sido formulado desde a Grande Guerra, levou os planejadores alemães a pensar em um veículo dotado de armamento pesado, com a função de ficar próximo e apoiar diretamente as tropas motorizadas. Esses veículos não teriam de manobrar como os tanques, podiam ser mais lentos e não precisariam apontar suas armas para todos os lados quando em movimento. Podiam se aproximar do alvo e disparar diretamente sobre ele e, estando cobertos pela infantaria, podiam se colocar em bateria manobrando o conjunto inteiro. Os primeiros veículos dessa categoria surgiram pouco antes da guerra e eram, basicamente, um canhão protegido por uma cúpula blindada, montado no chassi de um tanque. Nas divisões blindadas, substituíram boa parte da artilharia convencional, rebocada ou auto-propulsada; nas divisões de infantaria mecanizada, geralmente constituíam o elemento blindado.</p>
<p>Por volta de 1940, as diversas vezes em que os tanques alemães se viram encrencados com blindados franceses e ingleses muito mais protegidos e armados, levou a <em>Wehrmacht</em> a introduzir nas divisões blindadas um novo tipo de veículo. A função deste seria proteger os flancos das unidades de assalto em movimento. Esse novo veículo foi chamado &#8220;caçador de tanques&#8221; (<em>Jagdpanzer</em>), e era, basicamente, um canhão de alta velocidade de boca montado num chassi de tanque obsoleto, de onde eram retirados a torre e o sistema de acionamento e estabilização desta. A blindagem do conjunto também era diminuída, de modo que o resultado era um tanque sem torre, com muito menos proteção e grande velocidade (resultante da diminuição do peso do conjunto mantendo-se o mesmo motor e suspensão). Esses primeiros &#8220;caçadores de tanques&#8221; sofriam do problema da baixa proteção (a equipagem do canhão ficava totalmente exposta, protegida apenas pelo escudo, que era um pouco estendido) e silhueta muito alta.</p>
<p>Assim, por volta de meados da guerra, a <em>Wehrmacht</em> dispunha de três tipos de veículos blindados: o tanque propriamente dito, o canhão de assalto e o caça-tanques. Calcula-se que a produção dos três tipos tenha alcançado 45000 unidades, o que coloca a inferioridade alemã em termos de blindados em uma perspectiva totalmente diversa.</p>
<p>O desenrolar da guerra fez com que a diferença entre canhões de assalto e caça-tanques diminuísse até quase desaparecer. Em meados de 1943, o fato de a Alemanha ter decididamente caído na defensiva forçou o surgimento de novas táticas, que implicavam no uso massivo de canhões de assalto e caça-tanques.</p>
<p>No caso alemão (soviéticos e norte-americanos também utilizaram esses veículos), esses sub-tipos eram sempre decorrentes da reconversão de um tanque considerado obsoleto, solução adotada em grande medida para os caça-tanques; para os canhões de assalto, era geralmente criada uma versão de um tanque convencional, que tinha o casco modificado, perdendo a torre e ganhando uma cúpula, o que resultava numa espécie de &#8220;casamata móvel&#8221;. Quase todos os blindados alemães concebidos ao longo da guerra tiveram versões &#8220;canhão de assalto&#8221; e &#8220;caça-tanques&#8221;, e, em certos casos, chega a ser difícil perceber a diferença entre um e outro. Um desses casos é o do <em>Panzer IV</em>.</p>
<p>Essa é a designação comumente atribuída a um tanque médio/leve que começou a ser desenvolvido na segunda metade dos anos 1930. Disponível em pequenas quantidades no início da guerra, acabou se tornando o único blindado no inventário da <em>Wehrmacht</em> presente em todas as frentes, em quantidades razoáveis, entre 3 de setembro de 1939 e 8 de maio de 1945.</p>
<p>Inicialmente, foi projetado como um &#8220;veículo blindado médio de suporte à infantaria&#8221; (<em>Infanterie Begleitwagen, Mittlerer Panzer</em>, ou <em>Bgtwg</em>). Mais lento e mais fortemente armado que o <em>PzKpfw III</em>, deveria cumprir uma função parecida com a de um canhão de assalto, enquanto o outro modelo seria encarregado de engajar tanques inimigos. Essa primeira concepção ficava patente no tipo de armamento incorporado às primeiras versões do <em>Panzer IV</em> - um canhão de 75 milímetros de baixa velocidade e uso geral, designado Kwk37 L24 (ou seja, o comprimento do cano era 24 vezes o calibre), capaz de disparar munição de alto explosivo (&#8221;anti-infantaria&#8221;), enquanto as primeiras versões do <em>Panzer III</em> saíam de fábrica equipadas com um canhão L46 de 37 milímetros, disparando munição penetrante de blindagem.</p>
<p>No início da guerra, as divisões blindadas alemãs incorporavam somente uma companhia equipada com este tanque em cada batalhão, ao passo que dispunham de duas ou três companhias equipadas com o <em>Panzer III,</em> dedicado à função anti-tanque e destinado a atacar os veículos blindados inimigos. Essas divisões eram, entretanto, unidades de todas as armas, colocadas sob um comando fortemente centralizado e coordenado, de modo que, com freqüência os veículos &#8220;BW&#8221; eram chamados a cooperar com as unidades de assalto. Os <em>Panzer III</em>, levemente blindados e armados não eram páreo para os <em>Char B</em> e <em>Matildas</em> que encontraram pela frente durante a campanha do Ocidente, de modo que os BW eram freqüentemente mobilizados para cobrir as unidades de assalto das divisões blindadas.</p>
<p>A experiência de combate adquirida em 1940 fez com que todos os veículos blindados alemães passassem por modificações. Receberam proteção mais pesada, modificações mecânicas que incluíam lagartas mais largas e suspensão reforçada e, no caso do <em>Panzer III</em>, armamento mais pesado (um canhão de 50 milímetros). O <em>Panzer IV</em> viria a passar por um <em>upgrade</em> completo em 1942, com base na experiência adquirida no deserto e na frente oriental.</p>
<p>Um sistema mecânico, não importa se for um automóvel, tanque de guerra, guindaste ou qualquer outra coisa, é desenhado de modo que suas partes cumpram tarefas que, integradas, dão conta de uma função. É possível modificar partes do sistema até certo ponto, sem fazer com que a parte modificada se torne incompatível com as outras. Assim, não é possível fazer com que um guindaste planejado para erguer, digamos, dez toneladas, passe a erguer vinte apenas aumentando a potência do motor, pois a estrutura não suportará o maior peso; entretanto, é possível fazer com que o peso erguido passe a 13 toneladas, pois a estrutura geralmente possuí certa capacidade de tolerar maior esforço. Por outro lado, a mudança irá diminuir a vida útil do conjunto, o que certamente forçará, a médio prazo, a aquisição de novos guindastes.</p>
<p>Foi mais ou menos o que aconteceu com o <em>Panzer IV</em>, em 1942. Embora fosse o mais pesado carro de combate alemão até 1941, a série <em>Ausf D</em> do <em>Panzer IV </em>foi, aos poucos, se revelando ineficaz contra os modelos ingleses e russos. Como a função inicial desses veículos não era combater tanques inimigos, os táticos alemães de guerra blindada (como Rommel e von Manstein) tinham de contar cada vez mais com apoio aéreo aproximado, o que nem sempre era possível. Nas amplas extensões abertas do deserto, não era incomum que posições inglesas dispondo do inadequado canhão anticarro de 2 libras (40X304 milímetros) atrasassem o progresso das unidades alemãs do <em>Afrika Korps</em>. Quando das primeiras ações da Operação Barbarossa, no segundo semestre de1941, os 580 <em>Panzer IV</em> das séries D e F se mostraram os únicos tanques alemães capazes de alguma reação contra os surpreendentes modelos  soviéticos KV e T-34. Nesse período, o controle do espaço aéreo pela <em>Luftwaffe </em>empurrava os blindados para a frente. Mas as enormes extensões &#8220;tanqueaveis&#8221; do território da Rússia Européia e a habilidade que os soviéticos demonstraram em recuar deixando bolsões na retaguarda do exército alemão mostraram-se além da capacidade das armas de que dispunha a <em>Wehrmacht</em>. O guindaste se mostrou, afinal, incapaz de levantar o peso que estava sendo pendurado nele&#8230;</p>
<p>No final de 1941, as reclamações por parte das tripulações de combate sobre a ineficácia das lagartas e da suspensão dos tanques alemães, que já eram grandes vindas da África, se multiplicaram por dez. Na Europa Ocidental, as formações motorizadas eram transportadas até o teatro de operações de trem, e, uma vez em combate, podiam contar com uma rede razoável de estradas de rodagem. O maior problema era a capacidade das pontes em suportar o peso dos veículos blindados, dificuldade facilmente superada pela engenharia de combate.</p>
<p>No deserto e na estepe, a situação mudou. Os tanques tinham de cobrir extensões enormes por conta própria, e então a corda começou a rebentar do lado mais fraco - o sistema mecânico. O motor <em>Maybach</em> de 12 cilindros e 350 CV podia levar o veículo de 20 toneladas até 40 km/h numa estrada de terra socada (como era a maioria, na frente francesa), mas mostrou-se fraco para terrenos não-preparados; para piorar as coisas, as lagartas de 36 centímetros e a suspensão de barras de torção e quatro roletes de retorno desperdiçava a já pouca potência do motor.  Enguiçados ou atolados na areia ou no solo mole de turfa os <em>Panzer IV</em> Ausf D, F e F1 constituíam alvos estupendos para tripulações decididas de tanques-cruzadores tais como o <em>Cruiser Mark I</em> ou de posições preparadas de artilharia. Como se já não fosse suficiente estar dentro de um tanque atolado, o canhão L24 de baixa pressão disparava um projetil que até podia ser eficiente contra veículos pouco protegidos e contra infantaria, mas tinha dificuldade em perfurar a blindagem dos tanques pesados britânicos e mal arranhava a dos soviéticos.</p>
<p>A providência alemã foi um redesenho das séries D e, principalmente, F. O chassi foi alongado, de modo a receber uma nova torre e nova suspensão, capaz de acionar lagartas mais largas. A principal modificação dessa versão (que foi denominada <em>Ausf G</em>), foi a introdução do canhão KwK40 L48, baseado no excelente canhão anti-carro PaK40/75 milímetros, de alta pressão e alta velocidade de boca. Esse novo canhão podia superar, a 1800 metros de distância, qualquer tanque soviético ou ocidental.</p>
<p>Por outro lado, o PaK40 tinha o problema do peso, que, na versão &#8220;de campanha&#8221;, rebocada, já tinha obrigado a modificações na forma de operação em combate. Quando modificado para ser instalado em tanques, exigiu que todo o sistema de torre fosse modificado, aumentando o peso do conjunto em quase 4 toneladas. A essa altura, a urgência do problema impediu que outras modificações fossem feitas, e o motor <em>Maybach</em>, produzido em enormes quantidades foi mantido. O resultado é que a velocidade do <em>Panzer IV Ausf G</em> diminuiu, embora a manobrabilidade tenha melhorado, em função da nova suspensão e das novas lagartas. A blindagem também foi mantida basicamente a mesma, visto que o casco não chegou a ser redesenhado. O escudo frontal, mantelete (escudo do canhão), placas laterais da torreta e laterais do casco tiveram a espessura um pouco aumentada, mas não muito: o motor não iria suportar um conjunto muito mais pesado.</p>
<p>Ainda assim, o modelo <em>Ausf G</em> deu às divisões blindadas um veículo capaz de engajar, de igual para igual, os modelos adversários, particularmente os soviéticos. Distribuído em quantidades razoáveis - embora longe de serem suficientes -, a série G viria a dar lugar, no início de 1943, à série H, que também foi a de maior produção, com quase 3800 unidades entregues (embora existam outras informações que contradizem, para baixo, esse número). A série H viria a receber uma caixa de marchas de 6 velocidades, que melhorava um pouco o desempenho do motor <em>Maybach</em>. Mudanças no sistema de injeção de combustível melhoraram um pouco a potência do motor, sem chegar a melhorar a velocidade tanto em estrada quanto fora-de-estrada. Essa modificação tornou-se necessária devido a um aumento da espessura do escudo frontal do casco, que passou a ter 80 milímetros. Ainda que aumentando consideravelmente o peso do veículo, que chegou a 26 toneladas, essa modificação tornou-se necessária devido  ao aparecimento do T34/85, que quebrou o equilíbrio tão duramente conseguido pelos alemães. Modificações menores incluíram, no final de 1943, a introdução de um reparo para metralhadora anti-aérea montado na cúpula do comandante.</p>
<p>Outra modificação notável que caracterizou a série H foi a introdução do uso de &#8220;saias&#8221; (em alemão, <em>schürtzen</em>) tanto nas laterais do casco quanto na torre. A &#8220;saia&#8221; é uma placa de metal de baixa espessura (no caso, não mais de 10 milímetros). Sua função era prover proteção extra contra armas anti-carro leves e, principalmente, contra projéteis anti-carro de carga oca.  Em última análise, não passava de uma admissão da fragilidade da proteção do casco do véiculo.</p>
<p>O uso desse tipo de munição tornou-se comum, dos dois lados, em meados do conflito. Sua difusão foi o resultado da tentativa de dotar o infante a pé de um armamento portátil eficaz. Em 1942, a distribuição do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bazuca">lança-rojão </a>modelo M1A1, de 60 milímetros constituiu a primeira arma eficaz baseada em granada propelida a foguete (em inglês, RPG). Quase na mesma época, os alemães começaram a distribuir o <em>Faustpatrone, Klein</em> 30m, que logo deu lugar ao <em>Faustpatrone</em> 2, ou <em>Gross</em>, e, no ano seguinte, os ingleses distribuíram seu <em>Projector, Infantry, Anti-Tank, </em>ou <em>PIAT. </em>Os soviéticos desenvolveram uma cópia do <em>Faustpatrone </em>(ao pé da letra, em alemão, &#8220;projetil-punho&#8221;) amplamente distribuída a partir de 1944. Embora bem menos efetivo que os similares alemães e norte-americanos, o RPG (em russo, <em>Reaktivnyy/Ruchnoy Protivotankovyy Granatomyot</em>), quando nas mãos de tropas de infiltração bem treinadas, tornou-se um problema . O princípio básico dessa munição (que é mais bem descrito nesse <a href="http://www.clubedosgenerais.org/portal/modules.php?name=Conteudo&#38;pid=260">recurso complementar</a>) faz com que a blindagem do tanque seja literalmente rachada, e, através da fenda um jato de gás super-aquecido penetre no interior do blindado. Baratos e altamente efetivos, os projeteis tipo &#8220;carga-oca&#8221; também tinham suas limitações. A principal delas era a baixíssima potência, decorrente da baixa velocidade de trajetória, algo da ordem de 30-40 metros por segundo. No momento em que se chocava com a saia, o jato de chama se tornava inócuo, distribuindo-se pelo espaço entre a saia do tanque e o casco. Por outro lado, a fragilidade da saia, montada no casco através de braçadeiras, acabava se tornando um estorvo para o tanque em operação, visto que caía com freqüência, e obrigava, muitas vezes, a que o tanque tivesse de parar para retirar esses acessórios.</p>
<p>O <em>Panzer IV</em> ainda veria, no segundo semestre de 1944, surgir uma versão &#8220;J&#8221; que, em alguns exemplares, montava o canhão KwK42 L70 de 75 milímetros, o mesmo que   equipava os &#8220;Pantera&#8221;. Seria a última delas, e, nessa época, ocorriam intensas discussões no interior do Alto-comando do exército alemão (OKH - <em>Oberkommando des Heeres</em>) em torno da manutenção da produção do modelo. Os principais tanques alemães, nessa época, já eram o PzKpfWg V, o &#8220;Pantera&#8221;, e o PzKpfWg VI, o &#8220;Tigre&#8221;. Ambos os modelos foram lançados às pressas em combate, e mostravam problemas sérios de desenvolvimento. O &#8220;Pantera&#8221;, considerado por muitos especialistas como o <a href="http://www.geocities.com/waltland2002/index.html">melhor tanque </a>surgido na Segunda Guerra Mundial, custou a tornar-se operacional e, devido à certas características, era difícil de fabricar e nunca chegou a alcançar números satisfatórios de produção.</p>
<p>Assim, o <em>Panzer IV</em> ainda seria, no dia 8 de maio de 1945, o principal tanque da <em>Wehrmacht</em>. Distribuído também aos renitentes aliados da Alemanha, Hungria e Romênia, ao longo da guerra, chegou a ser usado pelos soviéticos e franceses, e terminou sua carreira, por incrível que pareça, em 1967, no exército sírio. O último exemplar operacional foi capturado pelos israelenses nas colinas de Golã e desfruta, atualmente, de uma improvável aposentadoria no <a href="http://wikimapia.org/#lat=31.838105&#38;lon=34.980056&#38;z=17&#38;l=0&#38;m=a&#38;v=2&#38;show=/313726/">Museu das Forças Blindadas </a>da Fortaleza de Latrun, em Israel. De certa maneira, trata-se de uma espécie de &#8220;justiça poética&#8221;: o <em>Panzer IV</em> encontra-se agora exposto à curiosidade do povo mais oprimido por seus criadores<strong>::</strong></p>
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</item>
<item>
<title><![CDATA[Russo-German War Maps]]></title>
<link>http://historicalresources.org/2008/07/01/russo-german-war-maps/</link>
<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 16:09:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>historicalresources</dc:creator>
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<description><![CDATA[Russo-German War Maps
http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p>Russo-German War Maps<br />
<a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map19.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map19.htm</a> - German Invasion (22 June - 25 August 1941)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map20.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map20.htm</a> - German Invasion (26 August - 5 December 1941)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map21.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map21.htm</a> - Soviet Winter Offensive (6 December 1941 - 7 May 1942)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map22.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map22.htm</a> - German Summer Offensive (7 May - 23 July 1942)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map23.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map23.htm</a> - German Summer Offensive (24 July - 18 November 1942)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map24.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map24.htm</a> - Soviet Winter Offensive (19 November - 12 December 1942)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map25.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map25.htm</a> - Soviet Winter Offensive (13 December 1942 - 18 February 1943)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map26.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map26.htm</a> - Soviet Winter Offensive (19 February - 18 March 1943)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map27.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map27.htm</a> - German Summer Offensive (4 July - 1 August 1943)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map28.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map28.htm</a> - Soviet Offensives (17 July - 1 December 1943)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map29.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map29.htm</a> - Soviet Offensives (2 December 1943 - 30 April 1944)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map30.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map30.htm</a> - Soviet Offensives (22 June - 19 August 1944)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map31.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map31.htm</a> - Soviet Offensives (19 August - 31 December 1944)</p>
<p><a href="http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map32.htm">http://www.military.com/Resources/ResourceFileView?file=worldwarii_europe_maps_map32.htm</a> - Soviet Offensives (12 January - 30 March 1945)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Um sistema de armas (da Segunda Guerra Mundial, é claro) às terças:: O feio, o mau e o bom::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/30/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas-o-feio-o-mau-e-o-bom/</link>
<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 12:41:15 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
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<description><![CDATA[
Já que dois de meus fiéis leitores manifestaram desejo de ler algo tanto sobre o Sherman M-4 nort]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><!-- 	 	 --></p>
<p>Já que dois de meus fiéis leitores manifestaram desejo de ler algo tanto sobre o Sherman M-4 norte-americano quanto sobre o T-34 soviético, resolvi fazer algo diferente: examinaremos o &#8220;feio&#8221;, o &#8220;mau&#8221; e o &#8220;bom&#8221;*. O &#8220;feio&#8221; e o &#8220;mau&#8221; são o M-4 e o T-34 - pois um era feio pra burro e o outro, mau à bessa, tanto com o inimigo quanto com os tripulantes, já que o conforto não era propriamente a maior preocupação dos projetistas de equipamentos militares das fabricas soviéticas. E o &#8220;bom&#8221; é o SdKfz161/PzKpfw IV, porque esses blindados foram o &#8220;burro de carga&#8221; da <em>Wehrmacht</em> durante a Segunda Guerra Mundial. Não eram os melhores e não granjearam, de modo algum, a fama dos Tigres e Panteras, mas estiveram presentes, com razoáveis graus de sucesso, em todos os campo de batalha em que os exércitos de Hitler se meteram. Bem, neste último texto comemorativo do final da Segunda Guerra Mundial, examinaremos três &#8220;obras-primas&#8221; que botaram pra quebrar nos campos europeus e norte-africanos: &#8220;feio&#8221;, o &#8220;mau&#8221; e o &#8220;bom&#8221;. Pois, em três capítulos, vamos tentar estabelecer algumas comparações entre esses três tipos, de modo a tentar relativizar alguns mitos em torno da arma blindada durante a última guerra. E isso sempre dentro da filosofia do redator: por mais sedutores que tenham sido os armamentos, a habilidade e a coragem dos exércitos nazistas, temos de, a cada dia, considerar a sorte que toda a raça humana teve com o fato de que eles não foram nem tão melhores, nem tão mais habilidosos e, muito menos, mais corajosos do que suas contrapartes ocidentais.</p>
<p>Segue-se um breve estudo sobre o &#8220;feio&#8221; - o tanque médio M-4 Sherman, produzido nos EUA. Logo em seguida publicaremos um artigo sobre o &#8220;mau&#8221; - o T-34 soviético -, seguido por um texto sobre o &#8220;bom&#8221; - o <em>Panzer IV</em> alemão. Por último, tentaremos fazer uma comparação razoável de prós e contras dos três tipos.</p>
<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</strong></p>
<p>*Não, vocês não se enganaram. O título deste <em>post</em> é um trocadilho infame com o nome do conhecido <em>western spaghetti</em> de 1979 - <em>T<a href="http://www.cineplayers.com/critica.php?id=563">he good, the ugly, the bad </a></em><a href="http://www.cineplayers.com/critica.php?id=563"><em>(</em><em>Il buono, il brutto, il cattivo</em><em>)</em></a> dirigido por Sergio Leone, com Clint Eastwood, Lee van Cleef e Antonio Casale. Não causará nenhuma estranheza aos leitores do <a href="http://www.papodehomem.com.br/">Papo de Homem</a>, porque todo macho assumido gosta de um bom filme de faroeste. Quanto aos leitores do <a href="http://www.pedrodoria.com.br">WebLog</a> do PD, do <a href="http://catatau.blogsome.com/">Catatau</a> e do <a href="http://ml42.blogspot.com/2008/02/casa-rio-de-janeiro-twittering-zombies.html">Milliway´s Lounge</a>&#8230; Esses aí escondem, mas também gostam&#8230; :c)</p>
<p><strong>:: :: :: :: :: :: ::</strong></p>
<p><strong><em>O feio</em></strong></p>
<p>O tanque médio do exército norte-americano M-4 fez seus primeiros testes no campo de provas de Aberdeen, Maryland, em março de 1941 e entrou em produção em outubro do mesmo ano. Onze plantas industriais participaram da fabricação do M-4. O novo veículo blindado entrou em serviço ativo no final do ano seguinte.</p>
<p>O nome &#8220;Sherman&#8221; foi uma designação britânica, e, ainda que não fosse um nome oficial, tornou-se amplamente difundido entre as tropas norte-americanas. O M-4 foi largamente utilizado pelo Exército dos EUA, Corpo de Fuzileiros Navais, Grã-Bretanha, Canada, Austrália, França Livre, China e, em menor escala, pela União Soviética.</p>
<p>Esse <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Main_battle_tank#Main_battle_tank_.28late_twentieth_century.29">tanque médio</a> resultou da necessidade de substituir o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M3_Lee">M-3 Lee</a>**. Este tanque, distribuído pelo Exército dos EUA do final dos anos 1930, era aperfeiçoamento de outro desenho, o tanque M-2, sendo basicamente uma versão mais pesada desse último, tanto em blindagem quanto em armamento. O sucesso dos modelos alemães PzKpw III e IV, veículo leves, velozes e de silhueta baixa, fizeram com que os norte-americanos começassem a pensar em um novo modelo, capaz de enfrentar os alemães. Daí resultou a idéia de adotar o armamento principal do M-3, um canhão de baixa velocidade capaz de disparar tanto munição de alto-explosivo quanto perfurante de blindagem, numa torreta de desenho mais moderno. O M-3, seguindo uma tendência inaugurada pelos franceses, tinha um canhão de 75 milímetros instalado num reparo lateral, posicionado no casco do veículo, ao lado da posição do motorista. A desvantagem dessa solução era praticamente eliminar o movimento de conteira (giro de 360 graus), o que tornava a operação do veículo extremante complicada, já que todo o conjunto tinha de se mover, para que o canhão principal fosse apontado. Numa torre convencional, um canhão de 37 milímetros, de alta velocidade, podia ser apontado independente da direção em que o veículo estivesse se movendo.</p>
<p>O desenho do M-4 levava em consideração a doutrina norte-americana que favorecia a velocidade e mobilidade sobre a proteção. Pensavam os teóricos norte-americanos que velocidade e mobilidade, num campo de batalha de máquinas se deslocando em alta velocidade, funcionariam como uma &#8220;blindagem extra&#8221;. De fato, essa teoria não era nova, e tinha sido elaborada pouco antes da Grande Guerra, pelo almirante britânico <em>lord</em> Fisher, e deu na proposta - totalmente furada - do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzador_de_batalha">cruzador-de-batalha</a>. A idéia foi um fiasco, e acabou sendo responsável por alguns dos maiores desastres ingleses nos principais encontros navais daquele conflito. A doutrina do exército norte-americano, no período entre-guerras colocava o tanque como equipamento de suporte de infantaria motorizada, e devia ser capaz de mover-se rapidamente, acompanhando as tropas. Em 1940, examinando a doutrina alemã que estava sendo chamada pela imprensa de <a href="http://jbitten.wordpress.com/2008/06/23/algumas-observacoes-sobre-o-inicio-da-segunda-guerra-mundial/"><em>blitzkrieg</em></a>, os norte-americanos concluíram que a grande velocidade impressa pelos alemães às campanhas constituía uma espécie de &#8220;proteção adicional&#8221; que explicava como veículos tão leves quanto os utilizados pelos alemães conseguiam se sair bem contra unidades  mais armadas e protegidas. A soma de equívocos resultou num veículo que, de certa forma, não era concebido para combater outros tanques.</p>
<p>O novo projeto foi apresentado em meados de 1940, mas alguns atrasos aconteceram devido a problemas com o desenho da torreta, destinada a receber um canhão de 75 milímetros de média velocidade de boca e uso geral. O protótipo apresentava diversos elementos comuns com o M-3: casco soldado e rebitado em partes e chassi em peça única alojando um motor Continental R950 e o tanque  de  combustível (gasolina de baixa octanagem) na parte traseira, e habitáculo da tripulação na metade dianteira. Também foi herdada do M-3 a suspensão de molas verticais e lagartas com elementos de contato em borracha. A roda de tração era dianteira, e a direção era feita através de dupla caixa de mudanças.</p>
<p>A fabricação foi planejada de modo a incorporar a grande experiência da indústria norte-americana de veículos a motor, principalmente o sistema de produção em série em uma mesma unidade industrial. O Sherman foi, praticamente, o modelo-padrão das forças blindadas ocidentais. Sua produção alcançou mais de 40000 unidades, dentre as quais 18000 foram distribuídas entre as forças armadas dos EUA e o restante, aos ingleses, canadenses, australianos, chineses, franceses livres e até mesmo aos soviéticos. A produção se iniciou em três plantas especializadas em equipamentos pesados de transporte - <em>Lima Locomotive Works</em> (Lima, Ohio), <em>Pressed Steel Car Co</em>. (Jersey City, Nova Jersey) e Pacific Car and Foundry (PACCAR - Renton, Washington), mas, ao longo dos anos seguintes, 11 outras instalações passaram a produzir o M-4, entre as quais <em>Baldwin Locomotive Works </em>(Philadelfia, Pensilvania), <em>American Locomotive Co</em>. (ALCO - Schenectady, Nova Iorque), <em>Pullman Standard Car Co.</em>(Pullman City, Illinois), e o estatal Arsenal de Tanques de Detroit (Detroit, Michigan). Inicialmente planejada para 350 tanques por mês, a produção alcançou, em três meses, o nível de 1000 unidades mensais, tendo chegado, no fim da guerra, à 2000 unidades.</p>
<p>A entrada em combate dos EUA, em 1942, mostrou que o Sherman era capaz de enfrentar e superar qualquer dos modelos alemães utilizados no Norte da África. Foi, entretanto, uma impressão totalmente equivocada, provocada pelas condições das forças do Eixo naquele teatro. No teatro italiano, pouco adequado ao uso de blindados, os Sherman norte-americanos e ingleses começaram a encontrar problemas diante dos canhões de assalto e caça-tanques usados pelos alemães (muitas vezes em posições estáticas, devido às características do terreno e à escassez aguda de combustíveis), que, aquela altura - 1943 -, já montavam a versão L40 do canhão anticarro PaK39, de alta velocidade. A artilharia do Sherman não era capaz de penetrar a blindagem frontal de 80 a 100 milímetros incorporada pelos Hertzer e JagdPanzer IV, ao mesmo tempo que sua proteção era vulnerável à distâncias bem superiores, diante dos projéteis de alta performance dos blindados alemães. Depois da invasão da França, quando os M-4 começaram a bater de frente com os últimos modelos de blindados lançados em campo pela <em>Wehrmacht</em>, com base na experiência da Frente Oriental, o desastre foi completo. Diante do modelo L48 do canhão Kwk40 de 75 milímetros, que estava montado na torre das versões H e J do Panzer IV e nos então desconhecidos &#8220;Pantera&#8221;, o Sherman era simplesmente ineficaz.</p>
<p>Mas, ainda assim, os planejadores norte-americanos souberam tirar vantagens dos Sherman diante de suas contrapartes alemãs. A primeira era, sem dúvida, o grande número deles disponível em campanha (uma divisão blindada norte-americana chegava a ter 260 tanques, enquanto as alemãs dificilmente chegavam a ter 90 deles). A alta velocidade, a confiabilidade mecânica, a simplicidade de manutenção e a facilidade de manejo eram outras. Por fim, tripulações treinadas conseguiam obter considerável cadência de fogo (voltaremos a esse tema). Ainda assim, diante do altíssimo número de baixas diante de seus adversários, no final de 1944 o M-4 começou a ter seu armamento principal substituído por um canhão de 76 milímetros de alta velocidade, além de melhorias na blindagem frontal e na suspensão.</p>
<p>O chassi e o casco do M-4 serviram de base para grande variedade de veículos especializados de assalto e engenharia de combate, incluíndo uma grua para reboque de tanques, um lança-pontes de campanha, o canhão auto-propelido M7, que montava um canhão M2A1 <em>Field Howitzer, </em>o<em> </em>M10 <em>Wolverine </em>(um <em>tank destroyer</em> que montava um canhão de alta velocidade de 76 milímetros e blindagem muito melhorada) e até mesmo desenhos feitos pelos britânicos, que incluem o Sherman <em>Firefly</em>, uma versão do M-4 adaptada para receber o canhão anticarro inglês de 17 libras<strong>::</strong></p>
<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</strong></p>
<p>** Como eu admito que ninguém é obrigado a dominar o inglês ao ponto de ler um texto de dificuldade média, procuro localizar sítios em português, de modo à oferecer informações complementares. Entretanto, sobre o tema &#8220;história militar&#8221; e &#8220;história da tecnologia&#8221;, nossos recursos na Internet, temos de admitir, não valem nada. Quem quiser ler algo melhor, terá mesmo de buscar a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/M3_Lee">Wikipedia</a> em inglês, ou os sítios especializados em <a href="http://afvdb.50megs.com/usa/pics/m3lee.html">blindados</a> (este é um que me parece bastante bom, sobre o M-3&#8230;) que são milhares. Ou esperar os próximos posts aqui do <strong>Causa::</strong> :c)</p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Os limites da blitzkrieg – o auge e o começo da derrocada::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/25/os-limites-da-blitzkrieg-%e2%80%93-o-auge-e-o-comeco-da-derrocada/</link>
<pubDate>Wed, 25 Jun 2008 03:26:08 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
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<description><![CDATA[
De toda forma, a Segunda Guerra Mundial foi o primeiro dentre os conflitos humanos nos quais a guer]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><!-- 	 	 --></p>
<p>De toda forma, a Segunda Guerra Mundial foi o primeiro dentre os conflitos humanos nos quais a guerra blindada teve papel principal. Como vimos no <em>post</em> anterior, a grande diferença dessa guerra para todas as anteriores foi o papel exercido pela máquina na ampliação das dimensões do campo de batalha. Máquinas de todas as espécies, impulsionadas por motores à explosão mudaram o tempo e o espaço do combate. Era, realmente, uma guerra multidimensional. Outros aspectos também passaram a interferir fortemente na condução e desfecho do combate: a utilização de comunicações eletro-eletrônicas, a interpretação de informações remotas (por exemplo, fotografias e dados meteorológicos) e a rapidez da tomada de decisões.</p>
<p>Podemos dizer que a superioridade da <em>Wehrmacht</em>, na primeira fase da guerra, esteve totalmente relacionada a posse, como núcleo do exército, de 21 divisões mecanizadas (entre blindadas e de infantaria motorizada) e uma doutrina de como utilizá-las. E, principalmente, um corpo de oficiais consciente do que significava a nova forma de guerrear. Entretanto, do ponto de vista alemão, a nova forma logo mostraria seus limites. A segunda fase da guerra seria a da exaustão da <em>blitzkrieg</em> e da ascensão da guerra blindada em estilo soviético e norte-americano.</p>
<p>Os motivos da derrocada da Alemanha nazista são diversos e bem conhecidos. A Alemanha praticou uma guerra realmente <a href="http://pt.wikiquote.org/wiki/Carl_von_Clausewitz">clausewitziana</a> - a ocupação do território dos adversários, no todo ou em parte, indica claramente a filiação teórica dos planejadores alemães. Entretanto, segundo as formulações desse filósofo militar, &#8220;a guerra é a continuação da política por outros meios&#8221;. Isso significa, aproximadamente, que <a href="http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5674">a aplicação da força não é uma interrupção da política, mas que o modelo conceitual de guerra clausewitziano vincula-se à <em>raison d&#8217;état</em> e tem como referencial histórico empírico o &#8220;concerto&#8221; dos Estados-Nações europeus cuja liderança política tem a supremacia frente à liderança militar dos respectivos estados. A partir daí, constrói um modelo teórico onde propõe que a <em>ratio</em> da guerra é a destruição militar do adversário e a sua conseqüente submissão política ao vencedor</a>.</p>
<p>Pois, se pensarmos a primeira fase da Segunda Guerra Mundial e seu desenrolar objetivo, do lado alemão - a <em>blitzkrieg</em> - fica evidente que os planejadores políticos, Hitler à frente, esperavam uma guerra curta, pelo menos no teatro ocidental, e não pensavam na interrupção da política, visto que pretendiam forçar a Inglaterra a negociar. Os planejadores alemães imaginavam que, diante da derrota, a Inglaterra aceitaria uma nova acomodação: a manutenção do império em troca do reconhecimento da supremacia alemã no continente. Com a Inglaterra fora da guerra, os EUA não teriam motivos para imiscuir-se nos assuntos europeus e a máquina militar alemã poderia ser lançada contra a URSS.</p>
<p>A obstinação de <a title="Original! Imagino que WC teria aprovado, principalmente a parte do " href="http://papodehomem.com.br/at-fidel-mandou-fazer-um-charuto-para-esse-cara/">Churchill</a> teve as conseqüências bem conhecidas, mas não é o tópico aqui. O que nos importa frisar  é que o modelo de campanha militar resultante da <em>blitzkrieg</em> (as da Polônia, da Escandinávia, dos Países Baixos e da França), não durando mais que 2 meses e nem provocando baixas significativas, escondeu as deficiências do aparato militar montado pelos nazistas. Que, se for observado de perto, revelará, por incrível que possa parecer, uma potência militar relativamente modesta, em comparação, por exemplo, com a União Soviética, França e Inglaterra. Mas, embora superiores em números e, em muitos aspectos, em qualidade do armamento, essas nações estavam, em comparação com a Alemanha, despreparadas para a nova forma de guerra. Inglaterra e França insistiam em manter os blindados como elementos de suporte da infantaria, fosse como apoio direto, fosse numa concepção que substituía os cavalos por blindados ligeiros. Nessa forma de organização, os blindados não tinham funções diretamente ofensivas, não eram capazes de operações independentes e muito menos eram pensados em funções anti-tanque. Os &#8220;carros de combate&#8221; franceses, particularmente os modelos <a href="http://wapedia.mobi/pt/Somua_S-35"><em>S-35</em></a> e <a href="http://www.clubedosgenerais.org/portal/modules.php?name=Conteudo&#38;pid=447"><em>Char B</em></a> eram muito superiores aos blindados alemães, em termos de armamento e proteção. A forma de organização francesa, entretanto, espalhava os blindados em meio às formações de infantaria e os subordinava à uma organização regimental na qual qualquer vantagem em termos de mobilidade e poder de fogo simplesmente desaparecia. Os tanques alemães, por outro lado, eram concebidos principalmente para serem velozes e manobráveis, em detrimento do armamento e da proteção. Entretanto, agindo de forma coordenada, conseguiam se sobrepor a adversários que os superavam, como sistema de armas.</p>
<p>Os campos de batalha da Europa Ocidental, bem como as extensões planas do  norte da África viram o apogeu da arma blindada alemã e de seu estilo de guerra. No norte da África, o mal-treinado, mal-armado e pior comandado exército italiano tornou-se presa fácil para as tropas motorizadas e altamente móveis do general Archibald Wavell. Entretanto, com a chegada, em fevereiro de 1941, de algumas unidades mecanizadas alemãs centradas em uma &#8220;divisão ligeira&#8221; e lideradas por um dos mais bem-sucedidos comandantes de tanques da <em>Wehrmacht</em>, o general-de-divisão Erwin Rommel, a situação não demorou a mudar. O ex-comandante da Sétima Divisão Blindada alemã no teatro europeu não demorou a perceber que o grande problema dos italianos, além da inadequação dos métodos, era o péssimo comando. Os ingleses utilizavam pequenas unidades com dotação insuficiente de artilharia e infantaria, e a vantagem que conseguiam devia-se ao comando centralizado e exploração da velocidade. Rommel não esperou para lançar uma contra-ofensiva e rapidamente revelou a fraqueza dos britânicos, revertendo toda a vantagem conseguida por aqueles ao longo dos seis meses anteriores.</p>
<p>Pode-se dizer que a guerra no deserto, entre março de 1941 e agosto de 1942  constituiu o auge da aplicação da <em>blitzkrieg. </em>As dificuldades logísticas, além do fato de que a intervenção no norte africano visava dar suporte aos aliados italianos, não sendo prioridade no planejamento alemão, constituíram fatores     decisivos para o fracasso daquela frente. A vitória decisiva obtida pelos britânicos na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Batalha_de_El_Alamein">segunda batalha de El Alamein</a> fez com que os remanescentes da força expedicionária alemã e do exército italiano caíssem na defensiva. A intervenção norte-americana, a entrada efetiva dos EUA em combate, selou o destino da frente africana do Eixo.</p>
<p><!-- 	 	 --></p>
<p>A <em>blitzkrieg</em>, até então, tinha se mostrado eficiente contra tropas focadas na doutrina da defesa estática, aperfeiçoada pelas principais potências, mas particularmente pela França, após a Grande Guerra. Embora já existissem, mesmo antes da guerra, relatórios sobre as vantagens e limitações dos procedimentos alemães, formulados desde a Guerra Civil Espanhola, o Estado-maior francês insistia em ignorar qualquer formulação que não saísse dos seminários da <em>École Superieur de la Guerre</em>. Basta dizer que em junho de 1940 oficiais alemães se surpreenderam ao encontrar, intocado, um detalhado relatório encaminhado ao Estado-maior francês pelo general-de-brigada polonês Stanislaw Maczek, comandante de uma unidade de cavalaria mecanizada durante a campanha da Polônia, e então exilado na França. Maczek concluiu, depois de sua curta e bem-sucedida ação contra o Décimo-oitavo Corpo Blindado da <em>Wehrmacht</em>, que o ponto fraco da <em>blitzkrieg</em> estava exatamente na velocidade do avanço, que impedia, em certas situações, o desdobramento organizado das colunas pelo terreno. Isso significava que, em algum momento, os flancos ficariam expostos. Posteriormente, tanto os aliados ocidentais quanto os soviéticos perceberam que a melhor resposta aos ataques alemães em velocidade estava na defesa em profundidade, ou seja, na preparação do teatro tático, com o estabelecimento de pontos de fogo de artilharia anti-tanque e posicionamento de forças blindadas e de infantaria nos espaços entre campos minados e terrenos inadequados para veículos. O objetivo deveria ser  atingir os flancos e buscar pela retaguarda do atacante. Esse procedimento, chamado de &#8220;Ouriço&#8221;, foi aperfeiçoado pelos franceses, que não tiveram oportunidade de usá-lo em 1940, mas mostrou-se efetivo em diversas situações posteriores, inclusive na campanha que culminou na segunda batalha de El-Alamein<strong>::</strong></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Algumas observações sobre o início da Segunda Guerra Mundial::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/23/algumas-observacoes-sobre-o-inicio-da-segunda-guerra-mundial/</link>
<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 15:08:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
<guid>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/23/algumas-observacoes-sobre-o-inicio-da-segunda-guerra-mundial/</guid>
<description><![CDATA[
O uso da palavra alemã blitzkrieg (&#8221;guerra-relâmpago&#8221;) tornou-se quase sinônimo de S]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p><!-- 	 	 --></p>
<p>O uso da palavra alemã <em>blitzkrieg</em> (&#8221;guerra-relâmpago&#8221;) tornou-se quase sinônimo de Segunda Guerra Mundial. Em geral, a <em>blitzkrieg</em> foi muito bem sucedida até 1942, no que pode ser considerada a primeira fase da guerra. Sempre tive curiosidade em entender porque, após todo o sucesso dos primeiros 30 meses, a fantástica <em>Wehrmacht</em> mergulhou de desastre em desastre, até terminar a guerra com a própria extinção. Ler romances sobre a Segunda Guerra Mundial é divertido; também é divertido ver filmes como &#8220;Cruz de Ferro&#8221; (<em>Cross of Iron</em>, de Sam Peckimpah) e &#8220;A raposa do deserto&#8221; (<em>The desert fox</em>, de Henry Hathaway); mergulhar no universo de <a href="http://militariabrasil.zip.net/"><em>militaria</em> </a> é fascinante. Temos certa tendência a simpatizar com os perdedores. Entretanto, o buraco é mais embaixo: a Wehrmacht era um exército de nazistas, os grandes comandantes alemães ou eram entusiastas ou simpatizantes de Hitler, escondidos atrás do discurso do &#8220;patriotismo&#8221; e da &#8220;honra&#8221;.</p>
<p>Tentarei, como parte dessa comemoração pessoal, entender o que significou essa palavrinha, contra o pano-de-fundo da guerra. E tentarei dizer, da melhor maneira que puder, que tivemos sorte que a coisa toda não fosse exclusividade dos alemães e que tenha sido melhor copiada por soviéticos e norte-americanos.</p>
<p>Este texto terá duas partes, e espero que ajude um pouco a esclarecer o fato de que não existem &#8220;heróis alemães&#8221; injustiçados - existem apenas aqueles que mudaram de idéia após a derrota. Ou simplesmente não mudaram.</p>
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<p>A <em>blitzkrieg</em> (&#8221;guerra-relâmpago&#8221;, em alemão) é uma doutrina militar geralmente associada à forma como a <em>Wehrmacht</em> (Forças Armadas) lutou na primeira metade da guerra.</p>
<p>Entre os alemães, a principal inspiração para os estudos que culminaram nas táticas de manobra e velocidade que levaram à vitórias incontestáveis não veio do uso - por sinal relativamente pequeno, no Exército Imperial - de veículos motorizados. Os alemães consideravam não muito difícil deter ataques liderados por tanques, máquinas que viam como frágeis e militarmente inócuas. Muito mais interessantes pareceram aos oficiais alemães a guerra de movimento aplicada na Frente Oriental, no início do conflito, e as táticas de infiltração desenvolvidas a partir daquela, e aplicadas na Frente Ocidental depois de 1917. Mesmo sem apelar a motores e veículos, o pensamento militar alemão sempre foi, desde Frederico, o Grande, fortemente influenciado pela aplicação do movimento como forma de alcançar a <a href="http://www.suntzu.hpg.ig.com.br/cap0pg.htm">concentração de forças</a>. &#8220;Não importa que marchemos separados, desde que cheguemos juntos&#8221;, dizia Frederico, e nessa idéia foi seguido pelos principais teóricos militares prussianos. Esse conceito-matriz alcançou seu maior sucesso na Guerra Franco-Prussiana de 1870, na qual o exército prussiano derrotou o exército francês em pouco menos de 1 ano. Logo no início da Primeira Guerra Mundial, os alemães tentaram uma ampla manobra em arco, o &#8220;Plano Schlieffen&#8221;,  através da qual pretendiam repetir, em escala muito aumentada, as ações da guerra de 1870. O fracasso dessa manobra, no final de 1914, acabou produzindo o impasse e a matança das trincheiras.</p>
<p>No período entre-guerras, o estudo, pelo Estado-maior das reduzidas &#8220;Forças Armadas Nacionais&#8221; (uma tradução aproximada para a expressão <em>Reichswehr</em>) concluiu que o movimento ofensivo deveria buscar sempre atingir o centro do adversário, visto que, quando o centro se rompia, a frente não demorava a romper-se também. O rápido rompimento da frente permitiria a concentração de forças ao mesmo tempo que negaria ao inimigo concentrar as próprias. Falando de uma forma geral, o tipo de ofensiva desenvolvida a partir dessa doutrina visava, através de penetrações profundas, interromper as comunicações e o contato entre as forças adversárias, impedindo-as, desse modo, de atuar coordenadamente, em termos de comando, controle e logística. Para potencializar a exploração do rompimento, alguns oficiais alemães, o principal deles o tenente-coronel <a href="http://www.t2w.com.br/bio.asp?cod=43">Heinz Guderian</a>, advogavam o uso de veículos motorizados, principalmente dos chamados <em>PanzerKampfwagens </em>(Carros de Combate Couraçados), que nada mais eram do que aperfeiçoamentos dos <em>tanks</em> britânicos e dos <em>chars légers </em>franceses da Grande Guerra.</p>
<p>Esses oficiais, entretanto, não viam os <em>Panzer</em> apenas como máquinas de suporte aos assaltos da infantaria, como era a tendência dos exércitos ocidentais no período entre-guerras. No esboço da nova doutrina alemã, a arma blindada era o centro de uma unidade de todas as armas, com a função de encontrar o ponto de rompimento, que, uma vez fixado, seria explorado e ampliado por artilharia, infantaria mecanizada, forças especiais de engenharia, apoiados, quando necessário, por aviação - bombardeiros médios e de mergulho.  Unidades de reconhecimento providas de veículos muito rápidos, principalmente motocicletas e jipes equipados com rádio, comunicando-se com os quartéis-generais regimentais e divisionários em linguagem aberta, metiam-se pelas linhas inimigas, indicando o caminho para postos de comando, cortavam-lhe as comunicações e ajudavam a aprofundar o colapso semeando confusão na retaguarda do inimigo. Unidades avançando em alta velocidade estendiam-se demais e mesmo que o controle fosse estrito, a possibilidade de  contra-ataques era uma constante. Esses eram prevenidos através da presença na linha de frente, da <em>Luftwaffe</em> (Arma Aérea) e do deslocamento de artilharia anti-carro, que a partir de 1941, começou a ser montada em carretas  sem torre, de silhueta muito baixa, que passaram a ser conhecidas como <em>SturmGeschutz</em> (algo como &#8220;canhão de assalto&#8221;), e se revelaram extremamente úteis no suporte às operações dos blindados. O controle de todo esse aparato baseava-se em tropas de comunicação organizadas ao nível de batalhão - coisa até então completamente desconhecida -, operando sistemas móveis e portáteis de rádio. Assim, as primeiras divisões blindadas, aparecidas na Alemanha, tornaram-se, depois de 1940, símbolos de poder militar.</p>
<p>Esse novo tipo de guerra, fortemente apoiado em um conjunto de novas tecnologias que ampliavam as dimensões do campo de batalha, exigia um novo tipo de comandante. Instalado em um quartel-general móvel, enxergando o campo de batalha a partir dos olhos de suas unidades de reconhecimento terrestres e aéreas, analisando informações que chegavam através dos equipamentos de telecomunicações, jovens coronéis e generais como Guderian, Erwin Rommel, Erich Hoepner e Felix Steiner, dentre outros, seguiam na frente de suas unidades, de modo a estar nos  pontos decisivos, tomar as decisões rapidamente e animar os soldados.</p>
<p>A <em>blitzkrieg</em> alcançou sucesso estrondoso entre 1939 e 1942. Atualmente, quase todos os historiadores especializados concordam que, nessa primeira fase da Segunda Guerra Mundial, o fato de a Alemanha contar com 10 divisões blindadas, 7 divisões de infantaria mecanizada (chamadas pelos alemão de <em>Panzergrenadiern</em>, &#8220;Granadeiros couraçados&#8221;) e 3 divisões ligeiras (uma divisão blindada com um complemento menor de veículos blindados) foi a diferença que possibilitou uma vitória tão completa em tão pouco tempo, contra algumas das maiores potências militares da época.</p>
<p>Nos anos que antecederam o conflito, diversos países estudaram conceitos semelhantes aos desenvolvidos pelos alemãs. Esses estudos buscavam entender as experiências realizadas na Frente Ocidental, durante a Grande Guerra, especialmente a partir de 1916, com o uso  de carros de combate e forças mecanizadas. Se bem que não tenha tido grande influência no desfecho da guerra, esse tipo de nova tecnologia impressionou alguns oficiais ingleses, franceses e soviéticos o suficiente para levá-los a pensar no assunto.</p>
<p>Em 1935, as principais potências da época - Inglaterra, França, União Soviética, EUA e Japão - tinham feito estudos mais-ou-menos aprofundados em torno da aplicações das novas tecnologias militares. São bem conhecidas as idéias dos britânicos Fuller e Liddell-Hart, baseadas na experiência da Grande Guerra. Embora tenham se afastado do exército logo após o fim das hostilidades, e escrevessem livros em linguagem não-técnica, tornaram-se muito populares entre oficiais militares não-teóricos. No lado militar, na década de 1920 os britânicos formaram uma &#8220;Força Experimental Motorizada&#8221;, unidade de todas as armas extremamente móvel. Em 1928, manobras realizadas na planície de Salisbury demonstraram a efetividade de unidades motorizadas controladas por rádio e a capacidade do tiro em movimento ser eficaz. Apesar do sucesso dessas experiências, a unidade foi debandada nesse mesmo ano. Ainda assim, EUA, URSS e Alemanha observaram cuidadosamente os resultados, e é bem conhecida a influência tanto de Fuller e Liddell-Hart quanto da &#8220;Força Experimental Motorizada&#8221; sobre as idéias de Guderian e von Thoma.</p>
<p>Na URSS, o marechal Mikhail Nikolaievich Tukhachevski, antigo oficial superior do Exército do Czar, depois comandante do Exército Vermelho durante a Guerra Civil (1920), a Guerra contra a Polônia (1920-21) e a rebelião de Kronstadt (1921), tornou-se um grande estudioso da aplicação da velocidade e do motor à explosão, baseado em sua própria experiência com a guerra de movimento na frente ocidental, durante a Grande Guerra. Entre 1924 e 1931, empenhou-se na modernização e rearmamento das forças terrestres soviéticas, e, em diversos artigos e livros escritos entre 1928 e 1935, delineou uma teoria do emprego de armas combinadas conhecida como &#8220;operações profundas&#8221;. Nesse esboço de doutrina, formações de armas combinadas, organizadas em torno de unidades motorizadas e blindadas, incursionariam profundamente para dentro das linhas inimigas, de modo a desorganizar-lhes a retaguarda, as linhas de comunicação e de suprimentos. Embora essas idéias sofressem forte oposição do <em>establishment</em> político e militar soviético, tornaram-se muito populares entre a oficialidade de tropa e foram adotadas durante a década de 1930. Seu livro &#8220;Instruções  sobre as Operações Profundas&#8221; tornou-se leitura obrigatória e  as teorias expostas nele acabaram convencendo Stalin, que imbuiu-se da idéia  de que a modernização do exército poderia ser um fator de aceleração da modernização da URSS, movimento chamado de &#8220;industrialização militar&#8221;. Em 1931, como comissário para a defesa, Tukhachevski criou não apenas unidades blindadas experimentais, como uma indústria de blindados extremamente avançada. Acabou sendo executado durante os expurgos de Stalin, mas sua doutrina continuou popular entre a oficialidade e não chegou a ser expurgada dos manuais  militares soviéticos. Entre agosto e setembro de 1939, a aplicação mitigada das idéias do marechal por  seu aluno Georgy Zhukov, na guerra contra o Japão, provocou uma vitória arrasadora sobre forças imperiais muito superiores. Ao longo dos anos seguintes, embora o nome de  Tukhachevski não pudesse ser citado, suas idéias podiam ser estudadas, e embora estudadas, não podiam ser aplicadas. As formações de todas as armas, ainda experimentais, foram dissolvidas, restando algumas que continuaram operacionais na fronteira com a China. O resultado do expurgo foi curioso: em 1940, a URSS dispunha de mais de 10.000 tanques, um corpo de oficiais e praças muito bem treinados na operação dessas armas e experiência de combate real, mas não dispunha de uma arma blindada real.</p>
<p>A França liderava, desde a Grande Guerra, o desenho e fabricação de tanques, copiados por norte-americanos, soviéticos e japoneses. Mas, ainda assim os teóricos franceses continuaram a propor que os blindados compusessem uma arma de suporte à infantaria. Os tanques franceses (chamados de &#8220;carros de combate&#8221;) surgidos nos anos 1920, pesadamente protegidos e armados, eram reunidos em unidades de &#8220;cavalaria couraçada&#8221; e deveriam buscar romper as linhas adversárias para permitir a passagem local de forças convencionais de infantaria a pé. Os teóricos militares franceses não consideravam o veículo motorizado capaz de provocar o colapso das forças inimigas. Apenas um francês advogava pelas forças blindadas: o coronel Charles De Gaulle. Veterano da Grande Guerra, renomado intelectual militar e oficial de Estado-maior, De Gaulle publicou, em 1934 e 1938, livros no qual defendia como &#8220;imprescindível&#8221; a criação de um exército profissional, formado por unidades mecanizadas e blindadas. Na contra-mão de seus superiores,  tornou-se um adversário ferrenho das idéias de &#8220;frente estática&#8221; defendidas pelo comando do exército. Essas teorias resultaram, em  1930, na construção da Linha Maginot. Baseada nas idéias de André Maginot, ministro da Defesa entre 1929 e 1931, a &#8220;Linha&#8221; era, de fato, um elaborado e complexo sistema de fortificações capaz, em teoria, de parar qualquer ataque. As idéias do coronel foram alvo de forte rejeição, sendo colocadas de lado sem sequer serem examinadas. De fato, problemas políticos estavam por trás dos problemas de De Gaulle com seus colegas e até com seus mentores, os marechais Weygand e Petáin. Na Polônia, Vladislau Sikorski, antigo oficial do exército austro-húngaro, engenheiro e ativista pela independência polonesa, tornou-se comandante do exército polonês na guerra contra a União Soviética, contra o qual obteve uma vitória considerada &#8220;milagrosa&#8221;, mas que, de fato, pode ser atribuída ao treinamento superior dos poloneses e ao uso de veículos motorizados como forma de chegar primeiro ao objetivo e preparar o terreno. Na segunda metade dos anos 1930, exilado em Paris depois de problemas políticos com a ditadura do marechal Pilsudiski, Sikorski, trabalhando como colaborador na Escola Superior de Guerra, escreveu um livro no qual apresentava idéias muito similares aquelas que mais tarde seriam aplicadas pelos alemães.</p>
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<title><![CDATA[Um sistema de armas (da Segunda Guerra Mundial, é claro) às terças::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/16/um-sistema-de-armas-da-segunda-guerra-mundial-e-claro-as-tercas/</link>
<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 01:29:35 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
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<description><![CDATA[Se você pensar em um ramo da aviação de combate que pudesse ser dado como charmoso, provavelmente]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p style="text-align:justify;">Se você pensar em um ramo da aviação de combate que pudesse ser dado como charmoso, provavelmente pensaria na aviação de caça, não pensaria? E alguém lhe pedir para lembrar de alguns dos modelos que viram ação, em qualquer época e em qualquer céu, provavelmente uma dúzia deles lhe viria à cabeça: MiGs, Mirages, Starfighters, Mustangs&#8230; Mas, dentre eles com certeza estaria o <em>Supermarine Spitfire</em>. Se é que um avião pode representar o espírito dos primeiros tempos da guerra, esse avião é ele. A coragem, a tenacidade, a galanteria dos &#8220;famosos poucos&#8221; encontrou sua perfeita expressão nos céus das cidades britânicas, à bordo dessas belas aeronaves.</p>
<p style="text-align:justify;">O <em>Spitfire</em> foi o único caça do Ocidente a operar durante todo o conflito e em todos os teatros, inclusive na frente oriental e no Pacífico. Produzido em diversas versões e em grandes números, seu desenho revolucionário lhe  garantiu uma longevidade surpreendente: vinte anos depois do surgimento da primeira versão, ainda estava em ação, em diversas forças aéreas do mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Nessa comemoração particular do final da Segunda Guerra, este blogueiro com mania de tecnologia continua achando que, infelizmente, as armas ainda representam o melhor da inventividade e criatividade humana. E, se não podemos negar que seja assim, pelo menos podemos imaginar que alguns sistemas de armas foram bem usados, contribuindo decididamente para parar as hordas &#8220;do mal&#8221;. Resumo justíssimo para carreira do <em>Spitfire</em>, a arma da primeira grande derrota dos nazistas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>:: :: :: :: ::</strong> <strong>:: ::</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A origem do <em>Spitfire</em> remonta aos anos 1920, quando o projetista Reginald Mitchell, da empresa <em>Supermarine Aviation Works</em>, instalada em Woolston, Southampton, liderou a equipe de engenheiros que desenhou a aeronave de competição S6. Esse elegante protótipo destinava-se a disputar o Troféu Schneider, um dos muitos prêmios para aviões de alto desempenho, disputados na época, e que contribuíram fortemente para o desenvolvimento da ciência e da engenharia aeronáutica. O S6 iniciou uma carreira de sucesso, e levou os ingleses à conquista de duas edições do prêmio.</p>
<p style="text-align:justify;">O outro lado da história é bem menos elogiável. Na segunda metade dos anos 1920 a <em>Royal Air Force</em> (Real Força Aérea) e a defesa aérea britânica estavam em estado precário. As dificuldades econômicas por que passava o império nos anos 1920 - 1930 eram parcialmente responsáveis por essa situação. Mas havia um outro motivo, que remontava à Primeira Guerra Mundial: a &#8220;mania do bombardeio estratégico&#8221;. Alguns teóricos (que, justiça seja feita, não se encontravam apenas na Grã-Bretanha), achavam que nada poderia deter os bombardeios, e que as cidades estavam condenadas, e a melhor resposta à essa ameaça seria ameaçar os inimigos potenciais. Essa postura levou o governo britânico a negligenciar a defesa aérea do país como &#8220;inútil&#8221;. Mas, um oficial que pensava diferente foi alçado ao comando da RAF, e propôs-se a mudar essa situação: tratava-se do marechal-do-ar <em>Sir</em> Edward Ellington. Entre 1934 e 1937, durante sua gestão a RAF foi profundamente reestruturada,  e é muito pouco provável que, sem a intervenção desse aviador dinâmico e taciturno, a Inglaterra tivesse conseguido sair-se bem da ofensiva alemã de 1940-1941. Ellington foi responsável por constatar o atraso tecnológico da RAF, no início dos anos trinta, depois de algumas experiências junto ao governo da Austrália. Elevado ao cargo de chefe do estada-maior da RAF em 1933, mudou radicalmente a doutrina de que apenas o ataque importava. Em meados dos anos 1930 estabeleceu as requisições das aeronaves que venceriam, poucos anos depois, a Batalha da Inglaterra. Dentre elas, o <em>Spitfire</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Curiosamente, a trajetória dessa aeronave &#8220;para derrubar qualquer coisa que estivesse no ar&#8221; começou com o fracasso de um outro projeto da equipe de Mitchell, um monoplano com carlinga aberta e trem de pouso fixo, designado &#8220;Tipo 224&#8243;. Visando atender à requisição do Ministério do Ar por uma aeronave capaz de alcançar 400 km/h em vôo nivelado num teto operacional de mais-ou-menos 6000 metros, esse protótipo perdeu em todos os quesitos para um desenho bem mais conservador, o biplano <em>Gladiator</em>, da empresa Gloster. O fracasso foi, em grande medida, atribuído ao mau uso de uma sistema experimental de resfriamento a líquido evaporado, disponibilizado pela empresa Rolls-Royce e instalado no motor Kestrel. Diante do insucesso, Mitchell e seus engenheiros tomaram a iniciativa de redesenhar o &#8220;224&#8243;. A idéia básica foi utilizar a experiência adquirida com o vitorioso modelo S6B, vencedor, em 1931, do Troféu Schneider. Mitchell decidiu  procurar Henry Royce da Rolls Royce, que possuía algumas idéias para um novo motor V12, e que estava trabalhando em um projeto próprio. Dessa entrevista nasceu a idéia de adotar um motor de desenho &#8220;em linha&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Os motores até então considerados padrão eram os radiais da série <em>Mercury</em>, da empresa <em>Bristol Aeroplane Company</em>,<em> </em>adotados no <em>Gladiator </em>e considerado extremamente confiáveis. Mitchell, entretanto, optou pelo Kestrell, da Rolls-Royce, baseado num bloco de motor fundido em peça única e 12 cilindros em &#8220;V&#8221; com 22000 cm<sup>3</sup> de capacidade. Embora muito potentes, os motores &#8220;em linha&#8221; eram considerados frágeis, por esquentarem muito, ao contrário dos radiais, refrigerados a ar. Ao longo dos anos 1930, entretanto, a Rolls-Royce insistiu no desenvolvimento de uma série de motores dessa classe, até chegar ao modelo PV-12, uma iniciativa experimental da empresa, destinada a testar o sistema de resfriamento a líquido evaporado e os  &#8220;super-compressores&#8221; aperfeiçoados. Embora tenha sido amplamente testado no caça <em>Huricane</em> da empresa Hawker (surgido em 1935), esse sistema de resfriamento foi posteriormente abandonado pelo sistema de água &#8220;líquida&#8221; esfriada com etileno-glicol, idéia adotada com sucesso nos EUA. A junção dos blocos sólidos e cilindros de 45<sup>o</sup>de inclinação, da Rolls-Royce, com o sistema de resfriamento a líquido esfriado resultou, em 1936, no motor <em>Merlin</em>, amplamente adotado nos caças ocidentais, durante toda a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align:justify;">A aeronave que decolou em março de 1936 pode ser descrita, tecnicamente, como um monoplano de alto desempenho, asa baixa, fuselagem e asas em metal rebitado, utilizando técnicas de construção monocoque e hélices de passo fixo.</p>
<p style="text-align:justify;">O desenho de Mitchell era literamente concebido em torno do motor <em>Merlin, </em>que, em 1936, já se mostrava altamente promissor. Para explorar toda a potência desse grupo propulsor, a equipe de projeto adotou uma estrutura bastante avançada, para a época, baseada em uma composição semi-monocoque totalmente feita de duralumínio. A estrutura era dividida em 19 partes, todas elas em formato ovalado e se reduzindo suavemente em tamanho, de maneira a compor curvas longitudinais muito pouco acentuadas, reduzindo, dessa forma, o arrasto aerodinâmico do conjunto. Todas as peças tinham numerosos buracos redondos, posicionados de modo a, sem diminuir a resistência do sistema, diminuir-lhe o peso. O conjunto era unido por cabos metálicos e longarinas longitudinais, e apresentava grande resistência estrutural ao mesmo tempo que deixava muito espaço interno disponível para alojar combustível extra, câmeras fotográficas, equipamento de navegação ou mesmo pequenas quantidades de carga. Também incorporava vários detalhes que ainda não eram considerados confiáveis pelos militares, como trens de pouso escamoteáveis, cabine fechada e sistema de oxigênio para o piloto.</p>
<p style="text-align:justify;">A asa era um dos pontos fortes do projeto: um conjunto de formato elítico, adotando um modelo de aerofólio desenvolvido nos EUA. Uma única longarina atravessava toda as seções, dividida em cinco partes unidas, que resultava num conjunto leve e muito forte. O desenho era concebido para reduzir ao máximo o arrasto aerodinâmico sem comprometer a chamada &#8220;carga alar&#8221;. O desenho elítico também foi adotado para os estabilizadores e o leme.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro desenho do que viria a ser o <em>Spitfire</em> foi o chamado &#8220;Tipo 300&#8243;, e saiu da prancheta em novembro de 1934. A <em>Supermarine, </em>empresa de pequeno porte,<em> estava </em>metida em dificuldades financeiras em função do projeto S6 e das iniciativas militares fracassadas e dificilmente teria conseguido levar o projeto de Mitchell adiante. Mas, no início da década de 1930, foi adquirida pela <em>Vickers-Armstrong</em>, grande conglomerado de tecnologia aeronáutica, que resolveu continuar apoiando o projeto, como iniciativa de risco. Em janeiro de 1935, com o Ministério do Ar tendo formalizado a requisição  para o protótipo, o detalhamento - a fase mais cara - teve início. Logo ao abrir-se o ano seguinte, estava tudo pronto para o primeiro vôo.</p>
<p style="text-align:justify;">Por volta de meados do mês de junho seguinte, com os testes revelando um verdadeiro &#8220;puro-sangue&#8221;, a notação &#8220;Tipo 300&#8243; foi oficialmente substituída pelo nome definitivo: <em>Spitfire </em>(&#8221;Cospe-fogo&#8221;). Ao que parece, a origem do nome deve-se à uma sugestão de <em>Sir</em> Robert McLean, diretor-presidente da Vickers-Armstrong. McLean tinha uma irmã que, segundo contava, na adolescência era uma &#8220;cospe-fogo&#8221;. Essa palavra já tinha sido usada pela equipe de Mitchell, embora este preferisse o nome <em>Schrew</em> (&#8221;Mussaranho&#8221;, um mamífero aquático extremamente feroz).</p>
<p style="text-align:justify;">A aeronave foi aprovada pela RAF no fim do mês de junho de 1936, recebendo a designação MK I. A primeira encomenda montava 310 unidades, e foi feita logo depois. O avião exigia um processo  construtivo bastante complexo, especialmente  por causa  da asa, que misturava rebites aplainados nas partes externas e parafusos de madeira no cavername. Isso exigia ferramental especial e causou numerosos problemas quando da produção em massa, pela Supermarine. A produção do Hurricane era muito mais fácil, principalmente no que diz respeito a sua estrutura, o que se refletiu no grande número desses caças disponíveis nos primeiros dois anos  da guerra.</p>
<p style="text-align:justify;">Apenas em meados de 1938 o <em>Spitfire</em> começou a ser produzido em quantidade suficiente para ser entregue à RAF. Em fins de 1938, a RAF possuía dois esquadrões equipados com o novo caça, cada um com 100% de aeronaves de reserva. Um ano depois, no início da guerra, já havia nove esquadrões, com pouco mais de 300 Mk I em operação.</p>
<p style="text-align:justify;">Esses primeiros exemplares ainda eram equipados com o motor  Rolls Royce Merlin II, de 1050 hp. Esse motor tinha um problema - a injeção carburada. O sistema carburado fora planejado para melhorar o desempenho do motor a grande altitude, visto que aumentava a densidade da mistura ar-combustível, mas falhava quando a aeronave entrava em mergulho muito acentuado. Nesta situação, a força anti-G em que se encontrava o avião lançava o combustível para fora da câmara do carburador, de volta à bomba. Esse problema não seria plenamente resolvido até a invenção de um carburador mais eficiente, no início de 1941. Até lá, prevaleceu a inventividade dos pilotos britânicos: toda vez que entravam em  mergulho, os &#8220;poucos&#8221; efetuavam um &#8220;meio-tunneau&#8221; (curva sobre a asa, para a esquerda ou direita, sem completar o giro), que forçava o combustível para dentro da câmara devido à força centrífuga.</p>
<p style="text-align:justify;">Os primeiros Mk I também eram equipados com hélice de duas pás, de passo fixo, totalmente inadequadas para explorar a potência do Merlin. As aeronaves produzidas depois passaram a ser equipadas com hélices De Havilland ou Rotol, de três pás e passo variável. Essa nova hélice aumentou consideravelmente o desempenho de decolagem e a razão de subida, mas tinha um problema: exigia que o piloto verificasse se o passo estava corretamente ajustado para decolagem. A freqüência de acidentes levou a que mais tarde, fossem adotadas hélices de passo fixo.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa primeira versão era equipada com 4 metralhadoras Browning .303, o que pode ser considerado armamento muito leve, considerando o peso de fogo da rajada-padrão de 3 segundos. O motivo era a baixa disponibilidade de metralhadoras, o que foi resolvido no início do ano seguinte. A partir de então, a variante IA sairia da fábrica equipada com 8 metralhadoras; a IB recebia 2 canhões de 20 mm e 4 metralhadoras .303.</p>
<p style="text-align:justify;">Outra modificação notável foi a substituição da capota da carlinga. Inicialmente, era lisa e muito baixa, o que comprometia não apenas a visão do piloto, mas o conforto deste, cuja cabeça batia constantemente na capota. Logo foi substituída por uma versão mais larga, semi-esférica, que melhorava a visibilidade e deixava mais espaço para o piloto. Outros melhoramentos introduzidos foram um pára-brisa frontal à prova de balas e uma blindagem de 6 mm  atrás do motor e do assento do piloto.</p>
<p style="text-align:justify;">Essa foi a configuração da versão que adquiriu fama durante a Batalha da Inglaterra. De fato, os primeiros <em>Spitfires</em> não eram superiores aos <em>Messerschmitt</em> Bf109E, que foram seus principais opositores ao longo das 20 semanas de encarniçados combates aéreos. A questão central  é que a RAF se encontrava grandemente inferiorizada, depois do desgaste sofrido durante os dois meses anteriores, particularmente na Batalha da França. Contra aproximadamente 900 caças alemães monopostos, os britânicos podiam alinhar cerca de 550  monopostos e 69 caças noturnos. Metade deste número estava dispersa pelos aeródromos do sul da ilha: Biggin Hill, Kenley, Croydon, Hornchurch, Manston e Tangmere. Essas bases formavam um anel defensivo em torno de Londres e do estuário do Tâmisa. Também era importante o fato de que a defesa aérea das costas meridional e oriental eram coordenadas por uma rede de estações de radar plenamente operacional, codinome <em>Chaim Home</em>. Essa rede podia detectar aeronaves inimigas a uma distância de quase 160 km, o que dava aproximadamente uns 15 minutos de vantagem para a defesa. Além disso, havia sido desenvolvido um sistema de controle que permitia  melhor uso dos caças disponíveis. Entretanto, a principal vantagem  era o fato de ilhéus estarem lutando pela sobrevivência de sua nação, sobre território doméstico. Um piloto abatido, que saísse vivo de um salto, voltava a voar no dia seguinte; um alemão passaria o resto da guerra amargando um campo de prisioneiros.</p>
<p style="text-align:justify;">Os dados técnicos do <em>Spitfire</em> variaram bastante ao longo da guerra, visto que aproximadamente 40 versões ou variantes foram introduzidas entre 1939 e 1945. Os das primeiras versões, entre Mk I e Mk III eram os seguintes (com pequenas alterações, entre uma versão e outra).</p>
<p style="text-align:justify;">Peso vazio: 5280 libras (2394 kg)</p>
<p style="text-align:justify;">Área alar: 242 pés quadrados (22,48m2)</p>
<p style="text-align:justify;">Potência máxima: 1050 hp</p>
<p style="text-align:justify;">Velocidade máxima: 355 mph (570 km/h)</p>
<p style="text-align:justify;">Velocidade máxima em mergulho: 450 mph (724 km/h)</p>
<p style="text-align:justify;">Alcance máximo: 395 m (634 km)</p>
<p style="text-align:justify;">Taxa de subida: 2500 pés p/min (76,2 m/min)</p>
<p style="text-align:justify;">Teto máximo: 20000 pés (6000 m em aproximadamente 9,4 min)</p>
<p style="text-align:justify;">Capacidade de combustível: 85 galões imperiais (386 litros)</p>
<p style="text-align:justify;">A produção do <em>Spitfire</em> cessou em 1948. Foram construídas 20.351 unidades, em 44 versões, que podem ser divididas em três grandes categorias: equipadas com as diversas versões do motor Merlin, equipados com o motor Rolls-Royce Griffon e a versão naval <em>Seafire</em>. As versões mais comuns na guerra foram a MK I a MK V, surgida em 1941 (com motor Merlin III), a MK XX, de 1943 (em que foi introduzido o motor Griffon), a MK XVI, a primeira concebida como caça-bombardeiro, capaz de levar duas bombas de 250 lb (113 kg) e a versão MK XIX, desarmada, a mais veloz do modelo, equipado com hélices contra-rotativas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>:: :: :: :: :: :: ::</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Em seguida, gastem um tempinho vendo dois filminhos que mostram em detalhes a beleza das linhas do <em>Spitfire</em>.</p>
<p><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/MsMXfRts4kI&#038;rel=1&#038;fs=1' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/MsMXfRts4kI&#038;rel=1&#038;fs=1' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Verdana,sans-serif;"><span lang="pt-BR"><strong><span style='text-align:center; display: block;'><object width='425' height='350'><param name='movie' value='http://www.youtube.com/v/z9EmAM9A5-A&#038;rel=1&#038;fs=1' /><param name='allowfullscreen' value='true' /><param name='wmode' value='transparent' /><embed src='http://www.youtube.com/v/z9EmAM9A5-A&#038;rel=1&#038;fs=1' type='application/x-shockwave-flash' allowfullscreen='true' width='425' height='350' wmode='transparent'></embed></object></span><br />
</strong></span></span></span></span></p>
</div>]]></content:encoded>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Uma comemoração particular que não devia ser - II::]]></title>
<link>http://jbitten.wordpress.com/2008/06/09/uma-comemoracao-particular-que-nao-devia-ser-ii/</link>
<pubDate>Mon, 09 Jun 2008 14:27:00 +0000</pubDate>
<dc:creator>bitt</dc:creator>
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<description><![CDATA[Continuando minha comemoração particular (e atrasada) do final da Segunda Guerra Mundial, publico ]]></description>
<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">Continuando minha comemoração particular (e atrasada) do final da Segunda Guerra Mundial, publico abaixo um artigo relativamente longo em torno das origens do “Tribunal Internacional para Crimes de Guerra”, que, em 1946, levou a julgamento os doze principais líderes nazistas.  O artigo é, na verdade, uma tradução livre de um pequeno trecho da monumental história da Segunda Guerra Mundial escrita pelo professor Gerhard L. Weinberg,<em> A world at arms – A global history of World Word II</em>, publicado em 1994 pela editora Cambridge. Acrescentei algumas “notas ao texto”, que achei que poderiam trazer mais alguma coisa útil ao assunto.</span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><strong><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">:: :: :: :: :: :: :: :: :: </span></span></strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">Em 12 de abril de 1945, perto da cidade de Gotha, na Turíngia, Eisenhower, [Omar] Bradley<sup>1 </sup>e [George] Patton fizeram uma visita ao campo de trabalhos forçados de Ohrdruf. Eles percorreram os barracões, viram os mortos e os que estavam morrendo. Durante a visita, fotógrafos do Corpo de Comunicações do Exército [U.S. Army Signal Corps] colhiam imagens que, posteriormente, iriam assombrar o povo dos EUA. Civis alemães, bem como os pracinhas do Exército dos EUA foram instruídos à conhecer esse campo, ou outros como ele – e, literalmente, haviam centenas. Nos dias seguintes, tropas norte-americanas e inglesas liberaram outros, bem maiores e muito mais famosos – ou notórios - : Buchenwald, Dachau, Bergen-Belsen, Nordhausen, Manthausen<sup>2, </sup>e assim por diante. Conforme eram revelados, o impacto era enorme. Numa época em que cine-jornais e revistas ilustradas como a <em>Life</em> distribuíam imagens dos principais eventos, o material feito nos campos levou à “frente interna” uma realidade que, até então, não tinha sido plenamente revelada. As autoridades aliadas e vários representantes da sociedade civil desconfiavam, já fazia tempo, que essas instalações eram apenas a ponta de um enorme iceberg; que talvez houvessem outros lugares onde mais pessoas tivessem sido assassinadas em um dia do que durante toda a existência de Ohrdruf. Mas esse lugar afoi suficiente para deixar a impressão de que havia ali alguma coisa diferente dos muitos massacres específicos acontecidos durante os combates, em situação de combate ou entre militares: Malmédy, Oradour-sur-Gleine, Fossas Ardeatinas, o massacre do <em>StalagLuft</em> III, a “ordem os commandos”, dentre centenas de outros. Ali estavam sinais tangíveis de um horror generalizado, que não poderiam ser ignorados pelas pessoas comuns.</span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">O desenrolar dessa situação criou as bases para que o público apoiasse com crescente furor a proposta norte-americana de que criminosos de guerra fossem levados a julgamento depois do fim das hostilidades. A experiência de permitir que alemães conduzissem o julgamento de criminosos de guerra da Primeira Guerra Mundial tinha dado péssimos resultados: além do mais,  em 1945 não havia nenhum governo alemão, como em 1919. Embora tenha sido sugerido, não havia inclinação para delegar a tarefa a governos neutros, como a Espanha ou a Argentina – países que tinham recusado todas as propostas para se juntar à guerra contra a Alemanha – e também não havia indicação de que esses estivessem interessados. Os aliados teriam de fazer o trabalho. A iniciativa foi tomada pelos norte-americanos que, segundo os termos da “Declaração sobre as atrocidades alemãs na Europa Ocupada”, emitida em Moscou, em 1943, queriam que os criminosos envolvidos em delitos praticados uma determinada área fossem julgados no mesmo lugar, e também um tribunal internacional para julgar aqueles cujas ofensas tivessem atingido áreas geograficamente mais amplas. Rooselvelt já tinha divulgado a posição básica dos EUA em Ialta, e Truman, dando continuidade ao processo, designou o juiz da Suprema Corte Robert H. Jackson para representar os EUA numa conferência especial, a ser realizada em Londres em 26 de agosto de 1945. </span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">Sobre o tribunal, não houve concordância entre os Aliados, sendo que a União Soviética estava mais próxima da posição dos EUA do que a Grã-Bretanha. Os britânicos pretendiam declarar  os dez principais chefes nazistas – inclusive Hitler – como foras-da-lei, e fuzilá-los assim que fossem apanhados. Essa posição foi confirmada em 12 de abril de 1945 pelo Gabinete.<sup>3 </sup>Os soviéticos queriam que o julgamento fosse sumário, e não desse aos acusados direito de defesa. Os norte-americanos, com sua objeção fundamental ao justiçamento, que vinha se desenvolvendo desde o século XVIII e estava posta na Constituição do país, eram inflexíveis sobre o tema. Na conferência de Londres, um acordo foi atingido, com o representante dos EUA exercendo forte pressão sobre os britânicos. Os participantes estabeleceram o tribunal, o local onde aconteceria e a decisão sobre a detenção dos principais acusados e sua transferência, logo que fossem capturados. </span></span></p>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">Juntamente com o estabelecimento do sistema de controle conjunto do espaço aéreo sobre Berlim, o tribunal de Nuremberg foi o último ato de cooperação entre os quatro vencedores da Segunda Guerra Mundial. </span></span></p>
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<li>
<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">Omar 	Nelson Bradley (1893 – 1981) foi um dos primeiros comandantes de 	campo das tropas norte-americanas. Liderou a invasão da 	Sicília e, em janeiro de 1944 foi indicado para o Primeiro 	Exército dos EUA, maior unidade dos Aliados ocidentais. Em agosto, logo depois da Normandia, recebeu o comando 	do 12<sup>o </sup> Grupo de Exércitos, unidade que, na 	prática, reunia as tropas dos EUA diretamente em combate no 	teatro europeu. Embora não fosse um comandante particularmente 	brilhante, era administrador de talento, capaz de lidar com 	personalidades como as de Patton e Hodges, seus egocêntricos 	comandantes de campanha. No fim da guerra, liderava quase 1.500.000 	efetivos. Em 1950 foi promovido de a general de cinco estrelas, 	último oficial a receber essa distinção, 	na história das forças armadas dos EUA. Os outros 	foram George Marshall (comandante do Exército dos EUA durante 	a Segunda Guerra Mundial) Eisenhower (comandante das tropas dos EUA 	na Frente Ocidental), Henry Arnold (comandante da Força Aérea 	do Exército) e Chester Nimitz (comandante da Marinha dos 	EUA). George Washington também recebeu a patente.</span></span></p>
</li>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">O 	sistema de segurança implantado por Göring em meados dos 	anos 1930, quando era ministro do Interior da Prússia e chefe 	de polícia tinha, dentre seus principais elementos, os 	“campos de concentração” (em alemão 	<em>Konzentrationlager</em>, ou KZ). Esses campos eram instalações 	civis administradas sob regime de disciplina militar, e 	destinavam-se, inicialmente, a receber prisioneiros políticos 	e “elementos anti-sociais” para reeducação e/ou 	recolocação pelo Estado. A idéia foi 	desenvolvida pelos ingleses, durante a Guerra dos Boeres 	(1900-1902), como forma de negar à guerrilha <em>afrikaaner</em> uma retaguarda que a aplicaram, posteriormente, em outros lugares do Império. Durante a Primeira Guerra Mundial, </span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">foram copiados pelos alemães</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><span style="font-size:x-small;">. Em 1933 o primeiro KZ  oficial (outros, em miniatura, já tinham sido criados pelas SA nazistas, clandestinamente) foi instalado em Dachau, fábrica 	abandonada perto de Munique. Em 1939 o sistema contava com 	seis grandes unidades (Dachau, Sachsenhausen, Buchenwald, 	Flossenburg, Mauthausen e Ravensbruck) e umas vinte unidades 	menores, reunindo mais de 200.000 prisioneiros. A administração 	foi repassada, em 1936, à SS, que criou um ramo  especial, 	conhecido como “Destacamentos Caveira”, comandado pelo general 	SS Eicke, com a finalidade de guardar as instalações e 	os prisioneiros. Em 1941 foi decidido que alguns KZs situados na 	Europa oriental ocupada seriam “unidades de execução 	da solução  final da questão judaica”. As 	principais dessas unidades situavam-se na Polônia, onde tinham 	sido implantadas desde 1940 e já cumpriam funções 	de extermínio de políticos, intelectuais e militares, 	bem como de minorias etnicas. </span></span></p>
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<p class="western" style="margin-bottom:0;"><span style="font-family:Arial,sans-serif